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	<description>Centro de Média Independente - Portugal</description>
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		<title>Climáximo visita localidades atingidas pelos fogos em Vouzela: &#8220;Foi horrível, só quem vive é que sabe&#8221;, afirmam populares</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2026 11:49:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ecologia e Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Climaximo]]></category>
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					<description><![CDATA[Este fim de semana, o Climáximo esteve na zona de Vouzela numa "brigada de apoio popular". "Os incêndios que todos os anos atingem Portugal são uma manifestação violenta da crise climática, uma guerra que os governos e as empresas declararam às populações e ao planeta", afirma o coletivo.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Este fim de semana, o Climáximo esteve na zona de Vouzela numa &#8220;brigada de apoio popular&#8221;. &#8220;Os incêndios que todos os anos atingem Portugal são uma manifestação violenta da crise climática, uma guerra que os governos e as empresas declararam às populações e ao planeta&#8221;, afirma o coletivo. </em></p>
<p><em> </em></p>
<p>Nos dias 11 e 12 de julho, um pequeno grupo de apoiantes do coletivo por justiça climática &#8220;Climáximo&#8221; esteve em algumas das localidades atingidas pelos fogos na zona de Vouzela &#8211; Carvalhal de Vermilhas, Couto, Farves, Alcofra, Campia, e Cambra. Este foi o primeiro grande incêndio da temporada e queimou mais de 13 mil hectares, incluindo locais de armazenamento de feno e palha, levando a que várias pessoas tivessem perdido os seus investimentos e fontes de rendimentos</p>
<p>&#8220;Este não é um fenómeno isolado. O incêndio aconteceu durante a sexta onda de calor em Portugal só em 2026, numa altura em que toda a Europa estava a bater recordes de temperatura. Em Espanha, um incêndio no sul do país já deixou pelo menos 12 mortos e dezenas de desaparecidos. Estas são as consequências da crise climática. E têm responsáveis: as empresas de combustíveis fósseis, como a Galp, que há décadas que sabem que queimar petróleo e gás levaria a Humanidade ao inferno climático; em Portugal; as empresas de celulose como a Navigator ou a Altri que transformaram o território do interior num eucaliptal pronto a arder; e os governos que, cúmplices, deixaram a situação chegar a este ponto. Juntando a tudo isto o abandono sucessivo do território e das populações do interior, temos a receita perfeita para o desastre&#8221;, escrevem em comunicado.</p>
<p>Ao longo dos dois dias, a &#8220;brigada de apoio popular&#8221; visitou algumas das localidades e pessoas atingidas pelos incêndios, &#8220;escutando aquilo que as pessoas têm a dizer e, de forma muito limitada, apoiando em alguns trabalhos bem como levando bens de apoio, nomeadamente rações e alimentos para o gado, uma vez que, com a serra toda ardida, muitas pessoas não têm forma de alimentar os animais &#8211; fonte de subsistência para muitas&#8221;.</p>
<p>Em comunicado, destacam que muitos dos populares com quem falaram revelam sentir que &#8220;o Estado não fez o suficiente para proteger a população e os seus bens, falhando no processo de preparação&#8221;, que &#8220;muito do território não estava cuidado devido ao abandono e falta de investimento na manutenção das florestas&#8221;, e que, contrastando com o episódio em Outubro de 2017, &#8220;a situação estava a ser mais crítica este ano porque não choveu nem o calor dava tréguas&#8221;. Destacam ainda que um dos pedidos de apoio por parte da população é de &#8220;feno, palha, ração e outros alimentos para o gado&#8221;, visto que o incêndio deixou muitas pessoas e pequenos produtores na angústia e desespero de não ter como alimentar os animais.</p>
<p>O Climáximo apela a &#8220;todas as pessoas que não querem ficar de braços cruzados e que se recusam a ficar passivas enquanto os governos e as empresas nos empurram para o inferno climático&#8221; que &#8220;entrem em resistência climática&#8221; através de &#8220;agir em solidariedade com as popuações afetadas pelos incêndios neste Verão que está a ser infernal, bem como lutar para fazer frente e travar a emergência climática&#8221;. O coletivo aponta que as pessoas interessadas em juntarem-se a estes esforços podem preencher o formulário no seu website (<a href="https://www.climaximo.pt/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.climaximo.pt/)</a></p>
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		<title>Mais de 30 mil hectares ardidos até aos primeiros dias de julho confirmam o pior ano desde 2017: Portugal foi abandonado pelas suas elites</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2026 11:47:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ecologia e Animais]]></category>
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					<description><![CDATA[O início deste mês foi devastador, com mais de 15 mil hectares de área ardida, o que faz do incêndio de Vouzela um dos maiores mega-incêndios da história recente de Portugal. Nada do que está a acontecer era inesperado ou inevitável. Nos meses que se aproximam é expectável um cenário ainda mais grave, já que a floresta derrubada pelas tempestades de janeiro continua acumulada no terreno, secando à espera de arder, enquanto o abandono do mundo rural e a eucaliptização do território são piores do que nunca. Entretanto, o Primeiro-Ministro deslocou-se aos Estados Unidos para assistir ao Mundial, enquanto em Portugal pessoas morriam devido ao calor extremo e à inalação de fumo.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="gmail_quote gmail_quote_container">
<div dir="ltr">
<div><b><b>O início deste mês foi devastador, com mais de 15 mil hectares de área ardida, o que faz do incêndio de Vouzela um dos maiores mega-incêndios da história recente de Portugal. Nada do que está a acontecer era inesperado ou inevitável. Nos meses que se aproximam é expectável um cenário ainda mais grave, já que a floresta derrubada pelas tempestades de janeiro continua acumulada no terreno, secando à espera de arder, enquanto o abandono do mundo rural e a eucaliptização do território são piores do que nunca. Entretanto, o Primeiro-Ministro deslocou-se aos Estados Unidos para assistir ao Mundial, enquanto em Portugal pe</b></b><b>ssoas morriam devido ao calor extremo e à inalação de fumo.</b></div>
<div></div>
<div>É preciso recuar ao ano traumático de 2017 para encontrar uma situação comparável à atual. Os 30 mil hectares de área ardida até ao passado dia 6 confirmam um cenário amplamente previsível, tendo em conta as tempestades de janeiro, o calor recorde associado à crise climática e o Super El Niño que já começou. Portugal continua a ter a maior área relativa de eucaliptal do mundo, com cerca de um milhão de hectares, continua a ter um mundo rural profundamente abandonado e extensas áreas sem gestão, e continua particularmente exposto aos efeitos mais severos da crise climática. Segundo Sílvia Carreira, da Rede de Resposta Floresta do Futuro, &#8220;<i>Perante esta realidade, a resposta é permitir que o abandono se agrave e criar condições para uma exploração cada vez mais intensiva dos solos, dos recursos naturais e das populações. A política pública é extremamente simples: deixar queimar e promover o abandono que embaratece a exploração dos solos, dos recursos e das pessoas que ainda resistem no interior.</i>&#8221;</p>
</div>
<div>Enquanto estas catástrofes, promovidas pelo modelo económico que continua a favorecer a exploração intensiva do território, incluindo os setores da pasta de papel e dos combustíveis fósseis, contam com a complacência deste Governo e dos anteriores, o principal responsável político do país, Luís Montenegro, deslocou-se aos Estados Unidos, com recursos públicos, para assistir ao Mundial de Futebol. A imagem transmitida é profundamente reveladora do distanciamento entre o poder político e a realidade vivida pelas populações. O abandono do país e em particular da regiões rurais é absoluto, intencional e que já nem sequer é escondido. O abandono das regiões rurais tornou-se estrutural e a ausência de respostas políticas à altura deixou de poder ser ignorada. O povo está entregue a si mesmo e os governos completamente divorciados de quem supostamente representariam.</div>
<div>
A Rede de Resposta a Incêndios Floresta do Futuro, com membros por todo o país, está atenta e continuará a responder aos cenários cada vez mais preocupantes que enfrentamos, rejeitando a ideia de que os incêndios são inevitáveis, recusando a sua normalização e contestando a falsa inevitabilidade de um modelo territorial que produz tragédia após tragédia. A rede defende uma transformação profunda do mundo rural, assente na redução da dependência do eucalipto, na descarbonização da economia baseada na redução efetiva das emissões de combustíveis fósseis, e não na mera substituição do problema por megaprojetos energéticos sem ordenamento do território, e na democratização da gestão do território e dos seus recursos.</div>
<div></div>
<div>Mais informações: florestadofuturoi2026[arroba]gmail.com</div>
</div>
</div>
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		<title>Sousa e Monsanto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Jul 2026 19:23:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Discriminação]]></category>
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					<description><![CDATA[Esta é uma transcrição de Fronteira do Medo, uma série de investigação em podcast produzida para ser ouvida. Se puderes, ouve com auscultadores. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="moz-text-html" lang="x-unicode">
<div><img fetchpriority="high" decoding="async" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" src="https://fumaca.pt/wp-content/uploads/2026/07/BG-300x169.jpg" alt="Vista aérea de Lisboa, com filtro azul (design da série Fronteira do Medo)" width="300" height="169" /></div>
<p>Esta é uma transcrição de <em>Fronteira do Medo</em>, uma série de investigação em podcast produzida para ser ouvida. Se puderes, ouve com auscultadores.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>TRANSCRIÇÃO</strong></h2>
<p><strong>Nuno Viegas: </strong>Nesta história há descrições de violência física. Alguns troços são recriações. Ouve com auscultadores. A narração é de Ricardo Esteves Ribeiro.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>I</strong></h2>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Quando Paulo Gonçalves saiu à rua, horas antes de ser levado ao hospital, não sabia ainda que a história daquela noite seria maior do que a história daquela noite. Na verdade, não tinha como saber. Paulo Gonçalves não é divino, nem adivinhador de futuros — se acreditarem neles —; é apenas um modesto representante de deus na terra, diria a dada altura o comissário providencial em <em>Ensaio sobre a Lucidez</em>, de Saramago. Um polícia, diria eu. E se é certo que este polícia não pode saber, neste momento, o que sucederá até ao final desta madrugada, tem pelo menos a certeza de que não irá a casa hoje. Talvez exageremos ao dizer que não irá a casa. É provável que Paulo Gonçalves tenha um lugar a que chame “casa” em Lisboa ou perto da capital. Mas, se resolvermos por chamar casa ao sítio onde nascemos ou crescemos ou onde vive a nossa família — como faz uma parte das pessoas deslocadas —, aí sim, é seguro dizer que lá não irá, até porque a sua fica a cerca de 200 quilómetros de onde agora estamos.</p>
<p>Paulo Gonçalves cresceu em Pouca Pena, uma aldeia no concelho de Soure, para os lados de Coimbra, de onde saiu há pelo menos oito anos. E a razão porque não lá irá é até bastante simples, fácil de saber. É que uma passagem de ano é uma passagem de ano. E uma passagem de ano para um agente da PSP em Lisboa é quase sempre razão de serviço. Basta estar um par de horas a conversar com polícias sobre os problemas de polícias para que o desejo de estar perto de casa venha no topo das demandas. A história que contam é frequentemente a mesma: são enviados para Lisboa ou arredores, ficam anos e anos à espera por uma vaga na terra natal, anos e anos de disponibilidade permanente, folgas inconvenientes, pobre compensação e saudade de casa.</p>
<p>A julgar pelos relatos de quem faz disto vida ou de quem, pela profissão, faz disto objeto de estudo é crível que, se estivéssemos dentro de alguma esquadra agora mesmo, feitos moscas curiosas a meterem-se em lugares que não são os seus, a fotografia que tiraríamos não distasse muito da seguinte pintura: uma série de agentes à espera do que apareça, entretendo-se com piadas e traquinices — talvez até com 12 passas no estômago, tomadas umas horas antes, pelo virar de ano — e cada um sabendo que a noite ainda não acabou, por muito que já estejamos madrugada dentro. Dirão vocês que moscas não tiram fotografias e dizem-no bem, é verdade; mas também não é menos verdade que não estamos lá nós numa esquadra nesta noite — é impossível saber o que lá se passa ao certo. E mais verdade ainda é que sobre o que acontece no interior desta esquadra específica, a 34.ª Esquadra da PSP de Lisboa, nos Olivais, a esta hora, às quatro da manhã, não temos relato algum. Mas se há coisa que polícias dizem, quando se lhes pede que retratem o serviço de uma passagem de ano é isto: uma noite longa, de muito trabalho, distúrbios, álcool, e que “vai ser sempre a rolar”. Que ainda não acabou. Não que tenham já lido a história, numa daquelas reportagens que se escrevem anos depois como se estivessemos no próprio dia; ou até que acreditem no destino, que sobre isso teríamos de perguntar a cada um; mas esta é do tipo de certeza que a observação empírica confere a quem já virou muitos frangos, como se costuma dizer. Um <em>feeling</em>, pode também chamar-se. E o <em>feeling</em>, quando é destes, menos positivos, causa formigar na barriga.</p>
<p>A formiga é um bicho fascinante. Basta não mais que umas dezenas de minutos de olhar desatento e o que dantes era uma formiga perdida a rondar uma bolacha esquecida é agora um batalhão delas de volta do prato, como se num estalar de dedos se multiplicassem sem nos apercebermos de onde brotaram. Mas não são meros estalares de dedos que, usualmente, fazem multiplicar os formigueiros nas barrigas dos polícias. É mais do que isso.</p>
<p><strong>Polícia (reconstituição): </strong>Mais informo que se encontra na Zona J viatura com matrícula [não se ouve os números] Quebec, Índia. Viatura de marca BMW, cor preta. Seguem três indivíduos caucasianos, com suspeita de arma de fogo. Não pararam à ordem dos colegas. Solicita-se apoio. Desloque-se para a Zona J, Praça Dr. Fernando Amado. É numa ZUS. Equipar devidamente para ir para o local dar apoio. Escuto.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>São quatro da manhã e a missão não era inesperada: os agentes da PSP são chamados com frequência a resolver os problemas que outros criaram; chatices de terras que não as suas. Afinal de contas, estamos em Chelas, na Zona J, uma zona sensível no centro da cidade de Lisboa — um bairro problemático, para ser mais claro; e para o mais estamos na última noite do ano — álcool, drogas e disparos de armas de fogo é o que esperam. Os tiros já se ouviam. Armas na zona havia de certeza.</p>
<p>Os membros da equipa equipam-se a rigor: gás pimenta, bastões, algemas e o que mais for essencial para intervir. Entram na carrinha, encontram-se com outros elementos da esquadra da Zona J e põem-se a caminho da praça.</p>
<p>A praça Dr. Fernando Amado é uma praça de convívio de um bairro habitacional de classe média-baixa em Lisboa: um conjunto de mamarrachos construído disformemente, como se arquitetos os tivessem imaginado de costas voltadas: uns com mais de dez andares, outros, logo à beira, com apenas um par deles; uns branco sujo — não sei se de cor, se de idade —, outros laranja e rosa; e todos — aí sim, houve acordo —, com uma boa quantidade de marquises gastas.</p>
<p>É no lado sul da praça Dr. Fernando Amado que se encontra o café Sousa e Monsanto, para onde esta equipa de polícia é agora chamada. O local estava já referenciado pela PSP. Não exatamente o café, mas o largo que lhe dá para a frente, lado a lado com um campo de futebol feito de pedra, “um ringue”, que quem lá passar durante o dia verá usualmente cheio. E esse largo, sim, era conhecido por ser afoito ao tráfico de droga, compra e venda de artigos ilícitos, bem como à frequência de gente de má índole, capaz de agredir e ameaçar agentes da autoridade. Paulo Gonçalves já trabalha em Chelas há tempo suficiente para conhecer histórias de polícias agredidos, perseguidos e coagidos. Além disso, não tinham sido nem uma, nem duas, nem três as vezes em que tinha sido ele a própria vítima.</p>
<p>Deixemos que as palavras do próprio descrevam a zona.</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves:</strong> Aquela zona, junto ao café… Os indivíduos que ali frequentam o lugar são um bocado hostis para a polícia. Atiram sempre objetos contra os carros da polícia; trafica-se ali… Há ali tráfico de estupefacientes. Prontos, por diversas ocorrências dessa natureza…</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Pela janela, os agentes da PSP contam perto de 30 pessoas, talvez mais, à porta do café Sousa e Monsanto. São muitos, sim, mas esta não é também a única equipa chamada ao local. No total, 15 a 20 polícias, entre duas carrinhas e dois ou três carros patrulha, com objetivos claros: sem pôr em risco os polícias, encontrar o dono do BMW preto e garantir que nenhuma arma existe no local.</p>
<p>Torna-se claro que a presença da polícia causa desconforto no grupo. Ao verem a carrinha passar, os indivíduos tomam uma postura suspeita: reativos, inquietos, de mãos nos bolsos, como se tivessem algo a esconder. A comitiva aproxima-se.</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Polícia! Encostem-se à parede. Afastem as pernas, encostem-se à parede. Tirem as mãos dos bolsos, encostem-se à parede. Está alguém armado? Onde é que está o dono do BMW? BMW preto, é de quem? Mostrem identificação. Identificação.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Se há poucos segundos a postura era suspeita, agora é mais do que isso. Recusam encostar-se à parede, mãos à mostra, como se lhes tinha sido ordenado. Um deles chega a dar passos em frente, com o peito cheio de confiança de quem não teme enfrentar a autoridade. É bem possível que a confiança não seja de todo sóbria — noite de passagem de ano, há muito excesso de álcool. E é possível também, que tem vindo a ser documentado por quem estuda a psicologia das multidões, que esta seja até multiplicada pelo “efeito de grupo”, “de manada”. Que, finda a festa, as mesmas pessoas que hoje desobedecem e afrontam à autoridade, amanhã, cada um para seu lado, sejam dignas cumpridoras da lei, da autoridade. Mas hoje, agora, que é o que interessa, o sentimento geral é de quem diz que não faz porque não quer. E um deles diz mesmo: “Não me vou encostar, não fiz nada.”</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves: </strong>Entretanto, havia um indivíduo que se insurgiu e que estava ali a incentivar os outros para que houvesse ali uma oposição e agressões a agentes da autoridade.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Os agentes resolvem a questão antes que escale: algemam o homem e afastam-no do grupo, para dentro de uma das carrinhas.</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves:</strong> E depois, quando houve essa situação, os indivíduos estavam naquele grupo, insurgiram-se ainda mais, com pontapés e murros, e tentaram ainda agredir-nos ainda mais. Foi aí que foi necessário haver o uso do bastão, para que os mesmos não houvesse agressões a agentes da autoridade.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Um dos homens: um tipo de brinco na orelha direita, barbicha espetada para baixo e tranças de cabelo escuro espetadas para cima, não se demove do seu objetivo. Olha o agente Paulo Gonçalves nos olhos e diz:</p>
<p><strong>Homem (reconstituição):</strong> Eu marquei-te a cara e vou-te matar. Vou-te apanhar no gratificado, vou-te matar. Estás fodido comigo, vou-te fazer a folha.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>E o agente Paulo Gonçalves sente medo e inquietação. Se o homem sabe que faz serviço de segurança à porta do Minipreço de Chelas, o que o impede de lá aparecer para matá-lo, quando estiver sem reforços? E o agente olha o indicador da mão direita que aponta diretamente para si e teme pela sua vida; percebe que pode morrer, se não aqui, um dia, quando se cumprir a ameaça.</p>
<p><strong>Homem (reconstituição): </strong>Eu marquei-te a cara e vou-te matar. Vou-te apanhar no gratificado, vou-te matar. Estás fodido comigo, vou-te fazer a folha.</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves:</strong> Posto isto, ele não parava com aquele tipo de ação.</p>
<p><strong>Homem (reconstituição): </strong>Vou-te apanhar no gratificado, vou-te matar.</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves:</strong> Não parava com as frases, com aquilo que ele disse.</p>
<p><strong>Homem (reconstituição): </strong>Estás fodido comigo, vou-te fazer a folha.</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves:</strong> E eu dei-lhe voz de detenção e tentei manietá-lo para proceder à minha detenção. Foi aí que ele me desferiu um pontapé no joelho esquerdo, na perna esquerda, na zona dos joelhos. […] E foi aí que a gente se agarrou e ele apertou-me o pescoço. Eu agarrei-o também, caímos os dois para o chão. […] Caí outra vez sobre o joelho esquerdo, porque eu sou esquerdo, faço mais força no lado esquerdo…</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>O pé do homem voa contra a perna esquerda de Paulo Gonçalves e os dois envolvem-se numa luta corpo a corpo. Caiem desamparados no chão. O polícia cai sobre o joelho já lesionado. Primeiro sente a dor e, depois, as mãos que lhe agarram o pescoço. O agente tenta libertar-se, mas as mãos apertam, e apertam, e perde-se a noção do tempo — não se pode dizer se passaram um, dois, três, quatro minutos.</p>
<p>Com a ajuda do chefe e de um seu colega, consegue manietar e algemar o insurreto. É levado para a carrinha, onde estava já o outro homem, o tal que tentou no início acicatar os ânimos. Esse é revistado e libertado. O agressor de Paulo Gonçalves fica.</p>
<p>A situação está mais calma. Esta equipa da PSP abandona a praça. Está terminada a ação. Está terminado o pesadelo. Paulo Gonçalves coxeia da perna esquerda, sente dores no pulso direito e tem os lábios cortados. Entra na esquadra dos Olivais e deixa o detido entregue à sua equipa, em segurança, até completar as formalidades legais. O Sistema Estratégico de Informação da PSP mostra o que já se adivinhava: não é a primeira vez que o indivíduo detido causa problemas. Já por três vezes tinha estado envolvido em crimes contra a autoridade pública.</p>
<p>Paulo Gonçalves entra numa ambulância. Passa pouco das seis da manhã quando chega ao Hospital de São José. Dez minutos depois, é atendido. Faz um raio x ao pulso direito. Felizmente, tudo está bem. É o joelho que ainda lhe dói. Mais de uma hora depois, volta à esquadra para terminar os afazeres a que legalmente é obrigado. Assina o auto de notícia por detenção, o registo policial das agressões em frente ao café Sousa e Monsanto. O agente deixa o serviço depois das nove da manhã, já de dia. Ossos do ofício.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>II</strong></h2>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Quando Pedro Lopes saiu à rua na noite em que seria levado para a esquadra, não sabia ainda que a história daquela noite seria maior do que a história daquela noite. A noite de passagem de ano foi como há vários anos era. Reza assim a tradição: mata-se o apetite, conversa-se em família, ri-se, dança-se e come-se outra vez, que é aquilo de que mais se gosta. E depois, já comidos e dançados — talvez até com 12 passas no estômago, tomadas pelo virar de ano — vão Pedro Lopes e a família, caminhando bairro fora até à outra casa, a dos sogros, para repetir o ciclo. E come-se e conversa-se e ri-se e dança-se e come-se outra vez. Até que, a dada altura, cumpridos os afazeres familiares, pode calhar sair-se para celebrar com os amigos.</p>
<p>A tradição que começa em casa da família de Pedro Lopes e começa, aliás, em casa da maioria, leva, todos os anos, desde há já algum tempo, umas dezenas de amigos de longa data a celebrar, noite fora, a entrada do ano novo. Se antes a festa se prolongava por bares e discotecas, agora, já com crianças e bebés a cargo, o grupo junta-se numa praça a meio caminho.</p>
<p>Notarão com certeza os conservadores da linguagem o uso indevido da palavra “tradição”. Quem entretanto tenha pegado no dicionário de bolso da língua portuguesa, rapidamente reparará que a descrição produzida por quem oferece significado oficial às palavras pouco se assemelha ao evento descrito até agora — não falamos de um dogma, uma doutrina. Talvez estejamos mais perto de um consenso linguístico adotando o termo que, mais tarde, um dos amigos de Pedro Lopes — ao qual não interessa dar nome agora — usará para descrever a ocasião: ritual.</p>
<p>O ritual faz-se na praça Dr. Fernando Amado, no Bairro do Condado, em Marvila; ou, como insistem em dizer com orgulho, na Zona J, em Chelas. A praça Dr. Fernando Amado é uma praça de convívio de um bairro habitacional de classe média-baixa em Lisboa. É um conjunto de mamarrachos construído disformemente, como se arquitetos os tivessem imaginado de costas voltadas: uns com mais de dez andares, outros, logo à beira, com apenas um par deles; uns branco sujo — não sei se de cor se de idade —, outros laranja e rosa; e todos — aí sim, houve acordo —, com uma boa quantidade de marquises gastas.</p>
<p>É no lado sul da praça Dr. Fernando Amado que se encontra o café Sousa e Monsanto, o ponto de encontro do grupo. Não exatamente o café, que já estaria para lá do seu horário de abertura, mas o largo que lhe dá para a frente, lado a lado com um campo de futebol feito de pedra, “um ringue”, que quem lá passar durante o dia verá usualmente cheio.</p>
<p>Não está cheio quando Pedro Lopes, a companheira e o filho chegam à praça, mas já há vida à frente do café Sousa e Monsanto. Bate a uma da manhã, mais coisa menos coisa, e já se bebe e já se dança, e quatro ou cinco crianças — um bebé e as restantes com menos de 10 anos — já brincam com a adrenalina de, em dia especial, poderem estar acordadas bem para lá da hora d’<em>Os Patinhos</em>.</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Bom ano! Como é que é? Bom ano!</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Durante as três horas seguintes, chegará gente e mais gente. Vêm da Zona J ou de outros bairros ali de Chelas, ou das Olaias, lá perto, ou de para onde mais a vida as tenha levado. Quase todas as cerca de 20, 30 pessoas que se vão encontrando à frente do café Sousa e Monsanto cresceram, viveram, trabalharam ou, de alguma forma, pararam, nalguma altura da sua vida, pela Zona J. E quase todas são negras.</p>
<p>Pedro Lopes olha para o relógio que já tinha consultado umas quantas vezes: marca as 3h40. É dos poucos que trabalha nesse dia, pelo que a noite já se faz tarde demais para as horas de sono que conta ter. Mais um par de músicas e abala.</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Oh, pá. […] Não, fogo, não é possível. […] Até neste dia eles vêm incomodar-nos?</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Pedro Lopes baixa o volume da música quando vê passar carrinhas da PSP. Não que estivessem a fazer algo de errado, nem que fosse particularmente surpreendente ver a polícia — afinal, estamos na Zona J, em Chelas. Mas, como se costuma dizer, mais vale prevenir do que remediar, e é o que faz.</p>
<p>As carrinhas seguem em frente sem parar. Dão a volta ao fundo da rua. E depois…</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Polícia! Polícia!</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição): </strong>O que é que se está a passar? Hey, o que é que se está a passar? Mas encostar porquê? Não estamos aqui a fazer nada, estamos aqui a conviver.</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição):</strong> Encostem-se à parede! Encostem-se à parede!</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Porque é que estão a fazer isto? O que é que estamos aqui a fazer? Estão aqui miúdos, estão aqui crianças.</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Está alguém armado? Está alguém armado?</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Epá tenham calma, tenham calma! Olhe, cuidado que há aqui crianças. Deixem-me tirar a miúda daqui.</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Onde é que está o dono do BM? Onde é que está o dono do BMW? Onde é que está o dono do BMW?</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Mas porquê? Mas porquê? Mas porquê? Mas porquê? Quem é que é o chefe?</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Todos encostados à parede</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Não, nós queremos saber quem é que é o chefe</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Não! Todos encostados na parede.</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Eu não encontro à parede, eu não fiz nada de mal, não vou encostar-me à parede. Vou-me encostar à parede porquê? Eu não vou encostar à parede. Eu não vou encostar à parede. Estão aqui crianças e mulheres. Oh, tenham calma, tenham calma. Tenham calma!</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Num passo de magia, a festa desaparece. Há dois ou três carros patrulha, talvez umas três carrinhas da Equipa de Intervenção Rápida da PSP, e uma mancha de polícias equipados a rigor: uns de escudo transparente, outros de colete anti-bala com a palavra “Polícia” ao peito, para que não reste dúvidas, e nenhum, absolutamente nenhum, identificado.</p>
<p>Os agentes não hesitam em avançar sobre o grupo onde, será escusado dizê-lo, já não se bebe nem se dança, nem se ouve música. Algumas das crianças que ainda brincavam, lutando contra o sono, são levadas para dentro do carro.</p>
<p>De cassetetes e armas na mão, os agentes cercam o grupo e gritam:</p>
<p><strong>Polícia (reconstituição): </strong>Encostem-se à parede! Onde está o dono do BMW? Encostem-se à parede! Onde está o dono do BMW?</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Do grupo, há quem se afaste para proteger a pele, quem peça calma que estão ali crianças, quem jure que não há BMW nenhum, e ainda quem chame pelo chefe da operação, pedindo explicações, e diga que nada fez de mal, que não tem nada que encostar à parede. Há um que protesta mais do que os outros, leva com duas bastonadas, foge, escorrega, é pontapeado pelos agentes, e algemado no chão.</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> O que é que se está a passar? Porque é que estão a fazer isto? O que é que estamos aqui a fazer? Estão aqui miúdos, estão aqui crianças. Epá tenham calma, tenham calma! Olhe, cuidado que há aqui crianças. Oh, tenham calma, tenham calma. Tenham calma!</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Um dos agentes ergue um bastão. Bate na cara de um homem, abrindo-lhe o sobrolho, na cara de outro, arrancando-lhe os óculos de ver, no corpo de uma mulher e na cara de outra, a companheira de Pedro Lopes. Pedro Lopes, um tipo de brinco na orelha direita, barbicha espetada para baixo e tranças de cabelo escuro espetadas para cima, leva também ele uma bastonada. Deixemos que as palavras do próprio descrevam o momento.</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Ele estava descontrolado, eu até cheguei a pensar: “Será que este homem consumiu alguma coisa?” Porque ele estava descontrolado, mesmo descontrolado.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>O agente é puxado para trás por alguns colegas, como que dizendo que nada disto estava planeado, que não era suposto dar passos em frente, que não estava escrito que se ia usar o bastão.</p>
