16 Fevereiro - Angariação de fundos para o 2º Encontro Anarquista do Livro
O Encontro Anarquista do Livro (EAL) do Porto prepara-se para acontecer pela segunda vez e tem uma espécie de lançamento no próximo dia 16 de Fevereiro, a partir das 17h30, no Gato Vadio. Do convívio, que também será uma forma de angariaçºao de fundos para a organização do II EAL, consta o lançamento do mais recente livro da Barricada de Livros (Escrito(s) - a - vermelho, de Vaoltairine de Cleyre, e um concerto/espectáculo de O Riso de Acauã
Escrito(s) - a - vermelho
Antologia de textos e poemas de Voltairine de Cleyre, edição Barricade de Livros
Voltairine de Cleyre (Leslie, 1866 – Chicago, 1912) foi uma das mais activas e influentes figuras do conjunto de mulheres e homens, autóctones ou emigrantes, que corporizaram o movimento anarquista norte-americano da sua época. Mulher, Feminista, Anarquista, Voltairine introduziu uma perspectiva anarquista no feminismo da época, incorporando-lhe uma carga de radicalidade e de modernidade que este não possuía e, simultaneamente, deu uma perspectiva feminista ao anarquismo, num tempo em que a acção e a importância da mulher activista eram apagadas ou desconsideradas, como infelizmente ainda acontece, mesmo entre libertários. De extrema sensibilidade, com uma personalidade complexa e difícil, iconoclasta, espírito livre, não aceitava limites ou imposições de nada nem de ninguém. Sofrendo de problemas existenciais profundos, talvez devido à educação religiosa imposta pelo pai, acentuados pelas doenças com que se deparou, e que se traduziram numa vontade deliberada de isolamento social, numa enorme tristeza e em pouca vontade de viver. Toda a sua razão de existir era completamente canalizada para uma militância apaixonada, consubstanciada na defesa e na propaganda intensa das ideias anarquistas, às quais procurava dar uma profundidade e originalidade que fizeram dela um caso ímpar. Esta vontade de lutar por um mundo melhor foi, na prática, o leitmotif que lhe deu a energia e a força de vontade necessárias para ultrapassar todas as dificuldades de uma vida atormentada por problemas de saúde. Morreu cedo e nova, tendo por isto a sua figura caído no esquecimento, do qual só começou a recuperar já no século XXI com a edição de algumas antologias, embora sobretudo em língua inglesa. A presente antologia de inéditos em língua portuguesa proporciona ao potencial leitor a oportunidade de (re)conhecer a essência da sua obra, através de um conjunto de textos — ensaios, poemas e um conto — escritos entre 1890 e 1912, que incidem sobre diversos temas e reflectem, no fundo, as suas preocupações como mulher e activista. Lê-la é dar dignidade a uma vida passada em plena revolta contra o capitalismo, o Estado, o consumismo e a autoridade.
O Riso da Acauã
Projecto de Poesia e Bateria
Irradiando o seu riso na incomensurabilidade dos versos que se vão unindo em universos, a Acauã rasga os limítrofes dos horizontes num voo a dois, agourando em melodias as secas, os vendavais, os dilúvios das vontades consequentes dos tempos que cavalgam e, ao atravessar desertos, em êxtases profanos, arranca uma e outra e, se possível outra ainda, língua bífida dos poderes carrancudos que rastejam fervorosos para a silenciar. Voando para o combate, a Acauã ribomba ruidosas risadas, que perfuram até os olhares mais longínquos, atravessando a fronteira da casca alienante e contrabandeando a pergunta: e agora?


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