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	<title>Tortura &#8211; indymedia.pt</title>
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	<description>Centro de Média Independente - Portugal</description>
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	<title>Tortura &#8211; indymedia.pt</title>
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		<title>Torturas &#8211; Especificidades Cronológicas V</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Sep 2026 09:08:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[2024-2026 e algumas notas avulsas: Vi a Sandra da Gralha em Évora, na SHE, numa feira da honesta, &#8220;Olá Bruno&#8221;, diz ela em passo apressado, como não querendo que mais ninguém notasse do seu stalking &#8211; que faz ela aqui tão longe, aqui tão perto? Pensei que me houvesse livrado já de toda esta gente, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>2024-2026 e algumas notas avulsas</em>: Vi a Sandra da Gralha em Évora, na SHE, numa feira da honesta, &#8220;Olá Bruno&#8221;, diz ela em passo apressado, como não querendo que mais ninguém notasse do seu stalking &#8211; que faz ela aqui tão longe, aqui tão perto? Pensei que me houvesse livrado já de toda esta gente, como eles se quiseram livrar de mim. Não sei, julgo que é assim, que se aproveitam da solidão de minha vida para jogar todo o tipo de jogos com impunidade, pois que a mais ninguém poderia eu recorrer. Como quando me rufiam numa feira anarquista de Lisboa, um capitalista e o Daniel dd Coimbra em tandem, gritando alegremente sobre o <em>anarco-sexo</em>, o que seja.</p>
<div></div>
<div>O controlo exacerbou-se, violam-me todos os dias, sussurram-me ao ouvido que me eliminarão, além de tudo o mais que é irreproduzível, de sórdido que é. Por vezes, para quebrar a monotonia, passo no CCL. Não me causa senão ressentimento. Afinal, ninguém parece interessado em qualquer contribuição minha, e quando propus evento anti-psiquiatria esse foi rejeitado pelo pretexto mais desonesto &#8211; em suma, um suposto companheiro, provavelmente inexistente, alega que a psiquiatria lhe salvou a vida e por isso veta a iniciativa. Sei que é mentira tudo isso. Que lhe tenha salvado a vida e que se deva a ele, que &#8220;não tem aparecido&#8221;, que o evento seja rejeitado. É decisão conjunta e consensual, porque tudo o que realmente desafia a ordem estabelecida se torna incómodo. &#8220;Às vezes há uns anti-psiquiatria, mas não duram muito&#8221;, diz o Raúl. Porque será? De qualquer modo, aqui estou ainda, enquanto sobrevivente, enquanto resistente solitário.</div>
<div></div>
<div>Em 2025, tive novo internamento em Évora, de novo me interrompeu os estudos, porque de novo me agitaram através da ferramenta de controlo. Acorreu todo um aparato policial ao meu modesto aposento em Évora, saio do quarto tenho armas apontadas à cabeça, com direcção laser, assim são as emergências de &#8220;saúde mental&#8221; que a reportagem do Fumaça menciona; de novo alguém não gostou de algo que fiz e se arroga o direito de me hipotecar a vida. Mais dois meses de confinamento, o médico Gonçalo quer que eu tome clozapina, inércia instantânea, e faça análises periódicas, algo que a minha médica de ambulatório reverte.</div>
<div></div>
<div>De qualquer modo, sou obrigado a rejeitar um trabalho porque no centro de psiquiatria se recusam a conciliar os meus horários com a toma da injecção, que se alterou de aripiprazol para zuclopentixol, mas não gosto muito de me deter nesta pseudociência e assim a legitimad. Tenho a minha vida hipotecada, todo o projecto, sonho, aspiração, devir, vontade de viver, foram jogados fora, algo que a repressão sole fazer, mas nunca tão eficientemente, nunca tão dissimuladamente, nunca com tanto sucesso em promover a ideia, inclusive nos meios supostamente dissidentes, de que a sua violência extrema é apenas &#8220;ajuda terapêutica&#8221;.</div>