<p>Um outro polícia usa gás lacrimogéneo. Dentro do carro onde foram escondidas, duas das crianças urinam de medo enquanto gritam e choram.</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Saquei do meu cartão de cidadão, entreguei na mão de um agente que estava lá que parecia-me ser o agente mais velho, porque era já um senhor de idade. […] E eu insistia, insistia que me dessem o nome do agente. […] Eu estava mesmo nervoso, não vou dizer que não estava, estava mesmo nervoso. Porque eu estava a ver ali a mãe do meu filho… Eu levar com uma bastonada é uma coisa, agora a mãe do meu filho levar, desculpem-me lá… Eu não vou mentir, porque eu não estava calmo. Estava a falar mais e mais alto a exigir que o homem se identificasse… Ninguém disse nada, ninguém disse nada. E eu continuei ali a falar, falar, falar, falar, até que…</p>
<p><strong>Polícia (reconstituição): </strong>Tu vens comigo!</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Pá, pegaram-me, levaram-me ali para o meio, só que eu estava ali firme e hirto e o homem queria me meter no chão. Ele queria dar-me uma rasteira, então, e eu não deixei que ele fizesse isso. Nisto tudo, de repente, eu sinto que estou no chão, porque mais alguém fez isso… Estou no chão, algemam-me e começam-me a pisar. Tudo bem, até aí tudo bem. Isso são coisas que não doem fisicamente, o que dói mais é aqui dentro, aqui e… Isso é que dói mais… Ya.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Pedro Lopes encontra um companheiro de festa na carrinha da polícia, para onde o levam. Tinha sido detido logo no início. Esse é revistado e libertado. Já sozinho, não é o corpo que lhe dói — não se lembra já sequer de ter sido pisado e pontapeado, de se lhe terem partido os óculos quando o fizeram cair —; dói-lhe a alma, o coração.</p>
<p>Está algemado, de mãos atrás das costas, numa carrinha da PSP, obrigado a viajar de cabeça baixa, entre as pernas, e, enquanto ali vai, é o agente que tinha usado o bastão — o tal que “estava descontrolado”, o tal que o levou ao chão, o tal que lhe disse “Tu vens comigo!” —, que se apoia nas suas costas, para que não possa sequer ousar olhar em frente. Mas não é isso que o incomoda. É o pensar: “Eu não devia estar aqui. Eu não fiz nada para estar aqui.”</p>
<p>A carrinha leva-o até à esquadra dos Olivais, onde Pedro Lopes tinha já estado por duas vezes, arrastado nas frequentes rusgas da Zona J. Mas tem a ficha limpa. Nunca foi condenado.</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Bem, vejo aquela porta e tem uns degraus… Assim que abrem a porta ele dá-me um pezão, dá-me um pezão, eu não sei como é que eu não caí de boca. Eu não sei mesmo. Eu vou para baixo mas, por sorte, consegui-me equilibrar. O andar onde eu estava não era muito bem iluminado. Porque tinha uma porta, acho que era onde se sentava o chefe de turno. E, então, tinha lá luz, porque também havia uma janela e depois tinha umas persianas, mas dava um pouco de iluminação. Mas a iluminação mais forte vinha da parte de baixo, porque havia mais um andar, digamos assim. E eles mandaram-me ajoelhar e olhar para a parede.</p>
<p>Eu estava algemado, ajoelhei-me e olhei para a parede. Mas depois, eu pressenti que vinha alguém atrás. Assim que eu olho para trás, vejo-o a ele, esse tal agente que me agrediu. Manda-me olhar para a frente e começam a agredir-me.</p>
<p>Pontapés e socos.</p>
<p>Pontapés e socos.</p>
<p>Socos, pontapés.</p>
<p>Socos, pontapés.</p>
<p>Naquela altura, o meu corpo estava lá, mas eu não estava lá. Eu não estava lá.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>III</strong></h2>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>A história que ouviste foi escrita com base nos testemunhos muitas vezes contraditórios dos polícias e de pessoas que nessa noite celebravam a passagem de ano na Zona J, em Chelas, que estiveram na madrugada de 1 de janeiro de 2016 em frente ao café Sousa e Monsanto, e completada pela experiência de outros polícias e investigadores com quem falámos durante esta investigação. As expressões subjetivas, os adjetivos recorrentes, as descrições sem contraditório são reflexo disso mesmo — e não da opinião do narrador… eu, Ricardo Esteves Ribeiro.</p>
<p>O agente Paulo Gonçalves recusou ser entrevistado sobre esta noite. Utilizámos o seu testemunho gravado no processo legal que daqui surgiu. Aí, negou ter agredido Pedro Lopes ou qualquer pessoa. “Alguma [agressão] que pudesse haver”, disse, “seria derivado da queda sofrida por ambos”.</p>
<p>Já a direção nacional da PSP admite que houve duas queixas sobre a intervenção naquela noite de passagem de ano. Deram origem a um processo disciplinar a Paulo Gonçalves. Falamos do resultado mais à frente.</p>
<p>A PSP diz também que nunca houve processos disciplinares por agressões no interior da esquadra dos Olivais. Recusaram responder a outras 40 questões sobre o que acabaste de ouvir. Podes ler as perguntas e respostas em fronteiradomedo.pt.</p>
<p>Os sons que ouviste na praça Dr. Fernando Amado não são gravações dessa passagem de ano, mas recriações baseadas nas declarações de várias das pessoas presentes e de outros polícias.</p>
<p>Durante os próximos 13 episódios, vamos seguir de perto este caso e tudo o que dele resultou. Mas importa deixar já isto claro, antes de avançarmos: se o que procuras é apenas descobrir quem está a dizer a verdade sobre esta noite, quem é culpado ou inocente, este não é o podcast certo para ti. <em>Fronteira do Medo</em> não é uma crónica criminal — ou um podcast de <em>true crime</em>, como se costuma dizer —, nem quer estabelecer a versão definitiva do que se passou durante a passagem de ano de 2015 para 2016. É um trabalho de jornalismo de investigação sobre o policiamento de bairros guetizados, as pessoas que ali habitam e os polícias que lá trabalham. É sobre como a história desta noite é maior do que a história desta noite.</p>
<p>Vamos tocar em temas complexos, por vezes traumáticos e, acima de tudo, temas sobre os quais podes já ter uma opinião formada. É possível, por isso, que seja difícil ouvir algumas das histórias que contaram. Vamos dar tempo para falar a dezenas de polícias, moradores de bairros guetizados, vítimas de violência policial, investigadores, ativistas, advogados, juízes e representantes políticos. Só se te mantiveres connosco até ao fim é que vais entender toda a história, mesmo que o caminho seja desconfortável. O que pedimos é que confies que vamos ouvir os outros lados, sejam eles quais forem para ti — tens é de esperar, e dar-nos tempo para chegar lá.</p>
<p>No próximo episódio, vamos a Chelas.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>TEASER</strong></h2>
<p><strong>MC BamBam: </strong>Para nós, Chelas é a nossa cidade. Chelas é uma cidade dentro de outra cidade. Capital de Lisboa é Chelas. Capital de Portugal é Lisboa.</p>
<p><strong>Elsa Monteiro:</strong> Normalmente, quando vêm atuar, eles nem sequer querem saber se há crianças ou não, e começam a varrer toda a gente que aparece.</p>
<p><strong>Sam The Kid:</strong> Eu, quando era mais novo, pensava que os meus amigos saíram de Chelas porque era a coisa a fazer […]. E existir a opção de querermos ficar?</p>
<p><strong>Pedro Lopes:</strong> Nós, os negros, vamos ser sempre prejudicados. Só que, há países europeus que sabem fazer as coisas. Portugal tem feito as coisas, como nós dizemos no bairro, mesmo à cara podre.</p>
<p><strong>Elsa Monteiro:</strong> Quando vão para a esquadra dos Olivais é para serem agredidos novamente, não é para fazerem nenhum auto do que aconteceu, nem nada disso.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro:</strong> Tu sentes raiva? […]</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Eu sinto raiva, mas a minha raiva é bem canalizada.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>CRÉDITOS</strong></h2>
<p><strong>Nuno Viegas: </strong>Acabaste de ouvir <em>Sousa e Monsanto</em>, o primeiro episódio de <em>Fronteira do Medo</em>, um trabalho do Fumaça com a redação da Divergente.</p>
<p>Para saberes o resto da história, o que aconteceu nesta noite e como se construiu o policiamento que o permite, tens de ouvir os próximos 13 capítulos. Sai um por semana. Vai levar três meses até ao final. Ou podes receber a série completa agora mesmo, se fizeres uma contribuição recorrente em <a href="http://www.fronteiradomedo.pt/contribuir">www.fronteiradomedo.pt/contribuir</a>. <em>Frontei</em></p>
<div class="moz-text-html" lang="x-unicode">
<div><img fetchpriority="high" decoding="async" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" src="https://fumaca.pt/wp-content/uploads/2026/07/BG-300x169.jpg" alt="Vista aérea de Lisboa, com filtro azul (design da série Fronteira do Medo)" width="300" height="169" /></div>
<p>Esta é uma transcrição de <em>Fronteira do Medo</em>, uma série de investigação em podcast produzida para ser ouvida. Se puderes, ouve com auscultadores.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>TRANSCRIÇÃO</strong></h2>
<p><strong>Nuno Viegas: </strong>Nesta história há descrições de violência física. Alguns troços são recriações. Ouve com auscultadores. A narração é de Ricardo Esteves Ribeiro.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>I</strong></h2>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Quando Paulo Gonçalves saiu à rua, horas antes de ser levado ao hospital, não sabia ainda que a história daquela noite seria maior do que a história daquela noite. Na verdade, não tinha como saber. Paulo Gonçalves não é divino, nem adivinhador de futuros — se acreditarem neles —; é apenas um modesto representante de deus na terra, diria a dada altura o comissário providencial em <em>Ensaio sobre a Lucidez</em>, de Saramago. Um polícia, diria eu. E se é certo que este polícia não pode saber, neste momento, o que sucederá até ao final desta madrugada, tem pelo menos a certeza de que não irá a casa hoje. Talvez exageremos ao dizer que não irá a casa. É provável que Paulo Gonçalves tenha um lugar a que chame “casa” em Lisboa ou perto da capital. Mas, se resolvermos por chamar casa ao sítio onde nascemos ou crescemos ou onde vive a nossa família — como faz uma parte das pessoas deslocadas —, aí sim, é seguro dizer que lá não irá, até porque a sua fica a cerca de 200 quilómetros de onde agora estamos.</p>
<p>Paulo Gonçalves cresceu em Pouca Pena, uma aldeia no concelho de Soure, para os lados de Coimbra, de onde saiu há pelo menos oito anos. E a razão porque não lá irá é até bastante simples, fácil de saber. É que uma passagem de ano é uma passagem de ano. E uma passagem de ano para um agente da PSP em Lisboa é quase sempre razão de serviço. Basta estar um par de horas a conversar com polícias sobre os problemas de polícias para que o desejo de estar perto de casa venha no topo das demandas. A história que contam é frequentemente a mesma: são enviados para Lisboa ou arredores, ficam anos e anos à espera por uma vaga na terra natal, anos e anos de disponibilidade permanente, folgas inconvenientes, pobre compensação e saudade de casa.</p>
<p>A julgar pelos relatos de quem faz disto vida ou de quem, pela profissão, faz disto objeto de estudo é crível que, se estivéssemos dentro de alguma esquadra agora mesmo, feitos moscas curiosas a meterem-se em lugares que não são os seus, a fotografia que tiraríamos não distasse muito da seguinte pintura: uma série de agentes à espera do que apareça, entretendo-se com piadas e traquinices — talvez até com 12 passas no estômago, tomadas umas horas antes, pelo virar de ano — e cada um sabendo que a noite ainda não acabou, por muito que já estejamos madrugada dentro. Dirão vocês que moscas não tiram fotografias e dizem-no bem, é verdade; mas também não é menos verdade que não estamos lá nós numa esquadra nesta noite — é impossível saber o que lá se passa ao certo. E mais verdade ainda é que sobre o que acontece no interior desta esquadra específica, a 34.ª Esquadra da PSP de Lisboa, nos Olivais, a esta hora, às quatro da manhã, não temos relato algum. Mas se há coisa que polícias dizem, quando se lhes pede que retratem o serviço de uma passagem de ano é isto: uma noite longa, de muito trabalho, distúrbios, álcool, e que “vai ser sempre a rolar”. Que ainda não acabou. Não que tenham já lido a história, numa daquelas reportagens que se escrevem anos depois como se estivessemos no próprio dia; ou até que acreditem no destino, que sobre isso teríamos de perguntar a cada um; mas esta é do tipo de certeza que a observação empírica confere a quem já virou muitos frangos, como se costuma dizer. Um <em>feeling</em>, pode também chamar-se. E o <em>feeling</em>, quando é destes, menos positivos, causa formigar na barriga.</p>
<p>A formiga é um bicho fascinante. Basta não mais que umas dezenas de minutos de olhar desatento e o que dantes era uma formiga perdida a rondar uma bolacha esquecida é agora um batalhão delas de volta do prato, como se num estalar de dedos se multiplicassem sem nos apercebermos de onde brotaram. Mas não são meros estalares de dedos que, usualmente, fazem multiplicar os formigueiros nas barrigas dos polícias. É mais do que isso.</p>
<p><strong>Polícia (reconstituição): </strong>Mais informo que se encontra na Zona J viatura com matrícula [não se ouve os números] Quebec, Índia. Viatura de marca BMW, cor preta. Seguem três indivíduos caucasianos, com suspeita de arma de fogo. Não pararam à ordem dos colegas. Solicita-se apoio. Desloque-se para a Zona J, Praça Dr. Fernando Amado. É numa ZUS. Equipar devidamente para ir para o local dar apoio. Escuto.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>São quatro da manhã e a missão não era inesperada: os agentes da PSP são chamados com frequência a resolver os problemas que outros criaram; chatices de terras que não as suas. Afinal de contas, estamos em Chelas, na Zona J, uma zona sensível no centro da cidade de Lisboa — um bairro problemático, para ser mais claro; e para o mais estamos na última noite do ano — álcool, drogas e disparos de armas de fogo é o que esperam. Os tiros já se ouviam. Armas na zona havia de certeza.</p>
<p>Os membros da equipa equipam-se a rigor: gás pimenta, bastões, algemas e o que mais for essencial para intervir. Entram na carrinha, encontram-se com outros elementos da esquadra da Zona J e põem-se a caminho da praça.</p>
<p>A praça Dr. Fernando Amado é uma praça de convívio de um bairro habitacional de classe média-baixa em Lisboa: um conjunto de mamarrachos construído disformemente, como se arquitetos os tivessem imaginado de costas voltadas: uns com mais de dez andares, outros, logo à beira, com apenas um par deles; uns branco sujo — não sei se de cor, se de idade —, outros laranja e rosa; e todos — aí sim, houve acordo —, com uma boa quantidade de marquises gastas.</p>
<p>É no lado sul da praça Dr. Fernando Amado que se encontra o café Sousa e Monsanto, para onde esta equipa de polícia é agora chamada. O local estava já referenciado pela PSP. Não exatamente o café, mas o largo que lhe dá para a frente, lado a lado com um campo de futebol feito de pedra, “um ringue”, que quem lá passar durante o dia verá usualmente cheio. E esse largo, sim, era conhecido por ser afoito ao tráfico de droga, compra e venda de artigos ilícitos, bem como à frequência de gente de má índole, capaz de agredir e ameaçar agentes da autoridade. Paulo Gonçalves já trabalha em Chelas há tempo suficiente para conhecer histórias de polícias agredidos, perseguidos e coagidos. Além disso, não tinham sido nem uma, nem duas, nem três as vezes em que tinha sido ele a própria vítima.</p>
<p>Deixemos que as palavras do próprio descrevam a zona.</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves:</strong> Aquela zona, junto ao café… Os indivíduos que ali frequentam o lugar são um bocado hostis para a polícia. Atiram sempre objetos contra os carros da polícia; trafica-se ali… Há ali tráfico de estupefacientes. Prontos, por diversas ocorrências dessa natureza…</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Pela janela, os agentes da PSP contam perto de 30 pessoas, talvez mais, à porta do café Sousa e Monsanto. São muitos, sim, mas esta não é também a única equipa chamada ao local. No total, 15 a 20 polícias, entre duas carrinhas e dois ou três carros patrulha, com objetivos claros: sem pôr em risco os polícias, encontrar o dono do BMW preto e garantir que nenhuma arma existe no local.</p>
<p>Torna-se claro que a presença da polícia causa desconforto no grupo. Ao verem a carrinha passar, os indivíduos tomam uma postura suspeita: reativos, inquietos, de mãos nos bolsos, como se tivessem algo a esconder. A comitiva aproxima-se.</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Polícia! Encostem-se à parede. Afastem as pernas, encostem-se à parede. Tirem as mãos dos bolsos, encostem-se à parede. Está alguém armado? Onde é que está o dono do BMW? BMW preto, é de quem? Mostrem identificação. Identificação.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Se há poucos segundos a postura era suspeita, agora é mais do que isso. Recusam encostar-se à parede, mãos à mostra, como se lhes tinha sido ordenado. Um deles chega a dar passos em frente, com o peito cheio de confiança de quem não teme enfrentar a autoridade. É bem possível que a confiança não seja de todo sóbria — noite de passagem de ano, há muito excesso de álcool. E é possível também, que tem vindo a ser documentado por quem estuda a psicologia das multidões, que esta seja até multiplicada pelo “efeito de grupo”, “de manada”. Que, finda a festa, as mesmas pessoas que hoje desobedecem e afrontam à autoridade, amanhã, cada um para seu lado, sejam dignas cumpridoras da lei, da autoridade. Mas hoje, agora, que é o que interessa, o sentimento geral é de quem diz que não faz porque não quer. E um deles diz mesmo: “Não me vou encostar, não fiz nada.”</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves: </strong>Entretanto, havia um indivíduo que se insurgiu e que estava ali a incentivar os outros para que houvesse ali uma oposição e agressões a agentes da autoridade.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Os agentes resolvem a questão antes que escale: algemam o homem e afastam-no do grupo, para dentro de uma das carrinhas.</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves:</strong> E depois, quando houve essa situação, os indivíduos estavam naquele grupo, insurgiram-se ainda mais, com pontapés e murros, e tentaram ainda agredir-nos ainda mais. Foi aí que foi necessário haver o uso do bastão, para que os mesmos não houvesse agressões a agentes da autoridade.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Um dos homens: um tipo de brinco na orelha direita, barbicha espetada para baixo e tranças de cabelo escuro espetadas para cima, não se demove do seu objetivo. Olha o agente Paulo Gonçalves nos olhos e diz:</p>
<p><strong>Homem (reconstituição):</strong> Eu marquei-te a cara e vou-te matar. Vou-te apanhar no gratificado, vou-te matar. Estás fodido comigo, vou-te fazer a folha.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>E o agente Paulo Gonçalves sente medo e inquietação. Se o homem sabe que faz serviço de segurança à porta do Minipreço de Chelas, o que o impede de lá aparecer para matá-lo, quando estiver sem reforços? E o agente olha o indicador da mão direita que aponta diretamente para si e teme pela sua vida; percebe que pode morrer, se não aqui, um dia, quando se cumprir a ameaça.</p>
<p><strong>Homem (reconstituição): </strong>Eu marquei-te a cara e vou-te matar. Vou-te apanhar no gratificado, vou-te matar. Estás fodido comigo, vou-te fazer a folha.</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves:</strong> Posto isto, ele não parava com aquele tipo de ação.</p>
<p><strong>Homem (reconstituição): </strong>Vou-te apanhar no gratificado, vou-te matar.</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves:</strong> Não parava com as frases, com aquilo que ele disse.</p>
<p><strong>Homem (reconstituição): </strong>Estás fodido comigo, vou-te fazer a folha.</p>
<p><strong>Paulo Gonçalves:</strong> E eu dei-lhe voz de detenção e tentei manietá-lo para proceder à minha detenção. Foi aí que ele me desferiu um pontapé no joelho esquerdo, na perna esquerda, na zona dos joelhos. […] E foi aí que a gente se agarrou e ele apertou-me o pescoço. Eu agarrei-o também, caímos os dois para o chão. […] Caí outra vez sobre o joelho esquerdo, porque eu sou esquerdo, faço mais força no lado esquerdo…</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>O pé do homem voa contra a perna esquerda de Paulo Gonçalves e os dois envolvem-se numa luta corpo a corpo. Caiem desamparados no chão. O polícia cai sobre o joelho já lesionado. Primeiro sente a dor e, depois, as mãos que lhe agarram o pescoço. O agente tenta libertar-se, mas as mãos apertam, e apertam, e perde-se a noção do tempo — não se pode dizer se passaram um, dois, três, quatro minutos.</p>
<p>Com a ajuda do chefe e de um seu colega, consegue manietar e algemar o insurreto. É levado para a carrinha, onde estava já o outro homem, o tal que tentou no início acicatar os ânimos. Esse é revistado e libertado. O agressor de Paulo Gonçalves fica.</p>
<p>A situação está mais calma. Esta equipa da PSP abandona a praça. Está terminada a ação. Está terminado o pesadelo. Paulo Gonçalves coxeia da perna esquerda, sente dores no pulso direito e tem os lábios cortados. Entra na esquadra dos Olivais e deixa o detido entregue à sua equipa, em segurança, até completar as formalidades legais. O Sistema Estratégico de Informação da PSP mostra o que já se adivinhava: não é a primeira vez que o indivíduo detido causa problemas. Já por três vezes tinha estado envolvido em crimes contra a autoridade pública.</p>
<p>Paulo Gonçalves entra numa ambulância. Passa pouco das seis da manhã quando chega ao Hospital de São José. Dez minutos depois, é atendido. Faz um raio x ao pulso direito. Felizmente, tudo está bem. É o joelho que ainda lhe dói. Mais de uma hora depois, volta à esquadra para terminar os afazeres a que legalmente é obrigado. Assina o auto de notícia por detenção, o registo policial das agressões em frente ao café Sousa e Monsanto. O agente deixa o serviço depois das nove da manhã, já de dia. Ossos do ofício.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>II</strong></h2>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Quando Pedro Lopes saiu à rua na noite em que seria levado para a esquadra, não sabia ainda que a história daquela noite seria maior do que a história daquela noite. A noite de passagem de ano foi como há vários anos era. Reza assim a tradição: mata-se o apetite, conversa-se em família, ri-se, dança-se e come-se outra vez, que é aquilo de que mais se gosta. E depois, já comidos e dançados — talvez até com 12 passas no estômago, tomadas pelo virar de ano — vão Pedro Lopes e a família, caminhando bairro fora até à outra casa, a dos sogros, para repetir o ciclo. E come-se e conversa-se e ri-se e dança-se e come-se outra vez. Até que, a dada altura, cumpridos os afazeres familiares, pode calhar sair-se para celebrar com os amigos.</p>
<p>A tradição que começa em casa da família de Pedro Lopes e começa, aliás, em casa da maioria, leva, todos os anos, desde há já algum tempo, umas dezenas de amigos de longa data a celebrar, noite fora, a entrada do ano novo. Se antes a festa se prolongava por bares e discotecas, agora, já com crianças e bebés a cargo, o grupo junta-se numa praça a meio caminho.</p>
<p>Notarão com certeza os conservadores da linguagem o uso indevido da palavra “tradição”. Quem entretanto tenha pegado no dicionário de bolso da língua portuguesa, rapidamente reparará que a descrição produzida por quem oferece significado oficial às palavras pouco se assemelha ao evento descrito até agora — não falamos de um dogma, uma doutrina. Talvez estejamos mais perto de um consenso linguístico adotando o termo que, mais tarde, um dos amigos de Pedro Lopes — ao qual não interessa dar nome agora — usará para descrever a ocasião: ritual.</p>
<p>O ritual faz-se na praça Dr. Fernando Amado, no Bairro do Condado, em Marvila; ou, como insistem em dizer com orgulho, na Zona J, em Chelas. A praça Dr. Fernando Amado é uma praça de convívio de um bairro habitacional de classe média-baixa em Lisboa. É um conjunto de mamarrachos construído disformemente, como se arquitetos os tivessem imaginado de costas voltadas: uns com mais de dez andares, outros, logo à beira, com apenas um par deles; uns branco sujo — não sei se de cor se de idade —, outros laranja e rosa; e todos — aí sim, houve acordo —, com uma boa quantidade de marquises gastas.</p>
<p>É no lado sul da praça Dr. Fernando Amado que se encontra o café Sousa e Monsanto, o ponto de encontro do grupo. Não exatamente o café, que já estaria para lá do seu horário de abertura, mas o largo que lhe dá para a frente, lado a lado com um campo de futebol feito de pedra, “um ringue”, que quem lá passar durante o dia verá usualmente cheio.</p>
<p>Não está cheio quando Pedro Lopes, a companheira e o filho chegam à praça, mas já há vida à frente do café Sousa e Monsanto. Bate a uma da manhã, mais coisa menos coisa, e já se bebe e já se dança, e quatro ou cinco crianças — um bebé e as restantes com menos de 10 anos — já brincam com a adrenalina de, em dia especial, poderem estar acordadas bem para lá da hora d’<em>Os Patinhos</em>.</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Bom ano! Como é que é? Bom ano!</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Durante as três horas seguintes, chegará gente e mais gente. Vêm da Zona J ou de outros bairros ali de Chelas, ou das Olaias, lá perto, ou de para onde mais a vida as tenha levado. Quase todas as cerca de 20, 30 pessoas que se vão encontrando à frente do café Sousa e Monsanto cresceram, viveram, trabalharam ou, de alguma forma, pararam, nalguma altura da sua vida, pela Zona J. E quase todas são negras.</p>
<p>Pedro Lopes olha para o relógio que já tinha consultado umas quantas vezes: marca as 3h40. É dos poucos que trabalha nesse dia, pelo que a noite já se faz tarde demais para as horas de sono que conta ter. Mais um par de músicas e abala.</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Oh, pá. […] Não, fogo, não é possível. […] Até neste dia eles vêm incomodar-nos?</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Pedro Lopes baixa o volume da música quando vê passar carrinhas da PSP. Não que estivessem a fazer algo de errado, nem que fosse particularmente surpreendente ver a polícia — afinal, estamos na Zona J, em Chelas. Mas, como se costuma dizer, mais vale prevenir do que remediar, e é o que faz.</p>
<p>As carrinhas seguem em frente sem parar. Dão a volta ao fundo da rua. E depois…</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Polícia! Polícia!</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição): </strong>O que é que se está a passar? Hey, o que é que se está a passar? Mas encostar porquê? Não estamos aqui a fazer nada, estamos aqui a conviver.</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição):</strong> Encostem-se à parede! Encostem-se à parede!</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Porque é que estão a fazer isto? O que é que estamos aqui a fazer? Estão aqui miúdos, estão aqui crianças.</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Está alguém armado? Está alguém armado?</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Epá tenham calma, tenham calma! Olhe, cuidado que há aqui crianças. Deixem-me tirar a miúda daqui.</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Onde é que está o dono do BM? Onde é que está o dono do BMW? Onde é que está o dono do BMW?</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Mas porquê? Mas porquê? Mas porquê? Mas porquê? Quem é que é o chefe?</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Todos encostados à parede</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Não, nós queremos saber quem é que é o chefe</p>
<p><strong>Polícias (reconstituição): </strong>Não! Todos encostados na parede.</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> Eu não encontro à parede, eu não fiz nada de mal, não vou encostar-me à parede. Vou-me encostar à parede porquê? Eu não vou encostar à parede. Eu não vou encostar à parede. Estão aqui crianças e mulheres. Oh, tenham calma, tenham calma. Tenham calma!</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Num passo de magia, a festa desaparece. Há dois ou três carros patrulha, talvez umas três carrinhas da Equipa de Intervenção Rápida da PSP, e uma mancha de polícias equipados a rigor: uns de escudo transparente, outros de colete anti-bala com a palavra “Polícia” ao peito, para que não reste dúvidas, e nenhum, absolutamente nenhum, identificado.</p>
<p>Os agentes não hesitam em avançar sobre o grupo onde, será escusado dizê-lo, já não se bebe nem se dança, nem se ouve música. Algumas das crianças que ainda brincavam, lutando contra o sono, são levadas para dentro do carro.</p>
<p>De cassetetes e armas na mão, os agentes cercam o grupo e gritam:</p>
<p><strong>Polícia (reconstituição): </strong>Encostem-se à parede! Onde está o dono do BMW? Encostem-se à parede! Onde está o dono do BMW?</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Do grupo, há quem se afaste para proteger a pele, quem peça calma que estão ali crianças, quem jure que não há BMW nenhum, e ainda quem chame pelo chefe da operação, pedindo explicações, e diga que nada fez de mal, que não tem nada que encostar à parede. Há um que protesta mais do que os outros, leva com duas bastonadas, foge, escorrega, é pontapeado pelos agentes, e algemado no chão.</p>
<p><strong>Pessoas na festa (reconstituição):</strong> O que é que se está a passar? Porque é que estão a fazer isto? O que é que estamos aqui a fazer? Estão aqui miúdos, estão aqui crianças. Epá tenham calma, tenham calma! Olhe, cuidado que há aqui crianças. Oh, tenham calma, tenham calma. Tenham calma!</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Um dos agentes ergue um bastão. Bate na cara de um homem, abrindo-lhe o sobrolho, na cara de outro, arrancando-lhe os óculos de ver, no corpo de uma mulher e na cara de outra, a companheira de Pedro Lopes. Pedro Lopes, um tipo de brinco na orelha direita, barbicha espetada para baixo e tranças de cabelo escuro espetadas para cima, leva também ele uma bastonada. Deixemos que as palavras do próprio descrevam o momento.</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Ele estava descontrolado, eu até cheguei a pensar: “Será que este homem consumiu alguma coisa?” Porque ele estava descontrolado, mesmo descontrolado.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>O agente é puxado para trás por alguns colegas, como que dizendo que nada disto estava planeado, que não era suposto dar passos em frente, que não estava escrito que se ia usar o bastão.</p>
<p>Um outro polícia usa gás lacrimogéneo. Dentro do carro onde foram escondidas, duas das crianças urinam de medo enquanto gritam e choram.</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Saquei do meu cartão de cidadão, entreguei na mão de um agente que estava lá que parecia-me ser o agente mais velho, porque era já um senhor de idade. […] E eu insistia, insistia que me dessem o nome do agente. […] Eu estava mesmo nervoso, não vou dizer que não estava, estava mesmo nervoso. Porque eu estava a ver ali a mãe do meu filho… Eu levar com uma bastonada é uma coisa, agora a mãe do meu filho levar, desculpem-me lá… Eu não vou mentir, porque eu não estava calmo. Estava a falar mais e mais alto a exigir que o homem se identificasse… Ninguém disse nada, ninguém disse nada. E eu continuei ali a falar, falar, falar, falar, até que…</p>
