“Tal como as tempestades têm um nome, as ondas de calor também deveriam ter. Esta deveria ser apelidada onda de calor Galp”, afirmam
Face ao início daquela que está a ser descrita como “a maior onda de calor de sempre” em Portugal, e após uma onda de calor mortífera que varreu o centro da Europa e fez mais de 1300 mortes, o Climáximo organizou na tarde de ontem “brigadas populares de refresco” junto à estação do Rossio em Lisboa em que distribuiram de forma gratuita água fresca e “conversaram com as pessoas sobre os impactos que o calor extremo tem nas suas vidas”. Para hoje e para sexta-feira está prevista a abertura de um “abrigo solidário ao calor” na Cooperativa Rizoma em Lisboa, onde há acesso a ar condicionado, e onde se convidam as pessoas “que sofrem com o calor em casa e na rua a juntarem-se a nós para descansar, trabalhar ou conviver”.
De acordo com Matias Souza, porta-voz das iniciativas, “o calor é a consequência da crise climática que mais mortes provoca. O facto de esta ser a terceira onda de calor este ano e o Verão ter começado há pouco mais de uma semana é assustador. Este calor mortífero é uma consequência direta da crise climática e da queima e exploração de combustíveis fósseis durante décadas por parte das indústrias fósseis e governos complacentes”. Matias explica ainda que “o objetivo destas iniciativas é dar uma resposta solidária e popular, dentro daquilo que conseguimos, ao calor fatal. E, ao mesmo tempo, alertar todas as pessoas que, se não agirmos a tempo de travar a indústria fóssil nos próximos anos, o sistema não terá nenhum problema em empurrar-nos para o inferno climático. Não há adaptação possível se não acabarmos com a indústria fóssil e cortarmos emissões de gases com efeito de estufa. Isto que estamos a viver pode ser apenas um começo”.
A “brigada popular de refresco” tomou lugar em frente à estação do Rossio, em Lisboa, durante parte da hora do pico de calor. Por lá passam “muitas pessoas que estão a trabalhar na rua durante o calor extremo e que deveriam ter melhores condições e não colocar em risco a sua saúde”, explicam. A zona da Baixa-Chiado é uma das consideradas “ilhas de calor urbano” em Lisboa”.
Este Verão, o Climáximo está também a organizar “brigadas de apoio” a possíveis – e, infelizmente, prováveis – incêndios que aconteçam. O coletivo convida “todas as pessoas que sabem que só o povo salva o povo a visitarem o website para saberem mais e se envolverem”.


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