Floresta 2026

O Fundo Ambiental começou a financiar eucaliptais ilegais através da mudança das regras do programa “Floresta Ativa”, anunciada na semana passada pelo Secretário de Estado Rui Ladeira. Ao “flexibilizar” o financiamento público a todas as espécies, os eucaliptais podem passar a receber apoios diretos de até 800€ por hectare, enquanto quem plantou espécies autóctones enfrenta dificuldade em reaver dinheiro investido na gestão de combustível. O Estado continua a aumentar ativamente o risco de incêndios florestais subsidiando a espécie invasora e extremamente combustível que é o eucalipto, enquanto a Europa arde e Portugal está apenas a poucos graus de longitude de o mesmo acontecer. 

O programa “Floresta Ativa”, gerido pelo Fundo Ambiental e pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), está ativamente a contrariar o objetivo para o qual foi criado, a proteção da floresta portuguesa. Enquanto os pequenos proprietários que apostaram em espécies autóctones enfrentam bloqueios que os impedem de reaver o dinheiro investido na gestão de combustível, o Governo abriu os cordões à bolsa pública para financiar a limpeza de eucaliptais, muitos deles ilegais. A decisão de Rui Ladeira abre a porta ao financiamento de até 800 euros por hectare, subsidiando diretamente as monoculturas de crescimento rápido que abastecem o lucro da indústria de pasta de papel.

Segundo João Camargo, da Rede de Resposta Floresta do Futuro, “O território está abandonado, e paga-se para manter e expandir as espécies e o tipo de plantações que fazem de Portugal o país que mais arde da Europa. Há plantações de eucalipto em situação de total ilegalidade por todo o país, violando distâncias mínimas obrigatórias por lei, junto a habitações, estradas e destruindo as linhas de água. É o mesmo Estado que subsidia indústrias fósseis e emissoras que aumentam o calor que atravessamos e promovem o caos climático”.

Segundo Joana Torres, da mesma Rede, “Apesar destas infrações graves, que continuam sistematicamente a colocar populações rurais e urbanas em risco de vida devido aos incêndios e a destruir os recursos hídricos, a madeira de plantações ilegais continua a entrar nas fábricas de celulose rotulada como “certificada”.”

Acresce que entidades reguladoras e auditorias não partilham os dados de geolocalização dos terrenos propostos para certificação FSC ou PEFC com o público, procurando esconder a realidade do terreno e promovendo ativamente o “greenwashing” das plantações que promovem o ciclo de fogo, o abandono e desertificação incentivado pelo governo e empresas como a Navigator e a Altri.

As novas regras de acesso ao “Floresta Ativa” estão a financiar a expansão dos incêndios florestais numa altura em que o Mediterrâneo arde e apenas por acaso Portugal não está completamente sob chamas devastadoras como Espanha, França, Tunísia ou Argélia. A política pública em Portugal é de abandono rural e aumento da crise climática através do apoio a mais emissões, e decisões como esta confirmam que, governo após governo, se substitui o apoio às espécies autóctones que reduzem a velocidade do fogo e aumentam a probabilidade de controlá-lo para financiar uma indústria completamente devastadora para o país como é a indústria da celulose.

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