<div></div>
<div><em>Para já, neste Setembro de 2026, esta cronologia, do I ao V, foi o que me ocorreu, vou acrescentando em comentários ou farei nova publicação se me ocorrer alguma nota que convenha divulgar.</em></div>
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		<title>Torturas &#8211; Especificidades Cronológicas IV</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 17:12:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[2023, ano zero; 2024, ano de controlo: Um colega de curso traficante aproveita-se da minha vulnerabilidade para me dar um charro para fumar, para de novo testar produto. Fico tão alterado que chamo eu mesmo a ambulância, vou parar a Setúbal, onde não me internam. O tribunal, no entanto, envia-me carta a casa a revalidar [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>2023, ano zero; 2024, ano de controlo</em>: Um colega de curso traficante aproveita-se da minha vulnerabilidade para me dar um charro para fumar, para de novo testar produto. Fico tão alterado que chamo eu mesmo a ambulância, vou parar a Setúbal, onde não me internam. O tribunal, no entanto, envia-me carta a casa a revalidar o tratamento em ambulatório em regime compulsivo, pelo que decido abandonar o curso e o país e procurar trabalho num sítio onde não me internem nem me mediquem forçosamente. Sem a medicação, sinto-me tão melhor, tão mais vivo e capaz, tão mais saudável. Tanto que, após deixar passar um tempo de esquecimento e regressar, consigo entrar em Matemática em Évora, na faculdade. Lá, recuperado que estou, sentindo-me saudável, escrevo uns textos no Indymedia, que atraem nova onda de repressão. Sou internado por ordem da polícia em inícios de 2024, mas saio do Garcia de Orta em regime voluntário. Depois, o controlo abate. Oiço a voz da Vera, psiquiatra no Garcia, à janela do meu quarto em Évora &#8220;se queres viver não bebas café!&#8221;. O café nunca me havia surtido efeito mais que o normal, mas com qualquer droga que me deram através de um qualquer dispositivo de controlo intravenoso (ou o que seja, isto um dia será sabido, para já é matéria para historiografia futura), fico agitadíssimo. Sei que há quem saiba do que é específico, mas nunca sou considerado digno o suficiente para que alguém me fale directamente, toda a comunicação comigo é feita por proxy, através da alusão ou da encenação. &#8220;(&#8230;) Confias na análise do Doutor House (&#8230;)&#8221; Decido sair de casa nesse instante e dirigir-me ao hospital, para que isto termine de uma vez por todas. Ainda passa o INEM por mim, dando-me ar para a cabeça, mas a minha resolução é inamovível. Estou em regime de compulsivo desde então, eles conseguem dar-me substâncias à distância que me deixam agitado, para que assim justifiquem a sua atrocidade. &#8220;Foi por um triz&#8221;, diz a enfermeira Rafaela, depois desse internamento, provavelmente algo que ver com o jogo macabro ao qual me sujeitaram contravontade.</p>
<div></div>
<div>Foi assim que conheci a Gisela. O André, utente do Garcia de Orta, carrega num botão do telemóvel de um controlador que o foi visitar, quiçá seu familiar, e passo mal logo que a substância bate. O segurança diz-me &#8220;Tu e a tua mãe são pessoas normais!&#8221; e o auxiliar Carlos assegura-me &#8220;Isto não tem nada a ver contigo&#8221;, pelo que não entendo este desperdício flagrante de recursos hospitalares em mim quando nada me diria respeito. Nesse internamento, a Gisela aperta-me a mão e diz-me &#8220;A morte não existe&#8221; e depois outros eventos, &#8220;para que achas que chamamos a Gisela?&#8221; pergunta-me o auxiliar/traficante Isaac, que esteve a cantar no Preço Certo, &#8220;se falas muito levas seringada&#8221;, assegura-me o João Xavier, um agente manda-chuva da companhia que foi visitar o internamento para ver se estava tudo em ordem, &#8220;você nunca devia ter vindo cá parar&#8221;, lamuria-se para mim o musicoterapeuta Gil, e por aí diante. O que escapa a todo este plano de me dar um sítio onde possa viver é que não tenho independência financeira e estou obrigado pelo estado à submissão voluntária, pois que todos os meus planos me são brutalmente interrompidos se assim não for. De qualquer maneira, dizem-me que já não sou imortal, assim o gritou a auxiliar Cátia depois de eu comer a gelatina. E a enfermeira Sara, recordo agora neste espaço, dizendo-me que foi uma fuga, que foi por eu ter fugido de casa que me internaram.</div>
