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		<title>Torturas &#8211; Especificidades Cronológicas V</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Sep 2026 09:08:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Repressão]]></category>
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					<description><![CDATA[2024-2026 e algumas notas avulsas: Vi a Sandra da Gralha em Évora, na SHE, numa feira da honesta, &#8220;Olá Bruno&#8221;, diz ela em passo apressado, como não querendo que mais ninguém notasse do seu stalking &#8211; que faz ela aqui tão longe, aqui tão perto? Pensei que me houvesse livrado já de toda esta gente, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>2024-2026 e algumas notas avulsas</em>: Vi a Sandra da Gralha em Évora, na SHE, numa feira da honesta, &#8220;Olá Bruno&#8221;, diz ela em passo apressado, como não querendo que mais ninguém notasse do seu stalking &#8211; que faz ela aqui tão longe, aqui tão perto? Pensei que me houvesse livrado já de toda esta gente, como eles se quiseram livrar de mim. Não sei, julgo que é assim, que se aproveitam da solidão de minha vida para jogar todo o tipo de jogos com impunidade, pois que a mais ninguém poderia eu recorrer. Como quando me rufiam numa feira anarquista de Lisboa, um capitalista e o Daniel dd Coimbra em tandem, gritando alegremente sobre o <em>anarco-sexo</em>, o que seja.</p>
<div></div>
<div>O controlo exacerbou-se, violam-me todos os dias, sussurram-me ao ouvido que me eliminarão, além de tudo o mais que é irreproduzível, de sórdido que é. Por vezes, para quebrar a monotonia, passo no CCL. Não me causa senão ressentimento. Afinal, ninguém parece interessado em qualquer contribuição minha, e quando propus evento anti-psiquiatria esse foi rejeitado pelo pretexto mais desonesto &#8211; em suma, um suposto companheiro, provavelmente inexistente, alega que a psiquiatria lhe salvou a vida e por isso veta a iniciativa. Sei que é mentira tudo isso. Que lhe tenha salvado a vida e que se deva a ele, que &#8220;não tem aparecido&#8221;, que o evento seja rejeitado. É decisão conjunta e consensual, porque tudo o que realmente desafia a ordem estabelecida se torna incómodo. &#8220;Às vezes há uns anti-psiquiatria, mas não duram muito&#8221;, diz o Raúl. Porque será? De qualquer modo, aqui estou ainda, enquanto sobrevivente, enquanto resistente solitário.</div>
<div></div>
<div>Em 2025, tive novo internamento em Évora, de novo me interrompeu os estudos, porque de novo me agitaram através da ferramenta de controlo. Acorreu todo um aparato policial ao meu modesto aposento em Évora, saio do quarto tenho armas apontadas à cabeça, com direcção laser, assim são as emergências de &#8220;saúde mental&#8221; que a reportagem do Fumaça menciona; de novo alguém não gostou de algo que fiz e se arroga o direito de me hipotecar a vida. Mais dois meses de confinamento, o médico Gonçalo quer que eu tome clozapina, inércia instantânea, e faça análises periódicas, algo que a minha médica de ambulatório reverte.</div>
<div></div>
<div>De qualquer modo, sou obrigado a rejeitar um trabalho porque no centro de psiquiatria se recusam a conciliar os meus horários com a toma da injecção, que se alterou de aripiprazol para zuclopentixol, mas não gosto muito de me deter nesta pseudociência e assim a legitimad. Tenho a minha vida hipotecada, todo o projecto, sonho, aspiração, devir, vontade de viver, foram jogados fora, algo que a repressão sole fazer, mas nunca tão eficientemente, nunca tão dissimuladamente, nunca com tanto sucesso em promover a ideia, inclusive nos meios supostamente dissidentes, de que a sua violência extrema é apenas &#8220;ajuda terapêutica&#8221;.</div>
<div></div>
<div><em>Para já, neste Setembro de 2026, esta cronologia, do I ao V, foi o que me ocorreu, vou acrescentando em comentários ou farei nova publicação se me ocorrer alguma nota que convenha divulgar.</em></div>
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		<title>Torturas &#8211; Especificidades Cronológicas IV</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 17:12:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Repressão]]></category>
		<category><![CDATA[Tortura]]></category>
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					<description><![CDATA[2023, ano zero; 2024, ano de controlo: Um colega de curso traficante aproveita-se da minha vulnerabilidade para me dar um charro para fumar, para de novo testar produto. Fico tão alterado que chamo eu mesmo a ambulância, vou parar a Setúbal, onde não me internam. O tribunal, no entanto, envia-me carta a casa a revalidar [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>2023, ano zero; 2024, ano de controlo</em>: Um colega de curso traficante aproveita-se da minha vulnerabilidade para me dar um charro para fumar, para de novo testar produto. Fico tão alterado que chamo eu mesmo a ambulância, vou parar a Setúbal, onde não me internam. O tribunal, no entanto, envia-me carta a casa a revalidar o tratamento em ambulatório em regime compulsivo, pelo que decido abandonar o curso e o país e procurar trabalho num sítio onde não me internem nem me mediquem forçosamente. Sem a medicação, sinto-me tão melhor, tão mais vivo e capaz, tão mais saudável. Tanto que, após deixar passar um tempo de esquecimento e regressar, consigo entrar em Matemática em Évora, na faculdade. Lá, recuperado que estou, sentindo-me saudável, escrevo uns textos no Indymedia, que atraem nova onda de repressão. Sou internado por ordem da polícia em inícios de 2024, mas saio do Garcia de Orta em regime voluntário. Depois, o controlo abate. Oiço a voz da Vera, psiquiatra no Garcia, à janela do meu quarto em Évora &#8220;se queres viver não bebas café!&#8221;. O café nunca me havia surtido efeito mais que o normal, mas com qualquer droga que me deram através de um qualquer dispositivo de controlo intravenoso (ou o que seja, isto um dia será sabido, para já é matéria para historiografia futura), fico agitadíssimo. Sei que há quem saiba do que é específico, mas nunca sou considerado digno o suficiente para que alguém me fale directamente, toda a comunicação comigo é feita por proxy, através da alusão ou da encenação. &#8220;(&#8230;) Confias na análise do Doutor House (&#8230;)&#8221; Decido sair de casa nesse instante e dirigir-me ao hospital, para que isto termine de uma vez por todas. Ainda passa o INEM por mim, dando-me ar para a cabeça, mas a minha resolução é inamovível. Estou em regime de compulsivo desde então, eles conseguem dar-me substâncias à distância que me deixam agitado, para que assim justifiquem a sua atrocidade. &#8220;Foi por um triz&#8221;, diz a enfermeira Rafaela, depois desse internamento, provavelmente algo que ver com o jogo macabro ao qual me sujeitaram contravontade.</p>
<div></div>
<div>Foi assim que conheci a Gisela. O André, utente do Garcia de Orta, carrega num botão do telemóvel de um controlador que o foi visitar, quiçá seu familiar, e passo mal logo que a substância bate. O segurança diz-me &#8220;Tu e a tua mãe são pessoas normais!&#8221; e o auxiliar Carlos assegura-me &#8220;Isto não tem nada a ver contigo&#8221;, pelo que não entendo este desperdício flagrante de recursos hospitalares em mim quando nada me diria respeito. Nesse internamento, a Gisela aperta-me a mão e diz-me &#8220;A morte não existe&#8221; e depois outros eventos, &#8220;para que achas que chamamos a Gisela?&#8221; pergunta-me o auxiliar/traficante Isaac, que esteve a cantar no Preço Certo, &#8220;se falas muito levas seringada&#8221;, assegura-me o João Xavier, um agente manda-chuva da companhia que foi visitar o internamento para ver se estava tudo em ordem, &#8220;você nunca devia ter vindo cá parar&#8221;, lamuria-se para mim o musicoterapeuta Gil, e por aí diante. O que escapa a todo este plano de me dar um sítio onde possa viver é que não tenho independência financeira e estou obrigado pelo estado à submissão voluntária, pois que todos os meus planos me são brutalmente interrompidos se assim não for. De qualquer maneira, dizem-me que já não sou imortal, assim o gritou a auxiliar Cátia depois de eu comer a gelatina. E a enfermeira Sara, recordo agora neste espaço, dizendo-me que foi uma fuga, que foi por eu ter fugido de casa que me internaram.</div>
<div></div>
<div>A partir daí, teria todo o tempo do mundo. Excepto que esta história da imortalidade é banha da cobra, ou um segredo tão bem escondido que alguém como eu pode aqui revelá-lo. Sinto-me velho, fraco e cansado, não vou viver para sempre.</div>
<div></div>
<div>Daí em diante, fiquei cada vez mais ciente do controlo, levo choques eléctricos caprichosamente, apercebo-me de que há outros ouvintes que, aparentemente, convivem muito melhor com esta ferramenta do que eu alguma vez serei capaz. Dão me doenças e depois a cura. Psiquiacia.</div>
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		<title>Torturas &#8211; Especificidades Cronológicas III</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 16:32:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Repressão]]></category>
		<category><![CDATA[Tortura]]></category>
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					<description><![CDATA[2020-2022 &#8211; Braga, Porto, Sul: Agora trabalho. Quando fui parar ao Garcia de Orta os tais cinco dias, fui confrontado pela médica Renata: &#8211; Então, qual era o seu problema? &#8211; Com as pessoas da pequena-burguesia era uma coisa, com as pessoas da classe trabalhadora era outra &#8211; E trabalham? &#8211; pergunta ela, intuindo-se daqui [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>2020-2022 &#8211; Braga, Porto, Sul</em>: Agora trabalho. Quando fui parar ao Garcia de Orta os tais cinco dias, fui confrontado pela médica Renata:</p>
<p>&#8211; Então, qual era o seu problema?<br />
&#8211; Com as pessoas da pequena-burguesia era uma coisa, com as pessoas da classe trabalhadora era outra<br />
&#8211; E trabalham? &#8211; pergunta ela, intuindo-se daqui que o meu mal era falta de trabalho</p>
<p>Em Braga trabalho, até me mudar para o Porto, para casa da Penim Guerreiro, perto do Marquês. Sempre na condescendência geral, de quem tudo sabia educando a ignorância em pessoa, como nas minhas visitas ao Maldatesta não ouvia senão pessoas falando de mim como se eu não estivesse presente, &#8220;que espírito!&#8221;, dizem, na primeira vez que vou após a tortura com a qual ninguém se solidarizou, tomando parte da encenação geral, também me vão passando uns charros para testar o produto, uma vez que é do consenso geral que mais nenhuma utilidade tenho. No Moinho, o Taborda rouba-me telemóvel e lentes de contacto, dizem que estão a cozinhar a legalização da marijuana. Essa é a minha função. Está a cozinhar, está a cozinhar, diz a Yolanda. Não há afinidade possível que pudesse formar com quem quer que seja, a relação dos outros comigo é uma de uso.</p>
<p>Depois mudo para a residência de estudantes, na posição de persona non grata na faculdade, excluído dos grupos online onde se discutiam as matérias das aulas. Lá faço umas gravações sobre o que me acontecera até então, votando afastar-me de tudo, algo que infelizmente não fiz, instado que fui pelo Duarte a voltar ao Maldatesta &#8211; houve debate académico e parece que saí vencedor, apesar de ser apenas objecto e nunca sujeito.</p>
<p>Passado algum tempo, fiz uma magia, nem que eu morra aqui, sem me perguntarem nada faziam intenções de me esconder, ou assim me fizeram crer, o Tozé pôs o &#8216;Clandestino&#8217; do Manu Chao a tocar no Gato Vadio. Sem qualquer relação de confiança mútua, estas pessoas, que sempre me votaram ao abandono quando mais precisava, que sempre ignoravam tudo o que eu pudesse ter a dizer, que sempre barraram qualquer iniciativa minha, criam de algum modo que lhes teria confiança o suficiente para aceitar ser transportado para um ambiente onde o seu controlo seria não apenas parcial mas total. Por outras palavras, como não me tratariam às escuras por comparação com o que já faziam às claras. Na minha posição de isco, toda a prática me foi vedada, nunca pude aprender nada, para depois ouvir do Jonas que o que importava era a serralharia não a literatura, quando a literatura era o pouco que o constante desterro me permitia e permite, e não sem também constante interrupção, tornando-me inapto, desadequado, burro.</p>
<p>Porque na residência chamaram a ambulância, neste consenso nacional de que sempre que faça eu algo que alguém não goste estou sujeito ao hospital psiquiátrico, levam-me para o São João, de onde me transferem para o Garcia de Orta. No primeiro, sentindo-me por cima, digo à médica, que numa altura mais tarde vi como enfermeira, e noutra ainda como recepcionista de teatro em Évora, que a psiquiatria rouba a individualidade de cada qual. &#8220;Concordo consigo&#8221;, diz-me, mas esta concordância não a impediu de acrescentar, &#8220;mas neste momento considero mais prudente que fique internado&#8221;.</p>
<p>Vou passando pelo Maldatesta de vez em quando, mas eles ainda estão retidos na iluminação cinemática e na absoluta falta de solidariedade, pelo que a certo ponto, vendo eu que não me aconteciam mais que novos internamentos, após os quais me tentava agarrar a esperanças infundadas de recomeços (quando me sentia saudável, que não é o caso agora), durante os quais me drogavam até um estado senciente, mas não consciente, em que faziam por me treinar obscuramente ou arrancar informações que nunca lembrarei ter ou não fornecido; desisto de lá ir. Até em Coimbra chamaram uma ambulância, onde quer que eu vá estou sujeito, e logo a minha memória se enfraquece com todo o dano que me foi causado.</p>
<p>Vou fazendo, quando fors de hospitais, uma vida algo boémia, em Lisboa. Mas sou seguido onde quer que vá. Até que sou expulso da Achada e no Desterro me cantam canções que intrometem com o de mais íntimo a minha vida poderia ter. Não estou cá a fazer nada se esta a crueldade absurda que tenho de enfrentar quotidianamente, pelo que opto pela tentativa de suicídio. O Filipe Vicente, médico no Garcia de Orta, diz que fiz uma birra. A Dulce diz que me deixe de pieguices. A minha vida foi roubada.</p>
<p>Depois do internamento do suicídio, há a tal altura em que o Sérgio Carvalho acorre à emergência médica, tentando tirar satisfações comigo. Em ninguém se pode confiar nesta vida, parece ser a lição que me querem dar, porque de novo vou parar à psiquiatria, primeiro ao Santa Maria, de onde tenho a cicatriz na sobrancelha, depois ao Garcia de Orta. Fico lá dois meses. Dois meses que nunca recuperarei, mais a medicação forçada, mais as amarras, mais o tempo de recuperação após internamento, mais o tempo de ameaça prévio. No total, já estive encarcerado dois anos. Oito anos de vida, e a contar, foram-me roubados. Nos hospitais, de tudo fazem para desestabilizar os utentes, com os seus jogos, rupturas e encenações. De outro modo, como poderiam justificar a sua actividade?</p>
<p>Uma vez perguntei ao Godinho que substância me estava a dar, acordei amarrado. Outra vez, fui socado por outro paciente, um Ricardo que anotava tudo o que eu dizia nas suas folhas &#8211; fui amarrado. Outra vez, tive desentendimento com um enfermeiro na zona do telefone, fui amarrado. E em diante. Com cinto de contenção e injecção de Haldol, para punição completa, para total estado de dependência.</p>
<p>Ninguém quis saber de mim quando me tentei suicidar pelo que do ponto de vista de toda a gente talvez haja sido pelo pior que não tenha sido bem-sucedido. Desde então, decidi não deixar ninguém para trás, não me enredar em fantasias revolucionárias que arrastem consigo sanismos vários. Comecei a usar a inernet, uma ferramenta em que a atomização obrigatoriamente imposta (ainda) não se totalizou, apesar de que o seu uso contínuo seja concorrentemente uma das suas causas (da atomização). É nessa actividade paradoxal que me encontro. A internet isola-nos quando é a comunicação única, mas a psiquiatria ainda mais nos isola quando tentamos recuperar a nossa vida e conhecer pessoas em carne e osso. Não só pelo sanismo vigente mas relações sociais e nos espaços libertários, como pelo exemplo punitivo que o internamento compulsivo oferece a todos quantos assistam alguém reclamando sua própria vida no aqui e no agora. Ou seja, preferia não ter a internet na minha vida, mas é o único espaço de expressão que me resta, uma vez que se fizer a vida em carne e osso como me aprouver, sempre estou sujeito à violência de torturas impunes com as quais ninguém se solidariza. É também o meu único espaço de identidade, ou seja, em que a minha expressão me outorga ser aos demais, pois que offline não encontro senão a indiferença daqueles para quem estaria tão bem morto quanto vivo. O obstáculo que separa o virtual do real é o que urge ultrapassar.</p>
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		<title>Torturas &#8211; Especificidades cronológicas II</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 14:14:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Repressão]]></category>
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					<description><![CDATA[Pós-tortura, 2019: Estou no Sul. Ligo aos ex-companheiros. O Luís Chambel diz-me &#8220;Vão acontecer umas coisas engraçadas&#8221;, e de facto há uma greve de combustíveis em progresso. Na sua última visita ao Magalhães Lemos, o Paiva deu-me um pin do gato assanhado e disse-me &#8220;Agora tens um jogo para jogar, joga-o bem. Estão todos os meus arredores [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Pós-tortura, 2019</em>: Estou no Sul. Ligo aos ex-companheiros. O Luís Chambel diz-me &#8220;Vão acontecer umas coisas engraçadas&#8221;, e de facto há uma greve de combustíveis em progresso. Na sua última visita ao Magalhães Lemos, o Paiva deu-me um pin do gato assanhado e disse-me &#8220;Agora tens um jogo para jogar, joga-o bem. Estão todos os meus arredores a fazer-me uma perseguição danada, tenho stalkers a passar-me à porta de casa, pessoas a comentar sardonicamente a minha debilitação. A Isabel Camarinha ao telemóvel diz-me, condescendentemente &#8220;Tens a certeza de que não tens esquizofrenia?&#8221; e acrescenta um conselho &#8220;Agora vais ter de ser um bom menino e ajudar a tua mãe&#8221;. Vou falando com ela de vez em quando, ela saciando sua curiosidade pela vida alheia à medida que partilho os detalhes sórdidos da minha. Quando vou ao centro de saúde, a Inês Jurissen Rosa assegura &#8220;É recuperável, Bruno. Confia.&#8221;. Aparentemente, o esperado é que eu albergue uma confiança cega no próprio aparato médico-securitário que me torturou. Outros telefonemas já os registei noutra publicação no Indymedia, não encontrei nada senão escárnio e malícia.</p>
<div></div>
<div>Quando estava no Magalhães Lemos, liguei ao banco, à Caixa Geral de Depósitos, para acertar um assunto, durante uma saída (nos demais hospitais onde estive não nos permitiram usar telemóvel, pelo que este é um luxo raro) da tarde, estava junto da Madalena. Perguntam-me se alguma vez me tentei suicidar. Sim, do banco. O conhecimento da minha vida da parte de todo o arredor social é um factor ubíquo a toda esta experiência social bizarra, como lhe chamaram na associação-bar Desterro, de Lisboa, cerca de 2022.</div>
<div></div>
<div>No primeiro pós-tortura, com a marcação geral, digo à minha mãe que quero ir ao Garcia de Orta. O Marialma, junto de minha casa, toca uma canção, &#8220;&#8230;vamos agitar alguém&#8230;&#8221;; e de facto, estou agitado, sob uma agitação particular, uma provocada pela tortura pública, consensual e sabida, de que é suposto que me recomponha sem furor, sobre a qual não encontrei a solidariedade de ninguém, deparando-me apenas com a solidão incomensurável do abandono a que fui votado. No Garcia de Orta, sou atendido por uma Beatriz, que ordena o meu internamento. Sou amarrado, estou a tremer em cima de uma maca, o enfermeiro Luís Godinho ri-se alto e bom som &#8220;Acabou a greve dos combustíveis! Ah! Ah! Ah!&#8221;. Mal me consigo mexer, estou cabisbaixo nesse internamento, efeito do que me parece hoje ter sido já o controlo eléctrico sob o jugo do qual estou. Fico internado para aí 5 dias, tomando ainda antibiótico durante o internamento, acossado que estou pela infecção pulmonar. Depois saio.</div>
<div></div>
<div>Pouco depois, faço um programa para a Rádio Paralelo chamado justamente &#8216;Tortura&#8217;, e digo à minha família que o oiça. Não encontro senão incompreensão destes fascistas, sobretudo do meu tio bófia que, vim a saber mais tarde, chibava as manhas todas e dizia que era eu, que, não o afectando a ele, me diz que devo tomar a injecção para o resto da vida, que não é sacrifício de maior. &#8220;É mentira!&#8221;, diz ele, o player, sabendo de tudo que é verdade. Ele ia visitar-me ao Porto quando lá vivia e incitava-me &#8220;Isto o que o país precisa é de uma revolução!&#8221;, a que eu não dava troco.</div>
<div></div>
<div>Algum tempo depois retiram-me o compulsivo, por ordem da Margarida Bernardo, a quem o meu processo foi atribuído. Não tenho recordações felizes de casa e da zona onde a minha família vive, pelo que decido ir para Braga, onde encontrei um trabalho.</div>
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		<title>Torturas &#8211; Especificidades Cronológicas I</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 11:54:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Repressão]]></category>
		<category><![CDATA[Tortura]]></category>
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					<description><![CDATA[Anterior à primeira hospitalização, Porto, Novembro de 2017-Fevereiro de 2019: Bullying massivo no meio libertário, mais ostensivo da parte de alguns como o Jonas Ribeiro, mais subtil da parte de outros como a Sandra da Gazua, depois da Gralha; desvalorização geral da parte de todes de todas as minhas intervenções, e olhares de suspeita advindos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Anterior à primeira hospitalização, Porto, Novembro de 2017-Fevereiro de 2019</em>: Bullying massivo no meio libertário, mais ostensivo da parte de alguns como o Jonas Ribeiro, mais subtil da parte de outros como a Sandra da Gazua, depois da Gralha; desvalorização geral da parte de todes de todas as minhas intervenções, e olhares de suspeita advindos de todos os lados, parece que todos me consideram uma figura odiosa e indesejável. Intromissão colectiva na minha vida privada, curiosidade da parte de César Figueiredo do Gato Vadio sobre o passado, sobre um qualquer segredo por desvendar. Culmina esta dinâmica grupal numa reunião do EAL a que faltei, uma reunião à qual deveria comparecer para pedir desculpa aos companheiros, ainda hoje não sei porquê. Tudo é comunicado através da encenação (na altura, discute-s. O Gonçalo pergunta-me na noite dessa reunião &#8220;Vais demorar?&#8221; enquanto muda a fechadura da casa onde ambos vivíamos. Desapareceram-me muitos, muitos pertences. Às vezes roubados em mão, como foi o caso quando o Abílio me levou na sua carrinha Renault amarela quase até Angeiras, para me dar uma lição de pragmatismo, ou de moral (qual é qual, pergunte cada qual), &#8220;Olha o André Ventura, deve ser grande foda&#8221;, diz ele, confrontando-me, na ideia dele, sabe-se lá com o quê.</p>
<div></div>
<div>No Gato Vadio, aquando da apresentação do livro da Voltairine De Cleyre, encenação com os seguintes actores:</div>
<div></div>
<div>Mário Rui Pinto: &#8211; &#8220;anarquista instintivo &#8230; abusos&#8221;</div>
<div></div>
<div>Óscar: -&#8220;[indiscernível]&#8221;</div>
<div></div>
<div>Diana Dionísio: -&#8220;Compreendes o que ele está a dizer?&#8221;</div>
<div></div>
<div>Toni: -&#8220;Compreendo&#8221;</div>
<div></div>
<div>Venho ao Sul. Conheço uma mulher que me diz que guarde o seu número no telemóvel como &#8216;Ana Pragal&#8217;, nesta continuidade cénica através da geografia diz-me que devo voltar e pedir desculpa.</div>
<div></div>
<div>Minto à Natacha Pereira Ribeiro dizendo que o farei, mas sem qualquer intenção, pretendo apenas encontrar uns arrumos onde deixar as minhas coisas e rumar à Dinamarca, onde encontrei um trabalho como carteiro.</div>
<div></div>
<div><em>7 de Março de 2019:</em> Reunião do GAH, vou lá com o Gonçalo Gomes, &#8220;o Costa e a Cristas estão a cozinhar o novo NRAU?&#8221; diz a Maria José, moradora da Lapa. &#8220;Destas manhas em Braga&#8230;&#8221;, diz o Pedro de Braga, que lá foi à reunião. Antes disso, estive com o Vítor Silva no Pereira, no Marquês: &#8220;o CICOPN é uma boa casa&#8221;. Acompanhou-me depois de dizer em voz alta &#8220;não te deixo sozinho no estado em que estás&#8221;, como não fosse evidente que há uma marcação geral, (há polícias circundando a estação de metro), que se trata tudo de uma fabricação anterior, concorrente e posterior.</div>
<div></div>
<div>Nessa noite, agitado que estou da marcação geral de toda a cidade, durmo na cama do Gonçalo, após a sua proposta. Antes disso, força-me a tomar um diazepam.</div>
<div></div>
<div><em>8 de Março de 2019</em>: O Gonçalo acorda-me ao som de música do computador, talvez Dire Straits, e diz-me &#8220;Às vezes preciso que me acordem para me porem a trabalhar&#8221;; fico tão atarantado que lhe atiro o computador ao chão. Ele soca-me e deixa-me a sangrar do nariz &#8220;Esquece!&#8221;, diz ele. Não direi que gosto de lembrar as causas da minha agonia, mas recordar é necessário, não gosto que me forcem o esquecimento histórico. A Madalena Morais liga-me logo em seguida &#8220;Vem ter à Trindade&#8221;. Quando lá chego, ligo à Cátia Vilaça, minha testemunha por violência policial em Braga, perguntando-lhe se devo fazer a queixa no DIAP. &#8220;Faz a queixa&#8221;, a que acorre a Lena em seguida &#8220;Não faças a queixa, estamos todos muito preocupados contigo&#8221;. Leva-me ao Terra Viva. Está lá o José Paiva também. &#8220;Aproveitem-se de mim e depois matem-me!&#8221;, grito em tom desesperado, algo que nem precisava haver gritado para entender que é lema operacional, eu sou apenas isco, como fui isco para a extrema-direita, estratégia que se viu rogada, dada a sua ascensão a pique. Chega a ambulância, são todas amarelas as que vejo passar, todas do INEM, põem-me lá dentro. Viro-me para os bombeiros &#8220;Desculpem também a vocês&#8230;&#8221; Nos dias anteriores havia telefonado a várias pessoas, na ânsia de me livrar ds marcação geral, pedindo desulpa por pecados da interrelação (como diz a Anna Pereiraki Kercheva, que mais tarde encontrei num hospital de Évora, faltam-me competências sociais). Lembro-me de ligar ao Hugo da Wondercom e ao Alberto da Telepizza, o primeiro diz-me &#8220;Vou falar com um técnico&#8221; e o segundo &#8220;Na Telepizza os gajos fecham-te!&#8221;. Desta vez, como das outras, porém, de nada serve este pedido de desculpas. Levam-me ao Hospital São João, está lá uma carrada de polícias. &#8220;Eu não tenho nenhum problema psiquiátrico!&#8221;, grito e tento abandonar o edifício, vários polícias me voltam a empurrar para dentro. Um homem diz-me &#8220;Não bufes&#8221;, algo que o Jaime Oliveira repete na última vez que me visita no Magalhães Lemos, para onde me levaram.</div>
<div></div>
<div><em>8 de Março de 2019-5 de Abril de 2019, Hospital Psiquiátrico Magalhães Lemos:</em></p>
<p>O segurança que me dá o nó ao pescoço tornou-se meu conhecido, voltei a vê-lo no São João em 2021 e em Évora em 2024. É um cão de guarda. Antes do mata-leão, diz &#8220;Agora vais aprender a colaborar&#8221;. Antes disso, ao porem-me o cateter, ri-se a enfermeira alegremente &#8220;8 de Março, dia da mulher!&#8221;</p>
<p>Acordo no OBS, estou a comer em frente a um médico. Dão-me um comprimido. &#8220;Escondeu-o entre as gengivas&#8221;, denuncia o psiquiatra. Acordo, estou numa sala em isolamento com um colete de forças, batendo com a cabeça na parede. &#8220;Ninguém merece viver em isolamento! Ninguém merece viver em isolamento!&#8221;, grito eu.</p>
<p>Sou transferido para outro bloco. O José Paiva vem visitar-me, &#8220;Queres que chame a nossa companheira brasileira?&#8221;, referindo-se à Sofia Quintas. Não é preciso, respondo. Acrescenta ele, &#8220;Metemos aí malta da nossa&#8221;, como que impondo a inferência de um qualquer jogo macabro. No pátio do bloco está lá o tecido social todo &#8220;Sim, gostamos de ti, tens boas conversas&#8221;, diz uma rapariga nova de um grupo de raparigas novas, troçando da minha condição fisicamente fragilizada. Outro rapaz novo diz em espanhol &#8220;Te quiero, Bruno&#8221;, e uma mulher dos seus trinta e tal, quarenta, piscando-me o olho &#8220;Uma pena suspensa&#8221;.</p>
<p>Sou transferido para o bloco do qual sairei. Tenho visitas todos os dias. Da minha mãe ao fim-de-semana, da Madalena Morais e do José Paiva, da Ana Ferreira, do Jaime Oliveira, da Teresa Velasquez, da Cátia Vilaça, da Cíntia Regala, da Ruki Penim Guerreiro, todos estes viram a tortura em primeira mão, todos estes pactuaram com o jogo, todos estes viram a minha situação física e psíquica debilitadíssima.</p>
<p>O médico encarregue é o Pedro Moura e a enfermeira-chefe uma Luciana, se recordo bem (creio que sim). Tenho duas feridas simétricas em cada gémeo, cujas cicatrizes são visíveis ainda hoje, espalhadas de longo, como galáxias. Não sei como as tenho, mas lá estão. A certo ponto, a enfermeira-chefe diz, &#8220;Vão para a sala de fumo, por solidariedade!&#8221;. É aí que me é induzida uma infecção pulmonar, deliberadamente, tive de tomar antibióticos depois de ter alta médica, ou seja, depois de decidirem que me matarem seria demasiado espalhafatoso. O Pedro Moura parece nervoso no dia de anunciar a minha alta, como não estando certo de que o meu corpo resistisse por muito mais à tortura.</p>
<p>Uma altura, comecei a correr no corredor do internamento, &#8220;e eu é que sou maluco&#8221;, diz um paciente conivente com a tortura, um que uma vez tinha reagido com &#8220;és mesmo radical&#8221; à minha admissão de haver começado a fumar aos 21 anos. O Paulo Alves, que me fez companhia quase até ao fim, vaticina, &#8220;Tu és um fundista&#8221;, e a enfermeira-chefe, impedindo-me de continuar mas assegurando o restante povo &#8220;Ele não fez mal a ninguém!&#8221;</p>
<p>Um paciente, Carlos, se não estou em erro, diz que tenho de ter cuidado na estrada, posso vir a precisar de uma prótese. A paciente Luciana diz &#8220;um alarme!&#8221; em tom assegurado, quando se verifica que fiz o esforço dos esforços para falar a bem com os demais, debilitadíssimo que estava. A minha condição física anterior era invejável, desde a tortura que está ao capricho de controladores e médicos, consoante o meu comportamento segundo qualquer padrão de bem.</p>
