Climáximo visita localidades atingidas pelos fogos em Vouzela: “Foi horrível, só quem vive é que sabe”, afirmam populares

Climáximo

Este fim de semana, o Climáximo esteve na zona de Vouzela numa “brigada de apoio popular”. “Os incêndios que todos os anos atingem Portugal são uma manifestação violenta da crise climática, uma guerra que os governos e as empresas declararam às populações e ao planeta”, afirma o coletivo. 

 

Nos dias 11 e 12 de julho, um pequeno grupo de apoiantes do coletivo por justiça climática “Climáximo” esteve em algumas das localidades atingidas pelos fogos na zona de Vouzela – Carvalhal de Vermilhas, Couto, Farves, Alcofra, Campia, e Cambra. Este foi o primeiro grande incêndio da temporada e queimou mais de 13 mil hectares, incluindo locais de armazenamento de feno e palha, levando a que várias pessoas tivessem perdido os seus investimentos e fontes de rendimentos

“Este não é um fenómeno isolado. O incêndio aconteceu durante a sexta onda de calor em Portugal só em 2026, numa altura em que toda a Europa estava a bater recordes de temperatura. Em Espanha, um incêndio no sul do país já deixou pelo menos 12 mortos e dezenas de desaparecidos. Estas são as consequências da crise climática. E têm responsáveis: as empresas de combustíveis fósseis, como a Galp, que há décadas que sabem que queimar petróleo e gás levaria a Humanidade ao inferno climático; em Portugal; as empresas de celulose como a Navigator ou a Altri que transformaram o território do interior num eucaliptal pronto a arder; e os governos que, cúmplices, deixaram a situação chegar a este ponto. Juntando a tudo isto o abandono sucessivo do território e das populações do interior, temos a receita perfeita para o desastre”, escrevem em comunicado.

Ao longo dos dois dias, a “brigada de apoio popular” visitou algumas das localidades e pessoas atingidas pelos incêndios, “escutando aquilo que as pessoas têm a dizer e, de forma muito limitada, apoiando em alguns trabalhos bem como levando bens de apoio, nomeadamente rações e alimentos para o gado, uma vez que, com a serra toda ardida, muitas pessoas não têm forma de alimentar os animais – fonte de subsistência para muitas”.

Em comunicado, destacam que muitos dos populares com quem falaram revelam sentir que “o Estado não fez o suficiente para proteger a população e os seus bens, falhando no processo de preparação”, que “muito do território não estava cuidado devido ao abandono e falta de investimento na manutenção das florestas”, e que, contrastando com o episódio em Outubro de 2017, “a situação estava a ser mais crítica este ano porque não choveu nem o calor dava tréguas”. Destacam ainda que um dos pedidos de apoio por parte da população é de “feno, palha, ração e outros alimentos para o gado”, visto que o incêndio deixou muitas pessoas e pequenos produtores na angústia e desespero de não ter como alimentar os animais.

O Climáximo apela a “todas as pessoas que não querem ficar de braços cruzados e que se recusam a ficar passivas enquanto os governos e as empresas nos empurram para o inferno climático” que “entrem em resistência climática” através de “agir em solidariedade com as popuações afetadas pelos incêndios neste Verão que está a ser infernal, bem como lutar para fazer frente e travar a emergência climática”. O coletivo aponta que as pessoas interessadas em juntarem-se a estes esforços podem preencher o formulário no seu website (https://www.climaximo.pt/)


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