<div></div>
<div>A partir daí, teria todo o tempo do mundo. Excepto que esta história da imortalidade é banha da cobra, ou um segredo tão bem escondido que alguém como eu pode aqui revelá-lo. Sinto-me velho, fraco e cansado, não vou viver para sempre.</div>
<div></div>
<div>Daí em diante, fiquei cada vez mais ciente do controlo, levo choques eléctricos caprichosamente, apercebo-me de que há outros ouvintes que, aparentemente, convivem muito melhor com esta ferramenta do que eu alguma vez serei capaz. Dão me doenças e depois a cura. Psiquiacia.</div>
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		<title>Torturas &#8211; Especificidades Cronológicas III</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 16:32:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Repressão]]></category>
		<category><![CDATA[Tortura]]></category>
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					<description><![CDATA[2020-2022 &#8211; Braga, Porto, Sul: Agora trabalho. Quando fui parar ao Garcia de Orta os tais cinco dias, fui confrontado pela médica Renata: &#8211; Então, qual era o seu problema? &#8211; Com as pessoas da pequena-burguesia era uma coisa, com as pessoas da classe trabalhadora era outra &#8211; E trabalham? &#8211; pergunta ela, intuindo-se daqui [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>2020-2022 &#8211; Braga, Porto, Sul</em>: Agora trabalho. Quando fui parar ao Garcia de Orta os tais cinco dias, fui confrontado pela médica Renata:</p>
<p>&#8211; Então, qual era o seu problema?<br />
&#8211; Com as pessoas da pequena-burguesia era uma coisa, com as pessoas da classe trabalhadora era outra<br />
&#8211; E trabalham? &#8211; pergunta ela, intuindo-se daqui que o meu mal era falta de trabalho</p>
<p>Em Braga trabalho, até me mudar para o Porto, para casa da Penim Guerreiro, perto do Marquês. Sempre na condescendência geral, de quem tudo sabia educando a ignorância em pessoa, como nas minhas visitas ao Maldatesta não ouvia senão pessoas falando de mim como se eu não estivesse presente, &#8220;que espírito!&#8221;, dizem, na primeira vez que vou após a tortura com a qual ninguém se solidarizou, tomando parte da encenação geral, também me vão passando uns charros para testar o produto, uma vez que é do consenso geral que mais nenhuma utilidade tenho. No Moinho, o Taborda rouba-me telemóvel e lentes de contacto, dizem que estão a cozinhar a legalização da marijuana. Essa é a minha função. Está a cozinhar, está a cozinhar, diz a Yolanda. Não há afinidade possível que pudesse formar com quem quer que seja, a relação dos outros comigo é uma de uso.</p>
<p>Depois mudo para a residência de estudantes, na posição de persona non grata na faculdade, excluído dos grupos online onde se discutiam as matérias das aulas. Lá faço umas gravações sobre o que me acontecera até então, votando afastar-me de tudo, algo que infelizmente não fiz, instado que fui pelo Duarte a voltar ao Maldatesta &#8211; houve debate académico e parece que saí vencedor, apesar de ser apenas objecto e nunca sujeito.</p>