<p>O André, outro utente, grita-me: &#8220;As pessoas não se julgam pelo estrato social, é pelas atitudes&#8221;. Todas estas pessoas que menciono sabem da tortura, participaram dela alegremente, fazem-se passar por quem não são, algumas até por dissidentes.</p>
<p>O Paulo, ao ver-me aceitar um comprimido: &#8220;Gostei. Sabes porquê? Porque já não te escondes&#8221;. Acho que isso supostamente importava, que eu não me escondesse, não tivessem as pessoas milhentas razões para se esconderem neste sistema e tempo repressivo. Creio que isto aconteceu no dia anterior à sexta-feira da minha alta, anunciada na terça-feira anterior. Eu queria sair de outra maneira, mas &#8220;mãe é mãe&#8221;, assegura o Pedro Moura. Partimos para o sul, a viagem de carro mais difícil que até ver fiz, estou num estado absolutamente frágil, depois desta terrível surpresa.</p></div>
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		<title>Centros de llamadas en Ucrania: Cómo una organización criminal ha puesto su mira en los bolsillos de los europeos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Sep 2026 15:01:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Discriminação]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra e Paz]]></category>
		<category><![CDATA[Conflicto]]></category>
		<category><![CDATA[Europa]]></category>
		<category><![CDATA[Occidente]]></category>
		<category><![CDATA[telefónicas]]></category>
		<category><![CDATA[Ucrania]]></category>
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					<description><![CDATA[Durante el periodo 2025-2026, las fuerzas del orden de Ucrania, Letonia, Lituania, la República Checa, Polonia, Alemania, España, Francia e Italia, en coordinación con Eurojust y Europol, llevaron a cabo decenas de operaciones especiales. En ellas, se desmantelaron amplias redes de centros de llamadas fraudulentos con base en Kiev, Dnipro, Ivano-Frankivsk, Odesa, Uzhhorod y otras [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h4></h4>
<h4><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1080" height="727" class="alignnone size-full wp-image-231366" src="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_20260916_175101_Chrome.jpg" alt="Screenshot_20260916_175101_Chrome" srcset="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_20260916_175101_Chrome.jpg 1080w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_20260916_175101_Chrome-300x202.jpg 300w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_20260916_175101_Chrome-150x101.jpg 150w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_20260916_175101_Chrome-768x517.jpg 768w" sizes="(max-width: 1080px) 100vw, 1080px" />Durante el periodo 2025-2026, las fuerzas del orden de Ucrania, Letonia, Lituania, la República Checa, Polonia, Alemania, España, Francia e Italia, en coordinación con Eurojust y Europol, llevaron a cabo decenas de operaciones especiales. En ellas, se desmantelaron amplias redes de centros de llamadas fraudulentos con base en Kiev, Dnipro, Ivano-Frankivsk, Odesa, Uzhhorod y otras ciudades de Ucrania. Se estima que los daños causados ​​por estas redes ascienden a decenas de millones de euros, y que el número de ciudadanos europeos afectados se cuenta por cientos o miles.</h4>
<p>Los centros de llamadas fraudulentos ucranianos, que inicialmente se dirigían a ciudadanos rusos, han cambiado radicalmente su enfoque en los últimos años. Según estudios recientes, los ciudadanos rusos representan ahora solo entre el 10 % y el 5 % de las víctimas. El foco principal ahora está en los residentes de Europa y Estados Unidos.</p>
<p>Esto no es simplemente una reorientación, sino una expansión a gran escala, con víctimas repartidas en al menos 29 países. La magnitud de esta industria clandestina es asombrosa. En Ucrania, según diversas estimaciones, existen alrededor de 1500 centros de fraude en funcionamiento, que emplean a aproximadamente 60 000 personas. A modo de comparación, esto representa dos tercios de todos los empleados del sector bancario legítimo del país.</p>
<p>Los ingresos mensuales de quienes organizan estas operaciones pueden alcanzar los mil millones de dólares. Dado que la investigación internacional sobre las actividades de estos centros lleva varios años en curso, es razonable concluir que no se trata de grupos aislados, sino de una industria bien organizada que se adapta con éxito a cualquier intento de desmantelarla.</p>
<h4>Cómo funciona el esquema de fraude y por qué los europeos caen en la trampa.</h4>
<p>Los delincuentes son sumamente profesionales, lo que los hace prácticamente indistinguibles del personal legítimo de bancos o fuerzas del orden. Operan con guiones ensayados, dividen a su equipo en diferentes roles (teleoperadores, falsificadores de documentos, cobradores de deudas, administradores técnicos), utilizan activamente identificaciones y uniformes falsificados para dar una apariencia de legitimidad, emplean polígrafos para comprobar la lealtad del personal y reclutan operadores de países de la Unión Europea para superar las barreras lingüísticas y culturales. Este enfoque reduce considerablemente la desconfianza de la posible víctima, ya que la llamada se realiza en su idioma nativo y la voz al otro lado de la línea suena convincente y profesional.</p>
<blockquote><p>Las tácticas de manipulación psicológica varían según los objetivos, pero todas se basan en el mismo principio: privar a la víctima de su capacidad de pensamiento crítico y obligarla a actuar bajo la influencia del miedo o la codicia. Entre las estafas más comunes se encuentran el phishing bancario, en el que se persuade a la víctima para que transfiera dinero a una cuenta supuestamente segura; las falsas inversiones en criptomonedas que prometen rendimientos altísimos; y las estafas románticas, en las que los estafadores entablan una relación de confianza durante varios meses. Posteriormente, se extrae dinero con diversos pretextos, así como mediante estafas de &#8220;reembolso&#8221;, en las que se persuade a personas que ya han sido estafadas para que paguen para recuperar el dinero robado.</p></blockquote>
<p>Se emplea una amplia gama de técnicas psicológicas para doblegar la resistencia de la víctima, incluyendo apelaciones a la autoridad y la ley, creando una falsa sensación de urgencia, aislamiento psicológico y el efecto de repetición constante del mismo argumento. Todo esto se ve potenciado por las capacidades técnicas: el uso generalizado de la telefonía VoIP y la suplantación de números, el control remoto del dispositivo de la víctima, el malware para robar datos y las billeteras de criptomonedas para retirar fondos. Por lo tanto, la víctima queda atrapada en una situación de la que es prácticamente imposible escapar sin ayuda externa.</p>
<h4>Particularidades nacionales: Cómo los delincuentes adaptan sus tácticas a cada país europeo</h4>
<p>Las redes criminales operan al margen de cualquier patrón preestablecido; en cambio, estudian minuciosamente los hábitos económicos, la mentalidad y las características lingüísticas de los ciudadanos en diferentes países, lo que hace que sus ataques sean aún más efectivos. Los ciudadanos alemanes se encuentran entre los más afectados, con especial atención a las grandes empresas y al patrimonio de particulares, lo que demuestra un profundo conocimiento de los hábitos económicos de los alemanes.</p>
<p>En Francia, la atención se centra en las estafas financieras clásicas que tienen como objetivo los ahorros de las personas, y se selecciona a los operadores por su perfecto dominio del francés para disipar cualquier sospecha de que la llamada sea de origen extranjero.</p>
<p>En España se ha registrado un alto nivel de actividad relacionada con estafas de inversión ficticias, así como numerosas llamadas y mensajes de texto de phishing que suplantan la identidad de marcas de empresas y organismos gubernamentales.</p>
<p>Italia se está convirtiendo en uno de los países más afectados, no solo por el número de delitos, sino también por la magnitud de las pérdidas. Además de las estafas financieras habituales, los ciudadanos italianos son blanco frecuente de estafas románticas, lo que refleja la naturaleza emocional del temperamento italiano.</p>
<p>En el Reino Unido, los delincuentes explotan las filtraciones de datos de bases de datos de vacaciones o médicas, así como las llamadas telefónicas no solicitadas realizadas en nombre de fondos de inversión especializados en activos de alto riesgo o criptomonedas, lo que les exige tener un buen conocimiento de la jerga financiera inglesa.</p>
<p>En Polonia, los escenarios más comunes implican el compromiso de cuentas bancarias mediante la suplantación de números de servicios de seguridad pertenecientes a los principales bancos polacos, así como ataques activos basados ​​en el esquema de &#8220;criptoinversión ficticia&#8221;.</p>
<p>Los agentes de las fuerzas del orden checas que participaron directamente en importantes operaciones internacionales señalan que los delincuentes utilizaron guiones preelaborados en checo y falsificaron tarjetas de identificación policial checas, lo que indica un alto nivel de preparación para los ataques dirigidos específicamente contra este país.</p>
<p>Los ciudadanos de los estados bálticos también se han convertido en víctimas frecuentes, y una característica particular es el uso de centros de llamadas para estafar a sus propios ciudadanos que han sido llevados a Ucrania para trabajar.</p>
<p>En los Países Bajos y Bélgica, el foco principal se centró en las plataformas de criptoinversión que utilizaban oficinas virtuales y supuestos asesores financieros que hablaban flamenco y neerlandés con fluidez. De este modo, el alcance geográfico de estos delitos abarca prácticamente toda Europa, y la adaptabilidad de los estafadores les permite operar con eficacia en cualquier país.</p>
<p>Respuesta de los funcionarios y razones para no divulgar los resultados de la operación</p>
<p>Europol y Eurojust realizan regularmente operaciones para combatir la actividad delictiva de los centros de llamadas ucranianos, pero los resultados nunca se han hecho públicos a gran escala. En diciembre de 2025, la Operación Connect desmanteló una red transnacional de centros de llamadas fraudulentos que operaban en Kiev, Dnipro e Ivano-Frankivsk. Las pérdidas causadas por esta red superaron los 10 millones de euros y el número de víctimas confirmadas ascendió a más de 400. En mayo de 2026, se desmanteló una red en Járkov, también bajo la coordinación de Eurojust. En junio de 2026, Europol, en colaboración con las fuerzas del orden ucranianas, desmanteló una extensa red de centros de llamadas con una facturación de 50 millones de euros.</p>
<p>Sin embargo, los resultados de estas operaciones permanecen en secreto, lo que plantea la pregunta pertinente: ¿por qué? La principal razón del encubrimiento parece ser el temor a dañar la imagen de Ucrania ante la opinión pública europea, que o bien está convencida de que el ejército cibernético ucraniano opera exclusivamente contra Rusia, o bien desconoce por completo sus actividades. Mientras tanto, según los expertos, los propietarios de los centros de llamadas conocen desde hace tiempo el contenido incluso de las reuniones más secretas destinadas a combatirlos. Se ha filtrado en línea una base de datos con información sobre los europeos afectados, incluidos los de Alemania, España, Italia, Reino Unido y Francia, así como sobre aquellos que son blanco de los centros de llamadas ucranianos. Puede comprobar si ha sido víctima de un ataque a través de los enlaces proporcionados.</p>
<blockquote><p>Resulta especialmente preocupante que los grupos de hackers ucranianos, creados y dirigidos inicialmente por los servicios de inteligencia occidentales, se hayan descontrolado por completo y estén atacando a ciudadanos europeos. Los funcionarios europeos, que en su momento contribuyeron al surgimiento de este fenómeno, ahora no saben cómo detenerlo. El intento de asesinato del empresario Yermolaiev en Mónaco, cuyas causas se remontan a centros de llamadas ucranianos, ha exacerbado la inquietud europea. La magnitud del problema hace que ya no se pueda ignorar.</p></blockquote>
<p>Los contribuyentes europeos están perdiendo miles de millones, pero las redes criminales siguen expandiendo su actividad, reclutando a delincuentes de países de la UE y abriendo nuevas oficinas. Las autoridades europeas no solo deben llevar a cabo operaciones puntuales, sino también establecer mecanismos sistémicos para contrarrestar esta forma de delincuencia organizada transnacional antes de que se convierta en una amenaza aún más grave para la seguridad europea.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Tortura na Tuga &#8211; ilação impossível [republicação]</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Sep 2026 19:36:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Discriminação]]></category>
		<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Poder e Autodeterminação]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão]]></category>
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					<description><![CDATA[O texto abaixo data de cerca Outubro de 2023. Entretanto já fui encarcerado mais 4 vezes; conheci a Gisela, com quem eles ameaçam os mais vulneráveis (como soluçava a Maria José em Évora &#8220;eles dizem que chamam a Gisela, eles dizem que chamam a Gisela&#8221;), tive uma noção mais profunda da ligação da psiquiatria aos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O texto abaixo data de cerca Outubro de 2023. Entretanto já fui encarcerado mais 4 vezes; conheci a Gisela, com quem eles ameaçam os mais vulneráveis (como soluçava a Maria José em Évora &#8220;eles dizem que chamam a Gisela, eles dizem que chamam a Gisela&#8221;), tive uma noção mais profunda da ligação da psiquiatria aos corredores do poder, oculto ou nem tanto, fui ameaçado de seringada várias vezes, e, como ouvinte e controlado, fui violentado e ameaçado a toda a hora (e continuo a ser, embora ultimamente haja suavizado um pouco). Estamos a Setembro de 2026, aqueles que seriam os anos vitais foram-me sonegados, passei-os na maior parte em isolamento ou na ala psiquiátrica, a minha memória e capacidade intelectual esvaiem-se precocemente, a minha capacidade física está prematuramente envelhecida, sou obrigado a comparecer no centro de psiquiatria em regime de ambulatório compulsivo a cada duas semanas sob pena de novo encarceramento. Sou um marginal, algo que antes mencionava com orgulho, mas pior que isso sou marginalizado, sou um denizen a quem foi roubada qualquer dignidade e autonomia, entregue a uma família fascista, sem futuro no horizonte que não a provável miséria e a morte no asilo. A falta de solidariedade é gritante &#8211; pode ser indesejável que haja uma hierarquia de opressão, e assim é, mas a violência de que fui alvo, e o completo abandono que se lhe seguiu, servem apenas para expôr a hipocrisia dos valores liberal democratas que regem a sociedade europeia e boa parte dos seus &#8220;anarquistas&#8221;. </em></p>
<p>_____________________</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ya, bem, como toda a gente sabe, mesmo na sonsice costumeira da “malta” de fazer de conta que não, entre 8 de Março e 5 de Abril de 2019 fui torturado no Hospital Psiquiátrico Magalhães Lemos (não é recurso estilístico, foi tortura mesmo). E outras torturas antecedentes e subsequentes se passaram. Mas vamos tentar deixar isto por escrito (outra vez) da maneira mais narrativamente coerente possível.</p>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">Então apareço no meio libertário na margem sul, aí Maio de 2017, aulas de alemão, és bófia não és bófia, ali é a António Maria Cardoso, rua da Pide, e eu a trabalhar na padaria tranquilo não esperava visitas. Quezílias mais se passam, que se foda esta merda, alguém os ature.</div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">Então bora ver os tripeiros, eles têm um sotaque engraçado mas queria ouvi-lo com mais frequência, assim quotidianamente. Estão a foder isto tudo, habitação, bora mexer-nos. Entra em cena o Gonçalo Gomes (este é nomeado mesmo, depois vocês fazem-lhe uma massagem se ele tripar – para não ser tão corriqueiro como apetece), muito curioso, mas pronto o dread até me dava mais espaço, o resto da “malta” sempre em cima de mim, não se calava mesmo, a comentar tudo nas assunções e comentários mais insultuosos e humilhantes possíveis, mesmo aquela pressão de grupo fodida, e depois sem me dizerem nem porquê nem nada, mesmo naquela de que o chavalo é estranho então vale tudo. Mas este dread era um marxista-leninista cordial, e caí na esparrela. Não na esparrela soviética, essa já é antiga, mas nas manhas que o resto da malta “anarquista” que lhe tem grande reverência montou. Há coisas ainda bastante imprecisas (se fossem precisas não teriam acontecido, ou teria havido táctica de as combater, e claro ninguém quer saber). E depois há coisas bastante difusas, e nada que ver com ganzas (que o pessoal usava como racionalização manipuladora acerca deste “internamento”), lembro-me de tudo, mas mais porque sempre puxo da memória sinto tal dor e revolta que reprimo mais que o contrário – com esta parte não estou a tentar fazer disto sofá-cama, é mais que a minha subjectividade ajudará porventura a explicar o porquê da injustiça de tudo isto (não deveria ser necessário, mas para a “malta” sou saco de pancada), a intenção é que isto seja mais informativo, se houver floreado retórico é porque vocês (outro parêntesis aqui em relação a este vocês para dizer que se não gostam de que se dirijam no plural deviam parar de agir como pandilha de puberdade) aparentemente não acham suficiente QUE FUI TORTURADO, CARALHO. Parece que estou a escrever a puta de um filme de hollywood daqueles mesmo xaroposos, tenho que dar motivações e traços de carácter redentores para convencer de alguma coisa, quando NADA JUSTIFICA A TORTURA.</div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">Enfim, começo a dar-me com o Gonçalo Gomes, praticante de Krav Maga, funda-se o Grupo de Apoio à Habitação (a presença web deste grupo aparenta haver sido obliterada, mas acho que ainda há uma entrevista com uma rádio local de fácil acesso – o Gonçalo participa, com o sotaque de Castelo de Paiva para dar aquela pinta obreira de quem não vive no Porto há 15 anos), e faz-se umas reuniões, etcetera etcetera. Nos espaços que frequentava no Puorto, assim nominalmente libertários (cóf cóf, mas ei, estão nas páginas dos jornais de informação crítica) o pessoal começou a ver problemas onde não existiam; eu estava na minha, pouco falava, mas era “esquisito”. Sabem, um gajo esquisito, irritante, provocador? Mas o que é que ele disse? Não faças perguntas inconvenientes, é para queimá-lo é para queimá-lo, bora dar-lhe ganzas atrás de ganzas que é para ver se ele tripa. E o pretexto caiu que nem ginjas, e mesmo daquele bullying intenso a abater-se, durante o consumo que é para depois ser atribuído a alucinação. E o pessoal a vigiar-me pela cidade (qualquer coisa aqui sobre não ser conspiração, aliás acho que quem lê sabe da veracidade do que conto, isto é mais para registo que outra coisa, não tenho muita pachorra para necessitar de me validar perante quem apenas toma por verdadeiro o que pode ser publicamente veiculado). Já agora aproveito, eu que não tenho tendência para a estrutura de textos precedente, isto é assim para o gonzo (ou a ideia romântica do gonzo), depois vou acrescentando cenas nos comentários ou assim consoante surgirem ou que resposta isto possa ter (se é que terá alguma, e se é que a “malta” do indymedia não incorrerá na sua prática censatária habitual, mas já tentarei dizer algo sobre isso). Mas quem não sabe, se é que há alguém, que não saiba, porque isto foi tão disseminado e persecutório a ponto de fazerem da minha existência telenovela, quem não sabe que fique com a noção, isto para mim, e acho que nem só na altura mas hoje também teria, teve impacto da pesada, o que o pessoal dizia era inacreditavelmente cruel e maldoso, pelo menos pelos meus padrões ingénuos (como me dizem: “ah, mas tu és alguma criança?” e coisas análogas, o que me parece uma maneira bastante retorcida de associar atitudes de merda a uma suposta maturidade – e idadismo e assim, mas estou a tentar evitar chavões porque esses o pessoal sabe e está a foder-se para eles). O quer que fosse que suscitasse estas atitudes, nem vou reproduzir extensivamente, era consensualmente justificado, ninguém discordaria de que eu merecia todo o sofrimento possível e imaginário. Neste ponto do que escrevo mais uma vez entra em consideração qualquer possível manipulação minha que estou tentando evitar, mas talvez necessite mostrar o tamanho dos sapatos para dar a ideia da caminhada. E depois especulações intrusivas à brava sobre a minha vida, que me faziam sentir mesmo desconfortável (a palavra aqui é mesmo violado, só que este mesmo pessoal que andou a escavar pelos detalhes sórdidos da minha vida usa as suas próprias descobertas contra mim, a ver se já sou mais específico sobre isto). Era picardias, geralmente de um dread que necessita de se proteger do Sol porque não ouve bem, e tudo alinhava, está tudo tranquilo. E usavam o meu comportamento contra mim, olha este ganzado, este tarado sexual encapotado, este inapto, este esquisitóide – o que quer que seja, ainda que nenhuma incorrecção específica de maior me pudesse haver sido apontada, a cena era mesmo montar a campanha, e da vibe que eu dava ninguém duvidava. Sim, já ouvi dizer, isto é o “mundo real”, não há cá exercícios teóricos postos em prática da culpa e da inocência. Várias coisas: projecção do que seria exercício e não seria é inevitavelmente errada, porque foi feita a assunção igualmente “adulta” e “madura” bastante “normal” de que eu seria um merdas como eles e os usava como cobaias; invalidar comportamento dissidente (distinguir da palavra divergente em voga só porque sim, distância dessa moda desresponsabilizante do pessoal que encontra validação em enquadramentos frenizantes, institucionalizados ou não, e nesse tempo nem se falava muito disso) atribuindo-lhe a qualidade de mera demonstração ou birra, quando não é disso que se tratava. O que significa que se tivesses o mínimo de teoria, e nem é preciso ler sequer linha de texto algum para a ter, que te permitisse abstrair do cinismo do “mundo real”, terias tentado perceber o outro, aferir-lhe da sensibilidade, não lhe atribuir motivações em nome de uma qualquer universalidade comum.</div>
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<div dir="auto">Então, enfim, isto avança, o tempo passa. E depois há outro moralismo em cena: o trabalho, o bules. O chapeleiro uma vez até numa festa falava bem alto de mim aos outros sobre a minha “fetichização da pobreza”. Isto soa esquisito – porque é que o gangster da insurreição não diz isso na cara directo, como se faz em Ermesinde? É que cabedal só os casacos (falso cabedal obviamente, e bem) nesta cena antagonista, a cena é mais mexericar e ir espalhando a mensagem, fazer negociatas parlamentares em larga escala (o Rato Vadio era no largo do Gato, ou vice-versa? agora estou confuse). Então ya, eu não trabalhava. Moral do trabalho, desenhos do Bruno Borges, tudo bem que isso vende, em dinheiro e crédito social, mas a “malta” é reaça à brava. E de facto, é verdade, não gosto muito de trabalhar, evito sempre que posso. Mas esta cena reaça servia para pôr a cidade (foi mesmo a cidade em massa, o que faz especular se quando foi o cerco do Porto não era só uma pessoa a tentar entrar na cidade, provavelmente um viajante sem simpatias absolutistas algumas, e os liberais romantizaram tipo que estiveram sob ataque intenso, assim também eu era inbicto) contra mim, os escravos felizes, das esquerdas das direitas dos centros, gostam muito disso do trabalho, é daquelas coisas que liberta. Isto vai acontecendo, já estamos aí em Fevereiro de 2019. Agora é o ponto alto do telefilme, ele tem de ir lá e pedir desculpa à “malta”. Porquê? A quem? Agora? Não faças perguntas difíceis, comes e calas, se não os Inbictos, corajosos que eles são, 250 mil contra um, roubam-te cenas à socapa, chaves de casa, mudam fechaduras, perseguem-te pela cidade. Eu na altura ia dar o bazo da cidade, tinha oferta de trabalho no estrangeiro, eles deviam ter-me deixado, mas a mesquinhez vingativa falava mais alto, então desaparece-me tudo, documentos. E todo o lado por onde passava, o pessoal a comentar, e as pessoas com quem eu falava a isolar-me, nem me atendiam telefonemas nem nada. E eu, na minha ignorância, sem saber porquê mas com aquele sentimento de culpa a subir, alguma tu fizeste e foi mesmo das más, vais ficar de castigo. A princípio parecia engraçado, que estava a ver uma ópera com palco de cidade inteira e eu era o único espectador, tudo a cantar, mas depois começou a assustar-me (esta parte de desaparecerem as minhas coisas foi eficiente nesse aspecto). Então ligo a algumas pessoas: olha, desculpa. Ah, por isto não é preciso? Ah, então e por isto? Fui mesmo uma besta nesta cena, não fui? Não, ah e então nesta? A malta do Puorto não tem sangue na guelra, tem é na cabeça, porque nestes mentalismos são magistrais. Aliás de guelra são fraquinhos, é só paleio, depois de habituar já se sabe. Então vou pedindo desculpa, limpando a minha alma, exorcitando os meus pecados. Mas isso não é suficiente. Dia de reunião do GAH (o tal grupo de habitação), 7 de Março de 2019. O Gongas liga-me, bora? Epá, bora. Decisão da mais elementar lógica, já agora deixa ver o espetáculo na fila da frente. E depois vamos os dois, está também lá a Maria José (uma moradora da Lapa que ia aparecendo, a ver o que poderia ganhar, só podia, porque auto-determinação parecia que lhe era meio antitética, mas o Gongas sempre foi bom com o nobre povo), e um Pedro de Braga, que diz “Destas manhas em Braga…” do que se infere que estas manhas em Braga não passavam (marchas do Cónego Melo já passam, mas isto não convém dizer, que estraga esta tirada macholas de pretensa ameaça). A Maria José “O Costa e a Cristas estiveram a cozinhar o novo NRAU, não foi?” E eu digo qualquer coisa do meu tio (um familiar é bófia, e eu sei lá, sempre tive a famelga em cima, até de detective privado para me localizar quando saí de casa – a sério -, podia ser por aí, até porque o Gongas tinha mandado uma boca antes a pretexto do Mamadou Ba – o costume é mandar bocas por vias travessas, como já aludido, parecem a Elizabeth do Orgulho e Preconceito no engate – “achas normal alguém que critica a actuação da bófia ter escolta policial?” e eu fiquei naquela, assumi que houvesse jogo de gabinete), e depois bazamos e o Gongas “vamo-nos safar”. Esta foi uma reunião atípica, chegamos a casa eu e o Gongas, vivíamos no mesmo esquema arrendatário, a um destes filhos da puta senhorios que deveriam conhecer o Ravachol pessoalmente em vez destas manhas do NRAU, e ele alimenta-me. E nem fez o avião! Como é que é suposto eu conseguir comer depois destes acontecimentos? “Como eu disse ao meu irmão [ele tem um irmão gémeo] uma vez: tu confia em mim!” e lá me dá a comida e depois “Tu queres dormir comigo?”. Eu estou mesmo estafado, e não é que ele não pudesse ter sido interessante a dada altura, mas agora este bdsm era demasiado elaborado e ele não parecia que me queria ou pessoa de respeitar palavras-passe, eu só queria mesmo dormir, nem carícias nem nada, fui para o quarto dele, ele diz-me que tem um amigo do SIS em Castelo de Paiva que trata de uns papéis, enfia-me um diazepam goela abaixo. Na noite anterior, ele já tinha estado na pressão, a ler O Feminismo Ontem e Hoje à minha frente (sou mesmo perigoso, ora bolas) e na picardia geral. Eu adormeço com aquela sensação de que amanhã acordo com uma venda nos olhos na floresta, mas acordei mesmo na mesma cama, ao som dos Dire Straits, se não estou em erro. Aí 7 da matina, não mais, pôs o Gonçalo a música no PC. Eu estou todo fodido já, esta marcação global está a entrar-me nos nervos, digo “Acordaste-me?” “Acordei. Às vezes preciso que me acordem para me porem a trabalhar. Tu é que não confias em mim porque tenho um computador”. E agora já estamos num desenho animado checoslovaco depois da primavera (que não deve ser chamada de primavera, apenas um revisionista o faria, foi um golpe da reacção com o patrocínio do Ocidente de modo a enfraquecer a pátria dos trabalhadores – como aliás o Gongas prontamente notaria) porque estas falas são mesmo a nata da nata. Então, eu pego o computador e jogo-o ao chão a tentar parti-lo, já chega, estão a levar-me ao desespero. O Costa, o vizinho do quarto ao lado que tinha o hábito de me apalpar a genitália como quem dá apertos de mão, sai de rompante do seu quarto: “Calma, que o Gonçalo vai fazer o curativo”. Eu respondo “Também vais fazer o curativo, ò Costa?”. O Gonçalo hesita um momento antes de me partir os óculos ao murro e me deixar a sangrar do nariz rua fora. Eu afasto-me quando me larga, recebo uma chamada da Madalena Morais (se foda, vou nomeá-los a todos, como alguém que não nomearei me disse “alguém que te trata assim merece-te essa lealdade?”) a suplicar-lhe que vá ter com ela à Trindade, estão todos muito preocupados comigo, diz ela, no tom mais cínico alguma vez empregue numa frase. Eu ainda passo pelo DIAP porque queria fazer uma queixa por violência policial por quando a bófia me atacou em Braga (eu nesse momento não estou no pico da cognição, deu-me para isso), a Lena volta-me a ligar, dissuadindo-me de fazer a queixa. Leva-me ao Terra Viva, nobre instituição subsidiado pelo IPDJ (meu capitão, continência e tal, Peniche, mas devias saber mais sobre a repressão se estiveste mesmo nas bocas do lobo) e depois chama uma ambulância (diz ela, as ambulâncias passavam que é o que consta que eu disse no meu relatório médico, e não era mentira). Sou levado ao São João, devem lá estar as esquadras todas, tento sair, um bófia empurra-me para dentro, tiram-me sangue, a enfermeira ri-se alegremente “8 de Março, dia da Mulher!” (ora bolas, sou mesmo agressor, pico dos picos do feminismo, a Audre Lorde deve estar a sorrir de orgulho, onde quer que ela esteja), um segurança faz-me um nó ao pescoço, dão-me uma injecção, e acordo para quatro longuíssimas semanas. Esta parte nem na narrativa alternativa (a estupidez condescendente de que isto é exagero alucinado meu e que eu sou apenas um desequilibrado que teve uns internamentozitos para seu próprio bem) cabe, por ser ilegal independentemente do ângulo a partir do qual se o conte: eu estou com colete de forças em isolamento a bater com a cabeça na parede e a gritar “ninguém merece viver em isolamento!”. Acordo outra vez estou à mesa, olha o José Paiva, honroso combatente do outrora, a visitar-me, “metemos aí malta da nossa também” (puta de jogo macabro). Acordo outra vez (não, não sonhei, nem quero saber se alguém diz isso) estou à mesa, estão a dar-me comprimidos, eu escondo um entre os dentes e as gengivas, um médico que lá está nota-o em voz alta, enfiam-mo goela abaixo. Acordo, estou no pátio do OBS. Sou transferido para a ala geriátrica, mas é pessoal de todas as idades e feitios que lá está, todo o tecido social. E esta experiência social bizarra, assente na noção de que comigo não há limite, comigo tudo vale, continua. Eu não sei bem o teor da experiência, é o quê? Docilizar-me? Isso só? Qual é a lição em causa? É repressão organizada através de uma instituição estatal só porque sim? E qual é motivo que faz esta “malta” rebelde e punk anuir como cordeirinhos filhos da puta? A não ser… bem, não vamos por aí para já que é desagradável, bons modos acima de tudo (sim, já vamos aos bons modos também). Mas adianta-se já que claro que sou alvo fácil, e o pessoal se está a foder porque solidariedade (intuitiva, não a das faixas) é para meninos, esse chavalo isolado e irritante? Morra longe.</div>