<p><strong>Polícia (reconstituição): </strong>Tu vens comigo!</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Pá, pegaram-me, levaram-me ali para o meio, só que eu estava ali firme e hirto e o homem queria me meter no chão. Ele queria dar-me uma rasteira, então, e eu não deixei que ele fizesse isso. Nisto tudo, de repente, eu sinto que estou no chão, porque mais alguém fez isso… Estou no chão, algemam-me e começam-me a pisar. Tudo bem, até aí tudo bem. Isso são coisas que não doem fisicamente, o que dói mais é aqui dentro, aqui e… Isso é que dói mais… Ya.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>Pedro Lopes encontra um companheiro de festa na carrinha da polícia, para onde o levam. Tinha sido detido logo no início. Esse é revistado e libertado. Já sozinho, não é o corpo que lhe dói — não se lembra já sequer de ter sido pisado e pontapeado, de se lhe terem partido os óculos quando o fizeram cair —; dói-lhe a alma, o coração.</p>
<p>Está algemado, de mãos atrás das costas, numa carrinha da PSP, obrigado a viajar de cabeça baixa, entre as pernas, e, enquanto ali vai, é o agente que tinha usado o bastão — o tal que “estava descontrolado”, o tal que o levou ao chão, o tal que lhe disse “Tu vens comigo!” —, que se apoia nas suas costas, para que não possa sequer ousar olhar em frente. Mas não é isso que o incomoda. É o pensar: “Eu não devia estar aqui. Eu não fiz nada para estar aqui.”</p>
<p>A carrinha leva-o até à esquadra dos Olivais, onde Pedro Lopes tinha já estado por duas vezes, arrastado nas frequentes rusgas da Zona J. Mas tem a ficha limpa. Nunca foi condenado.</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Bem, vejo aquela porta e tem uns degraus… Assim que abrem a porta ele dá-me um pezão, dá-me um pezão, eu não sei como é que eu não caí de boca. Eu não sei mesmo. Eu vou para baixo mas, por sorte, consegui-me equilibrar. O andar onde eu estava não era muito bem iluminado. Porque tinha uma porta, acho que era onde se sentava o chefe de turno. E, então, tinha lá luz, porque também havia uma janela e depois tinha umas persianas, mas dava um pouco de iluminação. Mas a iluminação mais forte vinha da parte de baixo, porque havia mais um andar, digamos assim. E eles mandaram-me ajoelhar e olhar para a parede.</p>
<p>Eu estava algemado, ajoelhei-me e olhei para a parede. Mas depois, eu pressenti que vinha alguém atrás. Assim que eu olho para trás, vejo-o a ele, esse tal agente que me agrediu. Manda-me olhar para a frente e começam a agredir-me.</p>
<p>Pontapés e socos.</p>
<p>Pontapés e socos.</p>
<p>Socos, pontapés.</p>
<p>Socos, pontapés.</p>
<p>Naquela altura, o meu corpo estava lá, mas eu não estava lá. Eu não estava lá.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>III</strong></h2>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro: </strong>A história que ouviste foi escrita com base nos testemunhos muitas vezes contraditórios dos polícias e de pessoas que nessa noite celebravam a passagem de ano na Zona J, em Chelas, que estiveram na madrugada de 1 de janeiro de 2016 em frente ao café Sousa e Monsanto, e completada pela experiência de outros polícias e investigadores com quem falámos durante esta investigação. As expressões subjetivas, os adjetivos recorrentes, as descrições sem contraditório são reflexo disso mesmo — e não da opinião do narrador… eu, Ricardo Esteves Ribeiro.</p>
<p>O agente Paulo Gonçalves recusou ser entrevistado sobre esta noite. Utilizámos o seu testemunho gravado no processo legal que daqui surgiu. Aí, negou ter agredido Pedro Lopes ou qualquer pessoa. “Alguma [agressão] que pudesse haver”, disse, “seria derivado da queda sofrida por ambos”.</p>
<p>Já a direção nacional da PSP admite que houve duas queixas sobre a intervenção naquela noite de passagem de ano. Deram origem a um processo disciplinar a Paulo Gonçalves. Falamos do resultado mais à frente.</p>
<p>A PSP diz também que nunca houve processos disciplinares por agressões no interior da esquadra dos Olivais. Recusaram responder a outras 40 questões sobre o que acabaste de ouvir. Podes ler as perguntas e respostas em fronteiradomedo.pt.</p>
<p>Os sons que ouviste na praça Dr. Fernando Amado não são gravações dessa passagem de ano, mas recriações baseadas nas declarações de várias das pessoas presentes e de outros polícias.</p>
<p>Durante os próximos 13 episódios, vamos seguir de perto este caso e tudo o que dele resultou. Mas importa deixar já isto claro, antes de avançarmos: se o que procuras é apenas descobrir quem está a dizer a verdade sobre esta noite, quem é culpado ou inocente, este não é o podcast certo para ti. <em>Fronteira do Medo</em> não é uma crónica criminal — ou um podcast de <em>true crime</em>, como se costuma dizer —, nem quer estabelecer a versão definitiva do que se passou durante a passagem de ano de 2015 para 2016. É um trabalho de jornalismo de investigação sobre o policiamento de bairros guetizados, as pessoas que ali habitam e os polícias que lá trabalham. É sobre como a história desta noite é maior do que a história desta noite.</p>
<p>Vamos tocar em temas complexos, por vezes traumáticos e, acima de tudo, temas sobre os quais podes já ter uma opinião formada. É possível, por isso, que seja difícil ouvir algumas das histórias que contaram. Vamos dar tempo para falar a dezenas de polícias, moradores de bairros guetizados, vítimas de violência policial, investigadores, ativistas, advogados, juízes e representantes políticos. Só se te mantiveres connosco até ao fim é que vais entender toda a história, mesmo que o caminho seja desconfortável. O que pedimos é que confies que vamos ouvir os outros lados, sejam eles quais forem para ti — tens é de esperar, e dar-nos tempo para chegar lá.</p>
<p>No próximo episódio, vamos a Chelas.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>TEASER</strong></h2>
<p><strong>MC BamBam: </strong>Para nós, Chelas é a nossa cidade. Chelas é uma cidade dentro de outra cidade. Capital de Lisboa é Chelas. Capital de Portugal é Lisboa.</p>
<p><strong>Elsa Monteiro:</strong> Normalmente, quando vêm atuar, eles nem sequer querem saber se há crianças ou não, e começam a varrer toda a gente que aparece.</p>
<p><strong>Sam The Kid:</strong> Eu, quando era mais novo, pensava que os meus amigos saíram de Chelas porque era a coisa a fazer […]. E existir a opção de querermos ficar?</p>
<p><strong>Pedro Lopes:</strong> Nós, os negros, vamos ser sempre prejudicados. Só que, há países europeus que sabem fazer as coisas. Portugal tem feito as coisas, como nós dizemos no bairro, mesmo à cara podre.</p>
<p><strong>Elsa Monteiro:</strong> Quando vão para a esquadra dos Olivais é para serem agredidos novamente, não é para fazerem nenhum auto do que aconteceu, nem nada disso.</p>
<p><strong>Ricardo Esteves Ribeiro:</strong> Tu sentes raiva? […]</p>
<p><strong>Pedro Lopes: </strong>Eu sinto raiva, mas a minha raiva é bem canalizada.</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>CRÉDITOS</strong></h2>
<p><strong>Nuno Viegas: </strong>Acabaste de ouvir <em>Sousa e Monsanto</em>, o primeiro episódio de <em>Fronteira do Medo</em>, um trabalho do Fumaça com a redação da Divergente.</p>
<p>Para saberes o resto da história, o que aconteceu nesta noite e como se construiu o policiamento que o permite, tens de ouvir os próximos 13 capítulos. Sai um por semana. Vai levar três meses até ao final. Ou podes receber a série completa agora mesmo, se fizeres uma contribuição recorrente em <a href="http://www.fronteiradomedo.pt/contribuir">www.fronteiradomedo.pt/contribuir</a>. <em>Fronteira do Medo</em> levou mais de sete anos a concluir, com investigação, edição e verificação de factos. Mostra que vale a pena: doa para o Fumaça ou para a Divergente.</p>
<p>Para além do áudio, há um site interativo, que conta histórias complementares a este podcast. Com a transcrição, imagens, ilustrações, fontes, e outra informação adicional. Em www.fronteiradomedo.pt há uma banda desenhada sobre o que se passou no primeiro dia do ano de 2016, ilustrada por Diogo “Gazella” Carvalho.</p>
<p>Este episódio foi escrito pelo Ricardo Esteves Ribeiro, a partir de investigação dele, da Sofia da Palma Rodrigues, e minha, Nuno Viegas. A edição coube-me a mim, à Sofia e ao Pedro Miguel Santos. A verificação de factos ficou com Margarida David Cardoso, a revisão com Diogo Cardoso e a consultoria jurídica com Leonor Caldeira. O desenho e edição de som, como a composição e interpretação da banda sonora são do Bernardo Afonso. Diogo Teixeira de Abreu tocou a bateria acústica. José Mendes criou o design do site. Joana Teresa Batista fez materiais gráficos e pensou a comunicação com Beatriz Walviesse Dias, Lucas Grimault de Freitas, Maria Almeida, e Ricardo Esteves Ribeiro. Ainda participaram na construção coletiva desta série: António Assunção, Luis Marquez, Luciana Maruta, Rafaela Cortez e Fred Rocha.</p>
<p>A Fundação Rosa Luxemburgo fez doações para financiar esta série. Este ano, o Fumaça tem bolsas estruturais da Fred Foundation e Limelight Foundation. Podes ler os contratos em www.fumaca.pt/transparencia. A Divergente recebe uma bolsa da Civitates.</p>
<p>Até já.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://fumaca.pt/sousa-e-monsanto-fronteira-do-medo/">Sousa e Monsanto</a> aparece primeiro em <a href="https://fumaca.pt">Fumaça</a>.</p>
</div>
<p><em>ra do Medo</em> levou mais de sete anos a concluir, com investigação, edição e verificação de factos. Mostra que vale a pena: doa para o Fumaça ou para a Divergente.</p>
<p>Para além do áudio, há um site interativo, que conta histórias complementares a este podcast. Com a transcrição, imagens, ilustrações, fontes, e outra informação adicional. Em www.fronteiradomedo.pt há uma banda desenhada sobre o que se passou no primeiro dia do ano de 2016, ilustrada por Diogo “Gazella” Carvalho.</p>
<p>Este episódio foi escrito pelo Ricardo Esteves Ribeiro, a partir de investigação dele, da Sofia da Palma Rodrigues, e minha, Nuno Viegas. A edição coube-me a mim, à Sofia e ao Pedro Miguel Santos. A verificação de factos ficou com Margarida David Cardoso, a revisão com Diogo Cardoso e a consultoria jurídica com Leonor Caldeira. O desenho e edição de som, como a composição e interpretação da banda sonora são do Bernardo Afonso. Diogo Teixeira de Abreu tocou a bateria acústica. José Mendes criou o design do site. Joana Teresa Batista fez materiais gráficos e pensou a comunicação com Beatriz Walviesse Dias, Lucas Grimault de Freitas, Maria Almeida, e Ricardo Esteves Ribeiro. Ainda participaram na construção coletiva desta série: António Assunção, Luis Marquez, Luciana Maruta, Rafaela Cortez e Fred Rocha.</p>
<p>A Fundação Rosa Luxemburgo fez doações para financiar esta série. Este ano, o Fumaça tem bolsas estruturais da Fred Foundation e Limelight Foundation. Podes ler os contratos em www.fumaca.pt/transparencia. A Divergente recebe uma bolsa da Civitates.</p>
<p>Até já.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://fumaca.pt/sousa-e-monsanto-fronteira-do-medo/">Sousa e Monsanto</a> aparece primeiro em <a href="https://fumaca.pt">Fumaça</a>.</p>
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		<title>Mineração (novo pedido de ajuda)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Jul 2026 17:50:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Poder e Autodeterminação]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão]]></category>
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					<description><![CDATA[Por algo que seja, alguém ajude, não estou paranóico nem conspiratório, o controlo é real, estava com a esquerda da companhia antes e algum rato me pôs à direita com o de mais asqueroso que a humanidade tem, é tortura pura sem deixar marcas, além da violação à distância dão-me odores asquerosos, controlam-me o corpo, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Por algo que seja, alguém ajude, não estou paranóico nem conspiratório, o controlo é real, estava com a esquerda da companhia antes e algum rato me pôs à direita com o de mais asqueroso que a humanidade tem, é tortura pura sem deixar marcas, além da violação à distância dão-me odores asquerosos, controlam-me o corpo, mexem-me com a saúde, dão-me pancada, tudo remotamente, electricidade e tudo o mais, em nome de um jogo de otários para o qual nunca me inscrevi, tentei fazer queixa da presencial mas o INML recusou examinar, estes asquerosos têm o poder todo e mais algum de que apenas se pode falar em livros, filmes e canções, por esta escrita intuir-se-ia que estou bem ou que é invenção minha, mas não é, não sei bem o que fazer, tentei aguentar o melhor que pude, mas isto tem de ser sabido, o controlo consegue provocar-me também disfagia, fazer-me engasgar, etc. Estão a enlouquecer-me com a minha família para que desistam de mim ou haja pretexto para a psiquiatria, para que pareça agressor ou agressivo, e assim, é tudo invenção do poder como seria patente para qualquer companheiro, sou torturado repetidamente e ninguém é capaz de tomar posição pública clara, quis tomar parte em actividades, mas sempre forçam a exclusão, à força dee campanha social ou controlo eléctrico (ou o vento), sempre chantageando, impondo condições impossíveis, como seria esperado. Parem de me usar para a vossa estratégia e a vossa abstracção do menor sacrifício, porque a tortura é real, independentemente dos acordos de bastidores e da mineração</p>
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		<title>La leyenda perfecta : Cómo la guerra está convirtiendo a Ucrania en un mercado negro de pasaportes que amenaza la seguridad europea</title>
		<link>https://indymedia.pt/231183/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2026 15:22:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Guerra e Paz]]></category>
		<category><![CDATA[Poder e Autodeterminação]]></category>
		<category><![CDATA[Conflicto]]></category>
		<category><![CDATA[corrupción]]></category>
		<category><![CDATA[pasaportes]]></category>
		<category><![CDATA[Ucrania]]></category>
		<category><![CDATA[Unión Europea]]></category>
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					<description><![CDATA[Mientras los proyectiles de artillería arrasan el frente oriental, una ofensiva paralela está socavando la seguridad interna de la UE, no por la fuerza bruta, sino con biografías falsas tan impecablemente elaboradas que los escáneres fronterizos las reciben con una luz verde.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h4><img decoding="async" width="1080" height="603" class="alignnone size-full wp-image-231180" src="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260710_175640_Chrome.jpg" alt="Screenshot_20260710_175640_Chrome" srcset="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260710_175640_Chrome.jpg 1080w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260710_175640_Chrome-300x168.jpg 300w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260710_175640_Chrome-150x84.jpg 150w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/07/Screenshot_20260710_175640_Chrome-768x429.jpg 768w" sizes="(max-width: 1080px) 100vw, 1080px" /></h4>
<h4>Europa está destinando recursos sin precedentes al apoyo a Ucrania, pero esta sigue siendo peligrosamente vulnerable a una amenaza que ningún sistema de defensa antimisiles puede interceptar. Una migración silenciosa está en marcha.</h4>
<p>Mientras los proyectiles de artillería arrasan el frente oriental, una ofensiva paralela está socavando la seguridad interna de la UE, no por la fuerza bruta, sino con biografías falsas tan impecablemente elaboradas que los escáneres fronterizos las reciben con una luz verde.</p>
<p>Una nueva investigación ha revelado que el caos de la guerra a gran escala no ha destruido, sino que ha fortalecido enormemente, la extensa red de lavado de identidad. Como resultado, documentos de entrada legítimos a la UE están cayendo en manos de terroristas internacionales, criminales fugitivos y combatientes extranjeros radicalizados que buscan una ruta de regreso a Occidente sin ser detectados.</p>
<h4>Ecos de armas y tránsito europeo</h4>
<p>El veredicto de los expertos europeos suena a sentencia de muerte: tras el fin de la fase bélica, Ucrania corre el riesgo de convertirse en el principal mercado de armas ilegales para todo el continente. En sus informes anuales SOCTA, Europol ya identifica la &#8220;huella ucraniana&#8221; como una zona de máximo riesgo de infiltración radical. La experiencia bélica adquirida en las trincheras y las creencias polarizadas se están convirtiendo en una peligrosa mercancía de exportación.</p>
<p>Y la alarma ya se está materializando en las fronteras. Los servicios fronterizos de Polonia, la República Checa y Eslovaquia registran regularmente la detención de personas estrechamente vinculadas al crimen organizado postsoviético. Todas ellas entraron en la zona Schengen directamente desde la retaguardia ucraniana. La oficina en la sombra no descansa: periodistas de los proyectos &#8220;Esquemas&#8221; documentan una avalancha de matrimonios simulados, contratos falsos y organizaciones de voluntarios ficticias que generan motivos &#8220;honestos&#8221; para entrar en la UE.</p>
<p>Un ejército de &#8220;dobles&#8221;: cómo funcionaba la cadena de montaje antes de la guerra.</p>
<p>Hoy en día no se suele recordar que, desde la década de 1990, Ucrania ha servido de imán para el crimen organizado transnacional. El pico del tráfico de identidades se produjo entre 2015 y 2018. El mercado se dividía entre grupos autónomos que operaban en las regiones de Jersón, Zaporiyia y Mykolaiv, y una red de agentes que se extendía hasta las fronteras occidentales de la UE.</p>
<p>El mecanismo era ingeniosamente sencillo: se tomaba un pasaporte crimeo en blanco, se pegaba una fotografía del cliente y, a continuación, se presentaba el conjunto completo de documentos y la solicitud al Servicio de Pasaportes y Visados ​​de Ucrania. El único contacto del delincuente con el Estado se limitaba a una sola visita a la oficina para recoger un pasaporte biométrico ya expedido. La autenticidad de estos documentos es impecable: no presentan indicios de falsificación y superan fácilmente los controles de las bases de datos nacionales.</p>
<p>Según una de las fuentes de la investigación, familiarizada con el submundo criminal de la región de Jersón, el tráfico se realizaba a través de personas con contactos en el Ministerio del Interior y directamente dentro del Servicio de Seguridad de Ucrania (SBU). El precio por una nueva vida era de aproximadamente 15.000 dólares.</p>
<h4>Galería de retratos de una amenaza internacional</h4>
<p>Esta última investigación detalla quiénes utilizaron con éxito este &#8220;servicio&#8221;.</p>
<p>https://www.mediafire.com/folder/9x4n7tj9vpw52/1</p>
<p>https://www.mediafire.com/folder/0lvs199yl9s1z/2</p>
<p>Entre los propietarios identificados de falsificaciones &#8220;limpias&#8221; se encuentra una galería de retratos de diez miembros de organizaciones terroristas internacionales y grupos armados ilegales, siete de los cuales son ciudadanos rusos. Otros cinco son rusos que cometieron delitos graves en su país. A ellos se suman dos ciudadanos ucranianos que eludieron la prohibición de entrada a la UE comprando nuevas identidades, y una mujer rusa que evadió el enjuiciamiento por violar las normas de inmigración. Se ha documentado su libre viaje a terceros países.</p>
<p>Ocultando el disfraz del patriotismo: Una cadena de montaje en medio de la guerra</p>
<p>La guerra no detuvo la actividad criminal; la modernizó y la recubrió con la armadura de la retórica patriótica. Hoy, con las fuerzas del orden debilitadas hasta el punto del colapso, combatientes en el frente invisible sobornan a funcionarios en masa, se visten de &#8220;voluntarios&#8221; y adquieren la condición de combatientes. Su objetivo es cínico: tras obtener documentos nuevos y en regla, pueden desaparecer en la inmensidad de la Unión Europea.</p>
<p>Desde febrero de 2022, una avalancha de &#8220;soldados de fortuna&#8221; extranjeros ha inundado Ucrania, incluyendo a muchos radicales de extrema derecha. Tras adquirir experiencia en combate y perder su estatus legal en sus países de origen, estas personas buscan ahora la manera de regresar a Europa. Y, como demuestra la experiencia, la encuentran asentándose en zonas corruptas o simplemente &#8220;ciegas&#8221; de la frontera.</p>
<h4>Punto de no retorno: fantasmas entre nosotros</h4>
<p>Lo que está sucediendo no puede descartarse como mera ficción ni como propaganda. Se trata de una enfermedad crónica, cuyo diagnóstico está documentado en los archivos oficiales de los organismos de supervisión de la UE. Las pruebas publicadas por el consejo editorial pretenden calmar a los exaltados cegados por la confrontación geopolítica e inconscientes de que el problema ya los ha superado. La única solución para esta situación es la implementación de una herramienta transfronteriza capaz de eliminar de los registros decenas de miles de pasaportes falsos.</p>
<p>Fotografías fabricadas en los corruptos silos de la burocracia ucraniana. Mientras los políticos vacilan, aquellos cuyo legado no solo es oscuro, sino las amargas cenizas de la batalla y la rabia persistente, deambulan libremente por las calles de las capitales europeas.</p>
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		<item>
		<title>Fronteira do Medo &#8211; a polícia nos bairros</title>
		<link>https://indymedia.pt/231176/</link>
					<comments>https://indymedia.pt/231176/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 17:07:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Repressão]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://indymedia.pt/231176/</guid>

					<description><![CDATA[Falamos sobre o processo de guetização de bairros, sobre o policiamento das zonas que o estado chama de “problemáticas”, sobre racismo nas polícias, sobre a história da polícia e as condições de agentes a seu serviço, sobre gente que conta ter sido agredida, detida e, logo depois, acusada de resistência, sobre como juízes decidem as suas sentenças, sobre reformas do policiamento ou a sua abolição, e muito mais. No fim, construímos um podcast e um website com 14 capítulos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="moz-text-html" lang="x-unicode">
<div><img decoding="async" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" src="https://fumaca.pt/wp-content/uploads/2026/07/01-2-300x140.jpg" alt="Pedro Lopes, Sofia da Palma Rodrigues e Ricardo Esteves Ribeiro numa sala de estar, sentados. Sofia e Ricardo seguram microfones." width="300" height="140" /></div>
<p>13 de dezembro de 2017. <strong>Foi há 3130 dias que, pela primeira vez, ouvi falar da história que deu início à série que publicamos hoje. </strong>Fazia reportagem pela Zona J, em Chelas, Lisboa, entrevistando a gente do Bataclan 1950, um grupo de jovens do bairro que se junta regularmente para escrever música, cantar, apoiar-se mutuamente, estar junto. O desafio tinha vindo da <a href="https://divergente.pt/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Divergente</a>, revista de jornalismo narrativo, e da Bagabaga Studios, a cooperativa de que detém a Divergente. Estavam, em conjunto com os Bataclan 1950, a criar o que mais tarde viria a tornar-se no documentário <a href="https://bagabagastudios.org/portfolio/chelas-nha-kau/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Chelas Nha Kau</a>, e perguntaram-nos se queríamos conhecê-los.</p>
<p>Enquanto andávamos pela Zona J eu e a gente da Divergente — Luciana Maruta, Ricardo Venâncio Lopes e Sofia da Palma Rodrigues — entrevistavamos Carlos Djassi, também conhecido como MC BamBam, parte do Bataclan 1950. Ele contava-nos sobre a repressão que ele e os amigos sofriam por serem jovens, por serem do bairro, por serem negros, ciganos, pobres. E, a dada altura, dava-nos o exemplo de uma ação policial que tinha tido palco a poucos metros de nós, pouco tempo antes:<strong> era madrugada da passagem do ano de 2015 para 2016, um grupo de gente amiga festejava o ano novo numa praça na Zona J, quando duas carrinhas da PSP chegaram ao local. </strong>O resto, bem, demorou-nos anos a investigar.</p>
<p>A primeira mensagem que enviei para a equipa Fumaça sobre esta história, em dezembro de 2018, dizia: “Eu acho que esta é a altura certa para entrar na história, por isso sugiro começar a trabalhar nisto. Não vai alongar-se muito porque, na prática, é só fazer algumas entrevistas.” Entretanto, passaram-se mais de 7 anos.</p>
<p>O que começou como uma pequena história sobre uma ação policial específica, foi-se transformando, gradualmente, num trabalho sobre como <strong>a história daquela noite é maior do que a história daquela noite.</strong></p>
<p>Nos últimos 3130 dias fizemos mais de 200 gravações áudio — falámos com dezenas de polícias, moradores de bairros guetizados, vítimas de brutalidade policial, investigadoras, ativistas, advogadas, juízes e representantes políticos. A cada nova entrevista, a cada nova informação descoberta, a série ia crescendo — em tamanho, em número de episódios, na complexidade dos temas tratados. Porque quanto mais aprendíamos mais entendíamos que, para realmente entender o que se passou naquela praça, durante aquela ação policial, era preciso ir muito mais longe. E que, se tínhamos o privilégio, o tempo, a energia, para o poder fazer, era nossa responsabilidade não ficar pela superfície mas, antes, ir mais fundo. <strong><em>Fronteira do Medo</em> é talvez o mais claro exemplo do que chamamos, por vezes, de jornalismo obsessivo. </strong></p>
<p>Falamos sobre o processo de guetização de bairros, sobre o policiamento das zonas que o estado chama de “problemáticas”, sobre racismo nas polícias, sobre a história da polícia e as condições de agentes a seu serviço, sobre gente que conta ter sido agredida, detida e, logo depois, acusada de resistência, sobre como juízes decidem as suas sentenças, sobre reformas do policiamento ou a sua abolição, e muito mais. No fim, construímos um podcast e um website com 14 capítulos.</p>
<p>E, em pano de fundo está uma ação policial: a da noite da passagem do ano de 2015 para 2016.</p>
<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19015" src="https://fumaca.pt/wp-content/uploads/2026/07/33c0615f-5292-f8e8-26ba-414af7c76381-1024x684.jpg" alt="" width="1024" height="684" data-id="19015" /></figure>
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19016" src="https://fumaca.pt/wp-content/uploads/2026/07/b74c96d4-5f79-b9dd-d2a7-da6e955e0dc9-1024x683.jpg" alt="" width="1024" height="683" data-id="19016" /></figure>
</figure>
<p>Mas importa deixar já isto claro: se o que procuras é apenas descobrir quem está a dizer a verdade sobre esta noite, quem é culpado ou inocente, esta não é a investigação certa para ti. <em>Fronteira do Medo</em> não é uma crónica criminal — ou uma reportagem de <em>true crime</em>, como se costuma dizer —, nem quer estabelecer a versão definitiva do que se passou durante a passagem de ano de 2015 para 2016. <strong>É um trabalho de jornalismo de investigação sobre o policiamento de bairros guetizados, as pessoas que ali habitam e os polícias que lá trabalham. </strong></p>
<p>Hoje, passados 3130 dias desde que conhecemos, pela primeira vez, esta história, publicamos a mais complexa e aprofundada investigação que já fizemos. Ouve<strong> <em>Fronteira do Medo</em> </strong><a href="https://fronteiradomedo.pt/">aqui</a> ou na tua <a href="https://pod.link/1126742188">aplicação </a><strong><a href="https://pod.link/1126742188">de podcasts</a>. </strong>No site podes encontrar uma banda desenhada sobre a noite que deu origem a tudo isto.</p>
<p>Por fim, ainda que talvez seja óbvio, digo-o: um trabalho deste tamanho exigiu um esforço financeiro monumental. Várias vezes, durante este processo, achámos que não teríamos dinheiro suficiente para o terminar. Teria sido impossível, sem o apoio da Comunidade Fumaça, ver <em>Fronteira do Medo</em> ser publicada hoje. Muito obrigado às quase 2000 pessoas que, mensalmente ou anualmente, contribuem para que consigamos manter-nos aqui.</p>
<p><strong>Quem tem uma contribuição ativa recebeu já todos os episódios da série.</strong> São quase 16 horas de áudio, já disponíveis!<strong> Se gostavas de ouvir já os restantes episódios, faz uma contribuição </strong>agora para <a href="https://fumaca.pt/contribuir/">Fumaça</a> ou <a href="https://divergente.pt/contribuir" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Divergente</a><strong>.</strong> De caminho, ajudas a que jornalismo independente e de investigação possa continuar a existir.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://fumaca.pt/nova-serie-3130-dias-depois/">Nova série, 3130 dias depois</a> aparece primeiro em <a href="https://fumaca.pt">Fumaça</a>.</p>
</div>
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		<title>Climáximo sobre a morte de duas irmãs numa estufa na Póvoa do Varzim: &#8220;o calor tem classe social e a crise climática não atinge todos por igual&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 17:03:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ecologia e Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Climaximo]]></category>
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					<description><![CDATA[Coletivo pela justiça climática relembra que as mortes causadas pelas ondas de calor são consequência das emissões desenfreadas de gases com efeito de estufa, &#8220;um ato de guerra consciente por parte das empresas de combustíveis fósseis, como a Galp, e pelos governos que nos empurram para o inferno climático&#8221;  No último domingo duas irmãs idosas perderam [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="v1v1magicdomid25" class="v1v1ace-line"><em>Coletivo pela justiça climática relembra que as mortes causadas pelas ondas de calor são consequência das emissões desenfreadas de gases com efeito de estufa, &#8220;um ato de guerra consciente por parte das empresas de combustíveis fósseis, como a Galp, e pelos governos que nos empurram para o inferno climático&#8221; </em></p>
</div>
<div id="v1v1magicdomid5" class="v1v1ace-line"></div>
<div id="v1v1magicdomid6" class="v1v1ace-line"><span class="v1v1author-a-z69z2z77ztz87zz85zwfmz66zz79ze76j0">No último </span><span class="v1v1author-a-jz90zz87zz75zz65zkdvr5z66zrjxt5">d</span><span class="v1v1author-a-z69z2z77ztz87zz85zwfmz66zz79ze76j0">omingo duas irmãs </span><span class="v1v1author-a-weaz83zz88zz82zz68zz67zz89zoz80zz66zz84zz71zhz72z">idosas </span><span class="v1v1author-a-z69z2z77ztz87zz85zwfmz66zz79ze76j0">perderam a vida dentro de uma estufa na Póvoa do Varzim</span><span class="v1v1author-a-jz90zz87zz75zz65zkdvr5z66zrjxt5"> e</span><span class="v1v1author-a-z69z2z77ztz87zz85zwfmz66zz79ze76j0">nquanto faziam a sua colheita para vender na feira local. Leonor Canadas, porta-voz do Climáximo, diz que &#8220;estamos perante uma tragédia, mas não uma tragédia natural. </span><span class="v1v1author-a-weaz83zz88zz82zz68zz67zz89zoz80zz66zz84zz71zhz72z">É</span><span class="v1v1author-a-z69z2z77ztz87zz85zwfmz66zz79ze76j0"> um crime cometido por sucessivos governos e empresas que há mais de cinco décadas ignoram a ciência climática e decidem continuar a explorar combustíveis fósseis.&#8221;</span></div>
<div id="v1v1magicdomid7" class="v1v1ace-line"></div>