<p>Passado algum tempo, fiz uma magia, nem que eu morra aqui, sem me perguntarem nada faziam intenções de me esconder, ou assim me fizeram crer, o Tozé pôs o &#8216;Clandestino&#8217; do Manu Chao a tocar no Gato Vadio. Sem qualquer relação de confiança mútua, estas pessoas, que sempre me votaram ao abandono quando mais precisava, que sempre ignoravam tudo o que eu pudesse ter a dizer, que sempre barraram qualquer iniciativa minha, criam de algum modo que lhes teria confiança o suficiente para aceitar ser transportado para um ambiente onde o seu controlo seria não apenas parcial mas total. Por outras palavras, como não me tratariam às escuras por comparação com o que já faziam às claras. Na minha posição de isco, toda a prática me foi vedada, nunca pude aprender nada, para depois ouvir do Jonas que o que importava era a serralharia não a literatura, quando a literatura era o pouco que o constante desterro me permitia e permite, e não sem também constante interrupção, tornando-me inapto, desadequado, burro.</p>
<p>Porque na residência chamaram a ambulância, neste consenso nacional de que sempre que faça eu algo que alguém não goste estou sujeito ao hospital psiquiátrico, levam-me para o São João, de onde me transferem para o Garcia de Orta. No primeiro, sentindo-me por cima, digo à médica, que numa altura mais tarde vi como enfermeira, e noutra ainda como recepcionista de teatro em Évora, que a psiquiatria rouba a individualidade de cada qual. &#8220;Concordo consigo&#8221;, diz-me, mas esta concordância não a impediu de acrescentar, &#8220;mas neste momento considero mais prudente que fique internado&#8221;.</p>
<p>Vou passando pelo Maldatesta de vez em quando, mas eles ainda estão retidos na iluminação cinemática e na absoluta falta de solidariedade, pelo que a certo ponto, vendo eu que não me aconteciam mais que novos internamentos, após os quais me tentava agarrar a esperanças infundadas de recomeços (quando me sentia saudável, que não é o caso agora), durante os quais me drogavam até um estado senciente, mas não consciente, em que faziam por me treinar obscuramente ou arrancar informações que nunca lembrarei ter ou não fornecido; desisto de lá ir. Até em Coimbra chamaram uma ambulância, onde quer que eu vá estou sujeito, e logo a minha memória se enfraquece com todo o dano que me foi causado.</p>
<p>Vou fazendo, quando fors de hospitais, uma vida algo boémia, em Lisboa. Mas sou seguido onde quer que vá. Até que sou expulso da Achada e no Desterro me cantam canções que intrometem com o de mais íntimo a minha vida poderia ter. Não estou cá a fazer nada se esta a crueldade absurda que tenho de enfrentar quotidianamente, pelo que opto pela tentativa de suicídio. O Filipe Vicente, médico no Garcia de Orta, diz que fiz uma birra. A Dulce diz que me deixe de pieguices. A minha vida foi roubada.</p>
<p>Depois do internamento do suicídio, há a tal altura em que o Sérgio Carvalho acorre à emergência médica, tentando tirar satisfações comigo. Em ninguém se pode confiar nesta vida, parece ser a lição que me querem dar, porque de novo vou parar à psiquiatria, primeiro ao Santa Maria, de onde tenho a cicatriz na sobrancelha, depois ao Garcia de Orta. Fico lá dois meses. Dois meses que nunca recuperarei, mais a medicação forçada, mais as amarras, mais o tempo de recuperação após internamento, mais o tempo de ameaça prévio. No total, já estive encarcerado dois anos. Oito anos de vida, e a contar, foram-me roubados. Nos hospitais, de tudo fazem para desestabilizar os utentes, com os seus jogos, rupturas e encenações. De outro modo, como poderiam justificar a sua actividade?</p>
<p>Uma vez perguntei ao Godinho que substância me estava a dar, acordei amarrado. Outra vez, fui socado por outro paciente, um Ricardo que anotava tudo o que eu dizia nas suas folhas &#8211; fui amarrado. Outra vez, tive desentendimento com um enfermeiro na zona do telefone, fui amarrado. E em diante. Com cinto de contenção e injecção de Haldol, para punição completa, para total estado de dependência.</p>