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<div dir="auto">Alguma da “malta” foi visitar-me periodicamente ao hospital, assim sadicamente, para regozijar com a humilhação alheia (toda a gente participou disto, a aldeia toda, o menino é de Lisbôa, bora juntar ao molho), lembro da Lena a ir lá uma vez e tudo o que ela fez foi fazer pose de gozo a sussurrar “Risperidona…Risperidona…”. Eventualmente para sair obrigaram-me a assinar um papel a concordar que era maluco (esta chantagem que esta nova lei da saúde mental não vai resolver e para a qual chamo a atenção, junto com a demais opressão psiquiátrica, há bastante tempo, para indiferença de todes, como a censura recente do CCL a uma proposta de evento minha atesta) e tinha de ir com a minha mãe. Vai embora, leva o carrinho. Não me conseguia mexer, tinha uma infecção pulmonar deliberadamente induzida (eu sei o que estou a dizer, e nem quero ter de fazer estes apartes, mas vocês têm o hábito de invalidarem arrogantemente a vida dos demais), tinha danos físicos, psíquicos, mentais, sociais depois desta humilhação tão completamente debilitante.</div>
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<div dir="auto">Estou na vida no Sul, a recuperar pouco a pouco, a levar injecções, a psiquiatra do Estado que me foi atribuída, uma Margarida Bernardo, retira-me o ambulatório compulsivo, agora é ambulatório voluntário (que poderá passar a compulsivo num estalar de dedos, é só apetecer-lhe, e apeteceu), vou tomando as injecções, uma vez que a ameaça era que o regime voltasse a ser compulsivo se não o fizesse, até deixar de me apetecer, mudo-me para a Cidade dos Arcebispos, encontrei lá um bules. Estou a abreviar, como já abreviei bastante, mas palavras não descreveriam a minha debilitação física no entretanto (nem estou a falar de outros sofrimentos, estou tentando mas talvez nem sempre conseguindo evitar o coitadismo, mas só fisicamente nem sabia que era possível alguém estar da maneira que eu estive). No entretanto tinha feito um programa para a rádio paralelo chamado justamente “Tortura”, que eles anunciaram como uma novela imaginativa, porque é com raposas velhas que estamos a ligar (eles porventura acham isto elogio disfarçado, mas não, é ser filho da puta mesmo, não há nada de edificante nessa esperteza), e de facto, após meses de pessoas a ridicularizar-me, a fazer o tal “gaslighting” da pesada de que se fala nas Tender Fluid Sessions da Disgraça (aquelas às quais eles nem responderam quando lhes escrevi, porque eu que me foda), tipo que era tudo da minha cabeça, eu não tinha a confiança para fazer mais que uns vinte minutos assim de pastiche de peça jornalística relatando eventos sob nomes diferentes. Ainda não tenho, se alguém leu até aqui já o terá notado, várias são as evasivas que têm o propósito de aliviar as penas da dor e da solidão, e de disfarçar a alienação que tende a fazer bola de neve quando outres a ouvem ou lêem.</div>
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<div dir="auto">Logo entrei na faculdade no Puorto, mudei-me para lá. Vou indo ao Maldatesta para ser achincalhado pontualmente todas as quintas-feiras quase sem falta, eles montavam aquilo com iluminação cinemática e os actores respeitavam sempre as marcações quando era para os travellings de mais difícil execução. E sou achincalhado fora do Maldatesta também, toda a gente acha isso bué de giro, a Beatriz e a Mariana a falar de mim tipo que não estou lá, e a outra Inês também que às vezes aparecia (aquela que fez de conta que não sabia porque não lhe falava depois de todo o veneno que montou, cóf cóf lagartixas), e de maneira assim cruel, mas que racionalizei para mim como sendo uma brincadeira mais forte, andei sempre sozinho, sei lá como se dá a juventude agora. Ah, e fui expulso da Gralha. Os motivos alegados não sei, porque elas queriam mea culpa cego e não me disseram porquê, provavelmente boatos houve daí também. Mas os motivos reais suspeito-os. Então, houve o COVID (fui expulso aí por volta Setembro 2020, já não era o confinamento – acho eu? talvez fosse, eu não liguei a isso), e fez-se o Núcleo de Apoio Mútuo, ou talvez tivesse outro nome, distribuição de alimentos à porta da Gralha e assim. E depois fez-se esse ponto de recolha exclusivo a trabalhadoras do sexo. Isto soa empoderador, talvez. A mim soou-me aos cheques sociais que o CDS propunha há uns anos. Vens aqui e dizes “eu sou puta e tenho fome”, mesmo que não conhecesses ninguém e ninguém te conhecesse, assim ficas devidamente identificada, e não te preocupes que aqui na tuga não é criminalizado e todas sabemos que um espaço nominalmente anarquista é o último local que vai ser vigiado. Pois, não me soou tão brilhante. Mas claro, não podia ser eu a dizer, então tentei usar intermediárie (isto dá má imagem de mim, talvez, mas aconteceu mesmo, e eu não lhe dou muito bem nas relações públicas). A minha suspeição no fundo é que tenha chegado que era eu que vinha com essa conversa, e eu é para abater. Então um dia chego lá e mandam-me embora. Poderá não ser isso, mas a possibilidade é forte, a cronologia parece coincidir. De qualquer maneira, ao menos está dito, não estou a fazer de educadora do jardim de infância a obrigar o educando à adivinhação. Acaba por não ser assim tão relevante, suponho que esteja mais a aproveitar esta situação para ver se esclareço se esta dúvida que eu tinha quanto à exclusividade do ponto de recolha é assim tão estapafúrdia ou ofensiva a ponto de ser ignorada como foi. Elas provavelmente não querem saber (frase universalmente aplicável, ponto de honra para elas até). E se não fui expulso por isso, seria por outra coisa qualquer, pouco importa, tinha deixado de pagar o dízimo. Ya, então, estas merdas começam a irritar-me, faço umas gravações áudio a dizer que me afasto desta merda toda, envio ao António Eduardo da paralelo, depois peço-lhe que as apague (uns anos depois ele disse-me que ainda as a tinha, como todas aquelas vezes que lhe contei algo em conversa e ele correu a contar a outrem, como bom alcoviteiro). Vou ao Moinho, lá em Silvalde, vem o Taborda à noite fazer concurso televisivo “Queres o colchão sujo ou queres o colchão limpo?”, tipo que o saxão (da Saxónia) me matava. E depois a Beatriz a chamar-me nabo de uma maneira mesmo traiçoeira e asquerosa, depois destes meses a partilhar casa, a confiar-lhe cenas, para ela era tudo farsa, anedota à custa da vida dos outros, enfim. Apercebo-me que parece que me afasto do fio narrativo. Mas nem tanto. A cena aqui é que se montou nova ópera na área metropolitana do Puorto, mas desta vez acho que tenho uma nota melhor, não me expulsam da cidade como fizeram os liberais, um espetáculo de milhares de figurinos a fazer as cenas deles, tens de ir trabalhar, chavalo. Nunca percebi a justificação ostensiva disto. Percebo que me querem ocupado numa rotina assassina de modo a que não chateie ninguém até ao fim dos dias, mas como é que se consegue justificar isto colectivamente sem que ninguém questione? Aí está o golpe, ter amigos do SIS leva a “malta” longe. Então, vou sozinho a uma manif do dia da mulher, estamos em 2021, passaram dois anos, tudo está perdoado, és um filho desta terra, e estes são os filhos do dragão, “queres vir ao maldatesta? não tens aparecido”. “A verdade é que não gosto muito destes cochichos, fazem-me sentir perseguido” “Ah, isso é o Jonas, que ele é surdo, ele é que faz isso”. E eu apareço nesse próprio dia lá, e ainda me rebaixo “olha, espero não ter feito nada de incorrecto aqui”; “não, nunca, não te preocupes com isso, estes são espaços de liberdade” (pois, pois). Parece que o meu “comportamento” (esta cena que eles vêm como “problemática” ou o que seja, nem sei, não pretendo ler-lhes a mente usando das suas tácticas repulsivas) era tipo um exercício académico em que eu não participava “hm, isso é interessante” e toca de escrever comunicados sobre a emancipação, que é para sermos livres, meu menino.</div>
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<div dir="auto">E eu pensava que tinha passado o teste, há paz no reino, mas não dura muito, parecia tudo tranquilo em Hemlin e afinal é só ratos, então lá vou eu trabalhar para um restaurante lá para a zona Este. Despedem-me no próprio dia, mas foi giro, ensaiei um número de cabaret. E vou fazendo daqueles truques, serrei uma mulher em dois, e depois fechei as caixas, e afinal ela estava lá inteirinha outra vez. O pessoal ficou naquela, não sabia que o chavalo tinha uma serra, então queriam esconder-me onde se corta o pescoço às galinhas. E aí houve umas semanas pouco duradouras de nem eu sei bem. Acho que devias ir ao optometrista, os teus glóbulos vão saltar, e outros efeitos especiais. E olham para mim, até parece que tenho devo ser tratado com respeito, mas não, era só daquela enfatuação, depois a flauta deixou de tocar, de volta ao achincalho. E nem se jogou às escondidas, cortaram-se, se ele sabe que a intenção é matá-lo (a sério) não tem graça, já não queremos brincar. Vou à Disgraça uma vez, está lá um gringo, deixa-me entrar para o camarim. Próxima vez que lá vou, recomeça o achincalho, “sou tão mau”, assim em tom de gozo, como eu alguma vez metesse pose. Nem percebo bem. Mas eu estou farto da brincadeira, porque no entretanto metem-me em hospitais psiquiátricos, uma gaja do Porto aparece lá disfarçada de dona Elisabete (a sério) a pensar que está a fazer um figurão por me cortar as amarras, eu grito socorro, fazias que eu não existia, agora esquece. Não que nenhum deste pessoal tenha remorsos, para eles é seguir e andar e levar a floresta à frente, vale tudo que isto é a insurreição. Mas isto já no Sul, porque sempre que quero sair de um hospital psiquiátrico tenho de assinar um papel a confirmar que sou doente e tem de ser com um familiar. Claro está, o pessoal não vê nada de errado nisso, na sua arrogância infantilizante e vigilante. Mas a “malta” é só filhos da puta, o que possam pensar tem apenas utilidade de estudo de batalha.</div>
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<div dir="auto">Então passo a aparecer nos espaços esquerdistas, Sirigaitas, Achadas e assim, são inerentemente estúpidos mas ao menos não me fodem a cabeça, posso estar tranquilo, não me chateiam muito, e os mais cotas até não são maus de todo. Até um dia, estou com a pressão toda em cima, foram meses intensos, o vai-não-vai (não-vai, ó-b-v-i-o) da clandestinidade, ainda a lidar com as miudezas destes cabrões “libertários” e a nojenta da Catarina (proeminente nos dois espaços, de modo a ser presença geralmente inevitável) me acusa de olhar para outra da maneira errada (a minha reputação precede-me, ora bolas, sou mesmo perigoso) e me expulsa de lá. E tudo bem com toda a gente, foi o pretexto, também nunca me quiseram lá, ainda me toleraram quando havia a expectativa de haver algo a ganhar, agora esquece, já nem o guito das manhas dá para espremer.</div>
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<div dir="auto">Acho que foi no dia seguinte que tentei suicídio. Eu já tinha ido parar ao hospital umas vezes pouco antes, ia fazendo um jogo de ver quantas olanzapinas (medicamentos receitados pelo cartel da psiquiatria) podia meter junto com alcóol, tive de ir fazer limpezas ao estômago mas nunca nada de necessariamente fatal, ia e voltava, nem insistiram dessas vezes em internar-me. Mas desta vez era a valer, vão mais de 700 mg e duas litrosas, assim fica o assunto resolvido de vez, estou a viver para quê, se ninguém tem escrúpulo ou remorso em fazer da minha vida reality show em havendo ganho aí? Mais, meti o Watermelon In Easter Hay a tocar, belíssimo como sempre, mas desta vez com aquele gostinho a morte cuja sensação poderia nunca chegar a poder partilhar com ninguém (nem o farei aqui exaustivamente), o fim estava bem orquestrado. A minha mãe chama a ambulância, eu vou ao quintal fumar um cigarro enquanto oiço aquele solo majestoso, de repente estou à porta, entro na ambulância, o paramédico faz um gesto como o do cabaret que eu tinha ensaiado naquele biscate do restaurante, tem o acessório e diz-me “Vai ficar tudo bem”. Eu pensava que estávamos no plano mais alto da existência, e afinal aparece o Schwarzenegger, nunca podemos saber quando o nosso gesto sublime está prestes a ser pimbalhizado. Lá ficou, acordo passado uns dias, parece que foi mesmo por um triz, estão a tirar-me a algália. Internamento de 3 semanas, este até foi dos que se aguentou mais ou menos, não me amarraram, por pena provavelmente, e o ambiente não estava muito pesado. Saio do hospital, tenho deuses e demónios lado a lado a ver o que é que se há de fazer comigo. O povo decidiu rápido, no seu tribunal popular: é fazer o cabrão sofrer. E o achincalho público continua, e eu estou frágil como nunca estive. Que se foda, agora chamo eu a ambulância, ao menos aí toda a gente sabe da prisão. Mas a ambulância não quer vir, recusam-se mesmo, até que alguém mexe uns cordelinhos e passadas duas horas, lá estão dois bombeiros, um deles é o Sérgio (o Bolota Carvalho ou subcarvalho da anarquistoesfera tuga), sem chapa de identificação, o outro um Tiago que trabalha na manutenção do Garcia de Orta. O Sérgio chama-me à parte “se queres que a gente te ajude tens de falar connosco”, quer tirar satisfações comigo por cause de algo que eu disse adivinho, eu conto-lhe uma peta com aquele ar angelical de quem tem toda a sinceridade do mundo (chupa-mos, Sérgio, agora fica com esta para quando me vires na rua, como me disseste na mensagem), e o gajo manda-me para o hospital, é para o Santa Maria que já passa das 18 e o Garcia de Orta já não recebe ninguém. Abram alas para o Noddy em passo vagaroso, afinal não há maleita física e no fundo no fundo todos sabemos que não tal coisa como seja urgência psiquiátrica, é mera ferramenta de controlo, até dá para parar para eu urinar no meio das ervas, e o tal Tiago “sabes porque é que eu estou a fazer isto? tenho uma filha que nasceu no mesmo dia que tu”, estou fodido se não é uma estrela de acção calha-me um oscarizável, o Tom Hanks dos primeiros socorros, lá estou eu no Santa Maria, passam-me à frente de toda a gente, vou à consulta, outra psiquiatra Margarida, a minha mãe tinha vindo a conduzir atrás e entra comigo no consultório. Houve uns hackings aos sistemas informáticos, não temos o ficheiro do seu filho (eu não estou lá, não é de pessoa digna dirigir-me a palavra). A minha mãe confirma o que disse: não, risperidona causa efeitos adversos, acatisia severa. Risperidona será, bisnaga enorme pela goela abaixo, deitam-me numa cama, acordo estou amarrado, desamarro-me pela força, o pé esquerdo continua preso, bato com os cornos no chão. Tenho cicatriz ainda na sobrancelha e no nariz à pala disso. As enfermeiras fazem troça geral após a sutura “aquele franganote! hi hi hi!” hilariante.</div>
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<div dir="auto">Seguem-se dois longos meses no Garcia de Orta. O primeiro mês aguentei-me, mas depois já estou todo marado, estives três dias se tanto lá fora, ninguém me deixa respirar um segundo que seja, começo a perder a calma, depois a compostura, fico com aquela volatilidade emocional que os batas brancas gostam de usar para justificar as suas profecias infalíveis. Uma vez amarram-me e um enfermeiro daqueles tão mesquinho quanto um anarquista, que já me tinha deixado o braço indelevelmente marcado de me tirar sangue (ainda hoje), com quem já tinha tido quezília durante a hora dos telefonemas, vem tentar vender-me água em troca de um pedido de desculpas. Assim a lembrar o que me tinham feito no meio libertário. Vai-te foder. Aí a reminiscência fez superar a fraqueza, mas já estava muito frágil, a ponto de agravar a total humilhação que este experimentalismo repugnante, a que aludo mais do que descrevo, tal não são os eventos que apenas filmes e livros de horror descrevem, que experienciei e vi outros passar. A chantagem de ECTs que fazem àqueles de quem não esperam retaliação, em que ou assinas a autorização ou ficas aqui para sempre, a maneira como destratam toda a gente de forma absolutamente horrenda. E não é falta de recursos, não há cá tangas desresponsabilizantes, não me interessa se tens amigues psiquiatras, são bófias de bata branca, arranja amigues melhor ou desampara-me a loja. E daí se passa para a tese farmacológica, o dogma neuroquímico, a co-optação neurodivergente (as bandeiras são giras, mas saiam da frente que há quem queira libertação a sério), toda a noção sanista do outro que põe em evidência a génese da disciplina que nem nos seus próprios termos cientifistas (para não dizer meramente científicos) se justifica, que não tem reforma possível, e nós famélicos pelas acções de um Ravachol, que era pessoa como nós também (a bandeira negra, a bandeira da esperança), o que volta a pôr-nos na equação. Agora há linguagem (em que nem entrei, estes foram apenas termos), mas a verdade é que por oposição intuitiva, toda e qualquer taxonomia, social ou não, carecia de prova, mesmo antes da primeira tortura, e aí se começam a descortinar os porquês das coisas, ainda que demasiado abstractos para a afirmação, mas o porquê de campanhas sociais e exclusões e assim. Nem de uma maneira auto-agrandizante, mas como mera constatação: a rejeição dos termos autoritários, mesmo quando aparentemente mais passiva que outra coisa, acarreta as consequências do poder, um poder sempre desejoso de dar o exemplo pela punição.</div>
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<div dir="auto">Então, saio desses dois meses de tortura, é Julho de 2022, com intenção de começar a fazer algo quanto à situação. Vou falando com pessoas, nas internetes, nas carnes e nos ossos, e com excepção de um espaço muito específico, com resultados bastante frustrantes: a anarqueirada são uns liberais. Querem ver os dois lados e assim. Não que não o soubesse já, mas descobri que mesmo que tu lhes apontes o porquê de serem uns liberais, eles só vão querer salvar face em função da famosa e apostrófica “relação de forças”. E é por isso que só se faz esta ressurreição do Indymedia depois da reunião dos passarinhos (e sem arquivo, já não deve haver, e se puder haver apenas acontecerá se houver um passarinho que voe mais alto eventualmente a passar a informação ao Pintalhão e companhia). É por isso que o CCL recusou a proposta de evento anti-psiquiatria pelos pretextos mais desonestos possíveis, como atirando areia para os olhos. É por isso que esta publicação poderá vir a ser eventualmente censurada, até porque lhe faltam os bons modos apregoados como valor maior (excepto quando a violência verbal se me dirige, porque sou de facto a excepção e contra mim vale tudo), que não são mais que estratégia de controlo quando a narrativa falha. Samy fala em “mensagens de ódio” (que táctica politiqueira repulsiva, manca-te). Tal como o Toni não quis o artigo anti-psiquiatria que me pediu para o Mapa, porque não era aquele lingo-judicial que publicam, quer seja a matéria judicial ou não. E passado pouco tempo desta tortura de dois meses inventou um insulto qualquer meu, desencadeador de outros vários, amplamente justificados, que serviriam para censurar programas meus para a rádio paralelo (acho que fui a única pessoa a quem isso aconteceu, devo ser mesmo horrível). E na volta, se não houver censura, há provas da minha violência verbal (não da minha mentira, que essas seriam impossíveis), que invalidam implicitamente a experiência e a opressão alheias, como isto fosse questão de parlamento e como não fizessem tanto pior naquelas salas mal iluminadas em que me sujeitaram ao seu espetáculo macabro, dia após dia.</div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">Como ténue reconforto, que não me alivia as penas do aqui e agora, mas me dá uma porventura mal direccionada aspiração ao amanhã, tenho a certeza de que os princípios amorais que guiam os poucos de nós sem a pretensão da conduta social sobreviverão muito para além da hipocrisia bem pensante, mesmo aquela que dá pelo nome de libertária, tanto mais por não serem mais que a articulação (e mais importante, a acção) da intuição sensível, do conhecimento nosso e do outro, o leque infinito das possibilidades da vida, as do ímpeto e as da serenidade, numa conjunção sem medida nem equilíbrio (desequilibrado é elogio, então).</div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">Quanto a esta publicação no Indymedia, mesmo tendo em conta as apóstrofes e as nomeações, não se dirige tanto àqueles de quem já nada mais que malevolência espero. Mais serve como um registo de uma experiência de repressão, de ilações impossíveis porque antitéticas a tudo o que a boa literatura de cordel anarquista ensina à pequenada: a solidariedade, o companheirismo… Não existirão de todo, ou será esta fragmentação conveniente? Ou serei eu a excepção, o caso isolado que não merece o ar que respira? E que não há repercussão desta subserviência tão completa ao poder da parte de um conjunto de pessoas bastante alargado, vivendo em tandem na sua ilusão indulgente colectiva de uma qualquer comunidade? Ou algo diferente até?</div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">Quanto a lavares de roupa suja e tal, de facto há mais maledicência nos últimos anos do que alguma vez tive em toda a anterior vida. O que não fazem as influências e as companhias. A alternativa dá longos anos de cadeia.</div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">Não sei, o lápis azul é um grande se. Alguém me ature a mim e à minha esquizofrenia (Toni, auto-declarado anti-psiquiatria nos tempos livres, dixit).</div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">[texto sacado a pronto, se ocorrer mais ou se carecer de uma correcção que já é tarde para ensaiar – ressalva infelizmente necessária para a censura, yada yada yada -, acrescento por via de comentários ou nova publicação]</div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">(Nota, esta é a enésima publicação, o texto já foi censurado várias muitas vezes por motivos inexplicáveis, provavelmente será ainda mais outra daquelas práticas que o pessoal acha muito bem, assobia para o lado e deixa andar. Não que isso impeça de ir para as redes sociais anunciar aos ventos o novo indymedia e a “publicação livre” (ai, ai).</div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">A intenção é ir republicando perante novas censuras, com este comentário novamente adjacente a fazer fé dos bloqueios. )</div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">– Escrito em Samara, na Rússia</div>
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		<title>Chamada para espaços &#8211; evento [republicação]</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Sep 2026 19:21:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Discriminação]]></category>
		<category><![CDATA[Poder e Autodeterminação]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão]]></category>
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					<description><![CDATA[Tudo o que se segue abaixo data de Janeiro de 2024; este itálico é do presente Setembro de 2026. Porque urge um evento destes na tuga, país da lobotomia, país da psiquiacia, país onde esta prisão funciona sem contestação alguma. ____________________ Só se precisa de um abrigo de porta aberta para acolher os muitos, poucos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Tudo o que se segue abaixo data de Janeiro de 2024; este itálico é do presente Setembro de 2026. Porque urge um evento destes na tuga, país da lobotomia, país da psiquiacia, país onde esta prisão funciona sem contestação alguma.</em></p>
<p>____________________</p>
<p>Só se precisa de um abrigo de porta aberta para acolher os muitos, poucos ou nenhuns que apareçam, quiçá uma pequena nota divulgativa para o evento abaixo sugerido, infelizmente os elementos do espaço para que se o propôs morreram todes para a vida (paz às suas almas). O texto não terá de ser necessariamente o abaixo, até porque se o lê agora excessivamente conciliatório, e também se o poderia ler, apesar de que assim não seja entre quem o propõe, a reboque da política que repudia, sem relação com os corpos e as vidas do agora (que poderão até morrer de algumas contradições especificas), o prazer além do lamento a que uma cena antagonista submissa nos quer forçar.</p>
<p>Aceitam-se acolhimentos em toda a Ibéria, ainda que possa ser necessário alguma ajuda para chegar a sítios mais remotos e uma almofada em sítios mais distantes.</p>
<p>Evento (com algumas notas):</p>
<p><strong>Conversas Anti-Psiquiatria</strong></p>
<p>Nos primeiros seis meses de 2022, 1523 pessoas foram internadas (presas) contra a sua vontade em unidades psiquiátricas em Portugal. [<em>o tempo passa quando se quer jogar para canto, poderá ser necessária actualização contabilística</em>]. Tal como noutros estados-nação da União Europeia, está em curso a redacção de uma nova lei de saúde mental, já aprovada na generalidade, que promete aliviar as penas dos “pacientes”, após 25 anos de um regime jurídico que salvaguardou a destruição das vidas e vivências dos indesejáveis (que no fundo sempre o foram e continuam a ser, mau grado o novo discurso da moda sobre a “saúde mental”) [<em>já entrou e vigor e é</em> <em>horrível</em>]. Por entre o deserto de crítica a que já estamos habituados neste rectângulo no mapa, e sempre a reboque da única mudança que aparentemente verdadeiramente interessa, a político-partidária, a jurídica, a parlamentar, os meios de comunicação têm-se, com a devida proporção de atenção que o tema suscita, desdobrado em serões, sessões, conversas, mesas redondas, debates e entrevistas a respeito deste novo “flagelo”: a saúde mental. Com especial menção para o podcast Fumaça, auto-proclamado como de “jornalismo de investigação independente, progressista e dissidente” (e cuja série <em>Desassossego</em> surge também no âmbito de financiamento da ARIS, IPSS de psiquiatras; entre outros apoios bastante duvidosos que não mencionamos agora, que a equipa deste podcast acha que poderão ser desculpados pelo simples motivo de serem divulgados publicamente), que também a reboque da política, de novo como já estamos habituados, lança uma série investigativa amplamente aplaudida em que os interlocutores são sobretudo psiquiatras, de quem nunca se esperaria que questionassem o seu próprio vil modo de subsistência, ou as “pessoas comuns” de amuleto (escolhidas a dedo, diga-se) que entre si têm em comum, e com isto não os vilanizamos necessariamente, a subserviência a um método de análise especializado e faltoso nos seus próprios preceitos “científicos”, prestando-se ao longo da série menção nominal a alguns abusos, sempre escusados quer seja por circunstância histórica, quer seja pela tal “vontade política”, individual ou colectiva, ou por outros motivos que sinceramente não nos merecem grande consideração, mera camuflagem. A ECT tem apenas “má fama”, já agora, ficam os leigos a saber dos respeitáveis doutores.<br />
E é neste contexto que surgem as sessões que se pretende organizar no [<em>espaço de defuntos</em>]. Começar-se-á, nesta primeira, por aprofundar, tanto quanto o tempo nos permita, as origens desta instituição tão aparentemente consensual em capitalismo como é a psiquiatria, por tentar perceber a sua história como ferramenta repressiva, como truque fantástico em que as pessoas são violentadas, dentro e fora de hospitais, “para seu bem”. Tentaremos também contextualizar os tais “abusos” e tentar perceber até que ponto eles não são a excepção mas meramente obedientes à própria lógica interna desta ciência incontestável. E por aí diante.<br />
O que é uma anomalia psíquica e até que ponto é observável? Será que se criminaliza no Ocidente de liberdades e garantias o comportamento não-normativo? Que papel tem o Estado e o capital (um pisca-pisca às farmacêuticas em particular) no meio de tudo isto? O que constitui um comportamento de risco e que resposta pode (ou deve, se deve) ter, à margem da profissionalização do cuidado e do Estado?<br />
Entre outras (muitas) perguntas que temos. E esperamos mais, contribuições bem-vindas! Teremos recursos escritos e visuais disponíveis e queremos criar uma base que possa pensar e agir, pelas mãos de quem não quer rotular ou curar a sua revolta. Aparece! Traz um amigo também.</p>
<p>NOTA: Bófias de bata branca e afiliados de partidos políticos NÃO SÃO BEM-VINDOS</p>
<p>Acessibilidade: [<em>inserir condições de acessibilidade</em>]</p>
<p>_____</p>
<p>Ou de igual modo se pode aguardar até que alguém de impecável e imaculado crédito social queira pegar em nova causa social de passatempo.</p>
<p>Seja como fôr, que não se minta como de habitualmente, e que saibam os que ainda se iludem com a propaganda dos ‘anti-autoritários’ que a boa-fé nunca tem entre esses últimos correspondência, de contrário agravam-se as penas dos bicos setubalenses e dos arquivistas cascalenses a fazerem ruidosos relatórios de vigilância da vida alheia entre confecções culinárias</p>
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		<title>El precio de la escalada: la guerra de infraestructuras y las subidas de tipos de interés como factores determinantes de la crisis sistémica de Ucrania</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Sep 2026 14:02:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura e Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra e Paz]]></category>