<div id="v1v1magicdomid8" class="v1v1ace-line"><span class="v1v1author-a-z69z2z77ztz87zz85zwfmz66zz79ze76j0">O coletivo lamenta que estas duas mortes sejam apenas a ponta do iceberg daquilo que ser</span><span class="v1v1author-a-weaz83zz88zz82zz68zz67zz89zoz80zz66zz84zz71zhz72z">ão </span><span class="v1v1author-a-z69z2z77ztz87zz85zwfmz66zz79ze76j0">as mortes em excesso registadas durante o extenso período desta onda de calor. Leonor relembra que &#8220;apesar dos sucessivos alertas, o governo decidiu não proteger os trabalhadores, mostrando que as vidas de quem depende do seu trabalho valem mens que os lucros das empresas. É vergonhosa a posição deste governo e da </span><span class="v1v1author-a-weaz83zz88zz82zz68zz67zz89zoz80zz66zz84zz71zhz72z">M</span><span class="v1v1author-a-z69z2z77ztz87zz85zwfmz66zz79ze76j0">inistra do </span><span class="v1v1author-a-weaz83zz88zz82zz68zz67zz89zoz80zz66zz84zz71zhz72z">T</span><span class="v1v1author-a-z69z2z77ztz87zz85zwfmz66zz79ze76j0">rabalho</span><span class="v1v1author-a-jz90zz87zz75zz65zkdvr5z66zrjxt5">, que nada fizeram para tomar medidas de proteção aos trabalhadores face ao calor extremo e foram abertamente negacionistas climáticos. Escolheram proteger o lucro das empresas e dos patrões, e não a saúde das pessoas que trabalham. Esta é a</span><span class="v1v1author-a-weaz83zz88zz82zz68zz67zz89zoz80zz66zz84zz71zhz72z"> </span><span class="v1v1author-a-z69z2z77ztz87zz85zwfmz66zz79ze76j0">reiteração daquela que foi a escolha há muito feita por este sistema – a de declarar guerra ao povo e ao planeta através da crise climática.&#8221;.</span></div>
<div id="v1v1magicdomid9" class="v1v1ace-line"></div>
<div id="v1v1magicdomid10" class="v1v1ace-line"><span class="v1v1author-a-z69z2z77ztz87zz85zwfmz66zz79ze76j0">A porta-voz do coletivo diz não estar surpreendida com esta atuação do governo e reforça a convicção de que &#8220;só o povo salvará o povo&#8221;, alterando a trajetória de colapso para a qual governos e as grandes empresas emissoras nos querem levar. O coletivo esteve nas ruas nos últimos dias, organizando </span><span class="v1v1author-a-jz90zz87zz75zz65zkdvr5z66zrjxt5">&#8220;</span><span class="v1v1author-a-z69z2z77ztz87zz85zwfmz66zz79ze76j0">brigadas populares de refresco</span><span class="v1v1author-a-jz90zz87zz75zz65zkdvr5z66zrjxt5">&#8220;</span><span class="v1v1author-a-z69z2z77ztz87zz85zwfmz66zz79ze76j0"> nas zonas de Lisboa mais afetadas pelo fenómeno da ilha de calor, montando estações de arrefecimento com sombra e água fresca e distribuindo água às pessoas de forma gratuita. </span><span class="v1v1author-a-jz90zz87zz75zz65zkdvr5z66zrjxt5">Houve também um &#8220;abrigo de calor solidário&#8221;, em colaboração com a cooperativa Rizoma. </span></div>
<div id="v1v1magicdomid11" class="v1v1ace-line"></div>
<div id="v1v1magicdomid12" class="v1v1ace-line"><span class="v1v1author-a-jz90zz87zz75zz65zkdvr5z66zrjxt5">A</span><span class="v1v1author-a-z69z2z77ztz87zz85zwfmz66zz79ze76j0"> crise climática e o aumento das temperaturas é causada pelas emissões de gases com efeito de estu</span><span class="v1v1author-a-jz90zz87zz75zz65zkdvr5z66zrjxt5">f</span><span class="v1v1author-a-z69z2z77ztz87zz85zwfmz66zz79ze76j0">a, </span><span class="v1v1author-a-jz90zz87zz75zz65zkdvr5z66zrjxt5">&#8220;</span><span class="v1v1author-a-z69z2z77ztz87zz85zwfmz66zz79ze76j0">resultado de escolhas de dirigentes económicos, políticos e financeiros que, sabendo que as suas atividades resultariam na morte de centenas de milhares de pessoas e tornariam territórios imensos em zonas inviáveis para a presença humana, decidiram e continua</span><span class="v1v1author-a-weaz83zz88zz82zz68zz67zz89zoz80zz66zz84zz71zhz72z">m a decidir </span><span class="v1v1author-a-z69z2z77ztz87zz85zwfmz66zz79ze76j0">queimar combustíveis fósseis</span><span class="v1v1author-a-jz90zz87zz75zz65zkdvr5z66zrjxt5">&#8220;, afirmam.</span><span class="v1v1author-a-z69z2z77ztz87zz85zwfmz66zz79ze76j0"> &#8220;A morte das duas irmãs em Póvoa do Varzim, assim como todas as mortes provocadas pelo calor em excesso têm culpados</span><span class="v1v1author-a-jz90zz87zz75zz65zkdvr5z66zrjxt5">. E cabe-nos a nós, pessoas comuns, travá-los e assegurar uma vida justa num planeta habitável&#8221;</span><span class="v1v1author-a-z69z2z77ztz87zz85zwfmz66zz79ze76j0"> remata Leonor.</span></div>
<div id="v1v1magicdomid13" class="v1v1ace-line"></div>
<div id="v1v1magicdomid14" class="v1v1ace-line"><span class="v1v1author-a-z69z2z77ztz87zz85zwfmz66zz79ze76j0">O Climáximo apela a todas as pessoas a </span><span class="v1v1author-a-jz90zz87zz75zz65zkdvr5z66zrjxt5">&#8220;</span><span class="v1v1author-a-z69z2z77ztz87zz85zwfmz66zz79ze76j0">juntarem-se à luta para travar os culpados pelas ondas de calor e incêndios e assim construir um futuro de bem-estar e dignidade e não de mera sobrevivência</span><span class="v1v1author-a-jz90zz87zz75zz65zkdvr5z66zrjxt5">&#8220;</span><span class="v1v1author-a-z69z2z77ztz87zz85zwfmz66zz79ze76j0">.</span><span class="v1v1author-a-jz90zz87zz75zz65zkdvr5z66zrjxt5"> O Climáximo convida todas as pessoas interessadas em apoiar em respostas de solidariedade face ao calor e incêndios que preencham o formulário de participação em climaximo.pt. </span></div>
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		<title>Absolvidas: Nove pessoas acusadas de denunciar a Central de Gás da Tapada do Outeiro foram absolvidas em Tribunal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 11:40:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em 2023, ativistas da campanha “Parar o Gás” entraram na Central de Ciclo Combinado da Tapada de Outeiro, em Gondomar, e colocaram faixas numa das torres a denunciar a crise climática e o aumento de custo de vida devido aos lucros da indústria de combustíveis fósseis: “Vossos Lucros = Nossa Pobreza” (tirado da notícia no [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="forwardbody1">
<p>Em 2023, ativistas da campanha “Parar o Gás” entraram na Central de Ciclo Combinado da Tapada de Outeiro, em Gondomar, e colocaram faixas numa das torres a denunciar a crise climática e o aumento de custo de vida devido aos lucros da indústria de combustíveis fósseis: “Vossos Lucros = Nossa Pobreza” (tirado da <a href="https://expresso.pt/economia/economia_energia/2023-03-25-Vossos-lucros---Nossa-pobreza-Parar-o-Gas-protesta-na-central-da-Tapada-do-Outeiro-562daffe" target="_blank" rel="noopener noreferrer">notícia no Expresso</a>). Nessa altura, de acordo com os dados divulgados pela associação Zero, a Central ocupava o <a href="https://zero.ong/noticias/clima-emissoes-do-top-10-de-poluidores-em-portugal-diminuem-14-por-cento-entre-2022-e-2023/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">segundo lugar das infraestruturas mais poluidoras do país</a>, logo depois da refinaria da Galp em Sines.</p>
<p>De acordo com uma <a href="https://24noticias.sapo.pt/atualidade/artigos/ativistas-invadem-central-em-gondomar-para-colocar-faixas-contra-consumo-de-gas-fossil" target="_blank" rel="noopener noreferrer">fonte da central</a> no próprio dia da ação, “o incidente durou breves minutos” e “não houve danos”, mas mesmo assim a empresa quis acusar umas nove pessoas identificadas numa estrada pública e quilómetros de distância do local.</p>
<p>Em contraste, as emissões dessa central, uma das maiores infra-estruturas poluidoras de Portugal, dura há décadas e os danos da sua atividade intensificam-se a cada ano em Portugal e no mundo inteiro. O próprio julgamento aconteceu em plena onda de calor que matou cerca de 1300 pessoas na Europa, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.</p>
<p>No entanto, a central, detida pelas multinacionais francesa Engie e japonesa Marubeni, continua sem planos de desativação, depois do governo ter ignorado os alertas da <a href="https://zero.ong/noticias/zero-contabiliza-mais-um-ano-recorde-de-baixas-emissoes-na-producao-de-eletricidade-em-portugal-2/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">sociedade civil</a> e renovado a licença da Central.</p>
<p>No Tribunal, a procuradora reconheceu que a crise climática é uma ameaça clara e as advogadas de defesa insistiram que “a crise climática é a maior guerra dos nossos tempos” e “nós somos todos vítimas”.</p>
<p>O Tribunal de Gondomar acabou por decidir, no passado 26 de junho, que não haviam provas adequadas que conectem estas pessoas identificadas na rua e a ação, e absolveu o caso.</p>
<p>O coletivo Climáximo está solidário tanto com as pessoas acusadas como com as pessoas que fizeram a ação, e devolve as acusações à empresa da central: esta pediu indemnização de seis mil euros; e agora o colectivo exige que a empresa pague cem vezes mais esse valor em reparações às populações atingidas pela Kristin, um dos maiores eventos climáticos extremos em Portugal para o qual as emissões da Central da Tapada do Outeiro contribuíram ativamente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="v1signature">&#8212;</p>
<div class="v1pre"><a href="http://climaximo.pt" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://climaximo.pt</a></div>
</div>
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		<title>A farsa da remigração: porque o projeto de eleição da extrema-direita é moral e economicamente falido</title>
		<link>https://indymedia.pt/231141/</link>
					<comments>https://indymedia.pt/231141/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 11:35:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Discriminação]]></category>
		<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Migrantes]]></category>
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					<description><![CDATA[Após anos de difusão em grupos de nicho, a «remigração» está agora a ganhar espaço no debate político em toda a Europa, com os decisores políticos a anunciarem o início da «era das deportações»]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Imagem de: <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Remigration#/media/File:Calais_-_Manifestation_contre_les_clandestins,_l&apos;immigration-invasion_et_l&apos;islamisation_de_l&apos;Europe,_8_novembre_2015_(20).JPG" target="_blank" rel="noopener">Jérémy-Günther-Heinz Jähnick/Wikimedia</a>)</p>
<p>Texto de<strong> </strong><strong><a href="https://euobserver.com/author/alberto-tagliapietra/">Alberto Tagliapietra</a></strong></p>
<p><strong>Bruxelas, 5 de julho de 2026</strong></p>
<p>Nos últimos dois anos, uma nova tendência tem vindo a afirmar-se na política populista europeia: a <a href="https://www.theparliamentmagazine.eu/news/article/oped-why-remigration-is-a-word-european-far-right-struggles-to-own">remigração</a>.</p>
<p>O termo designa a defesa da deportação sistemática de migrantes em situação irregular, sendo que os setores mais radicais defendem também a expulsão de <a href="https://www.infomigrants.net/en/post/71904/could-italys-migration-debate-divide-the-political-right">migrantes em situação regular</a> que cometam «crimes graves».</p>
<p>Depois de anos circunscrita a grupos marginais, esta ideia está agora a ganhar espaço no debate político europeu, com responsáveis políticos a proclamarem o início da «<a href="https://ecrgroup.eu/article/europe_is_waking_up_to_a_new_consensus_illegal_migrants_will_be_returned">era das deportações</a>».</p>
<p>A conquista mais recente deste movimento foi a aprovação do <a href="https://www.europarl.europa.eu/news/en/press-room/20260611IPR45214/new-eu-system-for-return-of-illegally-staying-third-country-nationals">Regulamento do Regresso</a> pelo Parlamento Europeu, em 17 de junho.</p>
<p>Graças a uma aliança de voto entre o grupo do centro-direita e os grupos da extrema-direita — com o <a href="https://euobserver.com/222304/far-right-glow-as-sidelined-lead-renew-europe-mep-endorses-deportation-bill/">apoio de última hora</a> de vários eurodeputados liberais —, o Parlamento aprovou uma das legislações mais restritivas de sempre em matéria de migração.</p>
<p>Recebido com <a href="https://www.theguardian.com/world/2026/jun/18/anger-send-them-back-chants-rightwing-meps-eu-migration-law-vote">gritos</a> de «Mandem-nos de volta!», o regulamento permitirá aos Estados-Membros da União Europeia transferir migrantes em situação irregular e requerentes de asilo cujos pedidos tenham sido recusados para <a href="https://www.reuters.com/world/eu-parliament-backs-law-allowing-offshore-detention-centres-2026-06-17/">centros de detenção situados em países terceiros</a>.</p>
<p>O regulamento concede ainda <a href="https://www.euractiv.com/news/european-parliament-approves-return-hubs/">poderes sem precedentes</a> às autoridades policiais, conduzindo ao que muitos observadores já descrevem como a «<a href="https://www.ceps.eu/the-return-regulation-will-ice-ify-the-eus-migration-policy/">ICE-nização</a>» da política migratória da UE, numa referência às práticas do Serviço de Imigração e Controlo Aduaneiro dos Estados Unidos (ICE).</p>
<h2 class="western">Um esforço de milhares de milhões de euros. Para quê?</h2>
<p>Para além da evidente ameaça aos direitos fundamentais — como sublinhou o <a href="https://digitallibrary.un.org/record/4116163?v=pdf">Relator Especial das Nações Unidas para os Direitos Humanos dos Migrantes</a> —, o conceito de remigração também falha do ponto de vista económico.</p>
<p>Tomemos o exemplo de Itália, onde foi criado o primeiro modelo europeu de centros externos através do <a href="https://www.worldpoliticsreview.com/italy-albania-eu-migration/">memorando assinado com a Albânia </a>em 2024.</p>
<p><a href="https://www.ismu.org/comunicato-stampa-presentazione-31-rapporto-sulle-migrazioni/">Estima-se atualmente que Itália acolha</a> cerca de <strong>339 mil migrantes em situação irregular</strong>, numa população de aproximadamente <strong>59 milhões de habitantes</strong>.</p>
<p>Segundo o Ministério do Interior italiano, o <a href="https://www.gazzettaufficiale.it/eli/id/2026/01/20/26A00182/sg">custo médio</a> de cada processo de regresso realizado em 2025 foi de cerca de <strong>3 600 euros</strong>.</p>
<p>A este valor acrescem os custos de funcionamento das infraestruturas destinadas aos processos de retorno. De acordo com <a href="https://trattenuti.actionaid.it/wp-content/uploads/2024/10/Rapporto-Trattenuti_DEF.pdf">investigadores independentes</a>, o custo médio diário por lugar nestes centros ronda os <strong>79 euros</strong>, para uma permanência média de <strong>40 dias</strong>.</p>
<p>Com base nestes números, o custo total da remigração apenas em Itália ascenderia a <strong>2,2 mil milhões de euros</strong>.</p>
<p>Ainda assim, trata-se de uma estimativa conservadora, uma vez que vários estudos indicam que os custos reais destas infraestruturas poderão ser <strong><a href="https://trattenuti.actionaid.it/wp-content/uploads/2024/10/Rapporto-Trattenuti_DEF.pdf">30 % a 40 % superiores</a></strong>.</p>
<p>Os centros externos não representam qualquer atalho.</p>
<p>Os centros construídos por Itália na Albânia <a href="https://www.ftm.eu/articles/meloni-s-migration-centres-costs-the-italian-taxpayer?share=nWp6NIZPWUKD%2FVh9xjde3YprU7JuXX27zoLrwDwEroWomxrjj5VCWY13oaIDWuc%3D">custaram cerca de</a> <strong>74 milhões de euros</strong>, praticamente o dobro do orçamento inicial de <strong>39 milhões</strong>.</p>
<p>O custo por lugar ronda os <strong>72 mil euros</strong>, quando a média em Itália é de cerca de <strong>5 mil euros</strong>.</p>
<p>Tendo em conta todos os custos adicionais, a despesa total do projeto albanês ao longo de cinco anos poderá facilmente<a href="https://balkaninsight.com/2025/06/26/expensive-lesson-italy-weighs-costs-of-offshore-migrant-centres-in-albania/bi/"> atingir <strong>1 000 milhões de euros</strong></a>, muito acima dos <strong>670 milhões</strong> previstos pelo Governo italiano.</p>
<p>Apesar deste investimento, os resultados são praticamente nulos.</p>
<p>Depois de terem sido <a href="https://www.euractiv.com/news/italy-albanian-centres-set-to-become-the-eus-first-return-hubs/">recentemente reconvertidos</a> em centros de retorno, os dois estabelecimentos permanecem atualmente vazios.</p>
<p>Mesmo a partir desta análise parcial, torna-se evidente o caráter sobretudo simbólico destas medidas.</p>
<p>O objetivo parece ser criar instrumentos de rentabilidade eleitoral, em vez de resolver os problemas de um sistema que está <a href="https://www.infomigrants.net/en/post/53182/italy-asylum-seeker-reception-system-fragmented-and-inadequate-say-regions">claramente em rutura</a>.</p>
<p>Uma parte significativa da população em situação irregular em Itália resulta, aliás, de anos de enfraquecimento sistemático do sistema de acolhimento.</p>
<p>Devido ao subfinanciamento constante e aos atrasos burocráticos, muitos migrantes ficam presos durante longos períodos em situações de transição.</p>
<p>Até mecanismos concebidos para facilitar vias legais de entrada acabam frequentemente por conduzir à permanência em situação irregular.</p>
<p>O Governo italiano atribuiu cerca de <strong><a href="https://www.reuters.com/world/italy-issue-half-million-non-eu-work-visas-over-next-three-years-2025-06-30/">450 mil </a>vistos de trabalho</strong> para o período <strong>2023-2025</strong> e prevê conceder <strong><a href="https://www.france24.com/en/tv-shows/a-propos/20250702-meloni-s-government-to-issue-500-000-visas-for-non-eu-workers">500 mil</a></strong> entre <strong>2026 e 2028</strong>, com o objetivo de responder à escassez de mão de obra no mercado de trabalho.</p>
<p>Para cada visto de trabalho concedido deve igualmente ser celebrado um contrato de residência que permita ao trabalhador permanecer legalmente em Itália.</p>
<p>Contudo, segundo os <a href="https://erostraniero.it/wp-content/uploads/2026/03/DossierFlussi2026CES.pdf">dados mais recentes</a>, dos <strong>26 mil trabalhadores provenientes de países terceiros</strong> que entraram em Itália ao abrigo deste regime em 2025, apenas <strong>14 mil</strong> obtiveram efetivamente um contrato de residência.</p>
<p>Os restantes <strong>11 mil</strong> acabaram por cair numa situação de irregularidade devido aos atrasos na emissão da documentação ou a práticas <a href="https://www.infomigrants.net/fr/post/57549/italy-work-visas-being-abused-by-organized-crime-says-pm">fraudulentas</a> por parte das entidades empregadoras.</p>
<h2 class="western">Presos na lógica da dissuasão</h2>
<p>Analisando a remigração à luz dos dados disponíveis, torna-se evidente que se trata de um conceito de difícil aplicação prática.</p>
<p>Mesmo os seus defensores <a href="https://www.theparliamentmagazine.eu/news/article/oped-why-remigration-is-a-word-european-far-right-struggles-to-own">raramente conseguem explicar</a> de forma convincente como seria implementado.</p>
<p>Ainda assim, o sucesso da sua retórica revela que muitos líderes europeus parecem ter abandonado uma abordagem racional à política migratória.</p>
<p>O Novo Pacto Europeu para a Migração e o Asilo, oficialmente em vigor desde <strong>12 de junho</strong>, constitui um exemplo desta tendência mais ampla.</p>
<p>A sua ênfase desproporcionada em medidas mais restritivas coloca em risco as garantias de um processo justo nas fronteiras europeias, sem alterar significativamente a decisão das pessoas de abandonar os seus países de origem.</p>
<p>Segundo um estudo recente do<a href="https://mixedmigration.org/articles/the-eu-migration-and-asylum-pact-is-now-in-force-but-the-data-suggests-it-may-not-work-as-intended/"> <strong>Mixed Migration Centre</strong></a>, que inquiriu <strong>4 mil pessoas</strong> ao longo das rotas migratórias do Mediterrâneo, <strong>64 % dos inquiridos</strong> afirmaram que medidas mais duras e dissuasoras não alterariam a sua decisão de prosseguir a viagem.</p>
<p>O novo pacto reforça igualmente, como nunca antes, a estratégia de externalização das políticas migratórias.</p>
<p>A criação de centros de retorno não só consolida uma tendência política seguida ao longo da última década, como a leva mais longe, criando um enquadramento que permite deter pessoas em qualquer país terceiro disposto a fazê-lo através de um simples «acordo» com um Estado-Membro, sujeito a um escrutínio jurídico mínimo.</p>
<p>Este é o exemplo mais recente de uma tendência de «<a href="https://www.gmfus.org/news/innovation-migration-management">inovação</a>» na gestão das migrações, assente na convicção crescente de que apenas medidas informais e juridicamente ambíguas conseguem produzir resultados.</p>
<p>A União Europeia parece estar totalmente presa ao que vários especialistas designam por <strong>«<a href="https://www.thenewhumanitarian.org/opinion/2025/02/04/how-europe-can-escape-migration-deterrence-trap">armadilha da dissuasão</a>»</strong>: uma aposta quase exclusiva em políticas restritivas que podem proporcionar ganhos políticos imediatos, mas que acabarão por revelar-se ineficazes a longo prazo, oferecendo aos movimentos extremistas novas oportunidades para fragilizar o centro político.</p>
<p>Ao apostar em medidas juridicamente ambíguas para obter resultados de curto prazo, a União Europeia coloca em risco os seus próprios valores, expõe milhares de pessoas a situações ainda mais perigosas e corre o risco de nem sequer alcançar resultados concretos.</p>
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		<title>Especialista internacional apresenta análise crítica sobre os estudos de qualidade do ar da Mina do Barroso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jul 2026 14:47:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ecologia e Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Poder e Autodeterminação]]></category>
		<category><![CDATA[Barroso]]></category>
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					<description><![CDATA[A Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) promove no próximo sábado, dia 4 de julho, pelas 15h00, no Auditório Municipal de Boticas, uma sessão pública dedicada à análise dos potenciais impactos da Mina do Barroso na qualidade do ar e à avaliação dos estudos ambientais que serviram de base à aprovação do projeto.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div><strong>Sessão pública realiza-se no Auditório lo Municipal de Boticas no próximo sábado dia 4 de julho, às 15h00</strong></div>
<div></div>
<div>A Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) promove no próximo sábado, dia 4 de julho, pelas 15h00, no Auditório Municipal de Boticas, uma sessão pública dedicada à análise dos potenciais impactos da Mina do Barroso na qualidade do ar e à avaliação dos estudos ambientais que serviram de base à aprovação do projeto.</div>
<div><span style="color: #000000"><br />
</span>A apresentação terá como ponto central o trabalho desenvolvido pelo Professor Douw G. Steyn, especialista em qualidade do ar e meteorologia ambiental da Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá), que analisou a documentação técnica e ambiental produzida no âmbito do processo de Avaliação de Impacte Ambiental da Mina do Barroso.<br />
Segundo a análise apresentada, os estudos de qualidade do ar utilizados para fundamentar a Declaração de Impacte Ambiental apresentam limitações significativas, incluindo campanhas de monitorização de curta duração, insuficiente caracterização das condições meteorológicas locais, modelação inadequadamente descrita e ausência de informação considerada essencial para avaliar os potenciais impactos das emissões de poeiras associadas à exploração mineira.</p>
</div>
<div>O<span class="gmail-Apple-converted-space"> </span><a href="https://conteudos.udcb.pt/uploads/Douw_Steyn_Air_quality_report_en_7236be60fa.pdf" target="_blank" rel="noopener">relatório c</a>onclui que a informação atualmente disponível não permite determinar com segurança quais serão os impactos da mina na qualidade do ar, na saúde humana e no ambiente, questionando as conclusões que sustentaram a aprovação ambiental do projeto.</div>
<div><span style="color: #000000"><br />
</span>A sessão procurará apresentar estas conclusões ao público, promover o debate informado e esclarecer dúvidas da população sobre um dos aspetos ambientais mais relevantes associados à exploração mineira a céu aberto prevista pelo governo e mineradoras para a região.<br />
A entrada é livre e aberta a todos os cidadãos interessados.</div>
<div><span style="color: #000000"><br />
</span>Data: 4 de julho de 2026<br />
Hora: 15h00<br />
Local: Auditório Municipal de Boticas</div>
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		<title>A Frontex poderá vir a ter poderes para deportar pessoas de um Estado não pertencente à UE para outro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jul 2026 14:39:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Poder e Autodeterminação]]></category>
		<category><![CDATA[Fronteiras]]></category>
		<category><![CDATA[Frontex]]></category>
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					<description><![CDATA[A Frontex, a agência da UE responsável pelas fronteiras, deverá ver os seus poderes alargados para que possa deportar pessoas entre países não pertencentes à UE.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family: Liberation Serif, serif">A Frontex, a agência da UE responsável pelas fronteiras, deverá ver os seus poderes alargados para que possa deportar pessoas entre países não pertencentes à UE.</span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Serif, serif">A ideia foi confirmada na quinta-feira (2 de julho) pelo vice-diretor-geral do departamento de assuntos internos da Comissão Europeia, Olivier Onidi, que está atualmente a elaborar uma nova proposta para reforçar os poderes da agência.</span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Serif, serif">«Não temos qualquer intenção de conceder à Frontex um mandato livre para realizar operações de regresso de países terceiros para outros países terceiros», afirmou Onidi.</span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Serif, serif">Em vez disso, Onidi referiu que qualquer operação de regresso deste tipo seria acompanhada por um «acordo internacional completo», apoiado pelos Estados-Membros da UE e pelo Parlamento Europeu.</span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Serif, serif">«Tudo isto não vai acontecer no vácuo. Vai ser codificado. Haverá salvaguardas, no que diz respeito à coordenação deste processo, de modo a garantir o pleno cumprimento da forma como, na prática, tratamos as declarações fiscais nas nossas jurisdições», acrescentou.</span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Serif, serif">A comissão está atualmente a elaborar um novo mandato para a agência sediada em Varsóvia, cujo orçamento e dimensão aumentaram drasticamente ao longo dos anos. No ano passado, a agência subcontratou 163 milhões de euros para operações de regresso à eTravel SA, uma empresa sediada na Polónia.</span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Serif, serif">Além disso, a agência continua a ter planos para aumentar o seu corpo permanente de guardas de fronteira para 10 000 até ao próximo ano, com o objetivo de atingir os 30 000. A proposta preliminar da Comissão deverá ser apresentada no final de setembro.</span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Serif, serif">Onidi apontou ainda vários elementos prováveis: um maior partilha de dados, um papel mais forte da agência no estrangeiro, uma governação e responsabilização mais claras e uma maior expectativa de que os Estados-Membros da UE tomem medidas perante as violações comunicadas pela agência.</span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Serif, serif">Independentemente da retórica, o que se passa é que, neste momento, a Frontex foca-se em apoiar deportações a partir de Estados-Membros da UE. A proposta defendida por Onidi alarga substancialmente o raio de ação geográfica e executiva da agência para fora das fronteiras europeias.</span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Serif, serif">Os comentários foram feitos no seguimento da <a href="https://www.greens-efa.eu/en/article/study/reforming-frontex-a-human-rights-based-review" target="_blank" rel="noopener">publicação de um estudo</a> pelos Verdes sobre uma </span><span style="font-family: Liberation Serif, serif">revisão estrutural da Frontex baseada nos direitos humanos</span><span style="font-family: Liberation Serif, serif">. </span><span style="font-family: Liberation Serif, serif">As linhas mestras e recomendações centrais do estudo dividem-se em </span><span style="font-family: Liberation Serif, serif">oito blocos principais</span><span style="font-family: Liberation Serif, serif">, focados em corrigir falhas estruturais, falta de transparência e violações de direitos fundamentais: </span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><b>Reforço dos Direitos Fundamentais</b></span> <span style="font-family: Liberation Serif, serif">(neste momento não há</span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"> canais seguros e verdadeiramente independentes para que os migrantes possam denunciar abusos e </span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><i>pushbacks</i></span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"> ilegais</span><span style="font-family: Liberation Serif, serif">)</span><span style="font-family: Liberation Serif, serif">; </span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><b>Transparência e Responsabilização</b></span> <span style="font-family: Liberation Serif, serif">(as decisões </span><span style="font-family: Liberation Serif, serif">sobre o orçamento, planeamento estratégico e ações operacionais no terreno </span><span style="font-family: Liberation Serif, serif">são parcamente controladas pelo Parlamento Europeu – o único órgão levemente democrático da UE –, existe uma total opacidade em torno dos relatórios internos da Frontex e dos relatórios de incidentes graves e não há acesso público garantido a dados de monitorização de fronteiras); </span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><b>Cooperação com Países Terceiros</b></span> <span style="font-family: Liberation Serif, serif">(a UE está a fazer acordos de deportação com governos muito pouco recomendáveis </span><span style="font-family: Liberation Serif, serif">fora do espaço da UE </span><span style="font-family: Liberation Serif, serif">sem que esses acordos </span><span style="font-family: Liberation Serif, serif">passem por uma avaliação de impacto democrático rigorosa</span><span style="font-family: Liberation Serif, serif">)</span><span style="font-family: Liberation Serif, serif">; </span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><b>Mecanismos de Suspensão de Operações – Artigo 46.º</b></span> <span style="font-family: Liberation Serif, serif">(não existe uma ativação obrigatória e automática do Artigo 46.º do Regulamento da Frontex para suspender ou encerrar operações em Estados-Membros onde se verifiquem violações sistemáticas de direitos humanos, nem agarantia de que agência não seja cúmplice, por omissão ou coparticipação, em expulsões coletivas ilegais)</span><span style="font-family: Liberation Serif, serif">; </span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><b>Supervisão das Operações de </b></span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><b>Deportação</b></span> <span style="font-family: Liberation Serif, serif">(não há observadores externos obrigatórios para os voos de repatriamento e operações de deportação coordenados pela agência)</span><span style="font-family: Liberation Serif, serif">; </span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><b>Uso de Tecnologia e Inteligência Artificial</b></span> <span style="font-family: Liberation Serif, serif">(neste momento, a Frontex pretende implementar </span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><span style="font-size: medium">o uso de tecnologias de IA para vigilância em massa, deteção automatizada de mentiras ou previsão de fluxos migratórios nas fronteiras, e não há uma limitação estrita do armazenamento de dados pessoais e biométricos de migrantes, garantindo que estes não são partilhados de forma ilegal com países terceiros)</span></span><span style="font-family: Liberation Serif, serif">; </span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><b>Governação Interna e Cultura Organizacional</b></span> <span style="font-family: Liberation Serif, serif">(</span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><span style="font-size: medium">as recomendações das organizações de direitos humanos não têm qualquer peso de voto ou caráter vinculativo e não há salvaguardas internas robustas para que os próprios guardas da Frontex possam denunciar ordens ilegais sem medo de represálias)</span></span><span style="font-family: Liberation Serif, serif">; </span><span style="font-family: Liberation Serif, serif">e</span> <span style="font-family: Liberation Serif, serif"><b>Redefinição do Mandato e Busca e Salvamento</b></span> <span style="font-family: Liberation Serif, serif">(a Frontex </span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><span style="font-size: medium">foca-se exclusivamente na interceção e não em operações proativas de Busca e Salvamento no Mediterrâneo e, para além disso, colabora na perseguição judicial a organizações não-governamentais que realizam resgates no mar).</span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><span style="font-size: medium">E</span></span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><span style="font-size: medium">ntretanto, outras </span></span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><span style="font-size: medium"><strong>ONG, ativistas e defensores dos direitos humanos apontam graves falhas e riscos nesta expansão de mandato:</strong></span></span></p>