<p>Ninguém quis saber de mim quando me tentei suicidar pelo que do ponto de vista de toda a gente talvez haja sido pelo pior que não tenha sido bem-sucedido. Desde então, decidi não deixar ninguém para trás, não me enredar em fantasias revolucionárias que arrastem consigo sanismos vários. Comecei a usar a inernet, uma ferramenta em que a atomização obrigatoriamente imposta (ainda) não se totalizou, apesar de que o seu uso contínuo seja concorrentemente uma das suas causas (da atomização). É nessa actividade paradoxal que me encontro. A internet isola-nos quando é a comunicação única, mas a psiquiatria ainda mais nos isola quando tentamos recuperar a nossa vida e conhecer pessoas em carne e osso. Não só pelo sanismo vigente mas relações sociais e nos espaços libertários, como pelo exemplo punitivo que o internamento compulsivo oferece a todos quantos assistam alguém reclamando sua própria vida no aqui e no agora. Ou seja, preferia não ter a internet na minha vida, mas é o único espaço de expressão que me resta, uma vez que se fizer a vida em carne e osso como me aprouver, sempre estou sujeito à violência de torturas impunes com as quais ninguém se solidariza. É também o meu único espaço de identidade, ou seja, em que a minha expressão me outorga ser aos demais, pois que offline não encontro senão a indiferença daqueles para quem estaria tão bem morto quanto vivo. O obstáculo que separa o virtual do real é o que urge ultrapassar.</p>
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		<title>Torturas &#8211; Especificidades Cronológicas I</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Publicação Comunitária]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 11:54:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Repressão]]></category>
		<category><![CDATA[Tortura]]></category>
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					<description><![CDATA[Anterior à primeira hospitalização, Porto, Novembro de 2017-Fevereiro de 2019: Bullying massivo no meio libertário, mais ostensivo da parte de alguns como o Jonas Ribeiro, mais subtil da parte de outros como a Sandra da Gazua, depois da Gralha; desvalorização geral da parte de todes de todas as minhas intervenções, e olhares de suspeita advindos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Anterior à primeira hospitalização, Porto, Novembro de 2017-Fevereiro de 2019</em>: Bullying massivo no meio libertário, mais ostensivo da parte de alguns como o Jonas Ribeiro, mais subtil da parte de outros como a Sandra da Gazua, depois da Gralha; desvalorização geral da parte de todes de todas as minhas intervenções, e olhares de suspeita advindos de todos os lados, parece que todos me consideram uma figura odiosa e indesejável. Intromissão colectiva na minha vida privada, curiosidade da parte de César Figueiredo do Gato Vadio sobre o passado, sobre um qualquer segredo por desvendar. Culmina esta dinâmica grupal numa reunião do EAL a que faltei, uma reunião à qual deveria comparecer para pedir desculpa aos companheiros, ainda hoje não sei porquê. Tudo é comunicado através da encenação (na altura, discute-s. O Gonçalo pergunta-me na noite dessa reunião &#8220;Vais demorar?&#8221; enquanto muda a fechadura da casa onde ambos vivíamos. Desapareceram-me muitos, muitos pertences. Às vezes roubados em mão, como foi o caso quando o Abílio me levou na sua carrinha Renault amarela quase até Angeiras, para me dar uma lição de pragmatismo, ou de moral (qual é qual, pergunte cada qual), &#8220;Olha o André Ventura, deve ser grande foda&#8221;, diz ele, confrontando-me, na ideia dele, sabe-se lá com o quê.</p>
<div></div>
<div>No Gato Vadio, aquando da apresentação do livro da Voltairine De Cleyre, encenação com os seguintes actores:</div>
<div></div>
<div>Mário Rui Pinto: &#8211; &#8220;anarquista instintivo &#8230; abusos&#8221;</div>
<div></div>
<div>Óscar: -&#8220;[indiscernível]&#8221;</div>
<div></div>
<div>Diana Dionísio: -&#8220;Compreendes o que ele está a dizer?&#8221;</div>
<div></div>
<div>Toni: -&#8220;Compreendo&#8221;</div>
<div></div>