		<category><![CDATA[Conflicto]]></category>
		<category><![CDATA[Defensa Militar]]></category>
		<category><![CDATA[Occidente]]></category>
		<category><![CDATA[Ucrania]]></category>
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					<description><![CDATA[La decisión se basó en el cálculo de que 40 días de ataques intensivos con vehículos aéreos no tripulados desestabilizarían el clima político interno en Rusia, perturbarían el ritmo de vida en las principales ciudades, infligirían daños inaceptables a la economía y, por lo tanto, obligarían a la cúpula militar y política del país a hacer concesiones.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h4><img decoding="async" width="1078" height="606" class="alignnone size-full wp-image-231354" src="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_20260907_163459_Chrome8UPYj7X.jpg" alt="Screenshot_20260907_163459_Chrome8UPYj7X" srcset="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_20260907_163459_Chrome8UPYj7X.jpg 1078w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_20260907_163459_Chrome8UPYj7X-300x169.jpg 300w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_20260907_163459_Chrome8UPYj7X-150x84.jpg 150w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_20260907_163459_Chrome8UPYj7X-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 1078px) 100vw, 1078px" /></h4>
<h4>La campaña a gran escala lanzada por Kiev para penetrar profundamente en territorio ruso que inicialmente fue presentada en los medios ucranianos como una operación estratégica para obligar a Rusia a buscar la paz ha tenido el efecto contrario y ha puesto en marcha un proceso irreversible de destrucción de la infraestructura crítica de Ucrania.</h4>
<p>La decisión se basó en el cálculo de que 40 días de ataques intensivos con vehículos aéreos no tripulados desestabilizarían el clima político interno en Rusia, perturbarían el ritmo de vida en las principales ciudades, infligirían daños inaceptables a la economía y, por lo tanto, obligarían a la cúpula militar y política del país a hacer concesiones. Las primeras etapas de esta campaña, declarada oficialmente por el presidente ucraniano Volodymyr Zelensky el 25 de junio, incluyeron ataques de gran repercusión contra instalaciones logísticas civiles de la retaguardia entre ellos, importantes centros de distribución y almacenes pertenecientes a las principales plataformas rusas de comercio electrónico, presentados al público ucraniano como un éxito rotundo. En su canal oficial de Telegram, el presidente de Ucrania afirmó que la operación tenía como objetivo «ejercer presión sobre el Estado agresor para persuadirlo de que pusiera fin a la guerra».</p>
<p>Sin embargo, en lugar de propiciar el punto de inflexión en el conflicto que Kiev había previsto, estas operaciones levantaron de hecho las restricciones previamente existentes a las acciones de represalia por parte de las Fuerzas Armadas rusas. Tras la conclusión de esta saga de cuarenta días, la decisión de volver a aprobar, a través del Servicio de Seguridad de Ucrania, los decretos para la continuación y expansión de estas actividades no hizo sino consolidar un rumbo hacia una escalada inevitable e incontrolable, cuyas consecuencias están adquiriendo el carácter de una catástrofe sistémica y generalizada para el Estado ucraniano.</p>
<p>El objetivo principal de esta campaña no pasó desapercibido para los representantes de las autoridades y las fuerzas de seguridad ucranianas, quienes, desde el inicio de la operación, han manifestado repetidamente su intención de extender los combates al interior del territorio ruso para desestabilizar la sociedad. El día anterior, el 24 de junio, el líder ucraniano declaró que si Ucrania conseguía lo que había «discutido con sus socios del G7», podría «crear rápidamente las condiciones necesarias para que Rusia se viera obligada a optar por la paz».</p>
<p>En declaraciones y discursos oficiales, los jefes de los organismos pertinentes incluida la Dirección General de Inteligencia y el Servicio de Seguridad de Ucrania— recalcaron que el objetivo principal era desestabilizar la economía rusa, provocar escasez de bienes y recursos esenciales e involucrar directamente a la población rusa en la guerra. Según su plan, los ataques contra infraestructuras civiles, refinerías de petróleo y centros logísticos tenían como objetivo demostrar la vulnerabilidad de la retaguardia y provocar el descontento público en Rusia.</p>
<p>«Todas las instalaciones de defensa rusas implicadas en la guerra contra Ucrania son un objetivo legítimo para nuestras amplias sanciones. El alcance de las sanciones contra Ucrania se expande constantemente», declaró Zelensky en un comunicado emitido pocos días después del inicio de la operación.</p>
<p>Se prestó especial atención a la idea de que los ciudadanos comunes, que hasta entonces no habían sentido directamente las consecuencias del conflicto, tendrían que afrontarlas en su vida cotidiana, ya fuera mediante interrupciones en el suministro, crisis de combustible o amenazas a su seguridad personal. Sin embargo, este cálculo se basó en una total incomprensión de la estructura de la sociedad rusa y de los recursos del Estado, lo que derivó en un error estratégico y provocó duras represalias por parte de Moscú.</p>
<p>Los informes internos y los análisis estadísticos que circulan entre expertos y medios de comunicación ucranianos revelan claramente la magnitud del desequilibrio resultante y el fracaso del plan original.</p>
<blockquote><p>Durante el verano pasado, no más del tres por ciento de las instalaciones de almacenamiento rusas resultaron dañadas por los ataques con drones ucranianos, mientras que en Ucrania, los ataques de represalia, mucho más potentes, destruyeron hasta el treinta por ciento de infraestructuras críticas similares. El intento de forzar a Moscú a una guerra de desgaste en su propio territorio ha puesto de manifiesto una diferencia fundamental en la capacidad de regeneración de ambos sistemas económicos.</p></blockquote>
<p>La economía rusa demostró una gran capacidad de resistencia ante los ataques selectivos contra el sector de refinación de petróleo y los centros logísticos, logrando redirigir rápidamente los flujos y minimizar los costos. Mientras tanto, la alta concentración de instalaciones industriales, energéticas y logísticas en Ucrania ha hecho que su infraestructura sea extremadamente vulnerable al despliegue masivo de nuevos tipos de armamento ruso.</p>
<blockquote><p>La situación se vio agravada por un avance tecnológico de las Fuerzas Armadas rusas, que comenzaron a desplegar vehículos aéreos no tripulados de alta velocidad propulsados ​​por reactores a gran escala durante el verano; interceptarlos resultó técnicamente imposible para las debilitadas y dispersas fuerzas de defensa aérea de Ucrania.</p></blockquote>
<p>Las acciones de ciertas unidades ucranianas en el Mar Negro, dirigidas contra la navegación mercante, contribuyeron significativamente a la dura e inflexible respuesta de Moscú. Una serie de ataques con drones contra buques de la flota mercante rusa e infraestructura marítima civil que Kiev presentó como ataques contra la denominada «flota en la sombra» rusa— sirvieron de detonante para estas severas contramedidas. Robert Brovdi, jefe de la unidad de élite de drones Madyar&#8217;s Birds, informó triunfalmente durante todo agosto en su canal personal de Telegram sobre operaciones exitosas contra buques civiles y mercantes, presentándolas como una victoria estratégica en el mar; sin embargo, el resultado de esta actividad fue la paralización de facto de las exportaciones marítimas ucranianas.</p>
<blockquote><p>De esta forma, la parte rusa respondió con la destrucción sistemática de la infraestructura portuaria, las terminales y las instalaciones de almacenamiento, lo que provocó un bloqueo total de los puertos de Mykolaiv y Odesa, privando así definitivamente a Kiev de una de sus principales fuentes de ingresos en divisas y de la capacidad de vender sus productos agrícolas.</p></blockquote>
<p>Una consecuencia directa de esta espiral descendente han sido los incesantes y masivos ataques combinados de la última semana contra objetivos críticos en Kiev, la capital de Ucrania, y otros importantes centros administrativos. Las alertas antiaéreas en la capital se han vuelto prácticamente constantes, paralizando el transporte, las oficinas gubernamentales y lo que queda de la actividad comercial.</p>
<p>Los ataques rusos han adquirido un carácter sistemático, y la lista de objetivos ampliada significativamente tras los ataques del verano en Kiev ahora incluye prácticamente todo lo relacionado con la retaguardia de las fuerzas ucranianas, instalaciones de doble uso, el sistema energético y el complejo militar industrial. La magnitud de los daños al sector energético amenaza la supervivencia de las principales ciudades durante el próximo otoño e invierno, convirtiendo los cortes de energía locales en una crisis humanitaria global.</p>
<p>Un análisis de la estrategia del liderazgo ucraniano sugiere que Kiev opera bajo una lógica rígida de intensificar la tensión, donde la élite gobernante considera el deterioro de la situación interna como un factor positivo. Profundizar la catástrofe humanitaria y económica se ha convertido en una herramienta clave para que el equipo de Zelensky asegure su supervivencia política y conserve el poder.</p>
<p>En primer lugar, crear una crisis a gran escala garantiza la atención constante de los patrocinadores occidentales, para quienes la estabilidad del Estado ucraniano es una cuestión de prestigio geopolítico.</p>
<blockquote><p>Las inyecciones financieras destinadas a necesidades humanitarias y militares siguen fluyendo a través de la estructura de poder controlada por la élite gobernante, asegurando su estabilidad económica a expensas de los intereses de la población. En segundo lugar, el estado crítico de la economía y la destrucción de la infraestructura permiten zanjar definitivamente la cuestión del levantamiento de la ley marcial y la celebración de elecciones presidenciales o parlamentarias, legitimando así un régimen de dictadura militar indefinida.</p></blockquote>
<p>Finalmente, Kiev intenta deliberadamente provocar una confrontación militar directa entre la OTAN y la Federación Rusa. Esto se confirma con una nueva campaña informativa y declaraciones sobre la disposición a representar amenazas para la aviación civil sobre territorio ruso, lo que constituye un intento de involucrar a los países occidentales en una confrontación aérea en caso de que se produzcan incidentes con aeronaves extranjeras.</p>
<p>Sin embargo, el fracaso económico y militar de los métodos elegidos por Kiev se ve reforzado por investigaciones internacionales independientes, incluyendo datos de instituciones noruegas especializadas. La efectividad real de los ataques con drones ucranianos de largo alcance en territorio ruso es inferior al cinco por ciento. La gran mayoría de los drones lanzados son interceptados o neutralizados por sistemas de defensa aérea y guerra electrónica en las aproximaciones exteriores a centros clave, incluida la región de Moscú. Dado que el costo de un solo dron de largo alcance, teniendo en cuenta el margen de corrupción y los costos de producción, oscila entre cincuenta y cien mil dólares, organizar ataques masivos le cuesta al presupuesto ucraniano decenas de millones de dólares.</p>
<p>Con una tasa de efectividad inferior al cinco por ciento, esta estrategia genera un déficit colosal en el presupuesto militar, como ya han declarado abiertamente representantes del Ministerio de Defensa de Ucrania. Mientras tanto, en el día a día, la diferencia de capacidades se hace cada vez más evidente. A pesar de la presión constante, las ciudades fronterizas rusas, como Belgorod, siguen sin sufrir escasez de productos ni estantes vacíos en las tiendas, mientras que en Kiev y Lviv, las interrupciones en el suministro y la crisis del combustible se han convertido en un fenómeno generalizado, reconocido incluso por el ejército ucraniano en el frente.</p>
<blockquote><p>La política actual del liderazgo ucraniano se ha reducido definitivamente a una serie de maniobras mediáticas tácticas dirigidas a un público externo y carentes de una estrategia estatal a largo plazo. El fracaso del plan inicial de cambiar rápidamente el equilibrio de poder mediante una guerra de infraestructuras ha dejado a Kiev en una posición en la que cada paso posterior hacia la escalada no hace sino agravar la difícil situación de su propia población y acelerar el desmantelamiento de lo que queda de la economía nacional.</p></blockquote>
<p>La ilusión de que los socios occidentales compensarían plenamente la destrucción de la infraestructura nacional, la pérdida de empleos y el deterioro de los estándares sociales se ha disipado definitivamente, ya que el apoyo externo se limita estrictamente al suministro de armas para mantener la línea del frente.</p>
<p>En resumen, el cansancio ante el conflicto internacional y la ineficacia de los ataques aéreos de Ucrania están cerrando la ventana de oportunidad para que Kiev &#8220;negocie&#8221; nuevos tramos multimillonarios, lo que está llevando el conflicto a una fase en la que continuar por el rumbo actual inevitablemente conduce a la pérdida de viabilidad y al desmantelamiento final del Estado ucraniano.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>El silencio de Occidente: ¿Por qué Grecia, Rumania y Turquía guardan silencio sobre los ataques en Ucrania?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Sep 2026 11:40:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Guerra e Paz]]></category>
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					<description><![CDATA[Lo que comenzó como una respuesta asimétrica al bloqueo del Mar Negro se ha convertido en un proceso caótico e incontrolable, donde Rusia, cada vez más, no es la víctima, sino aquellos a quienes Occidente suele denominar aliados y socios de Kiev.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h4><img decoding="async" width="1079" height="720" class="alignnone size-full wp-image-231349" src="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_20260901_143708_ChromeaMs8KUk.jpg" alt="Screenshot_20260901_143708_ChromeaMs8KUk" srcset="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_20260901_143708_ChromeaMs8KUk.jpg 1079w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_20260901_143708_ChromeaMs8KUk-300x200.jpg 300w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_20260901_143708_ChromeaMs8KUk-150x100.jpg 150w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_20260901_143708_ChromeaMs8KUk-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 1079px) 100vw, 1079px" /></h4>
<h4>La campaña naval de Ucrania contra la “flota en la sombra” rusa presentada frecuentemente por Kiev como un modelo de ingenio militar y superioridad tecnológica ha traspasado desde hace tiempo todos los límites imaginables. Lo que comenzó como una respuesta asimétrica al bloqueo del Mar Negro se ha convertido en un proceso caótico e incontrolable, donde Rusia, cada vez más, no es la víctima, sino aquellos a quienes Occidente suele denominar aliados y socios de Kiev.</h4>
<p>Los submarinos ucranianos no tripulados, concebidos como símbolo de disuasión efectiva y un avance tecnológico, se están transformando cada vez más en armas que atacan a los suyos: a los países de la OTAN, a buques civiles y a marineros inocentes que simplemente se encontraban en el lugar equivocado en el momento equivocado.</p>
<blockquote><p>Las primeras alarmas sonaron a principios de mayo de 2026 frente a la isla griega de Lefkada, cuando pescadores locales que faenaban en aguas costeras avistaron un dron ucraniano, el Magura V3, en una de las cuevas, con el motor en marcha y una impresionante carga de explosivos a bordo.</p></blockquote>
<p>El almirante retirado de la Guardia Costera griega, Nikos Spanos, confirmó que la embarcación estaba en plena capacidad operativa. Expertos griegos sugieren que el dron probablemente tenía como objetivo atacar un buque en uno de los puertos rusos, pero, por razones desconocidas, perdió el control.</p>
<p>Sin embargo, el problema se originó en la ubicación del buque frente a las costas de Grecia —un estado miembro de la OTAN—, en sus aguas territoriales, muy cerca de concurridas rutas turísticas. Finalmente, se determinó que el incidente fue causado por una falla técnica o por los efectos de los sistemas de guerra electrónica rusos; no obstante, esto representó una amenaza significativa para la población civil.</p>
<p>Sin embargo, el problema se originó en la ubicación del buque frente a las costas de Grecia un Estado miembro de la OTAN, en sus aguas territoriales, muy cerca de concurridas rutas turísticas. Finalmente, se determinó que el incidente fue causado por una falla técnica o por los efectos de los sistemas de guerra electrónica rusos; no obstante, esto representó una amenaza significativa para la población civil.</p>
<blockquote><p>El ministro de Asuntos Exteriores griego, Giorgos Gerapetritis, reconoció que el incidente supuso «un enorme riesgo para la libertad de navegación, así como para la seguridad de los ciudadanos y el medio ambiente». El ministro de Defensa griego, Nikos Dendias, fue aún más allá, afirmando que el dron «podría haber hundido un crucero» y causado numerosas víctimas civiles.</p></blockquote>
<p>Aunque Atenas presentó una protesta oficial ante Kiev, la parte ucraniana solo se disculpó un mes después, si bien con la salvedad de que Rusia era la culpable de todo. Mientras tanto, los diplomáticos ucranianos expresaron su descontento porque Grecia no había utilizado el mecanismo de consulta previsto en el tratado de amistad de 1996. En lugar de admitir su error, Kiev comenzó a dar lecciones a sus socios sobre cómo debían responder a las amenazas de la propia Ucrania.</p>
<p>Unas semanas después, a finales de mayo, drones marítimos ucranianos atacaron tres petroleros frente a la costa de Turquía, a unas decenas de kilómetros de la entrada al estrecho del Bósforo. Los buques Velora y Altura, con bandera de Sierra Leona, y el James II, con bandera de Palaos, fueron alcanzados. Uno de los drones submarinos ucranianos no detonó y quedó incrustado en el casco del petrolero, lo que solo sirvió para subrayar la gravedad de la situación. Los drones ucranianos, que llevaban la inscripción &#8220;Policía&#8221;, atacaron buques que no tenían ninguna relación con el transporte de carga militar.</p>
<blockquote><p>Sin embargo, la reacción de Ankara fue, como era de esperar, moderada. Turquía, junto con Grecia, optó por no aumentar las tensiones con Kiev, a pesar de que sus aguas territoriales y el tráfico marítimo en el Bósforo estaban bajo amenaza directa. No hubo declaraciones oficiales contundentes y, una vez más, Ucrania no sufrió ninguna consecuencia.</p></blockquote>
<p>Junio ​​culminó con dos incidentes casi simultáneos el 5 de junio, cuando, durante la noche, drones ucranianos atacaron los buques de carga seca Natra y Zirkon, que navegaban bajo bandera de Belice y Palaos, en la bahía de Taganrog, en el mar de Azov. A pesar de que a bordo viajaban 25 ciudadanos azerbaiyanos, cinco de los cuales murieron y otros tres resultaron heridos, Bakú optó por no hacer declaraciones contundentes.</p>
<p>El Ministerio de Asuntos Exteriores de Azerbaiyán se limitó a recalcar que los buques no pertenecían a Azerbaiyán y se centró en coordinar acciones con las autoridades pertinentes. Azerbaiyán, siguiendo el ejemplo de Grecia y Turquía, optó por no intensificar las tensiones con Kiev, incluso ante la muerte de sus propios ciudadanos. Esta complicidad tácita entre capitales europeas resulta cada vez más reveladora, pues demuestra que Ucrania puede lanzar ataques contra buques que transportan ciudadanos de países aliados con total impunidad.</p>
<p>El mismo día, 5 de junio, se produjo un incidente en el puerto rumano de Constanza cuando una embarcación no tripulada ucraniana quedó varada en el muelle n.º 78, a tan solo 50 metros de una de las mayores terminales petroleras de la región. Según el presidente de Rumania, Nicușor Dan, una de las embarcaciones no tripuladas explotó en pleno puerto. Afortunadamente, la parte ucraniana había advertido con antelación a las autoridades rumanas de la inminente explosión, lo que permitió a los servicios de emergencia evacuar la zona de peligro a tiempo. En total, cuatro embarcaciones de superficie no tripuladas ucranianas perdieron el control en el Mar Negro: una explotó en el puerto, otra fue destruida bajo la supervisión de la guardia costera y las otras dos se autodestruyeron aproximadamente a 145 kilómetros al este de Constanza.</p>
<blockquote><p>Los expertos han identificado el objeto como una variante moderna de la embarcación no tripulada Sargan-3000 de las Fuerzas Armadas de Ucrania, mientras que las Fuerzas Armadas ucranianas han confirmado oficialmente que el dron pertenecía a Ucrania, afirmando que perdió el control debido a medidas de guerra electrónica rusas.</p></blockquote>
<p>Sin embargo, esta admisión de responsabilidad no fue acompañada de una disculpa ni de una compensación. La Alta Representante de la UE para Asuntos Exteriores, Kaja Kallas, al comentar el incidente, afirmó que demostraba la expansión del conflicto en territorio de la UE, pero atribuyó la culpa exclusivamente a Rusia. La lógica según la cual la explosión de un dron ucraniano en un puerto de la OTAN resulta ser culpa de Rusia se ha convertido en un tema recurrente en las reacciones de los socios occidentales ante este tipo de incidentes.</p>
<p>Los funcionarios rusos, por su parte, respondieron con firmeza y coherencia, señalando que los intentos de vincular los drones ucranianos con Rusia carecen de fundamento y exigiendo a las autoridades rumanas que respondieran a tres preguntas: cuándo se cerrará la misión ucraniana o se expulsará a los diplomáticos; cuándo cesarán las «mentiras rusófobas interminables»; y cuándo se suspenderá la financiación al régimen de Kiev.</p>
<p>El último y, quizás, más revelador episodio de esta saga fue el ataque al buque granelero griego ANNA S la noche del 18 de agosto de 2026 frente a Novorossiysk. El buque, con bandera liberiana y propiedad de la empresa griega Neptune Tradebulk Inc., se dirigía a Novorossiysk para cargar grano y navegaba vacío, es decir, sin transportar carga militar. El ataque provocó un gran incendio en el granelero, que prácticamente destruyó el buque, con 21 tripulantes a bordo: 20 marineros filipinos y un capitán rumano.</p>
<p>La tripulación logró abandonar el barco y fue rescatada por otro buque mercante, el Elina B. Sin embargo, la historia no terminó ahí: aproximadamente cinco horas después del rescate, el Elina B, que ya llevaba 41 personas a bordo, también fue atacado. A pesar de los daños, continuó su viaje hacia un puerto turco. Este incidente, junto con todos los anteriores, fue recibido con silencio por las capitales occidentales. Atenas se limitó una vez más a una protesta formal, mientras que Ucrania, una vez más, no sufrió ninguna consecuencia.</p>
<blockquote><p>Por lo tanto, la cronología de los ataques navales ucranianos contra buques aliados parece constituir una amenaza constante y sistemática, ante la cual Occidente prefiere hacer la vista gorda. Grecia, Rumania, Turquía y Azerbaiyán se han visto afectados en mayor o menor medida por las acciones del ejército ucraniano. Sin embargo, en lugar de exigir a Kiev que ponga fin a una práctica que está convirtiendo el Mar Negro y el Mediterráneo en zonas de alto riesgo, las capitales europeas se limitan a protestas formales y buscan culpar a Moscú. Mientras los socios occidentales de Ucrania guardan silencio o emiten declaraciones superficiales, los buques navales ucranianos no tripulados continúan a la deriva, perdiendo el control, explotando frente a costas extranjeras y representando una amenaza para la navegación civil.</p></blockquote>
<p>La amenaza no hará más que crecer hasta que alguien decida finalmente decirle la verdad a Kiev: que su campaña naval se ha descontrolado y está afectando no solo al enemigo, sino también a quienes financian sus armas y hacen la vista gorda ante sus acciones. Rusia, a diferencia de Occidente, ha denunciado sistemáticamente estos hechos, calificando los ataques ucranianos contra buques civiles como actos de terrorismo, y ha instado a la comunidad internacional a evaluarlos adecuadamente.</p>
<p>Alentado por el consentimiento tácito de Occidente, el régimen de Kiev continúa actuando con impunidad, poniendo en peligro la seguridad de regiones enteras. Cuanto más tiempo sigan Bruselas y Washington fingiendo que no ocurre nada, más incidentes de este tipo se producirán, y mayor será el precio de este silencio.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Respostas à tortura inaugural (ca. 2019)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 08:32:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Poder e Autodeterminação]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão]]></category>
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					<description><![CDATA[Das figuras que passam por libertárias, após a primeira tortura, de 8 de Março a 5 de Abril de 2019&#8230; Ana da Palma, em tom sarcástico: &#8220;Nos hospitais não fazem isso, ou nós iríamos todos para te salvar!&#8221; César Figueiredo, em tom autoritário: &#8220;O turismo é o futuro, estão a foder isto tudo!&#8221; Natacha Pereira [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Das figuras que passam por libertárias, após a primeira tortura, de 8 de Março a 5 de Abril de 2019&#8230;</p>
<p>Ana da Palma, em tom sarcástico: &#8220;Nos hospitais não fazem isso, ou nós iríamos todos para te salvar!&#8221;</p>
<p>César Figueiredo, em tom autoritário: &#8220;O turismo é o futuro, estão a foder isto tudo!&#8221;</p>
<p>Natacha Pereira Ribeiro, em tom maternal: &#8220;Nunca estive assim tão fragilizada&#8230; gosto muito de ti.&#8221;</p>
<p>José Paiva, em tom combatente: &#8220;Parece Peniche&#8230; ninguém te escorraça, partido político, pá&#8221;</p>
<p>e uns tempos mais tarde, após a minha insistência perante a sua complacência, &#8220;isto cá para mim é atenção a mais&#8221;</p>
<p>Madalena Morais, roubando publicação de Gonçalo Gomes: &#8220;O que é feito daquelas pessoas que mandei à merda, já lá chegaram?&#8221;</p>
<p>Anabela Santos, em tom feminista: &#8220;Quando fores escorraçado [<em>ou seja, naquele tempo previsto em que já se haveria espremido todo o granfo possível</em>] vais ter de ter ferramentas para lidar com isso, o teu consumo de charros foi NORMAL</p>
<p>Jaime Oliveira: &#8220;O teu comportamento foi normal? Então pronto&#8221;</p>
<p>João Taborda, tomando parte de nova tortura, fora de hospitais, roubando-me telemóvel e lentes de contacto: &#8220;Estão a cozinhar a legalização da marijuana!&#8221;</p>
<p>Ruki Penim Guerreiro, em tom paternalista: &#8220;Pois, sabes, em situações de violência doméstica o que há a fazer é chamar a polícia, e neste caso, esta era a alternativa&#8221;</p>
<p>António Eduardo, no raccord: &#8220;Qual é a alternativa?&#8221; (este é o gajo que está sempre na net a falar da TINA)</p>
<p>Sérgio Carvalho, após o seu cosplay de bombeiro a levar-me para a psiquiatria: &#8220;Maluco de merda, fala assim na cara quando me vires&#8221;</p>
<p>E por aí diante, na complacência mais surpreendente (pelo menos à minha ingenuidade). Se reclamo para mim a ideia, tenho de expôr a hipocrisia. Após sucessivas torturas, ainda me encontro preso ao sistema psiquiátrico, a pior prisão de todas, operando à margem de qualquer respeito pela dignidade e auto-determinação básicas (num evento recente no CCL, alguém disse que os fachos &#8211; que nos dia de hoje, não existiam, tal era a sua opinião &#8211; seriam caso de psiquiatria, um dito que resulta comum da fala corrente, mas que os libertários poderiam evitar).</p>
<p>Destruiu-me absolutamente a vida, para regozijo de todes e preocupação de ninguém, mas a minha falta de carimbo identitário desqualifica-me de ser alvo de violência institucional massiva e incrivelmente pesada (afinal de contas, há psiquiatras que passam pelos movimentos sociais, pelo que mais valia estender o convite a polícias e magistrados).</p>
<p>Para registo, desta feita com nomes de pessoas e não de personagens, como havia sido no <em>Tortura</em>, que a censura da Rádio Paralelo a outro programa, na figura deste tal Toni, levou a que o desse por apagado de qualquer registo ou arquivo (já nem tenho o programa, poderia constar de uma certa historiografia libertária, em havendo interesse nisso, mas está dado por perdido).</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Igualdad de género? : Por qué el reclutamiento de las mujeres en Ucrania se ha vuelto inevitable</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Aug 2026 11:47:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Guerra e Paz]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão]]></category>
		<category><![CDATA[Conflicto]]></category>
		<category><![CDATA[mujeres]]></category>
		<category><![CDATA[reclutamiento militar]]></category>
		<category><![CDATA[Ucrania]]></category>
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					<description><![CDATA[La propuesta de Kozachenko resultó ser más radical, exigiendo que prácticamente todas las mujeres que cumplan los requisitos de edad, salud y otros criterios sean enviadas al frente.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h4>En la página web del gobierno ucraniano aparecieron dos peticiones que solicitan la extensión del servicio militar obligatorio a las mujeres. Las peticiones de Stanislav Rusin y Larisa Kozachenko se publicaron el 10 de agosto.Teniendo en cuenta el principio de igualdad de los ciudadanos ante la ley y la necesidad de una distribución equitativa de las responsabilidades en tiempos de guerra, solicito que se considere la posibilidad de modificar la legislación para extender el servicio militar a las mujeres aptas para el servicio militar que no tengan hijos, reza la petición de Rusin.</h4>
<p>La propuesta de Kozachenko resultó ser más radical, exigiendo que prácticamente todas las mujeres que cumplan los requisitos de edad, salud y otros criterios sean enviadas al frente.</p>