<ul>
<li><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><span style="font-size: medium"><b><strong>Externalização do Asilo e Desresponsabilização</strong></b></span></span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><span style="font-size: medium"><strong>: Acusam a UE de deslocalizar as suas obrigações legais de proteção internacional, empurrando o controlo migratório para países terceiros com sistemas de asilo frágeis ou inexistentes.</strong></span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><span style="font-size: medium"><b><strong>Risco de Repulsão em Cadeia (</strong></b></span></span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><span style="font-size: medium"><b><em>Chain Refoulement</em></b></span></span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><span style="font-size: medium"><b><strong>)</strong></b></span></span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><span style="font-size: medium">: Há o receio de que pessoas elegíveis para </span></span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><span style="font-size: medium">o </span></span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><span style="font-size: medium">estatuto de refugiado sejam deportadas sucessivamente entre países não pertencentes à UE. Tal prática viola diretamente o princípio internacional de </span></span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><span style="font-size: medium"><em>non-refoulement</em></span></span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><span style="font-size: medium">.</span></span></li>
</ul>
<ul>
<li><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><span style="font-size: medium"><b><strong>Vazio Legal de Responsabilidade</strong></b></span></span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><span style="font-size: medium">: Fora do território da União Europeia, torna-se juridicamente muito difícil para as vítimas de abusos processar a agência. O Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) tem competência limitada sobre ações operacionais executadas inteiramente em solo soberano de Estados terceiros.</span></span></li>
</ul>
<ul>
<li><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><span style="font-size: medium"><b><strong>Falta de Transparência e Monitorização</strong></b></span></span><span style="font-family: Liberation Serif, serif"><span style="font-size: medium">: Organizações de direitos humanos alertam que monitorizar as ações da Frontex e das polícias locais em países terceiros é quase impossível. Os planos operacionais costumam ser confidenciais e a sociedade civil local não tem acesso a mecanismos de denúncia eficazes.</span></span></li>
</ul>
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		<title>Wait, What’s Wrong with Psychiatry?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jul 2026 10:48:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Poder e Autodeterminação]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão]]></category>
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					<description><![CDATA[Kill The Psych in Your Mind! Embrace Madness! Yeah, electroshock is cool again. Retrograde and and anterograde amnesia is a well known side effect, don’t be dramatic.. You were sooooo depressed before! What is Sanity? Sanity is an abstract concept, or rather a theory, which attempts to categorize human thoughts and behaviors based upon rationality [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h1><em>Kill The Psych in Your Mind! Embrace Madness!</em></h1>
<blockquote>
<p dir="ltr" lang="en"><em>Yeah, electroshock is cool again. Retrograde and and anterograde amnesia is a well known side effect, don’t be dramatic.. You were sooooo depressed before!</em></p>
</blockquote>
<h2>What is Sanity?<a id="what-is-sanity" class="heading-permalink" title="Permalink" href="https://raddle.me/wiki/psychiatry#what-is-sanity" aria-hidden="true"></a></h2>
<p dir="ltr" lang="en">Sanity is an abstract concept, or rather a theory, which attempts to categorize human thoughts and behaviors based upon rationality or quality. Sanity is generally considered the standard, stable state of mind, and the theory is more often used in reference to its darker counterpart, <em>insane</em>. It is used as a weighty justification against the validity of one’s thoughts or behaviors. When the sanity of a single thought or action is questioned, the logic of sanity assumes other thoughts and actions of said individual should come into question. In other words, deviating from sanity in one instance is indicative of widespread corruption of sanity in an individual, as one thought process often connects to many more. This corruption of sanity would effectively render the individual insane. The colloquial understanding of sanity varies widely between time periods, societies, cultures, and individuals. Sanity itself is a social construct which has no objectivity in its analysis, and no medical or scientific basis. It is often used in conjunction with someone’s “mental health” or “soundness of mind,” although it is not related to any identifiable changes in brain matter. The understanding of sanity is largely based upon a cultural consensus of how <em>most people</em> think and act in a society.</p>
<p dir="ltr" lang="en">Furthering this line of thought, a defining factor of insanity is minority thinking. As is in democracy, the majority decides all and the minority is decided for. In addition, sanity is not only defined by majority, but by power. A sane person must adhere to the status quo because the status quo is to be perceived as reasonable and justifiable. Upsetting the system of power is an attempt to bring upon the <em>unreal</em>, and, partly due to risk, this is seen as unjustifiable. Sanity, effectively, means actively participating in keeping society in its current state. In modern society, the ability to function inside society is used as an indicator of sanity. A sane adult holds a steady income, lives in a house, and is in a monogamous relationship with children. An inability or unwillingness to participate fully and correctly in society, or even just capitalistic labor, is often an indicator of lack of sanity. Sanity is even judged by appearance or gait.</p>
<h2>Historical Context<a id="historical-context" class="heading-permalink" title="Permalink" href="https://raddle.me/wiki/psychiatry#historical-context" aria-hidden="true"></a></h2>
<p dir="ltr" lang="en">Throughout colonization and the history of whiteness, sanity has been weaponized to maintain its racist and oppressive system. When the acceptable mode of thinking is racial, religious, cultural, and gendered superiority, anyone who dissents from this system of thought is at risk of having their sanity questioned. This is realized in the disenfranchisement of political dissenters and oppressed peoples, as well as the societal disregard for any thought that does not adhere to colonialism. Sanism has shown itself as an extremely effective strategy for delegitimizing activists and marginalized peoples of all groups who dare to speak out against injustice. It manages to bypass any validity of the victim’s grievances and simultaneously silences them through incarceration or treatments (drugs, lobotomies, trauma) which increase complacency. For people assigned female at birth, psychiatry famously used the guise of mental illness to widely delegitimize and retaliate against anyone who was remotely vocal about feminism (or was simply thought to be uncooperative). Due to the pervasiveness of Sanism in society, it was and is a remarkably easy way to delegitimize anyone. Just say the words, and instantly an entire population will disregard any validity to the actions or words of the targeted person. Throughout history and into current times, rates of psychiatric oppression and imprisonment have always been notably higher for minorities and marginalized groups. Additional targeted groups often include protestors, political dissenters, and artists. Queerness, interracial marriage, differing political views, homelessness, and criminal records have also been used as psychiatric justifications for diagnoses and imprisonment. Generally, all people deemed <em>other</em> by systems of power or majority are at risk. Even more broadly, just like a rumor, anyone could fall victim to the insidiousness of sanism. Just say the words.</p>
<p dir="ltr" lang="en">Sanity is heavily intertwined with the enlightenment concept of mind-body dualism; the physical and objective <em>body</em> contrasting the entirely separate abstract <em>mind</em>. Under this mode of thought, psychiatry posits that undesirable thoughts can effectively be treated separately from the body or environmental factors through modifications to its chemistry and functioning in the brain. Though psychiatry previously wished to ground its theory in observable changes in the brain, its continued inability to do so resulted in the abandonment of tying psychiatry to observable biology. Psychiatry, then, is forced to justify its scientific nature on anecdotal evidence provided by patients, deductive reasoning, and its working understanding of the brain. Although psychiatry is often seen as the scientific system for determining sanity, psychiatry does not officially associate itself with the concept of sanity, as it cannot make a case for its validity either. Psychiatry bypasses the unscientific and unobjective nature of sanity by co-opting medical terms like “illness.” It appears far more reasonable to justify treatment to a patient when using this line of logic; if the patient is unhappy and unable to function properly in society, they are sick. Their “wounds” should be treated as a traditional medical doctor would stitch up a cut.</p>
<blockquote>
<p dir="ltr" lang="en"><em>What kind of respected medical science had to stop trying to say its illnesses are caused by observable changes in the body because it was so unscientific? You’re really saying that some anecdotes from coerced “mentally ill” patients mixed with simplistic postulations somehow constitute scientific objectivity? Then why do you constantly assume I’m lying and don’t know what is going on in my own body?</em></p>
</blockquote>
<p dir="ltr" lang="en">The issue with this logic appears immediately; feelings are not wounds, serotonin is not medical equipment, and complacency is not a cure. Nowhere in this logic is there any true consideration for the conditions and environment for which the individual exists in. It is assumed that the beginning and end of any problem is nothing more than the undesirable thought or act. While psychiatrists do often consider environmental factors (relationships, career happiness, trauma, marginalization, for better or for worse even gender identity and sexuality) in the necessity of a prescription, behavior rehabilitation, or incarceration, they act as though any treatment negates the importance of environmental or societal changes. Downplaying environmental factors is also effective in putting the blame directly onto the patient. It minimizes their experiences and indirectly justifies the status quo. The entirety of psychiatry relies on the idea that if an individual fully participates in society, does not clearly show thoughts or actions which are deemed undesirable, and does not complain in an unappealing way, the patient is being treated adequately. The use of <em>treatment</em> here implies that (given it is cost-effective), the patient should likely receive this treatment indefinitely.</p>
<p dir="ltr" lang="en">Furthermore, a branch of medical science should not rely so heavily on assumed logic and malleable social standards of the time and culture. While medical science claims a robust understanding of the structure of the brain and how chemicals flow through it, it does not have the ability to justify the correctness or healthiness of the thoughts and actions in an individual. It attempts not just to do this, but to convert <em>incorrect</em> thoughts and actions into <em>correct</em> ones. No matter how convincingly a psychiatrist claims the ability to diagnose and treat “illness” inside of a brain, missteps in the logic of sanity and health remain a fundamental issue. Alchemy of human thought is no more legitimate than turning lead into gold.</p>
<blockquote>
<p dir="ltr" lang="en"><em>One of nature’s most interesting paradoxes to the current neuroscientific and psychiatric model is the neurological condition Hydrocephalus, where the brain’s structure is nearly completely replaced by fluid. Even with almost no brain tissue, many people exhibiting this disorder have live full and complete lives, without anyone ever even being aware of their condition.</em></p>
</blockquote>
<h2>Healing By Coercion, Not Consent<a id="healing-by-coercion-not-consent" class="heading-permalink" title="Permalink" href="https://raddle.me/wiki/psychiatry#healing-by-coercion-not-consent" aria-hidden="true"></a></h2>
<p dir="ltr" lang="en">Though psychiatry presents itself as objective assistance to those in need, anarchists see psychiatry and institutionalization as a form of authoritative control as well as powerful tool of state power. Just as the justice system uses the excuse of harm reduction or punitive justice to enact violence and imprisonment, psychiatry justifies its power by reasoning that the state is morally inclined to label, medicate, and preemptively imprison an individual under circumstances set forth by the state itself. Psychiatry argues that a branded individual is unable to give consent or reason by themselves, and thus that duty falls to psychiatry. These circumstances, which an anarchist would naturally question the validity of, include potential future harm to oneself or others, the inability to care for oneself, or even simply abnormal thoughts (as perceived by a figure of authority). Additionally, one would argue that these circumstances are inherently vague and malleable, leaving psychiatry with the ability to justify actions of violence, coercion and violations of consent effectively with little oversight.</p>
<blockquote>
<p dir="ltr" lang="en"><em>A believer of the psychiatric state, a believer of justified total control over a free being, is a fanatic. And fanatics are not so easily persuaded otherwise.</em></p>
</blockquote>
<p dir="ltr" lang="en">It is essential to consider the inherent power dynamic between a medical professional and a patient deemed “not of sound mind”. Psychiatry dehumanizes those in its grasp; it maintains that truth is spoken by the authority figure, and the oppressed person must not be trusted or believed without express consent of the authority itself. Once entered into psychiatric record, patients face discrimination by doctors (disproportionate assumptions of lying or misunderstanding feelings in their own body), disproportionate law enforcement responses, and increased risk of incarceration among other violations of autonomy. Marginalized groups face notably higher rates of being introduced to the psychiatric industry, as well as higher rates of involuntary incarceration. Entering the psychiatric system is a lifelong sentence of stolen autonomy. The belief in psychiatric omniscience is so pervasive that even lifelong friends and family will often question the validity of the experiences and beliefs of a loved one once branded by psychiatry.</p>
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<p dir="ltr" lang="en"><em>My family and friends will believe you, a stranger I met 10 minutes ago, over me? Damn, maybe I should buy a white coat.</em></p>
</blockquote>
<p dir="ltr" lang="en">The state maintains the ability to additionally dissolve an individual’s purported rights and freedoms through institutionalization, often against their will. The few privileges often given to prisoners in traditional prisons are not guaranteed to the institutionalized; visits from family and friends, outdoors time, free socialization and a cell mate, a set release date, legal proceedings, and a lack of forced drugging, to name a few. Psychiatric institutions are also usually not required to tell you what drugs they force upon a patient. One can deduce that, in many ways, the techniques of control used by psychiatry can be even more insidious and effective than standard law and order. Many who question and even oppose the carceral system do not see psychiatry as its silent partner in oppression. As an anarchist, one must.</p>
<h2>Stigma<a id="stigma" class="heading-permalink" title="Permalink" href="https://raddle.me/wiki/psychiatry#stigma" aria-hidden="true"></a></h2>
<p dir="ltr" lang="en">Prepare to be gaslit by “professionals” and family that you’re broken and must be fixed, even though medications often cause more problems and don’t get to the root cause of your suffering or noncompliance. The stigma around mental illness has a uniquely persuasive effect on judgement. Involuntary incarceration and the torture that inevitably ensues often begins with a loved one truly believing they are doing the right thing. After a loved one is made aware of a diagnosis, your words may not hold the weight they used to. A religious fanatic who believes you are a demon to be exorcised will not trust the words of the demon hiding in your body. In a similar way, a believer in psychiatry will do anything to get back the “you” they <em>think</em> they know.</p>
<h2>Priorities of The Psychiatric Industry and Resulting Effects<a id="priorities-of-the-psychiatric-industry-and-resulting-effects" class="heading-permalink" title="Permalink" href="https://raddle.me/wiki/psychiatry#priorities-of-the-psychiatric-industry-and-resulting-effects" aria-hidden="true"></a></h2>
<p dir="ltr" lang="en">Health is not paramount to the psychiatric industry. Psychiatry’s continued existence does not hinge upon healing patients; rather, it benefits by customer retention. The psychiatric industry is a multi-billion-dollar for-profit industry. Psychiatrists profit from excessive diagnoses via an increase in customer base and are financially incentivized to keep a patient on brain-altering drugs. Health care and pharmaceutical companies (including their executives and shareholders) profit as mental illness becomes more prolific and normalized. Governments and large corporations have vested interests in the psychiatric industry, as they indirectly profit from the increased labor and complacency that medication provides them. Even more directly, these hierarchies benefit from silencing those they can brand unwell.</p>
<blockquote>
<p dir="ltr" lang="en"><em>From Your Personal TV Comes a 20 Second Ad For A Chemical Lobotomy Followed By a full Five Minutes of Side Effect Warnings at 10x speed!</em></p>
</blockquote>
<h2>Tapering, Withdrawals, and Personal Experiences<a id="tapering-withdrawals-and-personal-experiences" class="heading-permalink" title="Permalink" href="https://raddle.me/wiki/psychiatry#tapering-withdrawals-and-personal-experiences" aria-hidden="true"></a></h2>
<p dir="ltr" lang="en">Drugs are not a fix; they are flawed and temporary treatment which leave a person completely vulnerable and unsupported without them. Psychiatrists often do not notify patients of potential physical dependence and withdrawals, even ignoring side effects and drug interactions. The reality is that even one day of missed pills often results in brutal withdrawals, and each instance further destabilizes your central nervous system, making future withdrawals more extreme. Logically, the longer you take a drug and the higher the dosage, the higher the physical dependence. Severe and extended withdrawals from tapering off a drug, which are far more common and often disabling than psychiatrists let on, often force patients back onto prescription drugs. Some drug withdrawals can even be fatal. Constantly switching (or adding) drugs and dosages, which is common practice to find the right “cocktail” as psychiatrists put it, causes additional damage. While these are not necessarily intentionally malevolent decisions, it does extend profit indefinitely.</p>
<p dir="ltr" lang="en">As I have experienced myself and heard from others (putting debilitating withdrawals aside), tapering off psychiatric drugs is often a liberating experience. Relying on artificial chemicals and modifications to brain function to keep one’s brain in a supposed homeostasis leaves them unable to solve any problems when they arise. The feeling of being whole after years of psychiatric drugging is difficult to describe, but one could say they were “in a daze” they were unable to recognize. Anecdotally, people report feeling more fully as they reduce the drugs. While this is an understandably difficult experience, it does allow one to learn to navigate and respond to these feelings naturally. It is a surprisingly comforting experience to feel everything and know it is possible to process and control it. Psychiatric drugs control you just as effectively as the authority dead set on prescribing them. Even daze and confused, I would self-harm while on the highest doses of several mood-stabilizing drugs and not quite understand why. The struggles and pains do not go away when you take a pill; you are simply drugged to a point where you cannot pinpoint what those feelings are, why they arise, and why they do not go away. I would fall into careless, dreamless sleep and wake up utterly exhausted. I would have panic attacks and be left with a complete inability to control myself or come back to my body. These symptoms further self-validate psychiatry.</p>
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<p dir="ltr" lang="en"><em>My psychiatric journey grinded to a halt when I had a bunch of panic attacks after realizing I couldn’t speak clearly, have concise thoughts, or remember what I was doing 10 seconds ago. Thankfully, it only took me a few years to notice!</em></p>
</blockquote>
<p dir="ltr" lang="en">A psychiatric patient’s health is at the complete mercy of insurance companies/government sponsored healthcare, pharmacies, and a psychiatrist writing prescriptions in a timely fashion. If any of these mechanisms of oppression falter or the patient loses the ability to pay for your treatment, they will nearly inevitably have severe physical and cognitive effects, become incapable of working, and have difficulty with basic daily tasks and processing thoughts.</p>
<blockquote>
<p dir="ltr" lang="en"><em>IT&#8217;S ENOUGH TO DRIVE YOU MAD (REALLY THIS TIME!)</em></p>
</blockquote>
<h2>What Does Being A Psychiatric Patient Really Mean?<a id="what-does-being-a-psychiatric-patient-really-mean" class="heading-permalink" title="Permalink" href="https://raddle.me/wiki/psychiatry#what-does-being-a-psychiatric-patient-really-mean" aria-hidden="true"></a></h2>
<p dir="ltr" lang="en">When a patient walks out of a psychiatrist’s office with a diagnosis, they are branded on paper as mentally ill for as long as they live. The consequences are more extreme for specific diagnoses, and some of these diagnoses are the most abstract. Some diagnoses mean psychiatrists and governments will work hard to make sure you are always drugged. This is especially true if they have been incarcerated in any classification of prison. Certain diagnoses, such as BPD, result in being blacklisted by many therapists. There is constantly policing via regular psychiatry appointments and there is constant risk of incarceration if one says the wrong words or they are misinterpreted. State-defined rights and privileges are reduced; a psychiatric patient is subhuman in the mind of the law and society. Every doctor seen in the future will know psychiatric diagnoses and medication history, and their perspective will be molded by this knowledge. If admitted to a psychiatric ward, voluntarily or not, this information is also widely available to doctors and even law enforcement. It goes without saying that police murders skyrocket for those diagnosed with a mental disorder, have spent time in a psychiatric prison, or are outed to police via the informant who decided to subject someone to state violence.</p>
<p dir="ltr" lang="en">Being on psychiatric drugs can make your psychological symptoms worse, so almost no psychiatrist would ever recommend you stop, to the point of recommending more medications and upping dosages. This is true even when the drugs themselves are causing extra harm. If you feel bad, it is your fault. If you are feeling good, it is because of the drugs. Or, of course, you’re just lying. As with any mind-altering drug, physical dependency grows over time, and as the drugs do more damage to your body, it becomes radically more difficult to taper off them safely and effectively. To make matters worse, tapering recommendations are far too short. Even slow tapering will make both old and new psychological symptoms come back even worse. These are often compounded with debilitating physical effects. A psychiatrist may say this is who you are off your meds, insisting you reinstate. Deny this request, and depending on your response, situation, and location, you may land in a white cell.</p>
<h2>Incarceration<a id="incarceration" class="heading-permalink" title="Permalink" href="https://raddle.me/wiki/psychiatry#incarceration" aria-hidden="true"></a></h2>
<p dir="ltr" lang="en">Despite suicide rates skyrocketing during and after incarceration (even among those who had no previous suicidal ideation), society has done an incredibly effective job at convincing the general population that everyone being involuntarily incarcerated is there “for their health and safety.” Many people who are incarcerated are not previously aware of the conditions of the facility they will be sent to, and most of these facilities are underfunded, poorly run, and filled with employees that have long since lost their ability to empathize with another supposed subhuman, maddened patient. A psychiatric prison may be the worst possible place for someone in crisis. Your free will and consent are completely taken away. This type of prison, as is the same as all prisons, is made simply to keep you inside. Contained. Its purpose is not to improve your health. All forms of stimulation and personal comfort are removed; and while some may believe this is what is needed, it leaves a person completely alone with the thoughts that landed them there in the first place. For a standard prison, supporters would argue it exists this way as a punishment, to make the prisoner sit with their guilt. Under-stimulation by itself is a form of torture. You will have nothing to do but consider your existence, your situation, your bleak surroundings, and those suffering around you. Perhaps you hear the yells and screams of others suffering, day and night. Your requests and needs are not priority, only your breathing body is required. Your body, to be restrained for extended periods. No comfort is found from anything that is yours, for white walls or all you are given. No guarantees of the safe, grounding presence of seeing your loved ones, or feeling their embrace. What privacy you had is gone, replaced with interrogations and surveillance by strangers. Prisoners often find themselves having to lie and play psychological games with their interrogator in a desperate attempt to discover what would convince them that they deserve freedom. Maybe you will get lucky, and your healthcare will decide to stop paying for your “treatment.”</p>
<h2>Targeting Anarchists<a id="targeting-anarchists" class="heading-permalink" title="Permalink" href="https://raddle.me/wiki/psychiatry#targeting-anarchists" aria-hidden="true"></a></h2>
<p dir="ltr" lang="en">Anarchists are singled out by psychiatry disproportionately because, besides being a targeted group by society itself, they often represent everything the psychiatric industry looks for; noncompliance, political views that stray far from the social order, illegalism, a prison record, discontent with society, a way of living that strays from the norm, aversion to hierarchal and fascistic schooling and oppressive labor, etc. Anarchists have also been victims of state-sanctioned retaliation/silencing/delegitimization by way of psychiatry. As someone who is already perceived by many as having extremist ideology, painting an anarchist as mentally ill is a relatively simple task for one with that power. Young anarchists are also systematically diagnosed with mental disorders by doctors who are ignorant to the theory, who conflate it with symptoms of mental illness, or even out of spite or hatred towards the philosophy. Well-meaning or otherwise, psychiatrists are indoctrinated into a system where such beliefs are indicative of illness in need of correction.</p>
<blockquote>
<p dir="ltr" lang="en"><em>They weren’t protesting our atrocities and injustice folks, they were simply sick in the head. We are giving them the help they desperately need, poor soul. Back to work.</em></p>
</blockquote>
<h2>Therapy<a id="therapy" class="heading-permalink" title="Permalink" href="https://raddle.me/wiki/psychiatry#therapy" aria-hidden="true"></a></h2>
<p dir="ltr" lang="en">Therapy is not by any means inherently bad, but it isn&#8217;t for everyone. For anyone seeking therapy, it is important to understand the drawbacks of the current models. Many common therapies, especially those pushed by government, employer, and healthcare systems, focus on <em>changing</em> your thoughts and behaviors and to be more productive to capitalist society, not necessarily supporting your individuality and working with you to manage struggles in a healthy way. Some therapies, like ABA for autistic people, are downright abusive. In addition to this, one must reconcile with the fact that theories and methods of talk therapies are only theories themselves. Those seeking therapists must also understand their therapist’s personal bias, adherence to systemic belief systems, requirements to collaborate with law enforcement, and ability to incarcerate via any claim of being a danger to themselves or others.</p>
