De plantar sobreiros ao tribunal militar: apoiante do Climáximo condenada a pena suspensa por ação simbólica contra o novo aeroporto

Climáximo

Apoiante do Climáximo é levada a tribunal militar e condenada a pena de prisão suspensa de 1 ano e 6 meses por ter plantando sobreiros no local onde se planeia construir a futuro novo aeroporto, “uma nova bomba de emissões carbono planeada para uma cidade já a abarrotar”. 

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Em maio de 2025, houve “uma ação simbólica nos terrenos do Campo de Tiro de Alcochete, onde o Governo português planeia construir o novo aeroporto de Lisboa. O protesto incluiu a plantação de sobreiros e a exibição de uma faixa com a frase “Aeroporto de Alcochete p’ró cacete – Nem aqui, nem em lado nenhum!”, numa clara rejeição à expansão aeroportuária e à política de crescimento das emissões poluentes.”[1]

Esta ação pacífica aconteceu sem qualquer ocorrências ou violência. De acordo com o comunicado da ação, umas pessoas entraram no terreno, colocaram uma faixa, plantaram umas árvores, fizeram um vídeo, e saíram tranquilamente do espaço. Uma porta-voz da iniciativa, Bianca Castro, afirmou que a construção de um novo aeroporto “é o equivalente a lançar bombas de carbono na atmosfera”. O projeto prevê o abate de dezenas de milhares de sobreiros. Como resposta simbólica, os ativistas plantaram novos sobreiros no terreno, afirmando que o gesto representa “uma semente de resistência e perseverança, desafiando a morte e desolação que um novo aeroporto traria”. Em seguimento, o Ministério Público acusou a Bianca de “entrada ou permanência ilegítimas” e, apesar de se tratar de uma ação simbólica sem qualquer impacto ou dano provocado, segundo as próprias autoridades, o caso foi tratado como um crime estritamente militar.

O colectivo Climáximo afirma que julgar um civil em tribunal militar tratar-se de um ato de repressão completamente desproporcional e violento. Relembra que, apesar do terreno estar a ser tratado como zona militar, estamos a falar dum terreno considerado para uso de aviação civil, sendo atualmente uma ampla área de preservação ambiental que está em risco de destruição com a construção do novo aeroporto. Esta ação simbólica visava travar a construção deste novo aeroporto e alertar sobre a crise climática, que poucos meses depois desta ação já causou um comboio de tempestades que destruiu vários territórios em Portugal e atualmente provoca ondas de calor mortíferas.

A Bianca foi condenada a uma pena de prisão suspensa de 1 ano e 6 meses, à entrada de um dos verões mais quentes nos registos. A crise climática continua a agravar-se; as políticas públicas negacionistas do clima continuam em curso. O movimento pela justiça climática, pelo mundo inteiro, continua a resistir ao sistema político e económico que leva a Humanidade ao colapso climático.

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[1] https://executivedigest.sapo.pt/sobreiros-contra-o-novo-aeroporto-ativistas-do-climaximo-plantam-arvores-no-campo-de-tiro-de-alcochete/ 


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