Anarquista

Queria fazer da justiça o dia dos nossos dias

Queria omitir a sombra e a solidão
Queria contribuir para a tua voz em ação
Queria fazer do medo um desejo
Explorar o nunca mais pelo menos uma vez
Gritar com pulmões de veludo duas ou três
Queria ganhar algo para ter para te mostrar
Queria a dúvida na dívida do mal morto
Queria sujar as mãos de barro castanho
Queria passear num navio naufragado
Morrer depressa que não tenho tempo
Viver devagar pela preguiça e justiça
Alcançar um feito, um lugar
Sonhar acordado mas sonhar
Queria ter de saber dizer que não
Queria poder salvar o meu amigo
Fazer por querer e por crer
Ter-te aqui e ver-te correr
Queria o fim mais perto
O mais perto mais quente
O mais quente mais bonito
O início do fim numa caminhada de ardor
Queria passar uma vida à frente
Passo a perna dou um passo
Toca e foge sonho antigo
Vem comigo vem comigo
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