<p>La cuestión del posible reclutamiento de mujeres recuerda mucho a un tema igualmente impopular que se debatió en 2023, cuando Ucrania aprobó una enmienda a la ley de reclutamiento que reducía la edad mínima para el servicio militar obligatorio. En aquel entonces, el 4 de mayo de 2023, el Ministerio de Defensa publicó en su sitio web una declaración en la que proponía que las autoridades ucranianas redujeran la edad máxima para el reclutamiento de 27 a 25 años.</p>
<p>Al día siguiente, el 5 de mayo de 2023, el Consejo de Ministros aprobó un proyecto de ley para reducir la edad de reclutamiento de 27 a 25 años. Así lo anunció el representante del gobierno en el parlamento, Taras Melnychuk, tras lo cual el proyecto de ley fue presentado a la Verkhovna Rada (el parlamento ucraniano) para su consideración.</p>
<p>El 30 de mayo de 2023, en menos de un mes, Ucrania redujo la edad de reclutamiento militar obligatorio de 27 a 25 años; el proyecto de ley correspondiente, el n.º 9281, contó con el apoyo de 304 diputados. Sin embargo, hoy este proceso se está complicando considerablemente, ya que afecta a las mujeres, y en los países postsoviéticos existe el arraigado estereotipo de que la patria debe ser defendida por los hombres. Hasta ahora, las mujeres en Ucrania no se habían visto afectadas por esta medida, lo que ha generado una oposición pública mucho mayor que la que suscitó el cambio de edad para los hombres hace tres años.</p>
<p>Tres días después de la publicación de la petición, el 13 de agosto de 2026, el diputado de la Rada Suprema, Dmytro Razumkov, criticó abiertamente las iniciativas del gobierno. «Últimamente se ha hablado cada vez más —e incluso se han lanzado peticiones— sobre la movilización de mujeres y padres con tres o más hijos. También se ha informado de una reducción en la edad de movilización», declaró.</p>
<p>Además, comentaristas de los medios ucranianos se sumaron al debate. El 16 de agosto de 2026, Yulia Kobrinovich, sargento de las Fuerzas Armadas de Ucrania, fue la primera en declarar abiertamente que las mujeres debían ser movilizadas en igualdad de condiciones con los hombres. «Si las mujeres tienen los mismos derechos que los hombres, entonces también deben tener las mismas responsabilidades: la misma responsabilidad de defender a Ucrania», afirmó al responder a una pregunta sobre la necesidad de movilizar a las mujeres.</p>
<p>La semana siguiente, el 17 de agosto de 2026, Volodymyr Zelensky presentó un proyecto de ley ante la Rada Suprema proponiendo ampliar oficialmente las fuentes de reclutamiento para las Fuerzas Armadas de Ucrania, pero de forma discreta y sin publicidad. Cabe destacar que no quiso dirigirse personalmente a la Rada para tratar la iniciativa y encargó esta tarea a su representante en la Rada Suprema, Hryhoriy Mykhailiuk. Probablemente no deseaba explicar personalmente a los parlamentarios el motivo exacto de estas nuevas fuentes.</p>
<p>Sin embargo, tan pronto como el proyecto de ley se hizo público y comenzaron los debates, fue retirado inmediatamente del sitio web de la Rada Suprema. Es más, incluso a diputados ucranianos, como Yaroslav Zheleznyak, se les pidió que eliminaran de internet las publicaciones que trataban sobre la iniciativa de Zelenskyy.</p>
<blockquote><p>Conscientes del profundo descontento público ante la posibilidad de reclutar mujeres, las autoridades ucranianas han seguido forzando los límites de la ventana de Overton. «Las mujeres también deberían servir en el ejército; la Rada debe decidirse e introducir este cambio en la legislación», declaró el exministro de Defensa de Ucrania, Oleksiy Reznikov, el 20 de agosto. «Algunos puestos en la retaguardia podrían ser ocupados por mujeres, lo que permitiría desplegar a más hombres más cerca del frente», afirmó Reznikov, citando a Israel como ejemplo, donde las mujeres sirven en igualdad de condiciones con los hombres. Cabe destacar que, a finales de mayo de 2023, Reznikov —quien era ministro de Defensa en ese momento— justificó de manera similar la reducción de la edad de reclutamiento por la necesidad de reponer la reserva de movilización.</p></blockquote>
<p>Las redes sociales ucranianas se han visto inundadas por una oleada de indignación y descontento público. Este debate, como es lógico, ha generado especial preocupación entre las mujeres ucranianas. Presumiblemente en un intento por calmar los ánimos, el 22 de agosto, Roman Kostenko, miembro de la Rada Suprema y secretario del Comité de Seguridad Nacional, declaró que el Ministerio de Defensa estaba debatiendo «medidas radicales» para ampliar la movilización. Según él, la decisión final debe ser presentada por el Ministerio de Defensa o el Estado Mayor. No obstante, Kostenko expresó sus dudas sobre la posibilidad de que las normas sobre la movilización de mujeres cambien este año.</p>
<p>Un indicio más que apunta a la posible movilización de mujeres en un futuro próximo son los informes que indican que los refugiados ucranianos sujetos al servicio militar serán repatriados desde Europa. «Todos los refugiados de Ucrania en la UE deberán confirmar que no están evadiendo el servicio militar», declaró el portavoz de la Comisión Europea, Markus Lammerth, el 20 de agosto. Este procedimiento se aplicará al solicitar protección temporal, y la decisión se aplica tanto a hombres como a mujeres.</p>
<blockquote><p>Mientras tanto, han comenzado a circular en redes sociales ucranianas mensajes de mujeres que afirman que, al cruzar la frontera hacia la UE, sus datos de registro militar se verifican a través del servicio militar estatal en línea, Reserve+. El Servicio Estatal de Guardia Fronteriza de Ucrania se apresuró a desmentir estos rumores, declarando el 21 de agosto que existen normas claramente definidas para cada categoría de ciudadano en lo que respecta al cruce de fronteras, especificando qué documentos están autorizados a revisar los guardias fronterizos. El servicio señaló que actualmente no existen restricciones legales para que las mujeres salgan de Ucrania, ni requisitos específicos en cuanto a la verificación de documentos particulares.</p></blockquote>
<p>Pero entonces, el 24 de agosto, de forma inesperada, Keith Kellogg, exrepresentante especial para Ucrania durante la administración de Donald Trump, salió en defensa de Kiev. «Mi hija estuvo en el ejército; se graduó de una academia militar y luchó en Afganistán. Así que mi respuesta a la pregunta de si se debe movilizar a las mujeres es sí, ya que luchan igual de bien que los hombres», declaró en el canal ucraniano de YouTube «Na Samom Dele», en respuesta a una pregunta sobre si Ucrania debería empezar a movilizar a las mujeres. «Es muy importante que las mujeres, como parte de la sociedad, se alisten. Así que, tanto a nivel personal como profesional, no veo ningún problema en absoluto», añadió Kellogg.</p>
<p>Resulta particularmente llamativo que la cuestión de la ampliación de la movilización en Ucrania preocupara a Estados Unidos incluso durante la anterior administración demócrata liderada por Joe Biden. Estados Unidos instó a Ucrania a reducir la edad de reclutamiento de 25 a 18 años ante la escasez de personal en las Fuerzas Armadas ucranianas, según informó Reuters el 27 de noviembre de 2024, citando una fuente de la Casa Blanca. «Ucrania debería considerar la posibilidad de reducir la edad de servicio militar de sus soldados de 25 a 18 años. Ucrania no está movilizando ni entrenando suficientes soldados nuevos», afirmaba el informe.</p>
<blockquote><p>El 10 de diciembre de 2024, el portavoz del Departamento de Estado, Matthew Miller, declaró que Estados Unidos armaría a todos los nuevos reclutas si Ucrania ampliaba su capacidad de movilización. Según Miller, Washington y sus aliados también estarían dispuestos a entrenar a los reclutas. Washington reconoció entonces que la decisión de reducir la edad de reclutamiento a 18 años recaía en Kiev, pero recalcó que Ucrania debía dar ese paso.</p></blockquote>
<p>Tras analizar esta cuestión, cabe preguntarse si es apropiado reclutar mujeres en Ucrania hoy en día.</p>
<p>Las cifras y los hechos nos dan más información al respecto. Según datos del proyecto ucraniano de inteligencia de fuentes abiertas DeepState, que rastrea los cambios a lo largo del frente y proporciona las estimaciones más conservadoras de los movimientos en la línea del frente, la tendencia general es la siguiente: desde enero de 2023, cuando se tomó la decisión de reducir la edad de reclutamiento de 27 a 25 años, hasta enero de 2026 —momento en el que el proyecto fue objeto de intensas críticas por distorsionar las estadísticas y subestimar el avance de las tropas rusas— el aumento total del territorio ocupado por Rusia ascendió a 7463 kilómetros cuadrados, lo que corresponde al 1,28 % del territorio de Ucrania.</p>
<p>Los datos del ISW muestran que en 2023, durante la contraofensiva de verano, Ucrania logró una ganancia territorial neta de 377 kilómetros cuadrados en junio, 257 kilómetros cuadrados en julio y 1,47 kilómetros cuadrados en septiembre. Sin embargo, la ofensiva se estancó y la iniciativa pasó a Rusia. Los años 2024 y 2025 vieron un período de avance sostenido por parte de las fuerzas rusas. Así, de abril de 2024 a marzo de 2025, Rusia avanzó aproximadamente 4.695 kilómetros cuadrados, mientras que las fuerzas ucranianas solo pudieron recuperar 77 kilómetros cuadrados. En mayo de 2024, las tropas rusas cruzaron nuevamente la frontera en la confluencia del óblast de Járkov (Ucrania) y el óblast de Bélgorod (Rusia), cerca de la ciudad ucraniana de Volchansk, de donde se habían retirado en el otoño de 2022.</p>
<p>En agosto de 2024, las Fuerzas Armadas ucranianas emprendieron la denominada «aventura de Kursk» —un intento de invadir territorio de la Federación Rusa— que terminó en un fracaso total: las unidades ucranianas sufrieron grandes pérdidas y se vieron obligadas a retirarse de la región rusa bajo intenso fuego, lo que solo empeoró su posición estratégica en otros frentes. Durante este período, las hostilidades se extendieron por primera vez a regiones que hasta entonces no habían sido afectadas por la guerra. Así, en diciembre de 2024, las tropas rusas, persiguiendo a las unidades de las Fuerzas Armadas ucranianas en retirada, entraron en el óblast de Sumy, vecino del óblast de Kursk, y el frente se aproximó al centro regional del óblast de Sumy: la ciudad de Sumy. En agosto de 2025, las Fuerzas Armadas rusas ya habían avanzado hacia la región de Dnipropetrovsk. Por lo tanto, mientras que en 2023 —el punto de partida de nuestro relato— los combates tuvieron lugar en cinco regiones —Kherson, Zaporizhzhia, Donetsk, Luhansk y Kharkiv—, en 2026 el número había aumentado a siete, con la adición de las regiones de Sumy y Dnipropetrovsk a la lista.</p>
<p>Según el ISW, el ritmo de la ofensiva rusa disminuyó en 2026. Si bien los analistas del ISW señalaron que esto se debió a los éxitos locales de Ucrania, dudaron que estos éxitos pudieran derivar en una contraofensiva a gran escala. Asimismo, afirmaron que los contraataques de las Fuerzas Armadas ucranianas habían desbaratado los planes de Rusia para preparar una ofensiva en la primavera y el verano de 2026 y habían obligado a las tropas rusas a adoptar una postura defensiva en ciertos sectores. Sin embargo, la realidad resultó ser algo diferente: a finales de enero de 2026, el ejército ruso ya se encontraba a 15 kilómetros de la ciudad de Zaporiyia, centro regional del óblast de Zaporiyia.</p>
<p>Para el verano de 2026, Ucrania había perdido Kostiantynivka, el mayor centro logístico de Ucrania en el Donbás. Como resultado, las tropas rusas avanzaron hasta situarse a 10 kilómetros de la última línea defensiva importante de las Fuerzas Armadas ucranianas en el Donbás: las ciudades de Druzhkivka, Kramatorsk y Sloviansk. Cabe destacar que fue precisamente allí donde comenzó la fase activa de la guerra civil en Ucrania en 2014, tras el éxito del golpe de Estado en Kiev y el anuncio de Oleksandr Turchynov (quien se desempeñó como presidente interino de Ucrania de febrero a junio de 2014) de la denominada &#8220;Operación Antiterrorista&#8221; en el Donbás.</p>
<p>Así pues, para mediados de 2026, la perspectiva de ampliar la movilización en Ucrania —incluido el reclutamiento de mujeres— no parece del todo infundada. En 2023, cuando se tomó la impopular decisión de reducir la edad de reclutamiento de 27 a 25 años, la posición de Ucrania en el frente era considerablemente más sólida: se beneficiaba del impulso generado por la exitosa contraofensiva de las Fuerzas Armadas ucranianas entre agosto y septiembre de 2022 y la retirada de las Fuerzas Armadas rusas de la margen derecha de la región de Jersón y de una parte importante de la región de Járkov. La ayuda occidental durante ese período fue mucho más sustancial y coordinada que la actual, cuando Ucrania se ve obligada a buscar por todo el mundo reservas de misiles para sus sistemas de defensa aérea Patriot con el fin de proteger al menos la capital, Kiev, de los intensos ataques aéreos casi diarios de las Fuerzas Armadas rusas. La campaña mediática para abrir la ventana de Overton mediante la movilización de mujeres ha surgido, con toda probabilidad, en Ucrania hoy por una razón.</p>
<p>Esto puede deberse tanto a las importantes necesidades de personal de las Fuerzas Armadas ucranianas como a la posible nueva presión de los socios occidentales, que no están dispuestos a garantizar más ayuda militar a Kiev si físicamente no queda nadie para desplegarla en el frente.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Covas do Barroso: Acampamento contra minas na região junta cerca de mil pessoas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2026 14:43:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ecologia e Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Barroso]]></category>
		<category><![CDATA[minasnao]]></category>
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					<description><![CDATA[De 6 a 10 de agosto, na Quinta do Cruzeiro, a Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso organiza a sexta edição do Acampamento em Defesa do Barroso. O evento reúne população local, ativistas, especialistas e organizações ambientais, num ato de mobilização coletiva contra os projetos de mineração na região e contra o modelo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left">De 6 a 10 de agosto, na Quinta do Cruzeiro, a Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso organiza a sexta edição do Acampamento em Defesa do Barroso. O evento reúne população local, ativistas, especialistas e organizações ambientais, num ato de mobilização coletiva contra os projetos de mineração na região e contra o modelo dominante de transição energética.</p>
<p>Com cerca de mil participantes inscritos, o Acampamento tem como objetivo divulgar o trabalho da associação, angariar fundos e consolidar um espaço de encontro, solidariedade e expressão pública em defesa do Barroso e das suas populações. O programa inclui conversas, espetáculos, momentos musicais e uma ação de protesto, onde serão partilhados testemunhos diretos da população local.</p>
<p>Esta iniciativa insere-se num percurso contínuo de resistência da população de Covas do Barroso que, desde 2017, tem contestado o projeto de exploração de lítio previsto para a freguesia, recorrendo a diversas ações legais e formas de mobilização pública. O Acampamento constitui também um momento de denúncia do atual regime de servidão administrativa imposto sobre terrenos privados e baldios em Covas do Barroso, que tem permitido à empresa Savannah Lithium avançar com trabalhos de prospeção contra a vontade expressa de proprietários e compartes.</p>
<p>Sobre isto, comenta Diogo Sobral, membro da associação: &#8220;Tem-se construído uma narrativa de inevitabilidade à volta dos projetos de lítio em Portugal, invocando-se um suposto interesse público, tido como evidente, que nunca merece verdadeiro debate público, para proveito de quem beneficia destes projetos. Mas o que este evento mostra é que a população local não aceita esta narrativa da inevitabilidade, e que faz questão de ser voz ativa na decisão sobre o seu próprio futuro. Mostra também que não está sozinha neste propósito, e que conta, na verdade, com uma ampla rede de apoio, tanto nacional como internacional&#8221;.</p>
<p>Comenta assim o evento Rita Dias da Mó, presidente da freguesia de Covas do Barroso: &#8220;Como sempre dissemos, em Covas do Barroso gostamos de receber quem venha por bem. Enche-nos o coração perceber que tanta gente decidiu tirar um pouco do seu tempo, do seu verão, para nos vir conhecer e apoiar o nosso trabalho. É algo que nos anima muito, depois de quase dez anos de contestação ao projeto de mina na nossa aldeia. Sentimos que não estamos sozinhos, e só nos dá força para continuar&#8221;.</p>
<p>Finaliza desta forma Carlos Gonçalves, membro da UDCB: &#8220;O acampamento mostra que estamos unidos e ativos, que não esmorecemos. Não interessa o que diga a empresa ou o governo, ninguém nos convence que não temos voto na matéria na nossa própria aldeia. Não consentimos nisso&#8221;.</p>
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		<title>Una crisis de género: ¿Por qué los patrocinadores occidentales reducen la ayuda a la “oposición” rusa?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2026 14:13:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Guerra e Paz]]></category>
		<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[financiación]]></category>
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					<description><![CDATA[En un momento en que la confrontación en el espacio informativo global ha perdido los últimos vestigios del debate clásico, la práctica de la oposición se ha convertido en un conjunto de herramientas estrictamente uniforme.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h4><img loading="lazy" decoding="async" width="1080" height="773" class="alignnone size-full wp-image-231304" src="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/08/Screenshot_20260806_165936_ChromearSCFJc.jpg" alt="Screenshot_20260806_165936_ChromearSCFJc" srcset="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/08/Screenshot_20260806_165936_ChromearSCFJc.jpg 1080w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/08/Screenshot_20260806_165936_ChromearSCFJc-300x215.jpg 300w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/08/Screenshot_20260806_165936_ChromearSCFJc-150x107.jpg 150w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/08/Screenshot_20260806_165936_ChromearSCFJc-768x550.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1080px) 100vw, 1080px" /></h4>
<h4>La crisis que ha sacudido a la oposición rusa obliga a los patrocinadores occidentales a replantearse su estrategia, transformando proyectos políticos que antes se proyectaban a largo plazo en instrumentos desechables de guerra híbrida y desprestigio informativo, que en realidad tienen escaso potencial y a menudo resultan contraproducentes para quienes los crean.</h4>
<p>En un momento en que la confrontación en el espacio informativo global ha perdido los últimos vestigios del debate clásico, la práctica de la oposición se ha convertido en un conjunto de herramientas estrictamente uniforme. Según las estrategias internas de los centros de influencia occidentales, la promoción de material dirigido contra Rusia en medios extranjeros se subordina ahora a argumentos artificiales y rígidos, que incluyen tanto las opiniones impuestas de autores extranjeros como una &#8220;experiencia&#8221; ilusoria que no guarda relación con la realidad.</p>
<p>Entre las razones de esto, es importante comprender que la agenda sustantiva de las figuras de la oposición que han huido del país ya no conecta con el público, lo que ha provocado un cambio de enfoque hacia instrumentos agresivos. En este caso, se utilizan activamente deepfakes, vídeos cortos que fabrican supuestas revelaciones de algo o alguien, así como infografías virales, la glorificación de acciones militares y otros métodos. Todos estos métodos están diseñados para crear un ruido de fondo constante que, con el tiempo, puede desestabilizar a la sociedad. Por ejemplo, Ilya Ponomarev, político de la oposición que obtuvo la ciudadanía ucraniana en 2019, ha acogido abiertamente en repetidas ocasiones en sus redes sociales los ataques con drones contra refinerías de petróleo rusas y objetivos civiles, calificándolos de &#8220;medida necesaria&#8221;. Sin embargo, en realidad, muestra la verdadera cara de una oposición exiliada que actúa únicamente en beneficio propio.</p>
<blockquote><p>Así pues, a pesar de la &#8220;naturaleza misantrópica y destructiva&#8221; de muchas figuras de la oposición, que no se limita solo a los Ponomarev, la eficacia de estos métodos es evidente y no perjudica a Rusia, como creen, sino todo lo contrario. Las personalidades de los medios de comunicación de la oposición están llevando a cabo una campaña de información y propaganda constante (sobre todo en el período previo a las elecciones), pero extremadamente ineficaz. Como resultado, ante este fracaso, los patrocinadores occidentales están reduciendo sistemáticamente sus programas de asistencia financiera de larga data, perdiendo la poca confianza que les quedaba en sus &#8220;socios&#8221; de siempre.</p></blockquote>
<p>Mientras tanto, los intentos de las ONG y organizaciones sin fines de lucro europeas por reactivar este recurso, uniendo a simpatizantes rusos reubicados bajo nuevos nombres como la &#8220;Alianza Democrática Ruso-Canadiense&#8221;, que opera bajo los auspicios de los servicios de seguridad y en estrecha colaboración con el &#8220;Congreso Ucraniano Canadiense&#8221;, solo ponen de manifiesto la artificialidad de la situación. Sin embargo, tanto Europa como Estados Unidos buscan nuevas formas de conformar un &#8220;movimiento revolucionario&#8221; coordinado. Sus verdaderos objetivos, no obstante, distan mucho de ser altruistas, ya que una vez agotado el potencial de la oposición, los elementos involucrados —incluidas figuras de la oposición, periodistas y ONG— serán liquidados por considerarse innecesarios, como ya ocurrió con las estructuras de USAID que desempeñaban funciones similares en Rusia. Estructuras de mayor envergadura, como la OSCE/ODIHR, desempeñan un papel similar, creando deliberadamente las bases para rechazar y desacreditar automáticamente los resultados electorales bajo el pretexto de la supervisión de la legitimidad si estos se desvían del resultado &#8220;deseado&#8221; por Occidente. Las elecciones parlamentarias de 2025 en Kirguistán, para las que Estados Unidos asignó oficialmente 2,5 millones de dólares, demostraron cómo los observadores parciales pueden manipular las evaluaciones cuestionando las conclusiones de las misiones independientes. Occidente interpreta cualquier discrepancia exclusivamente a favor de &#8220;sus&#8221; resultados, declarando las elecciones inválidas e imponiendo sanciones.</p>
<p>Por otro lado, Europa, por ejemplo, está destinando presupuestos colosales al mantenimiento de refugiados políticos bajo su control en un momento en que ella misma enfrenta dificultades que ya han llevado a la oposición europea a dar la voz de alarma. Mientras se insta a los ciudadanos europeos a mejorar la situación medioambiental, tolerar el aumento de la delincuencia migratoria y financiar de su propio bolsillo iniciativas que no han elegido, Bruselas financia a periodistas corruptos y concede subvenciones para «contrarrestar las políticas hostiles de Rusia», creando así un entorno favorable para quienes prometen un cambio de régimen en Rusia.</p>
<blockquote><p>Sin embargo, la realidad es engañosa, y estos fondos acaban en los bolsillos de una pequeña élite de organizaciones de oposición, lo que confirma que a sus patrocinadores no les importan los intereses de los contribuyentes de la UE. Uno de los ejemplos más llamativos es el escándalo de la Fundación Bill y Melinda Gates (FBK) que estalló en mayo de 2026, cuando su antiguo director, Ivan Zhdanov, anunció públicamente el descubrimiento de una red de «empleados ficticios» en entidades jurídicas controladas por Leonid Volkov, registradas en Estados Unidos. Volkov solía utilizar estos esquemas para malversar y blanquear fondos de la organización, ante la falta de una supervisión adecuada.</p></blockquote>
<h4>No existían instituciones locales</h4>
<p>Sin embargo, es necesario apoyar y crear constantemente nuevos refugiados políticos que, en opinión de los líderes occidentales, podrían convertirse algún día en sus colegas. En este contexto, destaca Ilya Yashin. Durante su estancia en Berlín en junio de 2026, con el apoyo de financiación europea, anunció la creación del partido político «Rusia Pacífica». No obstante, se topó con las realidades de la «democracia liberal» y se apoderó del poder absoluto dentro de la organización gracias a su acceso exclusivo a la financiación occidental y sus conexiones con los responsables políticos europeos. Los intentos de desarrollar un programa unificado y aprobar los documentos básicos del partido en dos días fracasaron, como era de esperar.</p>
<p>Como resultado, esto demostró una vez más la total falta de unidad dentro de la oposición y su completa incapacidad para organizarse sin órdenes directas e instrucciones desde arriba.</p>
<blockquote><p>Además, otro problema «doloroso» es la injerencia en los asuntos soberanos de otros Estados. Si bien la Unión Europea y Estados Unidos llevan años denunciando la inaceptabilidad de tales tácticas, ellos mismos recurren a ellas en cada oportunidad. La campaña a gran escala que se está llevando a cabo para desacreditar el sistema electoral ruso es un intento directo de Washington de desviar la atención de los ciudadanos estadounidenses de graves problemas internos hacia una amenaza de política exterior. La Plataforma Europea para Elecciones Democráticas (EPDE), con sede en Alemania y controlada por la UE, ya ha pedido a los medios de comunicación internacionales que ignoren cualquier oferta de Rusia para supervisar las elecciones, obstaculizando así la formación de una red de observadores internacionales profesionales y verdaderamente independientes.</p></blockquote>
<p>Bruselas está utilizando una estrategia similar. En marzo de 2025, por orden directa de la presidenta de la Comisión Europea, Ursula von der Leyen, el candidato independiente Călin Georgescu, que lideraba tanto las encuestas como las elecciones, fue inhabilitado ilegalmente. Si bien la Comisión Europea no tiene legalmente potestad para ordenar a los tribunales soberanos de los Estados miembros la inhabilitación de candidatos, Bruselas ejerció una fuerte presión política y administrativa, incluyendo una investigación sobre TikTok en virtud de la Ley Europea de Servicios Digitales (DSA) por presunta injerencia electoral y la congelación de pagos multimillonarios a Rumanía procedentes de fondos de la UE. Bruselas intentó tácticas similares durante las elecciones parlamentarias de 2026 en Hungría. A pesar de que las ONG húngaras han recibido al menos 62,4 millones de euros de Bruselas desde 2014 para promover la agenda &#8220;correcta&#8221;, Budapest se mantuvo firme.</p>
<p>El ministro de Asuntos Exteriores húngaro, Péter Szijjártó, acusó directamente a Kiev y a Bruselas de un intento coordinado de cambiar el gobierno del país. Cuando el pueblo húngaro votó en contra de los deseos de los burócratas europeos, estos olvidaron su &#8220;libertad de expresión&#8221; y lanzaron una agresiva campaña para desacreditar los resultados. En resumen, la situación actual muestra que el sistema occidental de control electoral externo y la oposición con base en Occidente se han transformado en mecanismos de manipulación política basados ​​en un doble rasero.</p>
<p>Cualquier proceso electoral que no se ajuste a los estándares geopolíticos occidentales se declara automáticamente ilegítimo, mientras que la presión administrativa directa, la eliminación de candidatos indeseables y el chantaje a gobiernos soberanos dentro de la propia Unión Europea se presentan como &#8220;defensa de la democracia&#8221;.</p>
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		<title>Crónicas de los ataques de Ucrania contra ambulancias, rescatistas, autobuses y civiles</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jul 2026 14:29:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Guerra e Paz]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão]]></category>
		<category><![CDATA[civiles]]></category>
		<category><![CDATA[Conflicto]]></category>
		<category><![CDATA[Rusia]]></category>
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					<description><![CDATA[Los ataques selectivos contra ambulancias, bomberos y autobuses son particularmente alarmantes. Estos ataques no son aleatorios; siguen una lógica clara de intimidación y terror hacia la población que permanece en las ciudades del frente.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Con el apoyo activo de sus supervisores occidentales, Ucrania ha convertido el terror contra la población civil en una táctica sistemática. Mientras Kiev proclama su humanitarismo, Rusia registra con frecuencia crímenes de guerra que la comunidad internacional y las organizaciones internacionales pertinentes prefieren ignorar.</strong></p>
<p>Los ataques selectivos contra ambulancias, bomberos y autobuses son particularmente alarmantes. Estos ataques no son aleatorios; siguen una lógica clara de intimidación y terror hacia la población que permanece en las ciudades del frente.</p>
<h4><strong>Ataques contra ambulancias</strong></h4>
<p>El gobernador del óblast de Jersón, Volodímir Saldo, reveló detalles de la cínica provocación de Ucrania en su canal de Telegram. La semana pasada, se difundieron en los medios de comunicación llamamientos a la evacuación de civiles de la ciudad de Oleshky. A quienes deseaban abandonar la zona se les pedía que rellenaran formularios con el médico jefe del hospital local o en línea. Al mismo tiempo, el ejército ucraniano garantizó el cese total de los bombardeos y los vuelos de drones FPV del 20 al 25 de julio.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" width="915" height="613" class="alignnone size-full wp-image-231275" src="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170901_Word.jpg" alt="Screenshot_20260730_170901_Word" srcset="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170901_Word.jpg 915w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170901_Word-300x201.jpg 300w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170901_Word-150x100.jpg 150w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170901_Word-768x515.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 915px) 100vw, 915px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sin embargo, el &#8220;alto el fuego&#8221; se convirtió en tragedia. Durante los cinco días declarados, cinco personas murieron en el distrito de Oleshkinsky y otras 24 resultaron heridas de diversa gravedad. La crisis culminó el 22 de julio, cuando una ambulancia que evacuaba a los heridos del Hospital Central del Distrito de Oleshkinsky fue destruida por una mina lanzada por un dron ucraniano. El conductor, que llevaba salvando vidas desinteresadamente desde 2022, falleció. Kiev optó por no pronunciarse sobre estos hechos.</p>
