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Tese: uma cedência às palavras

Confirma-se a hipótese abaixo explicitada por indução. Como caso base, aqui e agora, em directo da Penha de França, citamos:

“O uso de redes corporativas por parte dos anarkistas, (a)mén, é por causa que assim dá para usar o perfil, tem lá o que vejo, o que não vejo, os meus gostos e desgostos, e além disso, dá para ter mais controlo, tás a ver? Dá para banir à vontade, livrar-nos dos trolls, dos bots russos, em nome do bem da comunidade, e das pessoas marginalizadas, qualquer coisa dá para clicar no botão de denúncia e a Meta/Kolektiva trata disso, entendes?”

Será que o sucessor obtém o mesmo resultado? Citamos agora o elemento seguinte na hierarquia do colectivo que consultámos, o nº 2 da afinidade ordenada que insiste que refiramos que é activista interseccional e estudante de doutoramento em Filosofia, com uma tese em curso sobre a movimentação logísitica da economia globalizada do século XXI como condicionante capitalista à rejeição das as divisões disciplinares académicas surgidas com a ascensão da máquina aquando da industrialização [n.d.r./n.d.t.: a tese já está pronta, aguarda apenas de momento o aval do analista de dados do departamento de estatística da instituição, que por sua vez aguarda uma revisão de pares forçosamente adiada por conta das greves de trabalhadores da distribuição postal no país onde está sediado o centro intelectual mais reputado em matéria de… bem, nesta matéria]:

“Sabias que te posso processar se me citares sem o meu consentimento? Posso ver a tua cédula de jornalista? Sabes que é crime público espalhar fake news?”

 

A hipótese: nem se trata de opção cómoda, ou de uma não-opção de todo, pois que sabemos de todes que estão cientes, nem se trata tanto quanto alguém queira asserir de que o pessoal quer é arrebanhar, mesmo que haja fundo de verdade nisso. Trata-se de algo além, ou adjacente às infelizes considerações anteriores, a de que o pessoal não só cede aos como intercede de bom grado entre os postulados liberal-democratas, os tais que têm discursos civilizantes, os tais que controlam a expressão possível e relegam a opinião aceitável (ou controlada) para parlamentos mais ou menos pequenos, mais ou menos representativos, reconhecidos internacionalmente ou não, em caves na Penha de França ou em reuniões na Lapa. Aceitar o progresso quando se lhe opõe demonstrativamente significa policiar enquanto se grafita 1312, sabendo nós que os signos são o que se fizerem deles, e que o que é prático na supressão dos indivíduos não é a norma específica que se instituí, mas a repressão que se dirige e dirigirá a quem dela se desvie. Assim, formam-se alianças, não só com os bons brancos heterossexualistas que se autoflagelam, ou com os colectivos marxistas com que se organiza manifestações em ‘apoio crítico’ (yup), mas até com a própria máquina de disseminação ideológica capitalista, pois que tudo é preferível a termos que procurar algo além do existente, ou até a querermos algo que não a anuência reverencial acrítica dos nossos acólitos, offline a partir do online.

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