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O Baldio de Covas do Barroso decidiu: não à proposta da Savannah

A Associação Futuro do Barroso acusou recentemente a Direção dos Baldios de Covas do Barroso de falta de transparência, alegando que alguns compartes não teriam tido conhecimento da assembleia em que foram rejeitadas propostas da Savannah relativas à implementação da Mina do Barroso. A associação considerou ainda que a recusa do projeto revela “falta de visão para o território” e que os Baldios terão rejeitado uma oportunidade económica que, segundo a sua estimativa, poderia representar cerca de 1,7 milhões de euros para a comunidade.

https://www.jn.pt/pais/artigo/acordos-com-baldios-aumentam-tensao-entre-associacoes-no-barroso/18118549

 O Conselho Directivo dos Baldios rejeita por completo estas acusações, que considera infundadas, de má-fé e parte de uma estratégia de difamação. No dia 9 de Julho de 2023, foi discutido em Assembleia de Compartes, previamente anunciada através de edital público, um conjunto de propostas da Savannah Lithium, entre as quais uma proposta de aluguer do baldio. A proposta foi rejeitada por unanimidade pelos 56 compartes presentes, conforme consta da acta da Assembleia. O processo deliberativo decorreu de acordo com os procedimentos legais aplicáveis e, mais que do Conselho Directivo, resultou da deliberação da Assembleia de Compartes – isto é, de um órgão representativo da comunidade local. Esta posição não é recente nem circunstancial: desde 2021, e em sucessivas deliberações tomadas em 2025 e 2026, a Assembleia de Compartes tem reiterado a sua oposição à Mina do Barroso, sempre que foi chamada a pronunciar-se, direta ou indiretamente, sobre o projeto. Recordamos que, por mais que frustre a empresa e os seus apoiantes, a população local tem o direito de rejeitar o projeto de mina e de decidir coletivamente sobre o que considera valioso para o futuro do seu território. Rejeitamos também enquadrar a recusa do projecto de mina como perda de uma significativa oportunidade económica, sem atender aos impactos negativos do projecto. Pelo contrário, uma análise técnica da CAPOLIB (Cooperativa Agro Rural de Boticas) estima que, durante o seu tempo de vida, o projecto de mina representaria uma perda de receita de cerca de 2 milhões de euros para os agricultores de Covas do Barroso. Estima também que a preservação e valorização dos recursos florestais do baldio represente, num espaço de 50 anos, um capital económico comunitário de mais de 60 milhões de euros – que estaria em risco com a implementação da Mina do Barroso.

  As alegações da AFB inserem-se numa campanha mais ampla da Savannah e associações-satélite para atacar a legitimidade da população de Covas do Barroso para decidir sobre o seu próprio território. São mais uma tentativa de descredibilizar uma oposição à mina que é maioritária entre a população directamente afectada e de mascarar a incapacidade da empresa de obter licença social em Covas do Barroso. Servem, por isso, para cumprir três propósitos: deslegitimar as decisões colectivas dos compartes do baldio, promover vozes exteriores à freguesia como supostos mediadores dos interesses locais e fabricar a aparência de apoio regional ao projecto. Tudo isto através de uma associação que se apresenta como promotora dos interesses do território, mas que se apresenta sem apoio popular e institucional e cuja intervenção pública tem sido, essencialmente, a de câmara de eco da Savannah. No caso da Associação Futuro do Barroso, esta proximidade é particularmente evidente, sendo a associação presidida por um empresário com conhecidas relações comerciais com a Savannah.

  Em conjunto com a Junta de Freguesia de Covas do Barroso e a Câmara Municipal de Boticas, o Conselho Directivo dos Baldios continuará a trabalhar no sentido de fazer valer a vontade da população que representa, comprometendo-se, para isso, a defender o ambiente, a saúde pública e o património comum da região. É nesse compromisso, e em respeito pela vontade reiteradamente expressa pela comunidade, que continuaremos a lutar por um futuro para a nossa região sem a Mina do Barroso.

24/08/2026

Conselho Directivo dos Baldios de Covas do Barroso

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