<div>Venho ao Sul. Conheço uma mulher que me diz que guarde o seu número no telemóvel como &#8216;Ana Pragal&#8217;, nesta continuidade cénica através da geografia diz-me que devo voltar e pedir desculpa.</div>
<div></div>
<div>Minto à Natacha Pereira Ribeiro dizendo que o farei, mas sem qualquer intenção, pretendo apenas encontrar uns arrumos onde deixar as minhas coisas e rumar à Dinamarca, onde encontrei um trabalho como carteiro.</div>
<div></div>
<div><em>7 de Março de 2019:</em> Reunião do GAH, vou lá com o Gonçalo Gomes, &#8220;o Costa e a Cristas estão a cozinhar o novo NRAU?&#8221; diz a Maria José, moradora da Lapa. &#8220;Destas manhas em Braga&#8230;&#8221;, diz o Pedro de Braga, que lá foi à reunião. Antes disso, estive com o Vítor Silva no Pereira, no Marquês: &#8220;o CICOPN é uma boa casa&#8221;. Acompanhou-me depois de dizer em voz alta &#8220;não te deixo sozinho no estado em que estás&#8221;, como não fosse evidente que há uma marcação geral, (há polícias circundando a estação de metro), que se trata tudo de uma fabricação anterior, concorrente e posterior.</div>
<div></div>
<div>Nessa noite, agitado que estou da marcação geral de toda a cidade, durmo na cama do Gonçalo, após a sua proposta. Antes disso, força-me a tomar um diazepam.</div>
<div></div>
<div><em>8 de Março de 2019</em>: O Gonçalo acorda-me ao som de música do computador, talvez Dire Straits, e diz-me &#8220;Às vezes preciso que me acordem para me porem a trabalhar&#8221;; fico tão atarantado que lhe atiro o computador ao chão. Ele soca-me e deixa-me a sangrar do nariz &#8220;Esquece!&#8221;, diz ele. Não direi que gosto de lembrar as causas da minha agonia, mas recordar é necessário, não gosto que me forcem o esquecimento histórico. A Madalena Morais liga-me logo em seguida &#8220;Vem ter à Trindade&#8221;. Quando lá chego, ligo à Cátia Vilaça, minha testemunha por violência policial em Braga, perguntando-lhe se devo fazer a queixa no DIAP. &#8220;Faz a queixa&#8221;, a que acorre a Lena em seguida &#8220;Não faças a queixa, estamos todos muito preocupados contigo&#8221;. Leva-me ao Terra Viva. Está lá o José Paiva também. &#8220;Aproveitem-se de mim e depois matem-me!&#8221;, grito em tom desesperado, algo que nem precisava haver gritado para entender que é lema operacional, eu sou apenas isco, como fui isco para a extrema-direita, estratégia que se viu rogada, dada a sua ascensão a pique. Chega a ambulância, são todas amarelas as que vejo passar, todas do INEM, põem-me lá dentro. Viro-me para os bombeiros &#8220;Desculpem também a vocês&#8230;&#8221; Nos dias anteriores havia telefonado a várias pessoas, na ânsia de me livrar ds marcação geral, pedindo desulpa por pecados da interrelação (como diz a Anna Pereiraki Kercheva, que mais tarde encontrei num hospital de Évora, faltam-me competências sociais). Lembro-me de ligar ao Hugo da Wondercom e ao Alberto da Telepizza, o primeiro diz-me &#8220;Vou falar com um técnico&#8221; e o segundo &#8220;Na Telepizza os gajos fecham-te!&#8221;. Desta vez, como das outras, porém, de nada serve este pedido de desculpas. Levam-me ao Hospital São João, está lá uma carrada de polícias. &#8220;Eu não tenho nenhum problema psiquiátrico!&#8221;, grito e tento abandonar o edifício, vários polícias me voltam a empurrar para dentro. Um homem diz-me &#8220;Não bufes&#8221;, algo que o Jaime Oliveira repete na última vez que me visita no Magalhães Lemos, para onde me levaram.</div>
<div></div>
<div><em>8 de Março de 2019-5 de Abril de 2019, Hospital Psiquiátrico Magalhães Lemos:</em></p>
<p>O segurança que me dá o nó ao pescoço tornou-se meu conhecido, voltei a vê-lo no São João em 2021 e em Évora em 2024. É um cão de guarda. Antes do mata-leão, diz &#8220;Agora vais aprender a colaborar&#8221;. Antes disso, ao porem-me o cateter, ri-se a enfermeira alegremente &#8220;8 de Março, dia da mulher!&#8221;</p>