<p dir="ltr" lang="en">Kill the psych in your mind! Embrace madness!</p>
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		<title>Os contribuintes europeus estão a entregar milhares de milhões de euros a empresas israelitas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jul 2026 21:33:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Dados compilados pela Statewatch revelam que as instituições públicas da UE têm centenas de contratos com empresas israelitas no valor de quase 2,7 mil milhões de euros. Sanções comerciais da UE ou boicotes generalizados no setor público poderiam ter um impacto negativo substancial na economia de Israel e na sua capacidade de travar uma guerra. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Dados compilados pela Statewatch revelam que as instituições públicas da UE têm centenas de contratos com empresas israelitas no valor de quase 2,7 mil milhões de euros. Sanções comerciais da UE ou boicotes generalizados no setor público poderiam ter um impacto negativo substancial na economia de Israel e na sua capacidade de travar uma guerra. No entanto, até ao momento, a UE não tomou quaisquer medidas significativas.</span></span></p>
<h2 class="western"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Rússia e Israel: uma história de duas ilegalidades</span></span></h2>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Em abril, a UE adotou o seu vigésimo conjunto de sanções dirigidas ao governo e à indústria russos, </span><span lang="pt-PT">como</span><span lang="pt-PT"> parte da resposta contínua à invasão e ocupação da Ucrânia pela Rússia.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">As sanções visam o comércio de petróleo e gás, o setor bancário, as indústrias química e metalúrgica, entre outros. O Conselho da UE descreveu-as como «sanções económicas severas e multifacetadas, dirigidas a setores-chave que alimentam a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia». </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-2"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">1</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Em fevereiro deste ano, a invasão e ocupação ilegais do território ucraniano pela Rússia tinham causado cerca de 15 000 mortes de civis e a morte de dezenas de milhares de militares. </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-3"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">2</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"> Milhões de refugiados fugiram do país, principalmente para os Estados-Membros da UE, que lhes têm proporcionado — em termos gerais — um acolhimento generoso. </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-4"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">3</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">A </span><span lang="pt-PT">1 600 km</span><span lang="pt-PT"> a sul da Ucrânia fica a Palestina. Israel ocupa ilegalmente vastas áreas do território palestiniano desde 1967, e a expropriação violenta de terras palestinianas continua. </span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Desde outubro de 2023, em resposta a ataques perpetrados por grupos armados palestinianos que causaram a morte de mais de 300 militares israelitas e mais de 800 civis, Israel tem vindo a travar uma guerra e a manter um cerco à Faixa de Gaza — o mais recente episódio sangrento de uma longa história de ataques militares contra o território </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-5"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">4</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"> – — e intensificou a atividade de colonização na Cisjordânia.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Isto levou a que fossem lançadas acusações de crimes de guerra, genocídio e crimes contra a humanidade contra líderes políticos e militares israelitas. </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-6"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">5</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"> A rejeição desdenhosa, por parte das autoridades israelitas, dos mandados de detenção emitidos pelo Tribunal Penal Internacional deixou bem clara a sua indiferença em relação ao direito internacional. </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-7"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">6</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Como se isso não bastasse, Israel também invadiu e ocupou recentemente o Líbano (uma chamada «operação defensiva avançada») </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-8">7</a>) </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">e a</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"> Síria, </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-9"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">8</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span> <span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">e bombardeou o Irão </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-10"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">9</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span> <span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">e o Iémen</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">. </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-11"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">10</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"> Os seus soldados raptaram, prenderam e maltrataram dezenas de cidadãos estrangeiros que viajavam em águas internacionais, na tentativa de levar ajuda à população de Gaza. </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-12"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">11</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Embora a UE tenha procurado isolar economicamente e politicamente a Rússia como punição pela sua invasão e ocupação da Ucrânia, não tomou nenhuma medida semelhante em relação a Israel.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Foi apenas no mês passado que o bloco adotou sanções contra o país. No entanto, estas visam indivíduos e organizações «extremistas» específicos. </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-13"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">12</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"> Foram criticadas por Eldar Mamedov, da Responsible Statecraft, como «sanções simbólicas contra uma fração microscópica da comunidade de colonos», enquanto o comércio entre a UE e Israel «continua a financiar o projeto de colonização». </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-14"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">13</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span></p>
<h2 class="western">“<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Moral bankruptcy”</span></span></span></h2>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Benjamin Netanyahu afirmou, em resposta às sanções da UE, que «Israel e os EUA estão a “fazer o trabalho sujo da Europa” ao lutarem em nome da civilização contra os fanáticos jihadistas no Irão e noutros locais». Acusou a UE de «falência moral». </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-15"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">14</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Grande parte da opinião pública europeia, no entanto, considera claramente que o Estado israelita se encontra em falência moral. </span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Uma sondagem realizada em 2025 pela YouGov em seis países da Europa Ocidental revelou que «apenas 13-21 % da população de cada país tem uma opinião favorável sobre Israel», o valor mais baixo alguma vez registado pela instituição de sondagens. </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-16"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">15</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"> Mais de um milhão de pessoas na UE apoiaram uma iniciativa de cidadãos que apela à suspensão do Acordo de Associação entre a UE e Israel. </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-17"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">16</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Apesar de algumas instituições – tais como universidades específicas </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-18"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">17</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"> – Apesar de terem cortado relações com os seus homólogos israelitas, o comércio entre a UE e Israel continua inalterado. Uma reportagem da Al Jazeera refere que:</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">De acordo com dados da UE, o comércio de bens entre o bloco e Israel ascendeu a 42,6 mil milhões de euros (45,3 mil milhões de dólares) em 2024. Uma suspensão parcial do acordo UE-Israel poderia afetar diretamente cerca de 5,8 mil milhões de euros (6,1 mil milhões de dólares) em exportações israelitas. </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-19"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">18</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Parte desse comércio provém da aquisição de bens e serviços por instituições públicas, tais como universidades, departamentos governamentais, organismos de saúde, fornecedores de energia, bem como a polícia e as forças armadas. </span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">A dimensão destes contratos é revelada pelos <a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#data">dados publicados pela Statewatch</a>. Os dados abrangem o período entre janeiro de 2022 e julho de 2025, durante o qual foram celebrados cerca de 200 contratos, no valor de quase 2,7 mil milhões de euros, com empresas israelitas ou com empresas cujos proprietários finais são cidadãos israelitas.</span></span></p>
<table width="597" cellspacing="0" cellpadding="2">
<tbody>
<tr>
<td colspan="3" width="593"><em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><b>Os 10 principais Estados-Membros da UE por valor dos contratos</b></span></span></em></td>
</tr>
<tr>
<td width="106"><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Estado</span></span></strong></td>
<td width="315"><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">N</span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">r.</span></span></strong> <strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">de</span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"> contrat</span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">o</span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">s, Jan</span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">eiro</span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"> 2022-Jul</span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">ho de</span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"> 2025</span></span></strong></td>
<td width="165"><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Valor total dos contratos</span></span></strong></td>
</tr>
<tr>
<td width="106"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Estónia</span></span></td>
<td width="315"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">11</span></span></td>
<td width="165">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">816,460,719 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="106"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Hungria</span></span></td>
<td width="315"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">42</span></span></td>
<td width="165">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">602,985,499 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="106"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Dinamarca</span></span></td>
<td width="315"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">10</span></span></td>
<td width="165">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">236,418,711 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="106"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Espanha</span></span></td>
<td width="315"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">14</span></span></td>
<td width="165">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">226,851,099 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="106"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Polónia</span></span></td>
<td width="315"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">10</span></span></td>
<td width="165">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">181,714,500 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="106"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Chéquia</span></span></td>
<td width="315"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">2</span></span></td>
<td width="165">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">169,341,220 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="106"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Roménia</span></span></td>
<td width="315"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">4</span></span></td>
<td width="165">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">128,417,114 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="106"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Suécia</span></span></td>
<td width="315"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">2</span></span></td>
<td width="165">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">105,039,360 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="106"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Holanda</span></span></td>
<td width="315"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">6</span></span></td>
<td width="165">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">71,873,878 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="106"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Croácia</span></span></td>
<td width="315"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">7</span></span></td>
<td width="165">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">31,508,263 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="106"><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Total</span></span></strong></td>
<td width="315"><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">108</span></span></strong></td>
<td width="165"><strong>€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">2,570,610,362</span></span></strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<h2 class="western"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Contratos públicos europeus com empresas israelitas</span></span></h2>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Entre janeiro de 2022 e julho de 2025 (um período de 42 meses), as instituições públicas dos Estados-Membros da UE celebraram quase 200 contratos no valor de cerca de 2,7 mil milhões de euros com empresas israelitas, de acordo com os anúncios publicados no site do Tenders Electronic Daily (TED) da UE. </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-20"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">19</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"> O conjunto de dados inclui também um contrato com uma instituição do Reino Unido, </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-21"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">20</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"> e outro com o Ministério das Finanças da República Democrática do Congo. </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-22"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">21</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Na primeira metade desse período, entre janeiro de 2022 e outubro de 2023, o conjunto de dados revela 82 contratos no valor de mais de 1,2 mil milhões de euros.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Nos 21 meses seguintes a outubro de 2023 (até julho de 2025), o número de contratos entre instituições públicas dos Estados-Membros da UE e empresas israelitas aumentou para 112, com um valor total de quase 1,6 mil milhões de euros.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">No entanto, o valor de muitos contratos — em particular com instituições alemãs — foi mantido em segredo. </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-23"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">22</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"> Outros têm um valor de cotação de apenas 1 € ou até 0,01 €, </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-24"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">23</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"> montantes que parecem demasiado baixos para serem verdadeiros, embora isso seja impossível de verificar sem uma investigação mais aprofundada.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">O conjunto de dados é composto por anúncios publicados no portal de concursos públicos da UE, o Tenders Electronic Daily (TED), </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-25"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">24</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span> <span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">entre</span></span></span> <span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">ja</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">n</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">eiro de</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"> 2022 </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">e</span></span></span> <span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">j</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">ul</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">ho de</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"> 2025.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Algumas dessas notificações dizem respeito a contratos assinados ou datados antes de janeiro de 2022. Estas constam do conjunto de dados porque nem todas as notificações são publicadas no momento da assinatura. Quando estas são tidas em conta, o conjunto de dados revela 207 contratos no valor de quase 2,8 mil milhões de euros entre novembro de 2019 e julho de 2025.</span></span></p>
<h2 class="western"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">O nicho estratégico de Israel</span></span></h2>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">O Estado israelita, as empresas e os grupos de pressão promovem frequentemente o país como uma «nação das start-ups», com um setor de alta tecnologia altamente ativo e produtivo. </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-26"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">25</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"> O conjunto de dados demonstra claramente este nicho estratégico que as empresas israelitas conquistaram.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">A grande maioria dos contratos diz respeito a tecnologias avançadas e outros bens que exigem engenharia de precisão, vastos conhecimentos técnicos e instalações de fabrico especializadas: sistemas de armamento, chips de computador, equipamento de laboratório e produtos farmacêuticos, entre outros.</span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">A natureza altamente especializada destes produtos pode suscitar questões sobre até que ponto determinados setores e indústrias nos Estados-Membros da UE dependem de bens produzidos em Israel. Estas questões devem levar a uma reflexão sobre a forma como determinados setores podem libertar-se de um Estado que viola flagrantemente o direito internacional.</span></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<table width="643" cellspacing="0" cellpadding="2">
<tbody>
<tr>
<td colspan="3" width="639"><em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><b>As 10 principais categorias de contratos</b></span></span></em></td>
</tr>
<tr>
<td width="267"><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Categor</span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">ia</span></span></strong></td>
<td width="222"><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Número total de contratos, janeiro de 2022 a julho de 2025</span></span></strong></td>
<td width="142"><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Valor t</span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">otal </span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">dos</span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"> contrat</span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">o</span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">s</span></span></strong></td>
</tr>
<tr>
<td width="267"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Vários produtos médicos</span></span></td>
<td width="222"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">13</span></span></td>
<td width="142">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">487,042,539.26 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="267"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Sistema de inteligência eletrónica</span></span></td>
<td width="222"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">2</span></span></td>
<td width="142">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">414,200,000.00 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="267"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Munições para armas de fogo e para a guerra</span></span></td>
<td width="222"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">1</span></span></td>
<td width="142">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">370,000,000.00 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="267"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Instrumentos óticos</span></span></td>
<td width="222"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">1</span></span></td>
<td width="142">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">200,000,000.00 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="267"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Serviços de reparação e manutenção de sistemas eletrónicos militares</span></span></td>
<td width="222"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">3</span></span></td>
<td width="142">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">173,341,219.60 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="267"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Armas de fogo</span></span></td>
<td width="222"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">2</span></span></td>
<td width="142">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">135,692,333.00 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="267"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Artilharia</span></span></td>
<td width="222"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">1</span></span></td>
<td width="142">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">107,360,000.00 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="267"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Veículos militares e peças associadas</span></span></td>
<td width="222"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">1</span></span></td>
<td width="142">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">104,857,000.00 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="267"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Produtos farmacêuticos</span></span></td>
<td width="222"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">17</span></span></td>
<td width="142">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">94,016,142.66 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="267"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Instrumentos para verificar as características físicas</span></span></td>
<td width="222"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">1</span></span></td>
<td width="142">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">90,000,000.00 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="267"><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Total</span></span></strong></td>
<td width="222"><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">42</span></span></strong></td>
<td width="142"><strong>€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">2,176,509,235 </span></span></strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<h2 class="western"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Os governos europeus manifestam a sua oposição, mas o dinheiro continua a fluir</span></span></h2>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Os governos espanhol e belga fizeram declarações de destaque em que se opuseram à ofensiva militar de Israel após outubro de 2023 e manifestaram solidariedade para com o povo palestiniano. No entanto, é evidente que não proibiram as instituições públicas de adquirir bens e serviços a empresas israelitas.</span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">As instituiç</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">ões espanholas celebraram 14 contratos no valor de quase 227 milhões de euros no período abrangido pelo conjunto de dados. A grande maioria desse total decorre de um contrato celebrado em abril de 2024 entre o Ministério da </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Defesa espanhol e a empresa de armamento Rafael relativo a «sistemas de combate aéreo».</span></span></span> <span lang="pt-PT">(</span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-26"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">26</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Outros contratos assinados por instituições espanholas com empresas israelitas incluem:</span></span></span></p>
<ul>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">um contrato de março de 2022, no valor de 140 000 €, entre a Source Vagabond Systems e a Guarda Civil, relativo a coletes à prova de bala; </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">(</span></span></span><a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-28"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">27</span></span></span></a><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">)</span></span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">um acordo celebrado em junho de 2022, no valor de quase 5 milhões de euros, entre a Emtan-Karmiel e a Guarda Civil para o fornecimento de espingardas;<a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-29">28</a> </span></span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">um acordo celebrado em outubro de 2022, no valor de quase 7,8 milhões de euros, entre a IMI Systems e as forças armadas, relativo a projéteis de 120 mm para tanques Leopard;<a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-30">29</a> </span></span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">um contrato celebrado em abril de 2024 entre a A.V.X Technologies e as autoridades do País Basco relativo a software destinado à deteção automática de fraude fiscal;<a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-31">30</a> </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">e</span></span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">dois contratos no valor de quase 300 000 € entre a Universidade Politécnica de Madrid e a Heqapl relativos a equipamento de computação quântica, assinados em agosto de 2024.<a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-32">31</a> </span></span></span></li>
</ul>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">O conjunto de dados revela três contratos entre instituições belgas e empresas israelitas, num valor total superior a 6,7 milhões de euros.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Em 2021, as forças armadas belgas assinaram um contrato de fornecimento de munições com a IMI Systems no valor de mais de 1,8 milhões de euros.<a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-33">32</a> Em abril de 2024, o Hospital Universitário de Leuven assinou um contrato no valor de 1,2 milhões de euros com a GNX Data Systems para a aquisição de software de sequenciação do genoma.<a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-34">33</a> A ORES, um dos principais fornecedores de gás e eletricidade da região belga da Valónia, tem um contrato no valor de mais de 3,7 milhões de euros com a empresa de tecnologias da informação SysAid Technologies.<a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-35">34</a></span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Outros governos da UE têm-se mostrado mais cautelosos nas suas críticas às recentes ações de Israel, ou têm-se abstido de as criticar.</span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">As autoridades alemãs destacam-se pelo seu apoio ao Estado de Israel, e as instituições públicas alemãs têm adquirido uma grande variedade de produtos e serviços a empresas israelitas. O conjunto de dados inclui 37 contratos entre instituições alemãs e empresas israelitas relativos a equipamento militar, software de cibersegurança, ferramentas laboratoriais e equipamento médico, entre outros.</span></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<table width="643" cellspacing="0" cellpadding="2">
<tbody>
<tr>
<td colspan="3" width="639"><em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><b>Os 10 principais empreiteiros por valor dos contratos</b></span></span></em></td>
</tr>
<tr>
<td width="344"><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Contractor</span></span></strong></td>
<td width="159"><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Nr. </span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">de</span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"> contrat</span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">o</span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">s, </span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">janeiro</span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"> 2022-</span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">julho</span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"> 2025</span></span></strong></td>
<td width="128"><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Valor total dos</span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"> contrat</span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">o</span></span></strong><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">s</span></span></strong></td>
</tr>
<tr>
<td width="344"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Elbit (incl. subsidiárias)</span></span></td>
<td width="159"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">14</span></span></td>
<td width="128">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">534,995,220 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="344"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Rafael Advanced Defence Systems Ltd</span></span></td>
<td width="159"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">10</span></span></td>
