Acampada Lisboa

A polícia voltou a intervir contra as acampadas no Rossio e na Praça D. João I na madrugada de domingo. Há registo de vários detidos e feridos em Lisboa e no Porto. Uma porta-voz da acampada do Porto disse à Lusa que houve 37 feridos ligeiros mais dois detidos. 

COMUNICADO da Acampada de Lisboa sobre o que aconteceu hoje à noite

Na madrugada de hoje, 25 de outubro, dezenas de manifestantes foram brutalmente agredidos pela polícia de intervenção. Destes, mais de 20 foram para o Hospital de São José e muitos outros foram assistidos no local pela equipa de cuidados da Acampada. Depois, fomos perseguidos durante horas pela baixa da cidade – Praça da Figueira, Martim Moniz, Rua da Palma, Mouraria, Intendente, Graça -com cães e balas de borracha, mostrando que o objetivo não era apenas tirar as nossas tendas do Rossio, mas sim encurralar-nos e fazer-nos sentir medo. Neste momento, encontram-se cerca de 30 pessoas detidas.

Depois de uma manifestação que reuniu milhares de pessoas em marcha, entre o Marquês de Pombal e a Praça do Rossio, a Acampada reergueu as suas infraestruturas, entre a montagem de mais de 100 tendas, programação cultural gratuita, realização de assembleia e cantina popular pronta a servir comida a quem viesse tomar o Rossio enquanto lugar simbólico de uma luta pelo acesso à habitação em Portugal.

Para muitas das pessoas que aderiram a esta forma de protesto e reivindicação, a tenda transcende já o carácter simbólico: trata-se da solução possível para a qual estamos a ser empurradxs quando deixamos de poder pagar a renda de uma casa ou de um quarto. Os primeiros dias da semana passada mostraram uma capacidade de organização sem precedentes, tanto em Lisboa como no Porto e nas demais cidades que se juntaram às Acampadas através de outros processos reivindicativos: afinal a cidade pode voltar a pertencer-nos.

A polícia, a mando da classe e projecto político que orienta a sua acção, oficializou a violência deliberada sobre manifestantes pacíficos, na tentativa de impedir a continuidade das suas justas reivindicações. Mas isso apenas revela que essa mesma classe política e os seus lacaios têm medo. Perante isso, reafirmamos que cá continuaremos, a dar corpo a uma luta imprescindível pelo direito a ter um tecto.


Audio: “A polícia disse que temos dez minutos e irá avançar com bolas de borracha. Decidimos coletivamente RESISTIR! Não vamos sair daqui, somos muitas”

 

Video:
https://www.instagram.com/p/De5itoEMXBV/

 

Imagem de capa:
https://www.instagram.com/p/De6Y2vgof_i/

Caixa de Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *