Unidos em Defesa de Covas do Barroso
Nesta madrugada, a população de Covas do Barroso iniciou um novo bloqueio aos trabalhos da empresa britânica Savannah Resources, numa área de baldio abrangida pela servidão administrativa que permite à empresa realizar trabalhos de prospeção, apesar da oposição de proprietários e compartes.
Pelas seis horas da manhã, cerca de trinta moradores juntaram-se nos terrenos assinalados para os trabalhos de sondagem da Savannah Resources e formaram um cordão humano em frente a uma máquina de prospeção, procurando travar o avanço dos trabalhos. Recorde-se que, no passado dia 9 de outubro, a comunidade já tinha organizado um bloqueio popular que interrompeu os trabalhos da empresa e levou à identificação policial de 27 pessoas. Em causa estão trabalhos essenciais ao desenvolvimento do projeto da Mina do Barroso, contra o qual as populações locais resistem há oito anos.
Paulo Pires, pastor de Romainho, sublinha que esta luta é também pela defesa do modo de vida da comunidade: “Muito se tem falado ultimamente sobre a questão da habitação. E esta luta também é pela defesa da nossa casa, que é a nossa aldeia. Ninguém quer viver a duzentos metros de uma mina a céu aberto. É uma luta pelo direito a vivermos com saúde, sossego e boa vizinhança, num momento em que o Governo quer entregar de bandeja a nossa aldeia a uma empresa privada. Todos nós podíamos ter emigrado. Mas escolhemos ficar aqui. Porque achamos que isto é uma vida boa. E trabalhámos a vida toda para termos os terrenos e o gado que temos. E agora é o nosso próprio Governo que nos quer tirar isso à força. Não aceitamos”.
Nélson Gomes, presidente da UDCB, explica que este novo bloqueio nasce do sentimento de abandono da comunidade e da falta de respostas das instituições perante o avanço dos trabalhos da empresa: “Fazemos este bloqueio porque nos sentimos completamente abandonados. Não há uma instituição que nos represente. E não podendo também contar com um Governo que defenda a sua própria população, vemo-nos obrigados a bloquear nós mesmos os trabalhos da empresa. E vamos continuar estes bloqueios enquanto for preciso. Para nós a mensagem aqui é clara: esta comunidade está disposta a tudo para travar este projeto. Quem tem de decidir o futuro da aldeia somos nós. E não é não”.
Para Rita Mó, presidente da Junta de Freguesia de Covas do Barroso, o bloqueio é também um protesto contra a atuação da União Europeia: “Temos de recorrer a este bloqueio porque esgotámos todas as outras opções. De cima só vêm ordens, e nenhuma abertura para escutar a população. Temos por exemplo uma União Europeia que se vangloria constantemente de representar o continente dos direitos. Para quem? Onde se vê essa Europa dos direitos, quando as suas populações rurais são assim tratadas como descartáveis? Quando somos ameaçadas de uma expropriação em massa dos nossos terrenos? É a própria Comissão Europeia que promove um projeto de mineração que não só é um atentado ambiental, como vai contra a expressa vontade das populações locais. É preciso lembrar que, à boleia deste projeto, esta comunidade vive com câmaras de vigilância e segurança privada instaladas na aldeia. É um abuso”.


Deixe um comentário