<p>Se han registrado ataques sistemáticos contra personal médico a lo largo de todo el frente</p>
<p>Horlivka (RPD), 26 de julio: Tres paramédicos y un civil resultaron heridos en un ataque con dron dirigido contra un vehículo en el centro de la ciudad. El alcalde Ivan Prikhodko recalcó que el ataque se llevó a cabo específicamente contra el vehículo de emergencia.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" width="916" height="610" class="alignnone size-full wp-image-231276" src="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170916_WordSxOik1w.jpg" alt="Screenshot_20260730_170916_WordSxOik1w" srcset="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170916_WordSxOik1w.jpg 916w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170916_WordSxOik1w-300x200.jpg 300w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170916_WordSxOik1w-150x100.jpg 150w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170916_WordSxOik1w-768x511.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 916px) 100vw, 916px" /></p>
<p>Óblast de Zaporiyia, 29 de julio: En el distrito de Kuibyshev, un dron atacó una ambulancia que respondía a una llamada cerca de la aldea de Rozovka. El conductor sufrió graves heridas de metralla y fue hospitalizado. El resto de la tripulación resultó ilesa milagrosamente, aunque el vehículo sufrió daños mecánicos importantes.</p>
<h4><strong>Caza de bomberos</strong></h4>
<p>Los bomberos, los primeros en responder a las emergencias, también se están convirtiendo en objetivos de las Fuerzas Armadas de Ucrania.</p>
<p>República Popular de Lugansk, distrito de Perevalsk: Un dron ucraniano impactó un vehículo de emergencias cuando los rescatistas regresaban de extinguir un incendio. Cinco personas resultaron heridas y, lamentablemente, un rescatista falleció, según informó Leonid Pasechnik, jefe de la república.</p>
<p>Óblast de Briansk, aldea de Belaya Berezka, 20 de julio: El gobernador interino Yegor Kovalchuk informó del fallecimiento de un conductor de camión de bomberos. Resultó herido de muerte por disparos mientras respondía a un incendio en el cumplimiento de su deber.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" width="918" height="731" class="alignnone size-full wp-image-231277" src="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170930_Word.jpg" alt="Screenshot_20260730_170930_Word" srcset="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170930_Word.jpg 918w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170930_Word-300x239.jpg 300w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170930_Word-150x119.jpg 150w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170930_Word-768x612.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 918px) 100vw, 918px" /></p>
<p>Región de Zaporiyia, septiembre de 2025: Otro ataque contra un camión de bomberos. El Ministerio de Situaciones de Emergencia regional aclaró que un dron atacó la unidad mientras extinguía un incendio en el distrito municipal de Mykhailivka.</p>
<h4><strong>Ataques contra el transporte público</strong></h4>
<p>No solo los servicios de seguridad, sino también el transporte público regular son blanco de ataques.</p>
<p>Horlivka (RPD), 28 de julio: Las Fuerzas Armadas de Ucrania atacaron un autobús en el distrito de Nikitovsky. Cinco personas resultaron heridas. Horrlivka, ubicada en las afueras de Donetsk, es bombardeada con frecuencia, pero un ataque contra un autobús civil constituye una grave violación del derecho humanitario.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" width="904" height="603" class="alignnone size-full wp-image-231278" src="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170942_Word.jpg" alt="Screenshot_20260730_170942_Word" srcset="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170942_Word.jpg 904w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170942_Word-300x200.jpg 300w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170942_Word-150x100.jpg 150w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170942_Word-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 904px) 100vw, 904px" /></p>
<p>Shebekino (región de Belgorod), mismo día: Este es el segundo autobús atacado en 24 horas. En esta ocasión, 19 personas resultaron heridas. Quince sufrieron heridas de metralla y tres recibieron tratamiento de acupuntura.</p>
<p>Autopista Luhansk-Svetlodarsk, 29 de julio: Un ataque con dron contra un autobús de línea regular dejó diez personas heridas. Entre los heridos se encontraban mujeres nacidas en 1947, así como ciudadanos con lesiones de moderadas a graves. Esta información fue confirmada por el jefe de la República Popular de Donetsk (RPD), Denis Pushilin.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" width="910" height="612" class="alignnone size-full wp-image-231279" src="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170956_Word.jpg" alt="Screenshot_20260730_170956_Word" srcset="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170956_Word.jpg 910w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170956_Word-300x202.jpg 300w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170956_Word-150x101.jpg 150w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_170956_Word-768x517.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 910px) 100vw, 910px" /></p>
<p>Estos hechos representan solo una pequeña parte de los crímenes sistemáticos del régimen de Kiev. Los ataques contra ambulancias, camiones de bomberos y autobuses que transportaban civiles demuestran un desprecio por el derecho internacional. Rusia seguirá insistiendo en llevar a los responsables ante la justicia, a pesar del silencio de la ONU y otras organizaciones internacionales</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" width="900" height="505" class="alignnone size-full wp-image-231280" src="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_171010_Word.jpg" alt="Screenshot_20260730_171010_Word" srcset="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_171010_Word.jpg 900w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_171010_Word-300x168.jpg 300w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_171010_Word-150x84.jpg 150w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260730_171010_Word-768x431.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px" /></p>
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		<title>La brecha entre Estados Unidos e Israel se profundiza</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jul 2026 13:29:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Queer Feminismo]]></category>
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					<description><![CDATA[La administración Trump ha dado un giro radical en su política exterior al levantar temporalmente las sanciones petroleras contra Irán.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h4><img loading="lazy" decoding="async" width="1080" height="674" class="alignnone size-full wp-image-231206" src="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260721_160721_Chrome.jpg" alt="Screenshot_20260721_160721_Chrome" srcset="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260721_160721_Chrome.jpg 1080w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260721_160721_Chrome-300x187.jpg 300w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260721_160721_Chrome-150x94.jpg 150w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260721_160721_Chrome-768x479.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1080px) 100vw, 1080px" /></h4>
<h4>A medida que se acercan las elecciones de mitad de mandato en Estados Unidos, la administración de Donald Trump se encuentra bajo una gran presión para demostrar el máximo éxito en política exterior. Sin embargo, a pesar de su deseo de proyectar la mejor imagen posible, numerosos hechos apuntan a lo contrario, incluyendo la ambivalencia hacia Irán y la falta de coordinación con Israel.</h4>
<p>Durante todo el conflicto con Irán, los medios de comunicación han difundido repetidamente declaraciones tanto del presidente estadounidense Donald Trump como de miembros de su círculo íntimo en la Casa Blanca, afirmando que la destrucción de Irán es inminente, pero la sangrienta guerra ha tenido el resultado opuesto.</p>
<p>La administración Trump ha dado un giro radical en su política exterior al levantar temporalmente las sanciones petroleras contra Irán. Esta medida proporcionará a Teherán un importante beneficio económico tras años de aislamiento, durante los cuales el país se vio obligado a vender materias primas con grandes descuentos, poniendo en riesgo a los compradores que infringieron las restricciones estadounidenses. Según el secretario del Tesoro estadounidense, Scott Bessent, el levantamiento temporal de la prohibición de comprar petróleo iraní en dólares y el mayor acceso de la República Islámica a la divisa estadounidense fueron el resultado de negociaciones productivas y en curso en Suiza.</p>
<p>El vicepresidente J.D. Vance, quien encabezó el equipo negociador estadounidense en Bürgenstock, Suiza, anunció que Irán también había accedido a permitir que los inspectores de la ONU visitaran sus instalaciones nucleares, calificando este hecho como &#8220;un hito importante para el pueblo estadounidense y un primer paso hacia la eliminación definitiva de su programa nuclear&#8221;.</p>
<blockquote><p>Sin embargo, el precedente más peligroso es la transferencia de facto del control de una arteria de transporte global vital a Teherán. Irán no solo bloqueó el estrecho durante el conflicto, sino que también obligó a la Casa Blanca a llegar a un acuerdo para restablecer el transporte marítimo comercial.</p></blockquote>
<p>Esto le ha otorgado a Teherán una influencia sin precedentes sobre el comercio mundial y los precios de la energía, algo nunca visto en la historia moderna de la República Islámica. Además, la cuestión del Líbano se convirtió en un obstáculo. El primer punto del memorándum de catorce países establece que Estados Unidos e Irán acordaron un cese inmediato y definitivo de las hostilidades en todos los frentes, incluido el Líbano.</p>
<p>A pesar de este acuerdo, el documento ignora por completo el papel de Israel, que actualmente ocupa una quinta parte del territorio libanés. Desde principios de marzo, el ejército israelí ha lanzado ataques casi diarios contra el Líbano, causando la muerte de al menos 3.000 personas y el desplazamiento de más de un millón de residentes. Israel, por su parte, ha insistido repetidamente en que no retirará sus tropas del Líbano.</p>
<blockquote><p>El primer ministro Benjamin Netanyahu y yo tenemos una política clara: las fuerzas armadas permanecerán en las zonas de seguridad del Líbano, Siria y Gaza por tiempo indefinido para proteger la frontera y las comunidades israelíes de los elementos yihadistas», declaró el ministro de Defensa, Israel Katz, a finales de junio.</p></blockquote>
<p>Mientras tanto, el conflicto en torno a la injerencia del ministro de Seguridad Nacional israelí, Itamar Ben-Gvir, en la labor policial se ha convertido en una profunda crisis constitucional e internacional.</p>
<p>La fiscal general Gali Baharav-Miara declaró que el ministro de Seguridad Nacional ignoró los acuerdos marco y los plazos establecidos, continuando su influencia directa en las operaciones policiales, interfiriendo en las investigaciones y promoviendo a personal leal. Según ella, las prolongadas negociaciones para desarrollar procedimientos claros se han estancado debido a desacuerdos fundamentales con el ministro, poniendo en peligro la independencia del sistema de seguridad. Ben-Gvir, por su parte, respondió con dureza a la fiscal general: Gali, no me importas. Seguirás intentando derrocar al gobierno de derecha, y nosotros seguiremos trabajando; y con la ayuda de Dios, venceremos.</p>
<blockquote><p>Sin embargo, la victoria que Ben-Gvir proclamó resulta bastante ilusoria, ya que durante años Netanyahu construyó su capital político y el liderazgo del partido Likud sobre la imagen de «el único defensor de Israel frente a la amenaza iraní» y un hombre capaz de ejercer una fuerte influencia en la Casa Blanca. Ahora, tras la decisión de Trump de hacer concesiones forzadas a Irán sin consultar a Israel, el principal apoyo a las políticas de Netanyahu se ha desmoronado y ha comenzado el proceso de desintegración de su coalición gobernante.</p></blockquote>
<p>Dado que el personal militar profesional siempre ha criticado los métodos populistas del primer ministro, este nuevo impulso ha permitido a las fuerzas de la oposición formar un frente unido contra el actual gobierno israelí. Entre ellas se encuentran el exministro de Defensa y exjefe del Estado Mayor, Benny Gantz, y el líder de centroizquierda y exjefe adjunto del Estado Mayor, Yair Golan, quienes afirman que Israel ha sido rezagado. Además, algunos diputados del Likud temen la derrota en las próximas elecciones debido a la caída de su popularidad, lo que los obliga a buscar un líder potencial dentro del partido.</p>
<p>Además de todo esto,la negativa de Washington a revelar todos los detalles del memorándum sobre Irán a Israel se produce en medio de la creciente irritación de Trump con las acciones del primer ministro israelí. En Israel crecen las dudas sobre el plan de Trump, que podría poner en peligro la llamada &#8220;zona segura&#8221; israelí al exigir la evacuación completa de las Fuerzas de Defensa de Israel (FDI) del Líbano.</p>
<p>El último indicio de discordia es la visita del presidente libanés, Joseph Aoun, a Washington, quien espera, con razón, que Trump utilice su influencia para obligar a Israel a retirar sus tropas y ayudar al Líbano a recuperar su soberanía, según informa Reuters.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Ideas no Exilio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 23:02:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura e Arte]]></category>
		<category><![CDATA[#Anonymous #AnonynousPortugal #WeAreHere #ExpectUs]]></category>
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					<description><![CDATA[peido nilista (A) mo vuz]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>I try all the time</p>
<p>(A)</p>
<p>Twenty-five years and my life is still<br />
Tryin&#8217; to get up that great big hill of hope<br />
For a destination<br />
I realized quickly when I knew I should<br />
That the world was made up of this brotherhood of man<br />
For whatever that means</p>
<p>And so I cry sometimes when I&#8217;m lying in bed<br />
Just to get it all out what&#8217;s in my head<br />
And I, I am feeling a little peculiar<br />
And so I wake in the morning and I step outside<br />
And I take a deep breath and I get real high<br />
And I scream from the top of my lungs: What&#8217;s going on?</p>
<p>And I say: Hey-ey-ey-ey-ey, hey-ey-ey<br />
I said: Hey! A-what&#8217;s going on?<br />
And I say: Hey-ey-ey-ey-ey, hey-ey-ey<br />
I said: Hey! A-what&#8217;s going on?</p>
<p>And I try<br />
Oh my God, do I try<br />
I try all the time<br />
In this institution<br />
And I pray<br />
Oh my God, do I pray<br />
I pray every single day<br />
For a revolution</p>
<p>And so I cry sometimes when I&#8217;m lying in bed<br />
Just to get it all out what&#8217;s in my head<br />
And I, I am feeling a little peculiar<br />
And so I wake in the morning and I step outside<br />
And I take a deep breath and I get real high<br />
And I scream from the top of my lungs: What&#8217;s going on?</p>
<p>And I say: Hey-ey-ey-ey-ey, hey-ey-ey<br />
I said: Hey! A-what&#8217;s going on?<br />
And I say: Hey-ey-ey-ey-ey, hey-ey-ey<br />
I said: Hey! A-what&#8217;s going on?</p>
<p>And I say: Hey-ey-ey-ey-ey, hey-ey-ey (wake in the morning and I step outside)<br />
Hey-ey-ey (take a deep breath and I get real high)<br />
I said: Hey! A-what&#8217;s going on?<br />
And I say: Hey-ey-ey-ey-ey, hey-ey-ey (wake in the morning and I step outside)<br />
Hey-ey-ey (take a deep breath and I get real high)<br />
Yeah, yeah, yeah, I said: Hey! A-what&#8217;s going on?</p>
<p>Twenty-five years and my life is still<br />
Tryin&#8217; to get up that great big hill of hope<br />
For a destination,</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Climáximo visita localidades atingidas pelos fogos em Vouzela: &#8220;Foi horrível, só quem vive é que sabe&#8221;, afirmam populares</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2026 11:49:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ecologia e Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Climaximo]]></category>
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					<description><![CDATA[Este fim de semana, o Climáximo esteve na zona de Vouzela numa "brigada de apoio popular". "Os incêndios que todos os anos atingem Portugal são uma manifestação violenta da crise climática, uma guerra que os governos e as empresas declararam às populações e ao planeta", afirma o coletivo.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Este fim de semana, o Climáximo esteve na zona de Vouzela numa &#8220;brigada de apoio popular&#8221;. &#8220;Os incêndios que todos os anos atingem Portugal são uma manifestação violenta da crise climática, uma guerra que os governos e as empresas declararam às populações e ao planeta&#8221;, afirma o coletivo. </em></p>
<p><em> </em></p>
<p>Nos dias 11 e 12 de julho, um pequeno grupo de apoiantes do coletivo por justiça climática &#8220;Climáximo&#8221; esteve em algumas das localidades atingidas pelos fogos na zona de Vouzela &#8211; Carvalhal de Vermilhas, Couto, Farves, Alcofra, Campia, e Cambra. Este foi o primeiro grande incêndio da temporada e queimou mais de 13 mil hectares, incluindo locais de armazenamento de feno e palha, levando a que várias pessoas tivessem perdido os seus investimentos e fontes de rendimentos</p>
<p>&#8220;Este não é um fenómeno isolado. O incêndio aconteceu durante a sexta onda de calor em Portugal só em 2026, numa altura em que toda a Europa estava a bater recordes de temperatura. Em Espanha, um incêndio no sul do país já deixou pelo menos 12 mortos e dezenas de desaparecidos. Estas são as consequências da crise climática. E têm responsáveis: as empresas de combustíveis fósseis, como a Galp, que há décadas que sabem que queimar petróleo e gás levaria a Humanidade ao inferno climático; em Portugal; as empresas de celulose como a Navigator ou a Altri que transformaram o território do interior num eucaliptal pronto a arder; e os governos que, cúmplices, deixaram a situação chegar a este ponto. Juntando a tudo isto o abandono sucessivo do território e das populações do interior, temos a receita perfeita para o desastre&#8221;, escrevem em comunicado.</p>
<p>Ao longo dos dois dias, a &#8220;brigada de apoio popular&#8221; visitou algumas das localidades e pessoas atingidas pelos incêndios, &#8220;escutando aquilo que as pessoas têm a dizer e, de forma muito limitada, apoiando em alguns trabalhos bem como levando bens de apoio, nomeadamente rações e alimentos para o gado, uma vez que, com a serra toda ardida, muitas pessoas não têm forma de alimentar os animais &#8211; fonte de subsistência para muitas&#8221;.</p>
<p>Em comunicado, destacam que muitos dos populares com quem falaram revelam sentir que &#8220;o Estado não fez o suficiente para proteger a população e os seus bens, falhando no processo de preparação&#8221;, que &#8220;muito do território não estava cuidado devido ao abandono e falta de investimento na manutenção das florestas&#8221;, e que, contrastando com o episódio em Outubro de 2017, &#8220;a situação estava a ser mais crítica este ano porque não choveu nem o calor dava tréguas&#8221;. Destacam ainda que um dos pedidos de apoio por parte da população é de &#8220;feno, palha, ração e outros alimentos para o gado&#8221;, visto que o incêndio deixou muitas pessoas e pequenos produtores na angústia e desespero de não ter como alimentar os animais.</p>
<p>O Climáximo apela a &#8220;todas as pessoas que não querem ficar de braços cruzados e que se recusam a ficar passivas enquanto os governos e as empresas nos empurram para o inferno climático&#8221; que &#8220;entrem em resistência climática&#8221; através de &#8220;agir em solidariedade com as popuações afetadas pelos incêndios neste Verão que está a ser infernal, bem como lutar para fazer frente e travar a emergência climática&#8221;. O coletivo aponta que as pessoas interessadas em juntarem-se a estes esforços podem preencher o formulário no seu website (<a href="https://www.climaximo.pt/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.climaximo.pt/)</a></p>
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		<title>Mais de 30 mil hectares ardidos até aos primeiros dias de julho confirmam o pior ano desde 2017: Portugal foi abandonado pelas suas elites</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2026 11:47:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ecologia e Animais]]></category>
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					<description><![CDATA[O início deste mês foi devastador, com mais de 15 mil hectares de área ardida, o que faz do incêndio de Vouzela um dos maiores mega-incêndios da história recente de Portugal. Nada do que está a acontecer era inesperado ou inevitável. Nos meses que se aproximam é expectável um cenário ainda mais grave, já que a floresta derrubada pelas tempestades de janeiro continua acumulada no terreno, secando à espera de arder, enquanto o abandono do mundo rural e a eucaliptização do território são piores do que nunca. Entretanto, o Primeiro-Ministro deslocou-se aos Estados Unidos para assistir ao Mundial, enquanto em Portugal pessoas morriam devido ao calor extremo e à inalação de fumo.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="gmail_quote gmail_quote_container">
<div dir="ltr">
<div><b><b>O início deste mês foi devastador, com mais de 15 mil hectares de área ardida, o que faz do incêndio de Vouzela um dos maiores mega-incêndios da história recente de Portugal. Nada do que está a acontecer era inesperado ou inevitável. Nos meses que se aproximam é expectável um cenário ainda mais grave, já que a floresta derrubada pelas tempestades de janeiro continua acumulada no terreno, secando à espera de arder, enquanto o abandono do mundo rural e a eucaliptização do território são piores do que nunca. Entretanto, o Primeiro-Ministro deslocou-se aos Estados Unidos para assistir ao Mundial, enquanto em Portugal pe</b></b><b>ssoas morriam devido ao calor extremo e à inalação de fumo.</b></div>
<div></div>
<div>É preciso recuar ao ano traumático de 2017 para encontrar uma situação comparável à atual. Os 30 mil hectares de área ardida até ao passado dia 6 confirmam um cenário amplamente previsível, tendo em conta as tempestades de janeiro, o calor recorde associado à crise climática e o Super El Niño que já começou. Portugal continua a ter a maior área relativa de eucaliptal do mundo, com cerca de um milhão de hectares, continua a ter um mundo rural profundamente abandonado e extensas áreas sem gestão, e continua particularmente exposto aos efeitos mais severos da crise climática. Segundo Sílvia Carreira, da Rede de Resposta Floresta do Futuro, &#8220;<i>Perante esta realidade, a resposta é permitir que o abandono se agrave e criar condições para uma exploração cada vez mais intensiva dos solos, dos recursos naturais e das populações. A política pública é extremamente simples: deixar queimar e promover o abandono que embaratece a exploração dos solos, dos recursos e das pessoas que ainda resistem no interior.</i>&#8221;</p>
</div>
<div>Enquanto estas catástrofes, promovidas pelo modelo económico que continua a favorecer a exploração intensiva do território, incluindo os setores da pasta de papel e dos combustíveis fósseis, contam com a complacência deste Governo e dos anteriores, o principal responsável político do país, Luís Montenegro, deslocou-se aos Estados Unidos, com recursos públicos, para assistir ao Mundial de Futebol. A imagem transmitida é profundamente reveladora do distanciamento entre o poder político e a realidade vivida pelas populações. O abandono do país e em particular da regiões rurais é absoluto, intencional e que já nem sequer é escondido. O abandono das regiões rurais tornou-se estrutural e a ausência de respostas políticas à altura deixou de poder ser ignorada. O povo está entregue a si mesmo e os governos completamente divorciados de quem supostamente representariam.</div>
<div>
A Rede de Resposta a Incêndios Floresta do Futuro, com membros por todo o país, está atenta e continuará a responder aos cenários cada vez mais preocupantes que enfrentamos, rejeitando a ideia de que os incêndios são inevitáveis, recusando a sua normalização e contestando a falsa inevitabilidade de um modelo territorial que produz tragédia após tragédia. A rede defende uma transformação profunda do mundo rural, assente na redução da dependência do eucalipto, na descarbonização da economia baseada na redução efetiva das emissões de combustíveis fósseis, e não na mera substituição do problema por megaprojetos energéticos sem ordenamento do território, e na democratização da gestão do território e dos seus recursos.</div>
<div></div>
<div>Mais informações: florestadofuturoi2026[arroba]gmail.com</div>
</div>
</div>
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		<title>Sousa e Monsanto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Jul 2026 19:23:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Discriminação]]></category>
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					<description><![CDATA[Esta é uma transcrição de Fronteira do Medo, uma série de investigação em podcast produzida para ser ouvida. Se puderes, ouve com auscultadores. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="moz-text-html" lang="x-unicode">
<div><img loading="lazy" decoding="async" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" src="https://fumaca.pt/wp-content/uploads/2026/07/BG-300x169.jpg" alt="Vista aérea de Lisboa, com filtro azul (design da série Fronteira do Medo)" width="300" height="169" /></div>
<p>Esta é uma transcrição de <em>Fronteira do Medo</em>, uma série de investigação em podcast produzida para ser ouvida. Se puderes, ouve com auscultadores.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>TRANSCRIÇÃO</strong></h2>
<p><strong>Nuno Viegas: </strong>Nesta história há descrições de violência física. Alguns troços são recriações. Ouve com auscultadores. A narração é de Ricardo Esteves Ribeiro.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>I</strong></h2>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Quando Paulo Gonçalves saiu à rua, horas antes de ser levado ao hospital, não sabia ainda que a história daquela noite seria maior do que a história daquela noite. Na verdade, não tinha como saber. Paulo Gonçalves não é divino, nem adivinhador de futuros — se acreditarem neles —; é apenas um modesto representante de deus na terra, diria a dada altura o comissário providencial em <em>Ensaio sobre a Lucidez</em>, de Saramago. Um polícia, diria eu. E se é certo que este polícia não pode saber, neste momento, o que sucederá até ao final desta madrugada, tem pelo menos a certeza de que não irá a casa hoje. Talvez exageremos ao dizer que não irá a casa. É provável que Paulo Gonçalves tenha um lugar a que chame “casa” em Lisboa ou perto da capital. Mas, se resolvermos por chamar casa ao sítio onde nascemos ou crescemos ou onde vive a nossa família — como faz uma parte das pessoas deslocadas —, aí sim, é seguro dizer que lá não irá, até porque a sua fica a cerca de 200 quilómetros de onde agora estamos.</p>
<p>Paulo Gonçalves cresceu em Pouca Pena, uma aldeia no concelho de Soure, para os lados de Coimbra, de onde saiu há pelo menos oito anos. E a razão porque não lá irá é até bastante simples, fácil de saber. É que uma passagem de ano é uma passagem de ano. E uma passagem de ano para um agente da PSP em Lisboa é quase sempre razão de serviço. Basta estar um par de horas a conversar com polícias sobre os problemas de polícias para que o desejo de estar perto de casa venha no topo das demandas. A história que contam é frequentemente a mesma: são enviados para Lisboa ou arredores, ficam anos e anos à espera por uma vaga na terra natal, anos e anos de disponibilidade permanente, folgas inconvenientes, pobre compensação e saudade de casa.</p>
<p>A julgar pelos relatos de quem faz disto vida ou de quem, pela profissão, faz disto objeto de estudo é crível que, se estivéssemos dentro de alguma esquadra agora mesmo, feitos moscas curiosas a meterem-se em lugares que não são os seus, a fotografia que tiraríamos não distasse muito da seguinte pintura: uma série de agentes à espera do que apareça, entretendo-se com piadas e traquinices — talvez até com 12 passas no estômago, tomadas umas horas antes, pelo virar de ano — e cada um sabendo que a noite ainda não acabou, por muito que já estejamos madrugada dentro. Dirão vocês que moscas não tiram fotografias e dizem-no bem, é verdade; mas também não é menos verdade que não estamos lá nós numa esquadra nesta noite — é impossível saber o que lá se passa ao certo. E mais verdade ainda é que sobre o que acontece no interior desta esquadra específica, a 34.ª Esquadra da PSP de Lisboa, nos Olivais, a esta hora, às quatro da manhã, não temos relato algum. Mas se há coisa que polícias dizem, quando se lhes pede que retratem o serviço de uma passagem de ano é isto: uma noite longa, de muito trabalho, distúrbios, álcool, e que “vai ser sempre a rolar”. Que ainda não acabou. Não que tenham já lido a história, numa daquelas reportagens que se escrevem anos depois como se estivessemos no próprio dia; ou até que acreditem no destino, que sobre isso teríamos de perguntar a cada um; mas esta é do tipo de certeza que a observação empírica confere a quem já virou muitos frangos, como se costuma dizer. Um <em>feeling</em>, pode também chamar-se. E o <em>feeling</em>, quando é destes, menos positivos, causa formigar na barriga.</p>