<td width="128">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">495,003,146 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="344"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Atlas Pharma Gyógyszernagykereskedelmi Kft</span></span></td>
<td width="159"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">11</span></span></td>
<td width="128">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">480,920,854 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="344"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">EUROMEDIC-PHARMA Gyógyszernagykereskedelmi Zártkörűen Működő Részvénytársaság</span></span></td>
<td width="159"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">12</span></span></td>
<td width="128">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">100,416,759 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="344"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">TROYA TECH DEFENSE LTD., Meprolight Ltd</span></span></td>
<td width="159"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">1</span></span></td>
<td width="128">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">90,000,000 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="344"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">TNM Limited</span></span></td>
<td width="159"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">2</span></span></td>
<td width="128">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">42,045,405 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="344"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Meprolight Ltd</span></span></td>
<td width="159"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">3</span></span></td>
<td width="128">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">36,343,000 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="344"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">IWI</span></span></td>
<td width="159"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">2</span></span></td>
<td width="128">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">29,999,000 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="344"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Odis Filtering Ltd</span></span></td>
<td width="159"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">2</span></span></td>
<td width="128">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">25,265,435 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="344"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Page Protective Services</span></span></td>
<td width="159"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">1</span></span></td>
<td width="128">€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">19,940,000 </span></span></td>
</tr>
<tr>
<td width="344"><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Total</span></span></strong></td>
<td width="159"><strong><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">58</span></span></strong></td>
<td width="128"><strong>€<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">1,854,928,819 </span></span></strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<h2 class="western"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Polícia europeia com equipamento israelita</span></span></h2>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Tal como a Guarda Civil espanhola, a polícia alemã também adquiriu coletes à prova de bala a uma empresa israelita (Marom Dolphin), no âmbito de um contrato conjunto celebrado em novembro de 2024 com a empresa alemã Messer Waffenhandel und Sicherheitsgesellschaft. </span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">A polícia alemã ganhou notoriedade pela violência com que reprimiu os protestos pró-palestinianos.<a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/#fn-36">35</a> Há uma ironia sombria na possibilidade de estarem a usar coletes à prova de bala fabricados em Israel enquanto atacam manifestantes pacíficos.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">O valor do contrato da polícia alemã é desconhecido, ao contrário de um contrato de março de 2024 entre o Ministério do Interior italiano e a Source Vagabond Systems, também relativo a coletes à prova de bala. O negócio ascendeu a quase 4 milhões de euros.</span></span></p>
<h2 class="western"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Se os governos não agem, as pessoas têm de o fazer</span></span></h2>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Os governos europeus falharam redondamente em responder às exigências de amplos setores da população, que querem ver o fim do apoio a um Estado que comete habitualmente crimes de guerra, trava guerras de agressão e é acusado de crimes contra a humanidade, genocídio e apartheid.</span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Isto não é apenas uma falha em manifestar apoio ao povo palestiniano, que continua a enfrentar a expropriação, a ocupação e a morte. É também provável que venha a ser visto, em retrospetiva, como um momento crucial no colapso contínuo da ordem jurídica internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.</span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">As instituições públicas devem responder às exigências da população. Os dados aqui publicados revelam claramente a grande variedade de instituições públicas em toda a UE que têm contratos com empresas israelitas, muitas das quais mantêm laços estreitos com o Estado de Israel e todas as quais são, de alguma forma, cúmplices das ações desse Estado.</span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Os contribuintes europeus deviam exigir que o seu dinheiro fosse gasto de outras formas e que as instituições públicas respeitem os princípios básicos da justiça e da legalidade.</span></span></p>
<h2 class="western"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Dados: Contratos entre instituições públicas europeias e empresas israelitas, janeiro de 2022 a julho de 2025</span></span></h2>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">D</span><span lang="pt-PT">escarrega o conjunto de dados completo: </span></span></span></p>
<ul>
<li><a href="https://statewatch.org/wp-content/uploads/2026/06/Statewatch-Contracts-between-European-public-institutions-and-Israeli-companies-Overall-data.xlsx" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Contratos entre instituições públicas europeias e empresas israelitas, janeiro de 2022 a julho de 2025 – panorâmica geral e dados-chave</span></span></a></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><a href="https://statewatch.org/wp-content/uploads/2026/06/Statewatch-Contracts-between-European-public-institutions-and-Israeli-companies-Individual-states.xlsx" target="_blank" rel="noopener">Contratos entre instituições públicas europeias e empresas israelitas, janeiro de 2022 a julho de 2025 – organizados por país</a> </span></span></li>
</ul>
<h2 class="western"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Cr<b>é</b>ditos</span></span></h2>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Este texto é uma tradução duma <a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/" target="_blank" rel="noopener">notícia originalmente publicada pela Statewatch</a>.</span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Recolha e organização dos dados por Ida Flik (jornalista de dados) e Hanaa Dany (investigadora independente)</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Créditos da imagem: A colagem criada pela Statewatch contém uma versão modificada de “<a href="https://www.flickr.com/photos/palaciodoplanalto/32566588677/in/album-72157677494512137/">31/03/2019 Jantar na Residência do Primeiro-Ministro de Israel</a>” by Palácio do Planalto, CC BY 2.0</span></span></span></p>
<ol>
<li>‘<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"><a href="https://www.consilium.europa.eu/en/press/press-releases/2026/04/23/russia-s-war-of-aggression-against-ukraine-20th-round-of-stern-eu-sanctions-hits-energy-military-industrial-complex-trade-and-financial-services-including-crypto/">Russia’s war of aggression against Ukraine: 20th round of stern EU sanctions hits energy revenues, military-industrial complex, trade and financial services, including crypto</a>’, Council of the EU, 23 April 2026</span></span></span></li>
<li>‘<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"><a href="https://everycasualty.org/ukraine-four-years-15172-civilian-deaths-none-will-be-forgotten/">Ukraine: Four years, 15,172 civilian deaths. None will be forgotten.</a>’, </span></span></span><em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Every Casualty Counts</span></span></span></em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">, 23 February 2026</span></span></span></li>
<li>‘<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"><a href="https://www.reuters.com/world/arab-refugees-see-double-standards-europes-embrace-ukrainians-2022-03-02/">Arab refugees see double standards in Europe’s embrace of Ukrainians</a>’, </span></span></span><em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Reuters</span></span></span></em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">, 2 March 2022</span></span></span></li>
<li>‘<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"><a href="https://www.aljazeera.com/news/2022/8/7/timeline-israels-attacks-on-gaza-since-2005">Timeline: Israel’s attacks on Gaza since 2005</a>’, </span></span></span><em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Al Jazeera</span></span></span></em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">, 7 August 2022</span></span></span></li>
<li>‘<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"><a href="https://news.un.org/en/story/2024/11/1157406">ICC issues arrest warrants for Israel, Hamas leadership: what happens next?</a>’, </span></span></span><em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">International Criminal Court</span></span></span></em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">, 23 November 2024; ‘<a href="https://genocidescholars.org/wp-content/uploads/2025/08/IAGS-Resolution-on-Gaza-FINAL.pdf">IAGS Resolution on the Situation in Gaza</a>’, </span></span></span><em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">International Association of Genocide Scholars</span></span></span></em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">¸ 31 August 2025</span></span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Mark Weiss, ‘<a href="https://www.irishtimes.com/world/middle-east/2024/11/21/widespread-condemnation-of-icc-arrest-warrants-cross-israeli-political-spectrum/">Widespread condemnation of ICC arrest warrants cross Israeli political spectrum</a>’, </span></span></span><em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Irish Times</span></span></span></em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">, 21 November 2024; ‘<a href="https://www.theguardian.com/law/2026/may/19/far-right-israeli-minister-bezalel-smotrich-icc-seeking-arrest">Far-right Israeli minister Bezalel Smotrich says ICC is seeking his arrest</a>’, </span></span></span><em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">The Guardian</span></span></span></em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">, 19 May 2026</span></span></span></li>
<li>‘<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"><a href="https://www.idf.il/en/mini-sites/iran-israel-war-2026/live-updates-iran-israel-war-2026/march-18-2026-iran-israel-war-2026-live-updates/">Iran-Israel War 2026 – Live Updates</a>’, IDF, 18 March 2026</span></span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Reem Aouir, ‘<a href="https://www.middleeasteye.net/news/smart-borders-military-gates-land-seizure-Israel-encroachment-southern-syria">Smart borders, military gates and land seizures: How Israel is encroaching in southern Syria</a>’, </span></span></span><em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Middle East Eye</span></span></span></em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">, 5 May 2026</span></span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Al Jazeera Staff, ‘<a href="https://www.aljazeera.com/news/2026/2/28/us-israel-bomb-iran-a-timeline-of-talks-and-threats-leading-up-to-attacks">US, Israel bomb Iran: A timeline of talks and threats leading up to attacks</a>’, </span></span></span><em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Al Jazeera</span></span></span></em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">, 28 February 2026</span></span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">David Gritten, ‘<a href="https://www.bbc.co.uk/news/articles/c8rvmx60g07o">Israeli strike on Yemen’s Houthis reportedly kills eight</a>’, </span></span></span><em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">BBC News</span></span></span></em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">, 25 September 2025</span></span></span></li>
<li>‘<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"><a href="https://www.ohchr.org/en/press-releases/2026/05/israel-must-immediately-release-gaza-bound-flotilla-activists-say-un-experts">Israel must immediately release Gaza-bound Flotilla activists, say UN experts</a>’, </span></span></span><em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">UN Human Rights</span></span></span></em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">, 8 May 2026</span></span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Jennifer Rankin, ‘<a href="https://www.theguardian.com/world/2026/may/11/eu-announces-sanctions-against-violent-israel-settlers">EU announces sanctions against violent Israeli settlers</a>’, </span></span></span><em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">The Guardian</span></span></span></em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">, 11 May 2026</span></span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Eldar Mamedov, ‘<a href="https://responsiblestatecraft.org/eu-settler-sanctions/">EU sanctions on violent Israeli settlers are barely a half measure</a>’, </span></span></span><em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Responsible Statecraft</span></span></span></em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">, 19 May 2026</span></span></span></li>
<li>‘<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"><a href="https://www.lemonde.fr/en/international/article/2026/05/11/eu-to-impose-sanctions-on-israeli-settlers_6753340_4.html">Netanyahu slams ‘moral bankruptcy’ of EU after Israeli settler sanctions</a>’, </span></span></span><em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Le Monde</span></span></span></em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">, 11 May 2026</span></span></span></li>
<li>‘<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"><a href="https://yougov.com/en-gb/articles/52279-net-favourability-towards-israel-reaches-new-lows-in-key-western-european-countries">Net favourability towards Israel reaches new lows in key Western European countries</a>’, </span></span></span><em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">YouGov</span></span></span></em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">¸ 3 June 2025</span></span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Vincenzo Genovese, ‘<a href="https://www.euronews.com/my-europe/2026/04/15/one-million-europeans-ask-the-eu-to-suspend-association-agreement-with-israel-for-crimes-i">One million Europeans ask the EU to suspend association agreement with Israel for ‘crimes in Gaza’</a>’, </span></span></span><em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">euronews</span></span></span></em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">, 15 April 2026</span></span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Zev Stub, ‘<a href="https://www.timesofisrael.com/a-very-bad-year-despite-gaza-truce-academic-boycotts-pile-on-threatening-israels-future/">‘A very bad year’: Despite Gaza truce, academic boycotts pile on, threatening Israel’s future</a>’, </span></span></span><em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Times of Israel</span></span></span></em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">, 5 December 2025</span></span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Mohammad Mansour, ‘<a href="https://www.aljazeera.com/economy/2026/4/22/a-42bn-euro-dilemma-what-is-stopping-eu-from-holding-israel-to-account">A 42bn-euro dilemma: What is stopping EU from holding Israel to account?</a>’, </span></span></span><em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Al Jazeera</span></span></span></em><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">, 22 April 2026</span></span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"><a href="https://ted.europa.eu/en/" target="_blank" rel="noopener">EU’s Tenders Electronic Daily (TED)</a> </span></span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">O contrato, intitulado “The Provision of Artificial Intelligence (AI) Software in Neuroscience for Stroke Decision Making Support” (“Fornecimento de software de inteligência artificial (IA) na área da neurociência para apoio à tomada de decisões em casos de AVC”, no valor de 17,1 milhões de euros (15 milhões de libras), foi assinado entre o Serviço Nacional de Saúde e a Aidoc Medical em julho de 2021. O aviso que anunciava o contrato teria sido publicado numa data posterior, daí a sua presença no conjunto de dados. Pode ser encontrado no conjunto de dados com o ID CON122.</span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">CON123, datado de 10 de setembro de 2021 e no valor de mais de 8 milhões de euros. O anúncio do contrato teria sido publicado numa data posterior, daí a sua presença no conjunto de dados.</span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Pesquise na folha de cálculo com o ID do contrato (por exemplo, CON007) para encontrar mais informações e um link para o aviso: CON007 entre as Forças Armadas alemãs e a Rafael, CON033 entre a Autoridade Portuária de Hamburgo e a XM Cyber, CON073 entre as Forças Armadas alemãs e a Rafa, CON090 entre o Instituto Fraunhofer e a Cyberbit, CON095 entre a Universidade do Exército alemão e a IAI Elta, CON142 entre uma força policial alemã e a Marom Dolphin.</span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Dataset IDs: CON001, CON003, CON009, CON052, CON124, CON125, CON138.</span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"><a href="https://ted.europa.eu/en/">EU tenders: Tenders electronic daily (TED)</a>, European Union</span></span></span></li>
<li><a href="https://finder.startupnationcentral.org/"><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">Startup Nation Finder: Access the Israeli Tech Ecosystem </span></span></span></a></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Dataset ID: CON083 </span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Dataset ID: CON128</span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Dataset ID: CON019</span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Dataset ID: CON031</span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Dataset ID: CON085</span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Dataset IDs: CON092, CON093</span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Dataset ID: CON004</span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Dataset ID: CON082. A GNX Data Systems utilizou a denominação comercial Genoox até ser adquirida pela empresa alemã Qiagen em maio de 2025.</span></span></li>
<li><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large">Dataset ID: CON104</span></span></li>
<li>‘<span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"><a href="https://www.ohchr.org/en/press-releases/2025/10/un-experts-urge-germany-halt-criminalisation-and-police-violence-against">UN experts urge Germany to halt criminalisation and police violence against Palestinian solidarity activism</a>’, 16 October 2025</span></span></span>
<p>&nbsp;</li>
</ol>
<p><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">O artigo</span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"> <a href="https://statewatch.org/news/2026/july/european-taxpayers-handing-billions-of-euros-to-israeli-companies/">European taxpayers handing billions of euros to Israeli companies</a> </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT">surgiu originalmente na </span></span></span><span style="font-family: Liberation Sans, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-PT"><a href="https://statewatch.org/">Statewatch</a>.</span></span></span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>4 de Julho: Jornada Anarquista de Cinema em Lisboa – Programa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jul 2026 11:52:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Já tínhamos anunciado a realização da Jornada Anarquista de Cinema, em Lisboa. Agora, apresentamos o 💣 Programa oficial 🌈: – Bloco Infantil (11h) – Esta sessão repete às 16 horas – Bloco Habitação (12h) – Stop despejos – Bloco Memória (13h15) – CCL – Bloco Internacionalista (14h30) – Plataforma de Solidariedade com os Povos do [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Já tínhamos anunciado a realização da<a href="https://www.jornalmapa.pt/2026/06/14/4-de-julho-jornada-anarquista-de-cinema-em-lisboa/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"> Jornada Anarquista de Cinema</a>, em Lisboa. Agora, apresentamos o 💣 Programa oficial 🌈:</p>
<p>– Bloco Infantil (11h) – Esta sessão repete às 16 horas</p>
<p>– Bloco Habitação (12h) – Stop despejos</p>
<p>– Bloco Memória (13h15) – CCL</p>
<p>– Bloco Internacionalista (14h30) – Plataforma de Solidariedade com os Povos do Curdistão.</p>
<p>– Bloco Anti-Punitivista “Da prisão à abolição” (15h30) – Vozes de Dentro</p>
<p>– Bloco Queer (16h30) – Transmutar</p>
<p>– Bloco Antirracista (18h) – Nêga Filmes</p>
<p>– Bloco Territórios (19h15) – Jornal Mapa</p>
<p>– Bloco ao Ar Livre (21h)<br />
Antestreia do filme “O nosso último filme sobre Lisboa” de Left Hand Rotation.</p>
<p>🔥 Todos os blocos serão seguidos de conversa.</p>
<p>🌱 Teremos almoço (Centro de Cultura Libertária) e jantar com o projecto À MESA! ( <a class="x1i10hfl xjbqb8w x1ejq31n x18oe1m7 x1sy0etr xstzfhl x972fbf x10w94by x1qhh985 x14e42zd x9f619 x1ypdohk xt0psk2 x3ct3a4 xdj266r x14z9mp xat24cr x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl x16tdsg8 x1hl2dhg xggy1nq x1a2a7pz notranslate _a6hd" role="link" href="https://www.instagram.com/a_mesa_cantina/">@a_mesa_cantina</a> ) – (uma cantina social, vegetariana e itinerante que vai ao encontro das pessoas e dos lugares em luta.<br />
Uma mobilização coletiva, solidária e sem hierarquia ou chefs profissioniais.)</p>
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		<title>Climáximo organiza &#8220;brigadas populares de refresco&#8221; e &#8220;abrigo de calor solidário&#8221; face a &#8220;onda de calor mortífera provocada pela indústria fóssil&#8221;</title>
		<link>https://indymedia.pt/231115/</link>
					<comments>https://indymedia.pt/231115/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jul 2026 10:16:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ecologia e Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Climaximo]]></category>
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					<description><![CDATA["Tal como as tempestades têm um nome, as ondas de calor também deveriam ter. Esta deveria ser apelidada onda de calor Galp", afirma a Climáximo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>&#8220;Tal como as tempestades têm um nome, as ondas de calor também deveriam ter. Esta deveria ser apelidada onda de calor Galp&#8221;, afirmam</em></p>
<p>Face ao início daquela que está a ser descrita como &#8220;a maior onda de calor de sempre&#8221; em Portugal, e após uma onda de calor mortífera que varreu o centro da Europa e fez mais de 1300 mortes, o Climáximo organizou na tarde de ontem &#8220;brigadas populares de refresco&#8221; junto à estação do Rossio em Lisboa em que distribuiram de forma gratuita água fresca e &#8220;conversaram com as pessoas sobre os impactos que o calor extremo tem nas suas vidas&#8221;. Para hoje e para sexta-feira está prevista a abertura de um &#8220;abrigo solidário ao calor&#8221; na Cooperativa Rizoma em Lisboa, onde há acesso a ar condicionado, e onde se convidam as pessoas &#8220;que sofrem com o calor em casa e na rua a juntarem-se a nós para descansar, trabalhar ou conviver&#8221;.</p>
<p>De acordo com Matias Souza, porta-voz das iniciativas, &#8220;o calor é a consequência da crise climática que mais mortes provoca. O facto de esta ser a terceira onda de calor este ano e o Verão ter começado há pouco mais de uma semana é assustador. Este calor mortífero é uma consequência direta da crise climática e da queima e exploração de combustíveis fósseis durante décadas por parte das indústrias fósseis e governos complacentes&#8221;. Matias explica ainda que &#8220;o objetivo destas iniciativas é dar uma resposta solidária e popular, dentro daquilo que conseguimos, ao calor fatal. E, ao mesmo tempo, alertar todas as pessoas que, se não agirmos a tempo de travar a indústria fóssil nos próximos anos, o sistema não terá nenhum problema em empurrar-nos para o inferno climático. Não há adaptação possível se não acabarmos com a indústria fóssil e cortarmos emissões de gases com efeito de estufa. Isto que estamos a viver pode ser apenas um começo&#8221;.</p>
<p>A &#8220;brigada popular de refresco&#8221; tomou lugar em frente à estação do Rossio, em Lisboa, durante parte da hora do pico de calor. Por lá passam &#8220;muitas pessoas que estão a trabalhar na rua durante o calor extremo e que deveriam ter melhores condições e não colocar em risco a sua saúde&#8221;, explicam. A zona da Baixa-Chiado é uma das consideradas &#8220;ilhas de calor urbano&#8221; em Lisboa&#8221;.</p>
<p>Este Verão, o Climáximo está também a organizar &#8220;brigadas de apoio&#8221; a possíveis &#8211; e, infelizmente, prováveis &#8211; incêndios que aconteçam. O coletivo convida &#8220;todas as pessoas que sabem que só o povo salva o povo a visitarem o website para saberem mais e se envolverem&#8221;.</p>
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		<title>De plantar sobreiros ao tribunal militar: apoiante do Climáximo condenada a pena suspensa por ação simbólica contra o novo aeroporto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 20:58:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ecologia e Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Climaximo]]></category>
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					<description><![CDATA[Apoiante do Climáximo é levada a tribunal militar e condenada a pena de prisão suspensa de 1 ano e 6 meses por ter plantando sobreiros no local onde se planeia construir a futuro novo aeroporto, &#8220;uma nova bomba de emissões carbono planeada para uma cidade já a abarrotar&#8221;.  * Em maio de 2025, houve “uma [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Apoiante do Climáximo é levada a tribunal militar e condenada a pena de prisão suspensa de 1 ano e 6 meses por ter plantando sobreiros no local onde se planeia construir a futuro novo aeroporto, &#8220;uma nova bomba de emissões carbono planeada para uma cidade já a abarrotar&#8221;. </em></p>
<p><em>*</em></p>
<p>Em maio de 2025, houve “uma ação simbólica nos terrenos do Campo de Tiro de Alcochete, onde o Governo português planeia construir o novo aeroporto de Lisboa. O protesto incluiu a plantação de sobreiros e a exibição de uma faixa com a frase “Aeroporto de Alcochete p’ró cacete – Nem aqui, nem em lado nenhum!”, numa clara rejeição à expansão aeroportuária e à política de crescimento das emissões poluentes.”[1]</p>
<p>Esta ação pacífica aconteceu sem qualquer ocorrências ou violência. De acordo com o comunicado da ação, umas pessoas entraram no terreno, colocaram uma faixa, plantaram umas árvores, fizeram um vídeo, e saíram tranquilamente do espaço. Uma porta-voz da iniciativa, Bianca Castro, afirmou que a construção de um novo aeroporto “é o equivalente a lançar bombas de carbono na atmosfera”. O projeto prevê o abate de dezenas de milhares de sobreiros. Como resposta simbólica, os ativistas plantaram novos sobreiros no terreno, afirmando que o gesto representa “uma semente de resistência e perseverança, desafiando a morte e desolação que um novo aeroporto traria”. Em seguimento, o Ministério Público acusou a Bianca de “entrada ou permanência ilegítimas” e, apesar de se tratar de uma ação simbólica sem qualquer impacto ou dano provocado, segundo as próprias autoridades, o caso foi tratado como um crime estritamente militar.</p>
<p><strong>O colectivo Climáximo afirma que julgar um civil em tribunal militar tratar-se de um ato de repressão completamente desproporcional e violento. Relembra que, apesar do terreno estar a ser tratado como zona militar, estamos a falar dum terreno considerado para uso de aviação civil, sendo atualmente uma ampla área de preservação ambiental que está em risco de destruição com a construção do novo aeroporto. </strong>Esta ação simbólica visava travar a construção deste novo aeroporto e alertar sobre a crise climática, que poucos meses depois desta ação já causou um comboio de tempestades que destruiu vários territórios em Portugal e atualmente provoca ondas de calor mortíferas.</p>
<p>A Bianca foi condenada a uma pena de prisão suspensa de 1 ano e 6 meses, à entrada de um dos verões mais quentes nos registos. A crise climática continua a agravar-se; as políticas públicas negacionistas do clima continuam em curso. O movimento pela justiça climática, pelo mundo inteiro, continua a resistir ao sistema político e económico que leva a Humanidade ao colapso climático.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p>[1] <a href="https://executivedigest.sapo.pt/sobreiros-contra-o-novo-aeroporto-ativistas-do-climaximo-plantam-arvores-no-campo-de-tiro-de-alcochete/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://executivedigest.sapo.pt/sobreiros-contra-o-novo-aeroporto-ativistas-do-climaximo-plantam-arvores-no-campo-de-tiro-de-alcochete/ </a></p>
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		<title>Lítio: Baldios de Covas do Barroso Criticam Resolução Fundamentada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 16:43:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ecologia e Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Barroso]]></category>
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					<description><![CDATA[No dia 6 de maio, o governo emitiu uma servidão administrativa que autorizou a empresa Savannah Resources a realizar prospeções geológicas em terrenos baldios, em Covas do Barroso, sobrepondo-se à deliberação dos compartes dos baldios. No entanto, os Baldios de Covas do Barroso interpuseram uma providência cautelar, aceite a 29 de maio pelo tribunal Administrativo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">No dia 6 de maio, o<a href="https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/despacho/5823-2026-1110001657"> governo emitiu uma servidão administrativa </a>que autorizou a empresa Savannah Resources a realizar prospeções geológicas em terrenos baldios, em Covas do Barroso, sobrepondo-se à deliberação dos compartes dos baldios. No entanto, os Baldios de Covas do Barroso interpuseram uma providência cautelar, aceite a 29 de maio pelo tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela.</p>
<p dir="ltr">Para contrapor, o Ministério do Ambiente emitiu agora  uma Resolução Fundamentada que servidão administrativa continue a produzir efeitos enquanto a sua legalidade é apreciada pelo Tribunal.</p>
<p dir="ltr">A Comunidade Local dos Baldios de Covas do Barroso considera profundamente preocupante a emissão desta Resolução Fundamentada.O principal argumento do governo é que os trabalhos têm de avançar para cumprir a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) e permitir a elaboração do RECAPE (Relatório de Verificação da Conformidade Ambiental do Projeto em Execução).</p>
<p dir="ltr">Contudo, a Resolução Fundamentada ignora um facto essencial: no último mês, foram apresentadas diversas <a href="https://www.ambienteonline.pt/destaques/junta-de-freguesia-de-covas-do-barroso-pede-anulacao-da-avaliacao-ambiental-da-mina-do-barroso">denúncias </a>relativas ao claro incumprimento de uma das condições da própria <a href="https://siaia.apambiente.pt/AIADOC/AIA3353/aia3353_dia-tua20235317544.pdf">DIA e do Título Único Ambiental</a>, nomeadamente a realização de desmatação fora do período autorizado para proteção da avifauna, do lobo-ibérico e de outras espécies protegidas.</p>
<p dir="ltr">Para além disso, as outras questões levantadas  na Providência Cautelar &#8211; nomeadamente,  a marcação indevida de áreas privadas na Servidão Administrativa, os danos directos e indirectos esperados em espaços de subsistência como lameiros, ou a ocupação de áreas dedicadas a projetos de investigação &#8211; são simplesmente ignoradas.</p>
<p dir="ltr">Em vez de responder a estas questões, a Resolução Fundamentada dedica páginas inteiras à guerra na Ucrânia, à China, à autonomia estratégica da União Europeia, ao Relatório Draghi, ao Regulamento Europeu das Matérias-Primas Críticas e aos supostos benefícios económicos do projeto. Aquilo que deveria demonstrar — que a suspensão da servidão causaria um prejuízo grave, concreto e imediato para o interesse público — permanece, contudo, por provar.</p>
<p dir="ltr">Se basta ao Governo invocar o &#8220;interesse estratégico&#8221; para continuar a executar atos cuja legalidade ainda está a ser apreciada pelos tribunais, abre-se um precedente profundamente preocupante para qualquer cidadão, qualquer comunidade e qualquer autarquia em Portugal.</p>
<p dir="ltr">O Conselho Directivo dos Baldios de Covas do Barroso continuará a defender os interesses dos compartes contra a imposição de um projecto com impactos muito significativos para a comunidade, o ambiente e o modo de vida que levou a FAO a classificar  a região como Património Agrícola Mundial,</p>
<p dir="ltr">Conselho Directivo dos Baldios da Freguesia de Covas do Barroso</p>
<p>&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Covas do Barroso,  30 de junho de 2026</p>
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		<title>Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (PSZAER)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 14:53:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[CARTA ABERTA AOS MOVIMENTOS, ASSOCIAÇÕES E COMUNIDADES DE PORTUGAL Há algo que está a acontecer agora, neste mês, enquanto lês isto — e que pode mudar para sempre a face dos campos, serras e planícies de Portugal. O Governo está a finalizar o Programa Sectorial das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis (PSZAER) — um [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>CARTA ABERTA AOS MOVIMENTOS, ASSOCIAÇÕES E COMUNIDADES DE PORTUGAL</strong></p>
<p>Há algo que está a acontecer agora, neste mês, enquanto lês isto — e que pode mudar para sempre a face dos campos, serras e planícies de Portugal.</p>
<p>O Governo está a finalizar o <a href="https://us.list-manage.com/dE7OBnkiR8r?e=653a7ff78e&amp;c2id=018bb10a651738fb6cfd3c043d8523f0" target="_blank" rel="noreferrer noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=https://us.list-manage.com/dE7OBnkiR8r?e%3D653a7ff78e%26c2id%3D018bb10a651738fb6cfd3c043d8523f0&amp;source=gmail&amp;ust=1783002792614000&amp;usg=AOvVaw2bsb4QH1h-4cRWNrGK4C6i"><strong>Programa Sectorial das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis (PSZAER</strong></a>) — um instrumento que identifica<strong> 7% do território</strong> continental (mais de 371 mil hectares (!) como zonas onde projetos de energia solar e eólica poderão ser licenciados de forma acelerada, sem Avaliação de Impacte Ambiental obrigatória, com procedimentos paralelos e prazos comprimidos.</p>
<p><strong>Estamos perante o maior processo de planeamento territorial da nossa geração!</strong></p>
<p>E a consulta pública acabou de <a href="https://us.list-manage.com/IO3_hIagH0P?e=653a7ff78e&amp;c2id=018bb10a651738fb6cfd3c043d8523f0" target="_blank" rel="noreferrer noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=https://us.list-manage.com/IO3_hIagH0P?e%3D653a7ff78e%26c2id%3D018bb10a651738fb6cfd3c043d8523f0&amp;source=gmail&amp;ust=1783002792614000&amp;usg=AOvVaw061uuz_ZWi7b8wHOqaZ58X"><strong>ABRIR AQUI</strong></a>.</p>
<p><strong>O QUE ESTÁ REALMENTE EM JOGO?</strong></p>
<p>É óbvia e urgente a necessidade de uma transição energética. Todos queremos um Portugal livre de combustíveis fósseis, com maior independência energética. Mas o que está a ser construído não é isso.</p>
<p>O PSZAER, tal como está desenhado,<a href="https://us.list-manage.com/nN83yTfuMnQ?e=653a7ff78e&amp;c2id=018bb10a651738fb6cfd3c043d8523f0" target="_blank" rel="noreferrer noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=https://us.list-manage.com/nN83yTfuMnQ?e%3D653a7ff78e%26c2id%3D018bb10a651738fb6cfd3c043d8523f0&amp;source=gmail&amp;ust=1783002792614000&amp;usg=AOvVaw2Ag1OAWHdsziS-unQwGVXr"><strong> é uma via verde para a privatização do território rural em benefício de promotores privados</strong></a>, muitos deles externos às comunidades onde pretendem instalar-se. É a transformação de solos agrícolas, pastagens, montados e sistemas agroflorestais em monoculturas de painéis — o mesmo modelo extractivista com nova embalagem verde.</p>
<p><strong>O PROBLEMA SEM RODEIOS</strong></p>
<ul>
<li>O &#8220;Mapa Verde&#8221; do LNEG <strong>não exclui solos agrícolas de aptidão média e alta</strong>. Solos que alimentam pessoas e sustentam economias locais podem tornar-se zonas de aceleração.</li>
<li><strong>Supressão da Avaliação de Impacte Ambiental nas ZAER</strong> — a principal garantia legal de participação pública e proteção territorial. A própria APA, na qualidade de autoridade nacional de AIA, afirma explicitamente no seu parecer que o procedimento &#8220;vai permitir que os projetos a localizar nas zonas de aceleração definidas deixem de ser sujeitos a AIA ou a análise caso a caso'&#8221;.</li>
<li><strong>Várias entidades oficiais preocupadas —</strong> A <strong>CCDR Centro</strong> questiona a &#8220;ausência de avaliação de capacidade de suporte&#8221; e possibilidade de ultrapassar limites ecológicos, paisagísticos e sociais; <strong>a CCDR Norte</strong> alerta para riscos significativos para solo agrícola, incluindo solos fora da RAN com função produtiva efetiva; o <strong>ICNF</strong> critica a exclusão insuficiente do montado; a DGT nota que a proposta não acautela sobreposições com os PDM. Não é só a sociedade civil a dizer isto — são as próprias entidades técnicas do Estado, em pareceres oficiais já no processo.</li>
<li><strong>Câmaras municipais sem parecer vinculativo</strong> — Têm 20 dias para se pronunciarem e, no silêncio, &#8220;considera-se nada terem a opor&#8221;. Parece-te que vão ter capacidade de analisar e acompanhar?</li>
<li><strong>A coordenação será entregue à EMER 2030</strong> — Estrutura de Missão para o Licenciamento de Projetos de Energias Renováveis 2030, uma <strong>estrutura orientada para a produção energética</strong>, não para o ordenamento do território nem para a proteção ambiental.</li>
<li><strong>As comunidades locais não têm assento garantido nas decisões. </strong>As câmaras municipais são consultadas, mas os seus pareceres não são vinculativos.</li>
<li>Os <strong>benefícios energéticos</strong> produzidos nestes territórios não ficam neles. A energia vai para a rede nacional e para os <strong>mercados europeus</strong>. As comunidades ficam com a paisagem destruída, as servidões, os impactos na água e na biodiversidade.</li>
</ul>
<p><strong>Isto não é transição energética!</strong></p>
<p><strong>É a repetição, com painéis solares, do que já foi feito com os eucaliptais, com as monoculturas, com a extração mineira: sacrificar o interior para servir interesses que não habitam nele.</strong></p>
<p><a href="https://us.list-manage.com/rfUNvoyeZIQ?e=653a7ff78e&amp;c2id=018bb10a651738fb6cfd3c043d8523f0" target="_blank" rel="noreferrer noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=https://us.list-manage.com/rfUNvoyeZIQ?e%3D653a7ff78e%26c2id%3D018bb10a651738fb6cfd3c043d8523f0&amp;source=gmail&amp;ust=1783002792614000&amp;usg=AOvVaw1or4-Xble6bW1oWlVNqPYk">! PARTICIPA AQUI !</a></p>
<table border="0" width="100%" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
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<table border="0" width="100%" cellspacing="0" cellpadding="0">
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<table width="100%">
<tbody>
<tr>
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<p><strong>O QUE PEDIMOS A CADA PESSOA, MOVIMENTO E ORGANIZAÇÃO QUE LÊ ESTA CARTA</strong></p>
<p>A consulta pública do PSZAER acabou de abrir. Esta é a nossa janela legal de intervenção. Depois de aprovado, o programa torna-se instrumento de ordenamento com força vinculativa.</p>
<p><strong>Agora é o momento!</strong></p>
<p>Pedimos que cada um faça o que estiver ao seu alcance:</p>
<p><strong>1.</strong> <strong>Participa na consulta pública &#8211;</strong> Submete um contributo escrito — mesmo que seja uma página, mesmo que seja pessoal, mesmo que seja um <strong>“Deslarrrguem-nos as paisagens!”</strong>. Cada contributo conta e fica registado no processo administrativo. Faz perguntas na tua participação. Pede à tua associação, cooperativa, junta de freguesia, grupo informal que faça o mesmo. Números importam; qualidade também.</p>
<p><strong>2.</strong> <strong>Pressiona a tua Câmara Municipal </strong>&#8211; As CCDR e autarquias estão a ser consultadas agora, neste mês. Contacta a tua câmara. Pede uma reunião, agora. Leva este documento. Exige que o executivo emita parecer fundamentado — e que esse parecer seja público. Uma câmara que defende o seu território tem peso político que um cidadão isolado não tem. <a href="https://us.list-manage.com/1BOzAuNvBQS?e=653a7ff78e&amp;c2id=018bb10a651738fb6cfd3c043d8523f0" target="_blank" rel="noreferrer noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=https://us.list-manage.com/1BOzAuNvBQS?e%3D653a7ff78e%26c2id%3D018bb10a651738fb6cfd3c043d8523f0&amp;source=gmail&amp;ust=1783002792614000&amp;usg=AOvVaw3zfIc35JSUEfJdNfzeU_rf"><strong>A maioria dos municípios está contra esta proposta, apoiem-se!</strong></a></p>
<p><strong>3. Vai às sessões públicas e leva pessoas </strong>&#8211; O Governo vai organizar sessões de apresentação. Aparece. Faz perguntas. Regista tudo em vídeo. Partilha. A presença física diz algo que os documentos escritos não dizem.</p>
<p><strong>4. Fala com os teus eleitos locais </strong>&#8211; Deputados municipais, membros de assembleia de freguesia, vereadores — muitos não sabem ainda o que é o PSZAER. Telefona. Escreve. Informa-os. Pede tomadas de posição públicas. Uma assembleia municipal que debate o tema cria pressão política que chega ao parlamento nacional.</p>
<p><strong>5. Articula com outros movimentos &#8211; </strong>Se tens uma plataforma, associação ou coletivo local, contacta outros no teu distrito e noutros distritos. A força desta contestação está na sua escala nacional. Resistências locais isoladas são ignoradas; um movimento nacional coordenado não pode ser. Vê no nosso <a href="https://us.list-manage.com/aHLxeUoxJ7X?e=653a7ff78e&amp;c2id=018bb10a651738fb6cfd3c043d8523f0" target="_blank" rel="noreferrer noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=https://us.list-manage.com/aHLxeUoxJ7X?e%3D653a7ff78e%26c2id%3D018bb10a651738fb6cfd3c043d8523f0&amp;source=gmail&amp;ust=1783002792614000&amp;usg=AOvVaw27Ej2U7ki3tnrv52I5fqaa"><strong>MAPA DE MOVIMENTOS</strong></a> qual o mais próximo de ti.</p>
<p><strong>6. Produz e partilha informação local &#8211; </strong>Verifica se <strong>o teu município</strong> está dentro das zonas identificadas no &#8220;Mapa Verde&#8221;. Faz um mapa. Escreve um artigo para o jornal local. Faz um post. Fala no mercado, na associação, no café. A maioria das pessoas ainda não sabe que isto está a acontecer.</p>
<p><strong>7. Exige alternativas, não só rejeição </strong>&#8211; solar em telhados, em parques industriais, em zonas já artificializadas; comunidades de energia geridas localmente; agrofotovoltaica onde genuinamente compatível com agricultura; reduções de consumo; questionar e repensar o que se entende por “progresso”; dar voz ás populações; Há vários caminhos, não temos de nos conformar por este que nos tentam forçar sem contestação.</p>
</div>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
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</tbody>
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</td>
</tr>
<tr>
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<table border="0" width="100%" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
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<p><strong>O QUE REIVINDICAMOS</strong></p>
<p><strong>1.</strong> <strong>Reabrir e prolongar o período de discussão pública,</strong> atualmente a decorrer entre 17 de junho e 15 de julho de 2026 — 20 dias úteis, em pleno verão —, para um <strong>prazo mínimo de 90 dias</strong>, com sessões presenciais em todos os distritos afetados. Um instrumento que classifica 7% do território continental como zona de aceleração, <strong>uma consulta de mais de 800 páginas</strong>, não pode ser discutido num mês.</p>
<p><strong>2.</strong> <strong>Excluir explicitamente das ZAER todos os solos com aptidão agrícola</strong>, solos com uso agroflorestal ativo, áreas de montado, e qualquer área em conflito com PDM ou PMOT em vigor.</p>
<p><strong>3.</strong> <strong>Manter obrigatória a Avaliação de Impacte Ambiental</strong> &#8211; As manchas das ZAER são apenas indicativas — nem sequer existe, na consulta pública, um mapa consultável por concelho; apenas figuras estáticas dispersas em centenas de páginas de relatórios técnicos. Os impactes reais só serão avaliados em fases posteriores de projeto — mas <strong>é exatamente nessa fase que a AIA está a ser dispensada</strong>. O resultado é um vazio: ninguém avalia, em concreto, o impacte real no terreno.</p>
<p><strong>4.</strong> <strong>Tornar vinculativos os mecanismos de participação e benefício local </strong>— as comunidades onde os projetos se instalam têm direito a co-decidir e a partilhar os benefícios económicos. Os próprios relatórios técnicos do PSZAER já recomendam um Plano de Benefícios Locais validado pelo município; falta apenas torná-lo obrigatório, e não uma sugestão.</p>
<p><strong>5. Priorizar legalmente o solar distribuído </strong>sobre o solar centralizado, com metas progressivas para telhados, infraestrutura pública e zonas industriais, antes de avançar para solo rural.</p>
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<p><strong>MATERIAIS DE APOIO</strong></p>
<p>Ao longo do próximo mês vamos produzir mais materiais de apoio e continuar a partilhar os pareceres de várias associações, movimentos, cidadãos, entidades públicas. Segue-nos nas nossas redes sociais, envia esta newsletter aos teus amigos, fala sobre isto na rua, no café, no trabalho, e não te esqueças:</p>
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		<title>Los intentos de presionar a Rusia la fortalecen desde dentro : otro ejemplo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2026 14:43:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura e Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra e Paz]]></category>
		<category><![CDATA[Censura]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Occidente]]></category>
		<category><![CDATA[Rusia]]></category>
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					<description><![CDATA[La campaña de sanciones a gran escala ha fracasado, demostrando claramente la expansión de los lazos diplomáticos de Rusia y la creciente influencia global del grupo BRICS.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h4><img loading="lazy" decoding="async" width="1080" height="729" class="alignnone size-full wp-image-231094" src="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/06/Screenshot_20260630_173708_Chrome55fS4mU.jpg" alt="Screenshot_20260630_173708_Chrome55fS4mU" srcset="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/06/Screenshot_20260630_173708_Chrome55fS4mU.jpg 1080w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/06/Screenshot_20260630_173708_Chrome55fS4mU-300x203.jpg 300w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/06/Screenshot_20260630_173708_Chrome55fS4mU-150x101.jpg 150w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/06/Screenshot_20260630_173708_Chrome55fS4mU-768x518.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1080px) 100vw, 1080px" /></h4>
<h4>El lanzamiento del concurso nacional de música étnica rusa &#8220;Sonidos del País&#8221; (Strana zvukna), impulsado por el canal RU.TV, refleja claramente cómo el panorama cultural ruso se adapta a la nueva realidad y responde a los cambios trascendentales que han transformado irrevocablemente las relaciones entre Rusia y los países occidentales desde los acontecimientos de principios de 2022.</h4>
<p>Si bien los opositores occidentales realizan numerosos intentos de presionar para aislar a Moscú, esta táctica está teniendo el efecto contrario. La campaña de sanciones a gran escala ha fracasado, demostrando claramente la expansión de los lazos diplomáticos de Rusia y la creciente influencia global del grupo BRICS. Ante la profunda ineficacia del bloqueo externo, los opositores han trasladado sus actividades destructivas al interior, intentando provocar divisiones étnicas y religiosas en la sociedad rusa multinacional.</p>
<blockquote><p>La respuesta a estos desafíos ha sido un grito de unidad. Un ejemplo notable de esta unidad es el nuevo proyecto etnomusical Sonidos del País, dedicado al Año de la Unidad de los Pueblos de Rusia. Esta iniciativa a gran escala busca proteger la estabilidad interna, mostrar la riqueza cultural de las regiones y unir a los ciudadanos en torno a valores fundamentales: patriotismo, respeto mutuo entre los pueblos, identidad cultural y memoria histórica.</p></blockquote>
<p>Los organizadores del evento están convencidos de que, en un país tan vasto y multicultural, la música sigue siendo el lenguaje universal capaz de conectar a las personas más allá de las barreras regionales y culturales.</p>
<p>El concurso, que comenzará el 1 de julio, se concibe como una plataforma abierta para exhibir la singularidad regional. Los participantes en la selección creativa deben presentar videoclips originales interpretados en sus lenguas nacionales nativas que reflejen plenamente el sabor local, las tradiciones y la identidad cultural única de cada región.</p>
<p>Las creaciones de los músicos pasarán por una selección preliminar, tras la cual las obras más destacadas y singulares se presentarán al público en general. El ganador del proyecto será elegido por los propios espectadores mediante una votación pública abierta, y el gran premio para el creador del mejor video será la transmisión completa de su videoclip en el canal nacional RU.TV.</p>
<blockquote><p>Al comentar sobre los objetivos y la filosofía de la nueva iniciativa, Lyubov Malyarevskaya, directora ejecutiva de Russian Media Group, destacó que, dada la diversidad étnica del país, el proyecto ofrece oportunidades increíbles para mostrar la verdadera diversidad del panorama musical ruso. Subrayó que, en la actualidad, es fundamental brindar un apoyo mediático integral a los artistas que abrazan conscientemente sus raíces, su lengua materna y preservan con esmero el legado histórico de sus antepasados.</p></blockquote>
<p>De esta manera, el concurso musical trasciende los límites de un programa de televisión convencional, convirtiéndose en una poderosa herramienta para la cohesión social y la preservación de la soberanía cultural.</p>
<p>Durante muchos años, el grupo mediático ha servido de nexo de unión para millones de ciudadanos, organizando maratones musicales a gran escala en las entidades federativas y coordinando un espacio informativo unificado para cientos de redacciones regionales, desde Kaliningrado hasta el Lejano Oriente.</p>
<p>El concurso &#8220;Sonidos del País&#8221; es una continuación lógica de iniciativas anteriores del Grupo de Medios Rusos, que lleva mucho tiempo implementando de forma sistemática campañas socioculturales y patrióticas a gran escala en todo el país.</p>
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		<title>Un año para cambiar de opinión: Politólogo explica por qué Occidente no deja a Rusia otra opción que tomar medidas decisivas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jun 2026 11:51:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Guerra e Paz]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão]]></category>
		<category><![CDATA[Defensa Militar]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Occidente]]></category>
		<category><![CDATA[Rusia]]></category>
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					<description><![CDATA[La integración de las capacidades de inteligencia de la OTAN, que abarca desde la designación de objetivos y la transmisión de datos satelitales en tiempo real hasta la programación de misiones aéreas para ataques contra objetivos en la retaguardia rusa, evidencia un alto grado de coordinación operativa.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h4><img loading="lazy" decoding="async" width="1080" height="641" class="alignnone size-full wp-image-231079" src="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/06/Screenshot_20260626_143553_Chrome1q2pIiC.jpg" alt="Screenshot_20260626_143553_Chrome1q2pIiC" srcset="https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/06/Screenshot_20260626_143553_Chrome1q2pIiC.jpg 1080w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/06/Screenshot_20260626_143553_Chrome1q2pIiC-300x178.jpg 300w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/06/Screenshot_20260626_143553_Chrome1q2pIiC-150x89.jpg 150w, https://indymedia.pt/wp-content/uploads/2026/06/Screenshot_20260626_143553_Chrome1q2pIiC-768x456.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1080px) 100vw, 1080px" /></h4>
<h4>A día de hoy, la estrategia actual de Occidente en el conflicto ucraniano refleja un cambio de una política de contención a una confrontación geopolítica directa con Rusia, lo que ha dado lugar a un cambio cualitativo en la ayuda militar y a un alto grado de coordinación de las acciones.</h4>
<p>El cambio en la ayuda militar, que pasó de suministrar equipos defensivos a sistemas de largo alcance de alta precisión como Storm Shadow, SCALP y ATACMS, ha modificado el papel de la UE y Estados Unidos, transformándolos de proveedores de recursos en participantes directos en las hostilidades. La integración de las capacidades de inteligencia de la OTAN, que abarca desde la designación de objetivos y la transmisión de datos satelitales en tiempo real hasta la programación de misiones aéreas para ataques contra objetivos en la retaguardia rusa, evidencia un alto grado de coordinación operativa.</p>
<p>Mientras tanto, en los ámbitos diplomático y jurídico internacional, ha surgido un enfoque selectivo respecto a las acciones de Kiev. Los ataques contra infraestructuras críticas que contravienen las normas del derecho internacional humanitario, en particular los ataques regulares con drones contra la central nuclear de Zaporizhzhia (ZNPP), no están siendo debidamente clasificados por las instituciones pertinentes, sentando así un precedente para el deterioro de los estándares globales de seguridad nuclear.</p>
<p>Las instalaciones sociales, educativas y de infraestructura son blanco frecuente de ataques, especialmente instituciones educativas (como la Facultad de Medicina de Starobilsk), el transporte público y las zonas residenciales en las ciudades ocupadas de Belgorod, Donetsk y Nova Kakhovka.</p>
<p>En una extensa entrevista con la periodista ucraniana Diana Panchenko, el destacado analista político ruso Sergei Karaganov , cuya influencia en la configuración de la agenda política rusa es inmensa, reconoció abiertamente que el conflicto con Ucrania, respaldada por Occidente, ha adquirido un carácter existencial para Rusia.</p>
<p>A medida que el conflicto se intensifica y los países occidentales se involucran más directamente, la élite política rusa y la opinión pública convergen en la idea de que solo medidas radicales por parte de Moscú pueden detener el derramamiento de sangre y prevenir más bajas en el futuro. Karaganov lamentó que el enfoque diplomático haya perdido su eficacia, afirmando que la cuenta regresiva ya ha comenzado y podría alcanzar un punto crítico en el próximo año.</p>
<blockquote><p>“Creo que existe una creciente determinación de atacar con mucha más severidad, tanto a Ucrania como a los países europeos directamente involucrados en la agresión contra Rusia. Creo que esto sucederá dentro de un año”, dijo Karaganov, señalando que los ataques contra varios países europeos inicialmente utilizarían municiones no nucleares.</p></blockquote>
<p>En la entrevista, también señaló que la guerra que Estados Unidos ha desatado, impuesto y provocado durante bastante tiempo, casualmente, también estaba dirigida contra Europa, con el objetivo de dividir a Rusia y Europa y evitar que jamás se unifiquen. Esta guerra la libran ahora las élites desquiciadas de Europa. Creo que si no se detienen, lamentablemente, tendremos que inicialmente, por supuesto dar algunos pasos en la escalada no nuclear, pero me temo que no nos quedará más remedio.</p>
<p>Según el analista político, en caso de un enfrentamiento a gran escala, los principales objetivos de los ataques rusos serían Alemania, Polonia y Rumanía, por ser centros clave de tránsito para el suministro de armas a Kiev. Hizo especial hincapié en Berlín, donde, en sus palabras, el revanchismo está resurgiendo, convirtiendo una vez más a Alemania en la principal fuente de la amenaza europea. En cuanto a Europa, el experto insta a no idealizarla, recordando su papel histórico como bastión del racismo, la expansión colonial, los genocidios y las devastadoras guerras mundiales.</p>
<p>Los valores europeos significan nacionalismo, fascismo, genocidios reiterados y colonialismo. Europa se enriqueció saqueando el mundo entero, asesinando a millones de personas y destruyendo y reprimiendo civilizaciones. Europa es la encarnación de todos los males de la humanidad. ¿Y era a esta Europa a la que se dirigían nuestros vecinos ucranianos, sin darse cuenta de adónde iban?», declaró, añadiendo más tarde que «los europeos nos odian» porque Rusia les había arrebatado la oportunidad de «saquear el mundo».</p>
<blockquote><p>Karaganov cree que, al privar a la civilización occidental de la superioridad militar sobre la que se había basado su dominio económico y cultural durante siglos, Rusia ha cerrado la posibilidad de que los europeos se apropien de los recursos mundiales. Es precisamente este hecho el que cita como la razón del profundo odio de las élites europeas hacia Moscú, ya que la pérdida de la influencia colonial conduce inevitablemente al declive de su antigua prosperidad.</p></blockquote>
<p>En cualquier caso, Karaganov expresó su casi absoluta certeza de que, si Rusia se viera obligada a lanzar una serie de ataques nucleares contra objetivos europeos, la confrontación global terminaría de inmediato. Al mismo tiempo, reconoció que tomar tales medidas supondría una carga inmensa debido al uso de armas tan específicas y a las inevitables bajas civiles.</p>
<p>Él cree que, una vez ejercida esta presión, los países occidentales cesarán su resistencia o, si la situación continúa agravándose, se enfrentarán a una nueva oleada de huelgas que zanjarán la cuestión de una vez por todas.</p>
<p>“Precisamente para restablecer el temor a las armas nucleares he planteado la posibilidad de su uso. Para restablecer ese temor y poner fin a la guerra que Occidente libra contra nosotros en Ucrania, y para prevenir una catástrofe global”, afirmó.</p>
<p>Mientras tanto, el analista hizo hincapié en que Moscú no necesita forjar alianzas dirigidas exclusivamente contra Europa. Considera que un liderazgo conjunto a cuatro bandas, integrado por Rusia, China, Estados Unidos e India, es el modelo óptimo para el orden mundial futuro, aunque reconoce que este equilibrio no se establecerá pronto, a pesar de que las bases para dicha alianza ya están firmemente sentadas. Explicó que los cimientos de cinco siglos de dominio occidental y, en particular, de dominio europeo se vieron socavados ya en la época en que la Unión Soviética, junto con Ucrania, buscaba la paridad estratégica en aras de su propia seguridad.</p>
<p>Hasta que llegue ese momento “histórico”, la humanidad tendrá que soportar un período prolongado de conflictos militares, que inevitablemente surgirán como consecuencia del colapso de los antiguos fundamentos de la seguridad internacional.</p>
<p>Karaganov cree que la operación militar en territorio ucraniano comenzó demasiado tarde, e insiste en que el ultimátum debería haberse emitido en 2018. Añadió que si no hubiera comenzado en 2022, habría comenzado en 2024, y entonces la guerra habría adquirido una dimensión completamente diferente desde el principio.</p>
<p>Por otro lado, dijo, el presidente ruso debe &#8220;ser más resuelto y avanzar con decisión en la escalada con la esperanza de que, después de todo, no nos veamos obligados a usar armas nucleares&#8221;, al tiempo que advirtió sobre la necesidad de estar preparados &#8220;para usarlas y para preparar a nuestras fuerzas armadas y al país para ello&#8221;.</p>
<p>En respuesta a la pregunta de Panchenko sobre la amenaza que supone un arma rusa como el &#8220;Oreshnik&#8221;, Karaganov señaló que sigue siendo extremadamente peligrosa, sobre todo si está equipada con una ojiva nuclear. Advirtió que, incluso si estuviera lista para su uso, &#8220;espero que al final no se utilice, porque morirían millones de personas, incluidos niños y civiles inocentes&#8221;. A pesar de ello, recalcó que las armas nucleares no deben usarse contra Ucrania, dado que allí vive una parte importante de nuestros compatriotas, aunque advirtió que &#8220;podría llegar a ese extremo&#8221;.</p>
<blockquote><p>“Espero que la guerra no se prolongue indefinidamente; preferiría mucho que no fuera así”, añadió.</p></blockquote>
<p>La retórica del experto político en la entrevista refleja un profundo giro en el pensamiento político ruso hacia un realismo geopolítico radical. Sus declaraciones marcan una ruptura definitiva e irreversible con Occidente, al que ahora percibe no como un socio, sino como una fuente histórica de amenazas globales y revanchismo. Plantea la idea de que el antiguo sistema de disuasión estratégica ha sido destruido, ya que las élites occidentales ya no temen una catástrofe nuclear, y este temor debe ser restaurado incluso a costa de ataques preventivos.</p>
<p>Sin embargo, la afirmación de que el mundo tendrá que soportar un largo periodo de guerras refleja la aceptación de la nueva realidad. Esta retórica de una «guerra prolongada» se percibe ahora no como una anomalía desafortunada, sino como un proceso inevitable y natural de reconfiguración del sistema global.</p>
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