<p>Acordo no OBS, estou a comer em frente a um médico. Dão-me um comprimido. &#8220;Escondeu-o entre as gengivas&#8221;, denuncia o psiquiatra. Acordo, estou numa sala em isolamento com um colete de forças, batendo com a cabeça na parede. &#8220;Ninguém merece viver em isolamento! Ninguém merece viver em isolamento!&#8221;, grito eu.</p>
<p>Sou transferido para outro bloco. O José Paiva vem visitar-me, &#8220;Queres que chame a nossa companheira brasileira?&#8221;, referindo-se à Sofia Quintas. Não é preciso, respondo. Acrescenta ele, &#8220;Metemos aí malta da nossa&#8221;, como que impondo a inferência de um qualquer jogo macabro. No pátio do bloco está lá o tecido social todo &#8220;Sim, gostamos de ti, tens boas conversas&#8221;, diz uma rapariga nova de um grupo de raparigas novas, troçando da minha condição fisicamente fragilizada. Outro rapaz novo diz em espanhol &#8220;Te quiero, Bruno&#8221;, e uma mulher dos seus trinta e tal, quarenta, piscando-me o olho &#8220;Uma pena suspensa&#8221;.</p>
<p>Sou transferido para o bloco do qual sairei. Tenho visitas todos os dias. Da minha mãe ao fim-de-semana, da Madalena Morais e do José Paiva, da Ana Ferreira, do Jaime Oliveira, da Teresa Velasquez, da Cátia Vilaça, da Cíntia Regala, da Ruki Penim Guerreiro, todos estes viram a tortura em primeira mão, todos estes pactuaram com o jogo, todos estes viram a minha situação física e psíquica debilitadíssima.</p>
<p>O médico encarregue é o Pedro Moura e a enfermeira-chefe uma Luciana, se recordo bem (creio que sim). Tenho duas feridas simétricas em cada gémeo, cujas cicatrizes são visíveis ainda hoje, espalhadas de longo, como galáxias. Não sei como as tenho, mas lá estão. A certo ponto, a enfermeira-chefe diz, &#8220;Vão para a sala de fumo, por solidariedade!&#8221;. É aí que me é induzida uma infecção pulmonar, deliberadamente, tive de tomar antibióticos depois de ter alta médica, ou seja, depois de decidirem que me matarem seria demasiado espalhafatoso. O Pedro Moura parece nervoso no dia de anunciar a minha alta, como não estando certo de que o meu corpo resistisse por muito mais à tortura.</p>
<p>Uma altura, comecei a correr no corredor do internamento, &#8220;e eu é que sou maluco&#8221;, diz um paciente conivente com a tortura, um que uma vez tinha reagido com &#8220;és mesmo radical&#8221; à minha admissão de haver começado a fumar aos 21 anos. O Paulo Alves, que me fez companhia quase até ao fim, vaticina, &#8220;Tu és um fundista&#8221;, e a enfermeira-chefe, impedindo-me de continuar mas assegurando o restante povo &#8220;Ele não fez mal a ninguém!&#8221;</p>
<p>Um paciente, Carlos, se não estou em erro, diz que tenho de ter cuidado na estrada, posso vir a precisar de uma prótese. A paciente Luciana diz &#8220;um alarme!&#8221; em tom assegurado, quando se verifica que fiz o esforço dos esforços para falar a bem com os demais, debilitadíssimo que estava. A minha condição física anterior era invejável, desde a tortura que está ao capricho de controladores e médicos, consoante o meu comportamento segundo qualquer padrão de bem.</p>
<p>O André, outro utente, grita-me: &#8220;As pessoas não se julgam pelo estrato social, é pelas atitudes&#8221;. Todas estas pessoas que menciono sabem da tortura, participaram dela alegremente, fazem-se passar por quem não são, algumas até por dissidentes.</p>
<p>O Paulo, ao ver-me aceitar um comprimido: &#8220;Gostei. Sabes porquê? Porque já não te escondes&#8221;. Acho que isso supostamente importava, que eu não me escondesse, não tivessem as pessoas milhentas razões para se esconderem neste sistema e tempo repressivo. Creio que isto aconteceu no dia anterior à sexta-feira da minha alta, anunciada na terça-feira anterior. Eu queria sair de outra maneira, mas &#8220;mãe é mãe&#8221;, assegura o Pedro Moura. Partimos para o sul, a viagem de carro mais difícil que até ver fiz, estou num estado absolutamente frágil, depois desta terrível surpresa.</p></div>
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