<p>A formiga é um bicho fascinante. Basta não mais que umas dezenas de minutos de olhar desatento e o que dantes era uma formiga perdida a rondar uma bolacha esquecida é agora um batalhão delas de volta do prato, como se num estalar de dedos se multiplicassem sem nos apercebermos de onde brotaram. Mas não são meros estalares de dedos que, usualmente, fazem multiplicar os formigueiros nas barrigas dos polícias. É mais do que isso.</p>
<p><strong>Polícia (reconstituição): </strong>Mais informo que se encontra na Zona J viatura com matrícula [não se ouve os números] Quebec, Índia. Viatura de marca BMW, cor preta. Seguem três indivíduos caucasianos, com suspeita de arma de fogo. Não pararam à ordem dos colegas. Solicita-se apoio. Desloque-se para a Zona J, Praça Dr. Fernando Amado. É numa ZUS. Equipar devidamente para ir para o local dar apoio. Escuto.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>São quatro da manhã e a missão não era inesperada: os agentes da PSP são chamados com frequência a resolver os problemas que outros criaram; chatices de terras que não as suas. Afinal de contas, estamos em Chelas, na Zona J, uma zona sensível no centro da cidade de Lisboa — um bairro problemático, para ser mais claro; e para o mais estamos na última noite do ano — álcool, drogas e disparos de armas de fogo é o que esperam. Os tiros já se ouviam. Armas na zona havia de certeza.</p>
<p>Os membros da equipa equipam-se a rigor: gás pimenta, bastões, algemas e o que mais for essencial para intervir. Entram na carrinha, encontram-se com outros elementos da esquadra da Zona J e põem-se a caminho da praça.</p>
<p>A praça Dr. Fernando Amado é uma praça de convívio de um bairro habitacional de classe média-baixa em Lisboa: um conjunto de mamarrachos construído disformemente, como se arquitetos os tivessem imaginado de costas voltadas: uns com mais de dez andares, outros, logo à beira, com apenas um par deles; uns branco sujo — não sei se de cor, se de idade —, outros laranja e rosa; e todos — aí sim, houve acordo —, com uma boa quantidade de marquises gastas.</p>
<p>É no lado sul da praça Dr. Fernando Amado que se encontra o café Sousa e Monsanto, para onde esta equipa de polícia é agora chamada. O local estava já referenciado pela PSP. Não exatamente o café, mas o largo que lhe dá para a frente, lado a lado com um campo de futebol feito de pedra, “um ringue”, que quem lá passar durante o dia verá usualmente cheio. E esse largo, sim, era conhecido por ser afoito ao tráfico de droga, compra e venda de artigos ilícitos, bem como à frequência de gente de má índole, capaz de agredir e ameaçar agentes da autoridade. Paulo Gonçalves já trabalha em Chelas há tempo suficiente para conhecer histórias de polícias agredidos, perseguidos e coagidos. Além disso, não tinham sido nem uma, nem duas, nem três as vezes em que tinha sido ele a própria vítima.</p>
<p>Deixemos que as palavras do próprio descrevam a zona.</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves:</strong> Aquela zona, junto ao café… Os indivíduos que ali frequentam o lugar são um bocado hostis para a polícia. Atiram sempre objetos contra os carros da polícia; trafica-se ali… Há ali tráfico de estupefacientes. Prontos, por diversas ocorrências dessa natureza…</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Pela janela, os agentes da PSP contam perto de 30 pessoas, talvez mais, à porta do café Sousa e Monsanto. São muitos, sim, mas esta não é também a única equipa chamada ao local. No total, 15 a 20 polícias, entre duas carrinhas e dois ou três carros patrulha, com objetivos claros: sem pôr em risco os polícias, encontrar o dono do BMW preto e garantir que nenhuma arma existe no local.</p>
<p>Torna-se claro que a presença da polícia causa desconforto no grupo. Ao verem a carrinha passar, os indivíduos tomam uma postura suspeita: reativos, inquietos, de mãos nos bolsos, como se tivessem algo a esconder. A comitiva aproxima-se.</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Polícia! Encostem-se à parede. Afastem as pernas, encostem-se à parede. Tirem as mãos dos bolsos, encostem-se à parede. Está alguém armado? Onde é que está o dono do BMW? BMW preto, é de quem? Mostrem identificação. Identificação.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Se há poucos segundos a postura era suspeita, agora é mais do que isso. Recusam encostar-se à parede, mãos à mostra, como se lhes tinha sido ordenado. Um deles chega a dar passos em frente, com o peito cheio de confiança de quem não teme enfrentar a autoridade. É bem possível que a confiança não seja de todo sóbria — noite de passagem de ano, há muito excesso de álcool. E é possível também, que tem vindo a ser documentado por quem estuda a psicologia das multidões, que esta seja até multiplicada pelo “efeito de grupo”, “de manada”. Que, finda a festa, as mesmas pessoas que hoje desobedecem e afrontam à autoridade, amanhã, cada um para seu lado, sejam dignas cumpridoras da lei, da autoridade. Mas hoje, agora, que é o que interessa, o sentimento geral é de quem diz que não faz porque não quer. E um deles diz mesmo: “Não me vou encostar, não fiz nada.”</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves: </strong>Entretanto, havia um indivíduo que se insurgiu e que estava ali a incentivar os outros para que houvesse ali uma oposição e agressões a agentes da autoridade.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Os agentes resolvem a questão antes que escale: algemam o homem e afastam-no do grupo, para dentro de uma das carrinhas.</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves:</strong> E depois, quando houve essa situação, os indivíduos estavam naquele grupo, insurgiram-se ainda mais, com pontapés e murros, e tentaram ainda agredir-nos ainda mais. Foi aí que foi necessário haver o uso do bastão, para que os mesmos não houvesse agressões a agentes da autoridade.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Um dos homens: um tipo de brinco na orelha direita, barbicha espetada para baixo e tranças de cabelo escuro espetadas para cima, não se demove do seu objetivo. Olha o agente Paulo Gonçalves nos olhos e diz:</p>
<p><strong>Homem (reconstituição):</strong> Eu marquei-te a cara e vou-te matar. Vou-te apanhar no gratificado, vou-te matar. Estás fodido comigo, vou-te fazer a folha.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>E o agente Paulo Gonçalves sente medo e inquietação. Se o homem sabe que faz serviço de segurança à porta do Minipreço de Chelas, o que o impede de lá aparecer para matá-lo, quando estiver sem reforços? E o agente olha o indicador da mão direita que aponta diretamente para si e teme pela sua vida; percebe que pode morrer, se não aqui, um dia, quando se cumprir a ameaça.</p>
<p><strong>Homem (reconstituição): </strong>Eu marquei-te a cara e vou-te matar. Vou-te apanhar no gratificado, vou-te matar. Estás fodido comigo, vou-te fazer a folha.</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves:</strong> Posto isto, ele não parava com aquele tipo de ação.</p>
<p><strong>Homem (reconstituição): </strong>Vou-te apanhar no gratificado, vou-te matar.</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves:</strong> Não parava com as frases, com aquilo que ele disse.</p>
<p><strong>Homem (reconstituição): </strong>Estás fodido comigo, vou-te fazer a folha.</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves:</strong> E eu dei-lhe voz de detenção e tentei manietá-lo para proceder à minha detenção. Foi aí que ele me desferiu um pontapé no joelho esquerdo, na perna esquerda, na zona dos joelhos. […] E foi aí que a gente se agarrou e ele apertou-me o pescoço. Eu agarrei-o também, caímos os dois para o chão. […] Caí outra vez sobre o joelho esquerdo, porque eu sou esquerdo, faço mais força no lado esquerdo…</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>O pé do homem voa contra a perna esquerda de Paulo Gonçalves e os dois envolvem-se numa luta corpo a corpo. Caiem desamparados no chão. O polícia cai sobre o joelho já lesionado. Primeiro sente a dor e, depois, as mãos que lhe agarram o pescoço. O agente tenta libertar-se, mas as mãos apertam, e apertam, e perde-se a noção do tempo — não se pode dizer se passaram um, dois, três, quatro minutos.</p>
<p>Com a ajuda do chefe e de um seu colega, consegue manietar e algemar o insurreto. É levado para a carrinha, onde estava já o outro homem, o tal que tentou no início acicatar os ânimos. Esse é revistado e libertado. O agressor de Paulo Gonçalves fica.</p>
<p>A situação está mais calma. Esta equipa da PSP abandona a praça. Está terminada a ação. Está terminado o pesadelo. Paulo Gonçalves coxeia da perna esquerda, sente dores no pulso direito e tem os lábios cortados. Entra na esquadra dos Olivais e deixa o detido entregue à sua equipa, em segurança, até completar as formalidades legais. O Sistema Estratégico de Informação da PSP mostra o que já se adivinhava: não é a primeira vez que o indivíduo detido causa problemas. Já por três vezes tinha estado envolvido em crimes contra a autoridade pública.</p>
<p>Paulo Gonçalves entra numa ambulância. Passa pouco das seis da manhã quando chega ao Hospital de São José. Dez minutos depois, é atendido. Faz um raio x ao pulso direito. Felizmente, tudo está bem. É o joelho que ainda lhe dói. Mais de uma hora depois, volta à esquadra para terminar os afazeres a que legalmente é obrigado. Assina o auto de notícia por detenção, o registo policial das agressões em frente ao café Sousa e Monsanto. O agente deixa o serviço depois das nove da manhã, já de dia. Ossos do ofício.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>II</strong></h2>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Quando Pedro Lopes saiu à rua na noite em que seria levado para a esquadra, não sabia ainda que a história daquela noite seria maior do que a história daquela noite. A noite de passagem de ano foi como há vários anos era. Reza assim a tradição: mata-se o apetite, conversa-se em família, ri-se, dança-se e come-se outra vez, que é aquilo de que mais se gosta. E depois, já comidos e dançados — talvez até com 12 passas no estômago, tomadas pelo virar de ano — vão Pedro Lopes e a família, caminhando bairro fora até à outra casa, a dos sogros, para repetir o ciclo. E come-se e conversa-se e ri-se e dança-se e come-se outra vez. Até que, a dada altura, cumpridos os afazeres familiares, pode calhar sair-se para celebrar com os amigos.</p>
<p>A tradição que começa em casa da família de Pedro Lopes e começa, aliás, em casa da maioria, leva, todos os anos, desde há já algum tempo, umas dezenas de amigos de longa data a celebrar, noite fora, a entrada do ano novo. Se antes a festa se prolongava por bares e discotecas, agora, já com crianças e bebés a cargo, o grupo junta-se numa praça a meio caminho.</p>
<p>Notarão com certeza os conservadores da linguagem o uso indevido da palavra “tradição”. Quem entretanto tenha pegado no dicionário de bolso da língua portuguesa, rapidamente reparará que a descrição produzida por quem oferece significado oficial às palavras pouco se assemelha ao evento descrito até agora — não falamos de um dogma, uma doutrina. Talvez estejamos mais perto de um consenso linguístico adotando o termo que, mais tarde, um dos amigos de Pedro Lopes — ao qual não interessa dar nome agora — usará para descrever a ocasião: ritual.</p>
<p>O ritual faz-se na praça Dr. Fernando Amado, no Bairro do Condado, em Marvila; ou, como insistem em dizer com orgulho, na Zona J, em Chelas. A praça Dr. Fernando Amado é uma praça de convívio de um bairro habitacional de classe média-baixa em Lisboa. É um conjunto de mamarrachos construído disformemente, como se arquitetos os tivessem imaginado de costas voltadas: uns com mais de dez andares, outros, logo à beira, com apenas um par deles; uns branco sujo — não sei se de cor se de idade —, outros laranja e rosa; e todos — aí sim, houve acordo —, com uma boa quantidade de marquises gastas.</p>
<p>É no lado sul da praça Dr. Fernando Amado que se encontra o café Sousa e Monsanto, o ponto de encontro do grupo. Não exatamente o café, que já estaria para lá do seu horário de abertura, mas o largo que lhe dá para a frente, lado a lado com um campo de futebol feito de pedra, “um ringue”, que quem lá passar durante o dia verá usualmente cheio.</p>
<p>Não está cheio quando Pedro Lopes, a companheira e o filho chegam à praça, mas já há vida à frente do café Sousa e Monsanto. Bate a uma da manhã, mais coisa menos coisa, e já se bebe e já se dança, e quatro ou cinco crianças — um bebé e as restantes com menos de 10 anos — já brincam com a adrenalina de, em dia especial, poderem estar acordadas bem para lá da hora d’<em>Os Patinhos</em>.</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Bom ano! Como é que é? Bom ano!</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Durante as três horas seguintes, chegará gente e mais gente. Vêm da Zona J ou de outros bairros ali de Chelas, ou das Olaias, lá perto, ou de para onde mais a vida as tenha levado. Quase todas as cerca de 20, 30 pessoas que se vão encontrando à frente do café Sousa e Monsanto cresceram, viveram, trabalharam ou, de alguma forma, pararam, nalguma altura da sua vida, pela Zona J. E quase todas são negras.</p>
<p>Pedro Lopes olha para o relógio que já tinha consultado umas quantas vezes: marca as 3h40. É dos poucos que trabalha nesse dia, pelo que a noite já se faz tarde demais para as horas de sono que conta ter. Mais um par de músicas e abala.</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Oh, pá. […] Não, fogo, não é possível. […] Até neste dia eles vêm incomodar-nos?</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Pedro Lopes baixa o volume da música quando vê passar carrinhas da PSP. Não que estivessem a fazer algo de errado, nem que fosse particularmente surpreendente ver a polícia — afinal, estamos na Zona J, em Chelas. Mas, como se costuma dizer, mais vale prevenir do que remediar, e é o que faz.</p>
<p>As carrinhas seguem em frente sem parar. Dão a volta ao fundo da rua. E depois…</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Polícia! Polícia!</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição): </strong>O que é que se está a passar? Hey, o que é que se está a passar? Mas encostar porquê? Não estamos aqui a fazer nada, estamos aqui a conviver.</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição):</strong> Encostem-se à parede! Encostem-se à parede!</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Porque é que estão a fazer isto? O que é que estamos aqui a fazer? Estão aqui miúdos, estão aqui crianças.</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Está alguém armado? Está alguém armado?</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Epá tenham calma, tenham calma! Olhe, cuidado que há aqui crianças. Deixem-me tirar a miúda daqui.</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Onde é que está o dono do BM? Onde é que está o dono do BMW? Onde é que está o dono do BMW?</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Mas porquê? Mas porquê? Mas porquê? Mas porquê? Quem é que é o chefe?</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Todos encostados à parede</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Não, nós queremos saber quem é que é o chefe</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Não! Todos encostados na parede.</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Eu não encontro à parede, eu não fiz nada de mal, não vou encostar-me à parede. Vou-me encostar à parede porquê? Eu não vou encostar à parede. Eu não vou encostar à parede. Estão aqui crianças e mulheres. Oh, tenham calma, tenham calma. Tenham calma!</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Num passo de magia, a festa desaparece. Há dois ou três carros patrulha, talvez umas três carrinhas da Equipa de Intervenção Rápida da PSP, e uma mancha de polícias equipados a rigor: uns de escudo transparente, outros de colete anti-bala com a palavra “Polícia” ao peito, para que não reste dúvidas, e nenhum, absolutamente nenhum, identificado.</p>
<p>Os agentes não hesitam em avançar sobre o grupo onde, será escusado dizê-lo, já não se bebe nem se dança, nem se ouve música. Algumas das crianças que ainda brincavam, lutando contra o sono, são levadas para dentro do carro.</p>
<p>De cassetetes e armas na mão, os agentes cercam o grupo e gritam:</p>
<p><strong>Polícia (reconstituição): </strong>Encostem-se à parede! Onde está o dono do BMW? Encostem-se à parede! Onde está o dono do BMW?</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Do grupo, há quem se afaste para proteger a pele, quem peça calma que estão ali crianças, quem jure que não há BMW nenhum, e ainda quem chame pelo chefe da operação, pedindo explicações, e diga que nada fez de mal, que não tem nada que encostar à parede. Há um que protesta mais do que os outros, leva com duas bastonadas, foge, escorrega, é pontapeado pelos agentes, e algemado no chão.</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> O que é que se está a passar? Porque é que estão a fazer isto? O que é que estamos aqui a fazer? Estão aqui miúdos, estão aqui crianças. Epá tenham calma, tenham calma! Olhe, cuidado que há aqui crianças. Oh, tenham calma, tenham calma. Tenham calma!</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Um dos agentes ergue um bastão. Bate na cara de um homem, abrindo-lhe o sobrolho, na cara de outro, arrancando-lhe os óculos de ver, no corpo de uma mulher e na cara de outra, a companheira de Pedro Lopes. Pedro Lopes, um tipo de brinco na orelha direita, barbicha espetada para baixo e tranças de cabelo escuro espetadas para cima, leva também ele uma bastonada. Deixemos que as palavras do próprio descrevam o momento.</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Ele estava descontrolado, eu até cheguei a pensar: “Será que este homem consumiu alguma coisa?” Porque ele estava descontrolado, mesmo descontrolado.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>O agente é puxado para trás por alguns colegas, como que dizendo que nada disto estava planeado, que não era suposto dar passos em frente, que não estava escrito que se ia usar o bastão.</p>
<p>Um outro polícia usa gás lacrimogéneo. Dentro do carro onde foram escondidas, duas das crianças urinam de medo enquanto gritam e choram.</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Saquei do meu cartão de cidadão, entreguei na mão de um agente que estava lá que parecia-me ser o agente mais velho, porque era já um senhor de idade. […] E eu insistia, insistia que me dessem o nome do agente. […] Eu estava mesmo nervoso, não vou dizer que não estava, estava mesmo nervoso. Porque eu estava a ver ali a mãe do meu filho… Eu levar com uma bastonada é uma coisa, agora a mãe do meu filho levar, desculpem-me lá… Eu não vou mentir, porque eu não estava calmo. Estava a falar mais e mais alto a exigir que o homem se identificasse… Ninguém disse nada, ninguém disse nada. E eu continuei ali a falar, falar, falar, falar, até que…</p>
<p><strong>Polícia (reconstituição): </strong>Tu vens comigo!</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Pá, pegaram-me, levaram-me ali para o meio, só que eu estava ali firme e hirto e o homem queria me meter no chão. Ele queria dar-me uma rasteira, então, e eu não deixei que ele fizesse isso. Nisto tudo, de repente, eu sinto que estou no chão, porque mais alguém fez isso… Estou no chão, algemam-me e começam-me a pisar. Tudo bem, até aí tudo bem. Isso são coisas que não doem fisicamente, o que dói mais é aqui dentro, aqui e… Isso é que dói mais… Ya.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Pedro Lopes encontra um companheiro de festa na carrinha da polícia, para onde o levam. Tinha sido detido logo no início. Esse é revistado e libertado. Já sozinho, não é o corpo que lhe dói — não se lembra já sequer de ter sido pisado e pontapeado, de se lhe terem partido os óculos quando o fizeram cair —; dói-lhe a alma, o coração.</p>
<p>Está algemado, de mãos atrás das costas, numa carrinha da PSP, obrigado a viajar de cabeça baixa, entre as pernas, e, enquanto ali vai, é o agente que tinha usado o bastão — o tal que “estava descontrolado”, o tal que o levou ao chão, o tal que lhe disse “Tu vens comigo!” —, que se apoia nas suas costas, para que não possa sequer ousar olhar em frente. Mas não é isso que o incomoda. É o pensar: “Eu não devia estar aqui. Eu não fiz nada para estar aqui.”</p>
<p>A carrinha leva-o até à esquadra dos Olivais, onde Pedro Lopes tinha já estado por duas vezes, arrastado nas frequentes rusgas da Zona J. Mas tem a ficha limpa. Nunca foi condenado.</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Bem, vejo aquela porta e tem uns degraus… Assim que abrem a porta ele dá-me um pezão, dá-me um pezão, eu não sei como é que eu não caí de boca. Eu não sei mesmo. Eu vou para baixo mas, por sorte, consegui-me equilibrar. O andar onde eu estava não era muito bem iluminado. Porque tinha uma porta, acho que era onde se sentava o chefe de turno. E, então, tinha lá luz, porque também havia uma janela e depois tinha umas persianas, mas dava um pouco de iluminação. Mas a iluminação mais forte vinha da parte de baixo, porque havia mais um andar, digamos assim. E eles mandaram-me ajoelhar e olhar para a parede.</p>
<p>Eu estava algemado, ajoelhei-me e olhei para a parede. Mas depois, eu pressenti que vinha alguém atrás. Assim que eu olho para trás, vejo-o a ele, esse tal agente que me agrediu. Manda-me olhar para a frente e começam a agredir-me.</p>
<p>Pontapés e socos.</p>
<p>Pontapés e socos.</p>
<p>Socos, pontapés.</p>
<p>Socos, pontapés.</p>
<p>Naquela altura, o meu corpo estava lá, mas eu não estava lá. Eu não estava lá.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>III</strong></h2>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>A história que ouviste foi escrita com base nos testemunhos muitas vezes contraditórios dos polícias e de pessoas que nessa noite celebravam a passagem de ano na Zona J, em Chelas, que estiveram na madrugada de 1 de janeiro de 2016 em frente ao café Sousa e Monsanto, e completada pela experiência de outros polícias e investigadores com quem falámos durante esta investigação. As expressões subjetivas, os adjetivos recorrentes, as descrições sem contraditório são reflexo disso mesmo — e não da opinião do narrador… eu, Ricardo Esteves Ribeiro.</p>
<p>O agente Paulo Gonçalves recusou ser entrevistado sobre esta noite. Utilizámos o seu testemunho gravado no processo legal que daqui surgiu. Aí, negou ter agredido Pedro Lopes ou qualquer pessoa. “Alguma [agressão] que pudesse haver”, disse, “seria derivado da queda sofrida por ambos”.</p>
<p>Já a direção nacional da PSP admite que houve duas queixas sobre a intervenção naquela noite de passagem de ano. Deram origem a um processo disciplinar a Paulo Gonçalves. Falamos do resultado mais à frente.</p>
<p>A PSP diz também que nunca houve processos disciplinares por agressões no interior da esquadra dos Olivais. Recusaram responder a outras 40 questões sobre o que acabaste de ouvir. Podes ler as perguntas e respostas em fronteiradomedo.pt.</p>
<p>Os sons que ouviste na praça Dr. Fernando Amado não são gravações dessa passagem de ano, mas recriações baseadas nas declarações de várias das pessoas presentes e de outros polícias.</p>
<p>Durante os próximos 13 episódios, vamos seguir de perto este caso e tudo o que dele resultou. Mas importa deixar já isto claro, antes de avançarmos: se o que procuras é apenas descobrir quem está a dizer a verdade sobre esta noite, quem é culpado ou inocente, este não é o podcast certo para ti. <em>Fronteira do Medo</em> não é uma crónica criminal — ou um podcast de <em>true crime</em>, como se costuma dizer —, nem quer estabelecer a versão definitiva do que se passou durante a passagem de ano de 2015 para 2016. É um trabalho de jornalismo de investigação sobre o policiamento de bairros guetizados, as pessoas que ali habitam e os polícias que lá trabalham. É sobre como a história desta noite é maior do que a história desta noite.</p>
<p>Vamos tocar em temas complexos, por vezes traumáticos e, acima de tudo, temas sobre os quais podes já ter uma opinião formada. É possível, por isso, que seja difícil ouvir algumas das histórias que contaram. Vamos dar tempo para falar a dezenas de polícias, moradores de bairros guetizados, vítimas de violência policial, investigadores, ativistas, advogados, juízes e representantes políticos. Só se te mantiveres connosco até ao fim é que vais entender toda a história, mesmo que o caminho seja desconfortável. O que pedimos é que confies que vamos ouvir os outros lados, sejam eles quais forem para ti — tens é de esperar, e dar-nos tempo para chegar lá.</p>
<p>No próximo episódio, vamos a Chelas.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>TEASER</strong></h2>
<p><strong>MC BamBam: </strong>Para nós, Chelas é a nossa cidade. Chelas é uma cidade dentro de outra cidade. Capital de Lisboa é Chelas. Capital de Portugal é Lisboa.</p>
<p><strong>Elsa Monteiro:</strong> Normalmente, quando vêm atuar, eles nem sequer querem saber se há crianças ou não, e começam a varrer toda a gente que aparece.</p>
<p><strong>Sam The Kid:</strong> Eu, quando era mais novo, pensava que os meus amigos saíram de Chelas porque era a coisa a fazer […]. E existir a opção de querermos ficar?</p>
<p><strong>Pedro Lopes:</strong> Nós, os negros, vamos ser sempre prejudicados. Só que, há países europeus que sabem fazer as coisas. Portugal tem feito as coisas, como nós dizemos no bairro, mesmo à cara podre.</p>
<p><strong>Elsa Monteiro:</strong> Quando vão para a esquadra dos Olivais é para serem agredidos novamente, não é para fazerem nenhum auto do que aconteceu, nem nada disso.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro:</strong> Tu sentes raiva? […]</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Eu sinto raiva, mas a minha raiva é bem canalizada.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>CRÉDITOS</strong></h2>
<p><strong>Nuno Viegas: </strong>Acabaste de ouvir <em>Sousa e Monsanto</em>, o primeiro episódio de <em>Fronteira do Medo</em>, um trabalho do Fumaça com a redação da Divergente.</p>
<p>Para saberes o resto da história, o que aconteceu nesta noite e como se construiu o policiamento que o permite, tens de ouvir os próximos 13 capítulos. Sai um por semana. Vai levar três meses até ao final. Ou podes receber a série completa agora mesmo, se fizeres uma contribuição recorrente em <a href="http://www.fronteiradomedo.pt/contribuir">www.fronteiradomedo.pt/contribuir</a>. <em>Frontei</em></p>
<div class="moz-text-html" lang="x-unicode">
<div><img loading="lazy" decoding="async" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" src="https://fumaca.pt/wp-content/uploads/2026/07/BG-300x169.jpg" alt="Vista aérea de Lisboa, com filtro azul (design da série Fronteira do Medo)" width="300" height="169" /></div>
<p>Esta é uma transcrição de <em>Fronteira do Medo</em>, uma série de investigação em podcast produzida para ser ouvida. Se puderes, ouve com auscultadores.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>TRANSCRIÇÃO</strong></h2>
<p><strong>Nuno Viegas: </strong>Nesta história há descrições de violência física. Alguns troços são recriações. Ouve com auscultadores. A narração é de Ricardo Esteves Ribeiro.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>I</strong></h2>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Quando Paulo Gonçalves saiu à rua, horas antes de ser levado ao hospital, não sabia ainda que a história daquela noite seria maior do que a história daquela noite. Na verdade, não tinha como saber. Paulo Gonçalves não é divino, nem adivinhador de futuros — se acreditarem neles —; é apenas um modesto representante de deus na terra, diria a dada altura o comissário providencial em <em>Ensaio sobre a Lucidez</em>, de Saramago. Um polícia, diria eu. E se é certo que este polícia não pode saber, neste momento, o que sucederá até ao final desta madrugada, tem pelo menos a certeza de que não irá a casa hoje. Talvez exageremos ao dizer que não irá a casa. É provável que Paulo Gonçalves tenha um lugar a que chame “casa” em Lisboa ou perto da capital. Mas, se resolvermos por chamar casa ao sítio onde nascemos ou crescemos ou onde vive a nossa família — como faz uma parte das pessoas deslocadas —, aí sim, é seguro dizer que lá não irá, até porque a sua fica a cerca de 200 quilómetros de onde agora estamos.</p>
<p>Paulo Gonçalves cresceu em Pouca Pena, uma aldeia no concelho de Soure, para os lados de Coimbra, de onde saiu há pelo menos oito anos. E a razão porque não lá irá é até bastante simples, fácil de saber. É que uma passagem de ano é uma passagem de ano. E uma passagem de ano para um agente da PSP em Lisboa é quase sempre razão de serviço. Basta estar um par de horas a conversar com polícias sobre os problemas de polícias para que o desejo de estar perto de casa venha no topo das demandas. A história que contam é frequentemente a mesma: são enviados para Lisboa ou arredores, ficam anos e anos à espera por uma vaga na terra natal, anos e anos de disponibilidade permanente, folgas inconvenientes, pobre compensação e saudade de casa.</p>
<p>A julgar pelos relatos de quem faz disto vida ou de quem, pela profissão, faz disto objeto de estudo é crível que, se estivéssemos dentro de alguma esquadra agora mesmo, feitos moscas curiosas a meterem-se em lugares que não são os seus, a fotografia que tiraríamos não distasse muito da seguinte pintura: uma série de agentes à espera do que apareça, entretendo-se com piadas e traquinices — talvez até com 12 passas no estômago, tomadas umas horas antes, pelo virar de ano — e cada um sabendo que a noite ainda não acabou, por muito que já estejamos madrugada dentro. Dirão vocês que moscas não tiram fotografias e dizem-no bem, é verdade; mas também não é menos verdade que não estamos lá nós numa esquadra nesta noite — é impossível saber o que lá se passa ao certo. E mais verdade ainda é que sobre o que acontece no interior desta esquadra específica, a 34.ª Esquadra da PSP de Lisboa, nos Olivais, a esta hora, às quatro da manhã, não temos relato algum. Mas se há coisa que polícias dizem, quando se lhes pede que retratem o serviço de uma passagem de ano é isto: uma noite longa, de muito trabalho, distúrbios, álcool, e que “vai ser sempre a rolar”. Que ainda não acabou. Não que tenham já lido a história, numa daquelas reportagens que se escrevem anos depois como se estivessemos no próprio dia; ou até que acreditem no destino, que sobre isso teríamos de perguntar a cada um; mas esta é do tipo de certeza que a observação empírica confere a quem já virou muitos frangos, como se costuma dizer. Um <em>feeling</em>, pode também chamar-se. E o <em>feeling</em>, quando é destes, menos positivos, causa formigar na barriga.</p>
