Deu-se ontem o terceiro dia consecutivo de bloqueio popular dos trabalhos da Savannah Lithium no baldio de Covas do Barroso. Cerca de cinquenta pessoas formaram um cordão humano à volta do perímetro de lavra, de forma a impedir o normal funcionamento dos trabalhos de prospecção da empresa. Estes trabalhos de sondagem geológica inserem-se nas acções planeadas no contexto da segunda servidão administrativa concedida pelo Governo à empresa, permitindo-lhe desta forma avançar com prospecções em terrenos privados e baldios, ainda que contra a expressa vontade de proprietários e compartes. Ontem, por volta das 19 horas, a empresa decidiu retirar a máquina de perfuração do baldio de Covas do Barroso.
Sobre a retirada da máquina, comenta Aida Fernandes, presidente do Baldio de Covas do Barroso: “É uma vitória para a nossa luta. E é uma alegria vermos uma máquina daquelas, que não tem outro objectivo que não destruir o baldio, a ir-se embora”.
Acrescenta ainda Carlos Gonçalves, morador de Covas do Barroso: “A empresa diz que não houve nenhum bloqueio, porque não havia trabalhos planeados. Alguém acredita nisto? De manhã, quando começávamos o bloqueio, víamos a carrinha dos trabalhadores a chegar ao local. Mas quando nos avistavam, iam-se embora. Se não tinham mais trabalhos planeados, porque é que demoraram três dias a retirar a máquina? É um discurso conveniente. Serve só para evitar alarme entre os investidores”.
Explica também Nélson Gomes, presidente da associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso: “Este bloqueio mostra que a comunidade está disposta a fazer o necessário para travar este projecto. A empresa não tem a maior parte dos terrenos que precisa para avançar com a mina, e ninguém aqui lhes vai facilitar a vida. Os investidores deste projecto andam iludidos. Tudo o que a empresa promete acaba por ser mais caro e demorado do que o prometido. E tenho a certeza de que no final este projecto vai cair”.


Deixe um comentário