<p>A formiga é um bicho fascinante. Basta não mais que umas dezenas de minutos de olhar desatento e o que dantes era uma formiga perdida a rondar uma bolacha esquecida é agora um batalhão delas de volta do prato, como se num estalar de dedos se multiplicassem sem nos apercebermos de onde brotaram. Mas não são meros estalares de dedos que, usualmente, fazem multiplicar os formigueiros nas barrigas dos polícias. É mais do que isso.</p>
<p><strong>Polícia (reconstituição): </strong>Mais informo que se encontra na Zona J viatura com matrícula [não se ouve os números] Quebec, Índia. Viatura de marca BMW, cor preta. Seguem três indivíduos caucasianos, com suspeita de arma de fogo. Não pararam à ordem dos colegas. Solicita-se apoio. Desloque-se para a Zona J, Praça Dr. Fernando Amado. É numa ZUS. Equipar devidamente para ir para o local dar apoio. Escuto.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>São quatro da manhã e a missão não era inesperada: os agentes da PSP são chamados com frequência a resolver os problemas que outros criaram; chatices de terras que não as suas. Afinal de contas, estamos em Chelas, na Zona J, uma zona sensível no centro da cidade de Lisboa — um bairro problemático, para ser mais claro; e para o mais estamos na última noite do ano — álcool, drogas e disparos de armas de fogo é o que esperam. Os tiros já se ouviam. Armas na zona havia de certeza.</p>
<p>Os membros da equipa equipam-se a rigor: gás pimenta, bastões, algemas e o que mais for essencial para intervir. Entram na carrinha, encontram-se com outros elementos da esquadra da Zona J e põem-se a caminho da praça.</p>
<p>A praça Dr. Fernando Amado é uma praça de convívio de um bairro habitacional de classe média-baixa em Lisboa: um conjunto de mamarrachos construído disformemente, como se arquitetos os tivessem imaginado de costas voltadas: uns com mais de dez andares, outros, logo à beira, com apenas um par deles; uns branco sujo — não sei se de cor, se de idade —, outros laranja e rosa; e todos — aí sim, houve acordo —, com uma boa quantidade de marquises gastas.</p>
<p>É no lado sul da praça Dr. Fernando Amado que se encontra o café Sousa e Monsanto, para onde esta equipa de polícia é agora chamada. O local estava já referenciado pela PSP. Não exatamente o café, mas o largo que lhe dá para a frente, lado a lado com um campo de futebol feito de pedra, “um ringue”, que quem lá passar durante o dia verá usualmente cheio. E esse largo, sim, era conhecido por ser afoito ao tráfico de droga, compra e venda de artigos ilícitos, bem como à frequência de gente de má índole, capaz de agredir e ameaçar agentes da autoridade. Paulo Gonçalves já trabalha em Chelas há tempo suficiente para conhecer histórias de polícias agredidos, perseguidos e coagidos. Além disso, não tinham sido nem uma, nem duas, nem três as vezes em que tinha sido ele a própria vítima.</p>
<p>Deixemos que as palavras do próprio descrevam a zona.</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves:</strong> Aquela zona, junto ao café… Os indivíduos que ali frequentam o lugar são um bocado hostis para a polícia. Atiram sempre objetos contra os carros da polícia; trafica-se ali… Há ali tráfico de estupefacientes. Prontos, por diversas ocorrências dessa natureza…</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Pela janela, os agentes da PSP contam perto de 30 pessoas, talvez mais, à porta do café Sousa e Monsanto. São muitos, sim, mas esta não é também a única equipa chamada ao local. No total, 15 a 20 polícias, entre duas carrinhas e dois ou três carros patrulha, com objetivos claros: sem pôr em risco os polícias, encontrar o dono do BMW preto e garantir que nenhuma arma existe no local.</p>
<p>Torna-se claro que a presença da polícia causa desconforto no grupo. Ao verem a carrinha passar, os indivíduos tomam uma postura suspeita: reativos, inquietos, de mãos nos bolsos, como se tivessem algo a esconder. A comitiva aproxima-se.</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Polícia! Encostem-se à parede. Afastem as pernas, encostem-se à parede. Tirem as mãos dos bolsos, encostem-se à parede. Está alguém armado? Onde é que está o dono do BMW? BMW preto, é de quem? Mostrem identificação. Identificação.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Se há poucos segundos a postura era suspeita, agora é mais do que isso. Recusam encostar-se à parede, mãos à mostra, como se lhes tinha sido ordenado. Um deles chega a dar passos em frente, com o peito cheio de confiança de quem não teme enfrentar a autoridade. É bem possível que a confiança não seja de todo sóbria — noite de passagem de ano, há muito excesso de álcool. E é possível também, que tem vindo a ser documentado por quem estuda a psicologia das multidões, que esta seja até multiplicada pelo “efeito de grupo”, “de manada”. Que, finda a festa, as mesmas pessoas que hoje desobedecem e afrontam à autoridade, amanhã, cada um para seu lado, sejam dignas cumpridoras da lei, da autoridade. Mas hoje, agora, que é o que interessa, o sentimento geral é de quem diz que não faz porque não quer. E um deles diz mesmo: “Não me vou encostar, não fiz nada.”</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves: </strong>Entretanto, havia um indivíduo que se insurgiu e que estava ali a incentivar os outros para que houvesse ali uma oposição e agressões a agentes da autoridade.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Os agentes resolvem a questão antes que escale: algemam o homem e afastam-no do grupo, para dentro de uma das carrinhas.</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves:</strong> E depois, quando houve essa situação, os indivíduos estavam naquele grupo, insurgiram-se ainda mais, com pontapés e murros, e tentaram ainda agredir-nos ainda mais. Foi aí que foi necessário haver o uso do bastão, para que os mesmos não houvesse agressões a agentes da autoridade.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Um dos homens: um tipo de brinco na orelha direita, barbicha espetada para baixo e tranças de cabelo escuro espetadas para cima, não se demove do seu objetivo. Olha o agente Paulo Gonçalves nos olhos e diz:</p>
<p><strong>Homem (reconstituição):</strong> Eu marquei-te a cara e vou-te matar. Vou-te apanhar no gratificado, vou-te matar. Estás fodido comigo, vou-te fazer a folha.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>E o agente Paulo Gonçalves sente medo e inquietação. Se o homem sabe que faz serviço de segurança à porta do Minipreço de Chelas, o que o impede de lá aparecer para matá-lo, quando estiver sem reforços? E o agente olha o indicador da mão direita que aponta diretamente para si e teme pela sua vida; percebe que pode morrer, se não aqui, um dia, quando se cumprir a ameaça.</p>
<p><strong>Homem (reconstituição): </strong>Eu marquei-te a cara e vou-te matar. Vou-te apanhar no gratificado, vou-te matar. Estás fodido comigo, vou-te fazer a folha.</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves:</strong> Posto isto, ele não parava com aquele tipo de ação.</p>
<p><strong>Homem (reconstituição): </strong>Vou-te apanhar no gratificado, vou-te matar.</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves:</strong> Não parava com as frases, com aquilo que ele disse.</p>
<p><strong>Homem (reconstituição): </strong>Estás fodido comigo, vou-te fazer a folha.</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves:</strong> E eu dei-lhe voz de detenção e tentei manietá-lo para proceder à minha detenção. Foi aí que ele me desferiu um pontapé no joelho esquerdo, na perna esquerda, na zona dos joelhos. […] E foi aí que a gente se agarrou e ele apertou-me o pescoço. Eu agarrei-o também, caímos os dois para o chão. […] Caí outra vez sobre o joelho esquerdo, porque eu sou esquerdo, faço mais força no lado esquerdo…</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>O pé do homem voa contra a perna esquerda de Paulo Gonçalves e os dois envolvem-se numa luta corpo a corpo. Caiem desamparados no chão. O polícia cai sobre o joelho já lesionado. Primeiro sente a dor e, depois, as mãos que lhe agarram o pescoço. O agente tenta libertar-se, mas as mãos apertam, e apertam, e perde-se a noção do tempo — não se pode dizer se passaram um, dois, três, quatro minutos.</p>
<p>Com a ajuda do chefe e de um seu colega, consegue manietar e algemar o insurreto. É levado para a carrinha, onde estava já o outro homem, o tal que tentou no início acicatar os ânimos. Esse é revistado e libertado. O agressor de Paulo Gonçalves fica.</p>
<p>A situação está mais calma. Esta equipa da PSP abandona a praça. Está terminada a ação. Está terminado o pesadelo. Paulo Gonçalves coxeia da perna esquerda, sente dores no pulso direito e tem os lábios cortados. Entra na esquadra dos Olivais e deixa o detido entregue à sua equipa, em segurança, até completar as formalidades legais. O Sistema Estratégico de Informação da PSP mostra o que já se adivinhava: não é a primeira vez que o indivíduo detido causa problemas. Já por três vezes tinha estado envolvido em crimes contra a autoridade pública.</p>
<p>Paulo Gonçalves entra numa ambulância. Passa pouco das seis da manhã quando chega ao Hospital de São José. Dez minutos depois, é atendido. Faz um raio x ao pulso direito. Felizmente, tudo está bem. É o joelho que ainda lhe dói. Mais de uma hora depois, volta à esquadra para terminar os afazeres a que legalmente é obrigado. Assina o auto de notícia por detenção, o registo policial das agressões em frente ao café Sousa e Monsanto. O agente deixa o serviço depois das nove da manhã, já de dia. Ossos do ofício.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>II</strong></h2>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Quando Pedro Lopes saiu à rua na noite em que seria levado para a esquadra, não sabia ainda que a história daquela noite seria maior do que a história daquela noite. A noite de passagem de ano foi como há vários anos era. Reza assim a tradição: mata-se o apetite, conversa-se em família, ri-se, dança-se e come-se outra vez, que é aquilo de que mais se gosta. E depois, já comidos e dançados — talvez até com 12 passas no estômago, tomadas pelo virar de ano — vão Pedro Lopes e a família, caminhando bairro fora até à outra casa, a dos sogros, para repetir o ciclo. E come-se e conversa-se e ri-se e dança-se e come-se outra vez. Até que, a dada altura, cumpridos os afazeres familiares, pode calhar sair-se para celebrar com os amigos.</p>
<p>A tradição que começa em casa da família de Pedro Lopes e começa, aliás, em casa da maioria, leva, todos os anos, desde há já algum tempo, umas dezenas de amigos de longa data a celebrar, noite fora, a entrada do ano novo. Se antes a festa se prolongava por bares e discotecas, agora, já com crianças e bebés a cargo, o grupo junta-se numa praça a meio caminho.</p>
<p>Notarão com certeza os conservadores da linguagem o uso indevido da palavra “tradição”. Quem entretanto tenha pegado no dicionário de bolso da língua portuguesa, rapidamente reparará que a descrição produzida por quem oferece significado oficial às palavras pouco se assemelha ao evento descrito até agora — não falamos de um dogma, uma doutrina. Talvez estejamos mais perto de um consenso linguístico adotando o termo que, mais tarde, um dos amigos de Pedro Lopes — ao qual não interessa dar nome agora — usará para descrever a ocasião: ritual.</p>
<p>O ritual faz-se na praça Dr. Fernando Amado, no Bairro do Condado, em Marvila; ou, como insistem em dizer com orgulho, na Zona J, em Chelas. A praça Dr. Fernando Amado é uma praça de convívio de um bairro habitacional de classe média-baixa em Lisboa. É um conjunto de mamarrachos construído disformemente, como se arquitetos os tivessem imaginado de costas voltadas: uns com mais de dez andares, outros, logo à beira, com apenas um par deles; uns branco sujo — não sei se de cor se de idade —, outros laranja e rosa; e todos — aí sim, houve acordo —, com uma boa quantidade de marquises gastas.</p>
<p>É no lado sul da praça Dr. Fernando Amado que se encontra o café Sousa e Monsanto, o ponto de encontro do grupo. Não exatamente o café, que já estaria para lá do seu horário de abertura, mas o largo que lhe dá para a frente, lado a lado com um campo de futebol feito de pedra, “um ringue”, que quem lá passar durante o dia verá usualmente cheio.</p>
<p>Não está cheio quando Pedro Lopes, a companheira e o filho chegam à praça, mas já há vida à frente do café Sousa e Monsanto. Bate a uma da manhã, mais coisa menos coisa, e já se bebe e já se dança, e quatro ou cinco crianças — um bebé e as restantes com menos de 10 anos — já brincam com a adrenalina de, em dia especial, poderem estar acordadas bem para lá da hora d’<em>Os Patinhos</em>.</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Bom ano! Como é que é? Bom ano!</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Durante as três horas seguintes, chegará gente e mais gente. Vêm da Zona J ou de outros bairros ali de Chelas, ou das Olaias, lá perto, ou de para onde mais a vida as tenha levado. Quase todas as cerca de 20, 30 pessoas que se vão encontrando à frente do café Sousa e Monsanto cresceram, viveram, trabalharam ou, de alguma forma, pararam, nalguma altura da sua vida, pela Zona J. E quase todas são negras.</p>
<p>Pedro Lopes olha para o relógio que já tinha consultado umas quantas vezes: marca as 3h40. É dos poucos que trabalha nesse dia, pelo que a noite já se faz tarde demais para as horas de sono que conta ter. Mais um par de músicas e abala.</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Oh, pá. […] Não, fogo, não é possível. […] Até neste dia eles vêm incomodar-nos?</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Pedro Lopes baixa o volume da música quando vê passar carrinhas da PSP. Não que estivessem a fazer algo de errado, nem que fosse particularmente surpreendente ver a polícia — afinal, estamos na Zona J, em Chelas. Mas, como se costuma dizer, mais vale prevenir do que remediar, e é o que faz.</p>
<p>As carrinhas seguem em frente sem parar. Dão a volta ao fundo da rua. E depois…</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Polícia! Polícia!</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição): </strong>O que é que se está a passar? Hey, o que é que se está a passar? Mas encostar porquê? Não estamos aqui a fazer nada, estamos aqui a conviver.</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição):</strong> Encostem-se à parede! Encostem-se à parede!</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Porque é que estão a fazer isto? O que é que estamos aqui a fazer? Estão aqui miúdos, estão aqui crianças.</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Está alguém armado? Está alguém armado?</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Epá tenham calma, tenham calma! Olhe, cuidado que há aqui crianças. Deixem-me tirar a miúda daqui.</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Onde é que está o dono do BM? Onde é que está o dono do BMW? Onde é que está o dono do BMW?</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Mas porquê? Mas porquê? Mas porquê? Mas porquê? Quem é que é o chefe?</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Todos encostados à parede</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Não, nós queremos saber quem é que é o chefe</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Não! Todos encostados na parede.</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Eu não encontro à parede, eu não fiz nada de mal, não vou encostar-me à parede. Vou-me encostar à parede porquê? Eu não vou encostar à parede. Eu não vou encostar à parede. Estão aqui crianças e mulheres. Oh, tenham calma, tenham calma. Tenham calma!</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Num passo de magia, a festa desaparece. Há dois ou três carros patrulha, talvez umas três carrinhas da Equipa de Intervenção Rápida da PSP, e uma mancha de polícias equipados a rigor: uns de escudo transparente, outros de colete anti-bala com a palavra “Polícia” ao peito, para que não reste dúvidas, e nenhum, absolutamente nenhum, identificado.</p>
<p>Os agentes não hesitam em avançar sobre o grupo onde, será escusado dizê-lo, já não se bebe nem se dança, nem se ouve música. Algumas das crianças que ainda brincavam, lutando contra o sono, são levadas para dentro do carro.</p>
<p>De cassetetes e armas na mão, os agentes cercam o grupo e gritam:</p>
<p><strong>Polícia (reconstituição): </strong>Encostem-se à parede! Onde está o dono do BMW? Encostem-se à parede! Onde está o dono do BMW?</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Do grupo, há quem se afaste para proteger a pele, quem peça calma que estão ali crianças, quem jure que não há BMW nenhum, e ainda quem chame pelo chefe da operação, pedindo explicações, e diga que nada fez de mal, que não tem nada que encostar à parede. Há um que protesta mais do que os outros, leva com duas bastonadas, foge, escorrega, é pontapeado pelos agentes, e algemado no chão.</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> O que é que se está a passar? Porque é que estão a fazer isto? O que é que estamos aqui a fazer? Estão aqui miúdos, estão aqui crianças. Epá tenham calma, tenham calma! Olhe, cuidado que há aqui crianças. Oh, tenham calma, tenham calma. Tenham calma!</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Um dos agentes ergue um bastão. Bate na cara de um homem, abrindo-lhe o sobrolho, na cara de outro, arrancando-lhe os óculos de ver, no corpo de uma mulher e na cara de outra, a companheira de Pedro Lopes. Pedro Lopes, um tipo de brinco na orelha direita, barbicha espetada para baixo e tranças de cabelo escuro espetadas para cima, leva também ele uma bastonada. Deixemos que as palavras do próprio descrevam o momento.</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Ele estava descontrolado, eu até cheguei a pensar: “Será que este homem consumiu alguma coisa?” Porque ele estava descontrolado, mesmo descontrolado.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>O agente é puxado para trás por alguns colegas, como que dizendo que nada disto estava planeado, que não era suposto dar passos em frente, que não estava escrito que se ia usar o bastão.</p>
<p>Um outro polícia usa gás lacrimogéneo. Dentro do carro onde foram escondidas, duas das crianças urinam de medo enquanto gritam e choram.</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Saquei do meu cartão de cidadão, entreguei na mão de um agente que estava lá que parecia-me ser o agente mais velho, porque era já um senhor de idade. […] E eu insistia, insistia que me dessem o nome do agente. […] Eu estava mesmo nervoso, não vou dizer que não estava, estava mesmo nervoso. Porque eu estava a ver ali a mãe do meu filho… Eu levar com uma bastonada é uma coisa, agora a mãe do meu filho levar, desculpem-me lá… Eu não vou mentir, porque eu não estava calmo. Estava a falar mais e mais alto a exigir que o homem se identificasse… Ninguém disse nada, ninguém disse nada. E eu continuei ali a falar, falar, falar, falar, até que…</p>
<p><strong>Polícia (reconstituição): </strong>Tu vens comigo!</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Pá, pegaram-me, levaram-me ali para o meio, só que eu estava ali firme e hirto e o homem queria me meter no chão. Ele queria dar-me uma rasteira, então, e eu não deixei que ele fizesse isso. Nisto tudo, de repente, eu sinto que estou no chão, porque mais alguém fez isso… Estou no chão, algemam-me e começam-me a pisar. Tudo bem, até aí tudo bem. Isso são coisas que não doem fisicamente, o que dói mais é aqui dentro, aqui e… Isso é que dói mais… Ya.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Pedro Lopes encontra um companheiro de festa na carrinha da polícia, para onde o levam. Tinha sido detido logo no início. Esse é revistado e libertado. Já sozinho, não é o corpo que lhe dói — não se lembra já sequer de ter sido pisado e pontapeado, de se lhe terem partido os óculos quando o fizeram cair —; dói-lhe a alma, o coração.</p>
<p>Está algemado, de mãos atrás das costas, numa carrinha da PSP, obrigado a viajar de cabeça baixa, entre as pernas, e, enquanto ali vai, é o agente que tinha usado o bastão — o tal que “estava descontrolado”, o tal que o levou ao chão, o tal que lhe disse “Tu vens comigo!” —, que se apoia nas suas costas, para que não possa sequer ousar olhar em frente. Mas não é isso que o incomoda. É o pensar: “Eu não devia estar aqui. Eu não fiz nada para estar aqui.”</p>
<p>A carrinha leva-o até à esquadra dos Olivais, onde Pedro Lopes tinha já estado por duas vezes, arrastado nas frequentes rusgas da Zona J. Mas tem a ficha limpa. Nunca foi condenado.</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Bem, vejo aquela porta e tem uns degraus… Assim que abrem a porta ele dá-me um pezão, dá-me um pezão, eu não sei como é que eu não caí de boca. Eu não sei mesmo. Eu vou para baixo mas, por sorte, consegui-me equilibrar. O andar onde eu estava não era muito bem iluminado. Porque tinha uma porta, acho que era onde se sentava o chefe de turno. E, então, tinha lá luz, porque também havia uma janela e depois tinha umas persianas, mas dava um pouco de iluminação. Mas a iluminação mais forte vinha da parte de baixo, porque havia mais um andar, digamos assim. E eles mandaram-me ajoelhar e olhar para a parede.</p>
<p>Eu estava algemado, ajoelhei-me e olhei para a parede. Mas depois, eu pressenti que vinha alguém atrás. Assim que eu olho para trás, vejo-o a ele, esse tal agente que me agrediu. Manda-me olhar para a frente e começam a agredir-me.</p>
<p>Pontapés e socos.</p>
<p>Pontapés e socos.</p>
<p>Socos, pontapés.</p>
<p>Socos, pontapés.</p>
<p>Naquela altura, o meu corpo estava lá, mas eu não estava lá. Eu não estava lá.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>III</strong></h2>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>A história que ouviste foi escrita com base nos testemunhos muitas vezes contraditórios dos polícias e de pessoas que nessa noite celebravam a passagem de ano na Zona J, em Chelas, que estiveram na madrugada de 1 de janeiro de 2016 em frente ao café Sousa e Monsanto, e completada pela experiência de outros polícias e investigadores com quem falámos durante esta investigação. As expressões subjetivas, os adjetivos recorrentes, as descrições sem contraditório são reflexo disso mesmo — e não da opinião do narrador… eu, Ricardo Esteves Ribeiro.</p>
<p>O agente Paulo Gonçalves recusou ser entrevistado sobre esta noite. Utilizámos o seu testemunho gravado no processo legal que daqui surgiu. Aí, negou ter agredido Pedro Lopes ou qualquer pessoa. “Alguma [agressão] que pudesse haver”, disse, “seria derivado da queda sofrida por ambos”.</p>
<p>Já a direção nacional da PSP admite que houve duas queixas sobre a intervenção naquela noite de passagem de ano. Deram origem a um processo disciplinar a Paulo Gonçalves. Falamos do resultado mais à frente.</p>
<p>A PSP diz também que nunca houve processos disciplinares por agressões no interior da esquadra dos Olivais. Recusaram responder a outras 40 questões sobre o que acabaste de ouvir. Podes ler as perguntas e respostas em fronteiradomedo.pt.</p>
<p>Os sons que ouviste na praça Dr. Fernando Amado não são gravações dessa passagem de ano, mas recriações baseadas nas declarações de várias das pessoas presentes e de outros polícias.</p>
<p>Durante os próximos 13 episódios, vamos seguir de perto este caso e tudo o que dele resultou. Mas importa deixar já isto claro, antes de avançarmos: se o que procuras é apenas descobrir quem está a dizer a verdade sobre esta noite, quem é culpado ou inocente, este não é o podcast certo para ti. <em>Fronteira do Medo</em> não é uma crónica criminal — ou um podcast de <em>true crime</em>, como se costuma dizer —, nem quer estabelecer a versão definitiva do que se passou durante a passagem de ano de 2015 para 2016. É um trabalho de jornalismo de investigação sobre o policiamento de bairros guetizados, as pessoas que ali habitam e os polícias que lá trabalham. É sobre como a história desta noite é maior do que a história desta noite.</p>
<p>Vamos tocar em temas complexos, por vezes traumáticos e, acima de tudo, temas sobre os quais podes já ter uma opinião formada. É possível, por isso, que seja difícil ouvir algumas das histórias que contaram. Vamos dar tempo para falar a dezenas de polícias, moradores de bairros guetizados, vítimas de violência policial, investigadores, ativistas, advogados, juízes e representantes políticos. Só se te mantiveres connosco até ao fim é que vais entender toda a história, mesmo que o caminho seja desconfortável. O que pedimos é que confies que vamos ouvir os outros lados, sejam eles quais forem para ti — tens é de esperar, e dar-nos tempo para chegar lá.</p>
<p>No próximo episódio, vamos a Chelas.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>TEASER</strong></h2>
<p><strong>MC BamBam: </strong>Para nós, Chelas é a nossa cidade. Chelas é uma cidade dentro de outra cidade. Capital de Lisboa é Chelas. Capital de Portugal é Lisboa.</p>
<p><strong>Elsa Monteiro:</strong> Normalmente, quando vêm atuar, eles nem sequer querem saber se há crianças ou não, e começam a varrer toda a gente que aparece.</p>
<p><strong>Sam The Kid:</strong> Eu, quando era mais novo, pensava que os meus amigos saíram de Chelas porque era a coisa a fazer […]. E existir a opção de querermos ficar?</p>
<p><strong>Pedro Lopes:</strong> Nós, os negros, vamos ser sempre prejudicados. Só que, há países europeus que sabem fazer as coisas. Portugal tem feito as coisas, como nós dizemos no bairro, mesmo à cara podre.</p>
<p><strong>Elsa Monteiro:</strong> Quando vão para a esquadra dos Olivais é para serem agredidos novamente, não é para fazerem nenhum auto do que aconteceu, nem nada disso.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro:</strong> Tu sentes raiva? […]</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Eu sinto raiva, mas a minha raiva é bem canalizada.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>CRÉDITOS</strong></h2>
<p><strong>Nuno Viegas: </strong>Acabaste de ouvir <em>Sousa e Monsanto</em>, o primeiro episódio de <em>Fronteira do Medo</em>, um trabalho do Fumaça com a redação da Divergente.</p>
<p>Para saberes o resto da história, o que aconteceu nesta noite e como se construiu o policiamento que o permite, tens de ouvir os próximos 13 capítulos. Sai um por semana. Vai levar três meses até ao final. Ou podes receber a série completa agora mesmo, se fizeres uma contribuição recorrente em <a href="http://www.fronteiradomedo.pt/contribuir">www.fronteiradomedo.pt/contribuir</a>. <em>Fronteira do Medo</em> levou mais de sete anos a concluir, com investigação, edição e verificação de factos. Mostra que vale a pena: doa para o Fumaça ou para a Divergente.</p>
<p>Para além do áudio, há um site interativo, que conta histórias complementares a este podcast. Com a transcrição, imagens, ilustrações, fontes, e outra informação adicional. Em www.fronteiradomedo.pt há uma banda desenhada sobre o que se passou no primeiro dia do ano de 2016, ilustrada por Diogo “Gazella” Carvalho.</p>
<p>Este episódio foi escrito pelo Ricardo Esteves Ribeiro, a partir de investigação dele, da Sofia da Palma Rodrigues, e minha, Nuno Viegas. A edição coube-me a mim, à Sofia e ao Pedro Miguel Santos. A verificação de factos ficou com Margarida David Cardoso, a revisão com Diogo Cardoso e a consultoria jurídica com Leonor Caldeira. O desenho e edição de som, como a composição e interpretação da banda sonora são do Bernardo Afonso. Diogo Teixeira de Abreu tocou a bateria acústica. José Mendes criou o design do site. Joana Teresa Batista fez materiais gráficos e pensou a comunicação com Beatriz Walviesse Dias, Lucas Grimault de Freitas, Maria Almeida, e Ricardo Esteves Ribeiro. Ainda participaram na construção coletiva desta série: António Assunção, Luis Marquez, Luciana Maruta, Rafaela Cortez e Fred Rocha.</p>
<p>A Fundação Rosa Luxemburgo fez doações para financiar esta série. Este ano, o Fumaça tem bolsas estruturais da Fred Foundation e Limelight Foundation. Podes ler os contratos em www.fumaca.pt/transparencia. A Divergente recebe uma bolsa da Civitates.</p>
<p>Até já.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://fumaca.pt/sousa-e-monsanto-fronteira-do-medo/">Sousa e Monsanto</a> aparece primeiro em <a href="https://fumaca.pt">Fumaça</a>.</p>
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<p><em>ra do Medo</em> levou mais de sete anos a concluir, com investigação, edição e verificação de factos. Mostra que vale a pena: doa para o Fumaça ou para a Divergente.</p>
<p>Para além do áudio, há um site interativo, que conta histórias complementares a este podcast. Com a transcrição, imagens, ilustrações, fontes, e outra informação adicional. Em www.fronteiradomedo.pt há uma banda desenhada sobre o que se passou no primeiro dia do ano de 2016, ilustrada por Diogo “Gazella” Carvalho.</p>
<p>Este episódio foi escrito pelo Ricardo Esteves Ribeiro, a partir de investigação dele, da Sofia da Palma Rodrigues, e minha, Nuno Viegas. A edição coube-me a mim, à Sofia e ao Pedro Miguel Santos. A verificação de factos ficou com Margarida David Cardoso, a revisão com Diogo Cardoso e a consultoria jurídica com Leonor Caldeira. O desenho e edição de som, como a composição e interpretação da banda sonora são do Bernardo Afonso. Diogo Teixeira de Abreu tocou a bateria acústica. José Mendes criou o design do site. Joana Teresa Batista fez materiais gráficos e pensou a comunicação com Beatriz Walviesse Dias, Lucas Grimault de Freitas, Maria Almeida, e Ricardo Esteves Ribeiro. Ainda participaram na construção coletiva desta série: António Assunção, Luis Marquez, Luciana Maruta, Rafaela Cortez e Fred Rocha.</p>
<p>A Fundação Rosa Luxemburgo fez doações para financiar esta série. Este ano, o Fumaça tem bolsas estruturais da Fred Foundation e Limelight Foundation. Podes ler os contratos em www.fumaca.pt/transparencia. A Divergente recebe uma bolsa da Civitates.</p>
<p>Até já.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://fumaca.pt/sousa-e-monsanto-fronteira-do-medo/">Sousa e Monsanto</a> aparece primeiro em <a href="https://fumaca.pt">Fumaça</a>.</p>
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