De 6 a 10 de agosto, na Quinta do Cruzeiro, a Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso organiza a sexta edição do Acampamento em Defesa do Barroso. O evento reúne população local, ativistas, especialistas e organizações ambientais, num ato de mobilização coletiva contra os projetos de mineração na região e contra o modelo dominante de transição energética.
Com cerca de mil participantes inscritos, o Acampamento tem como objetivo divulgar o trabalho da associação, angariar fundos e consolidar um espaço de encontro, solidariedade e expressão pública em defesa do Barroso e das suas populações. O programa inclui conversas, espetáculos, momentos musicais e uma ação de protesto, onde serão partilhados testemunhos diretos da população local.
Esta iniciativa insere-se num percurso contínuo de resistência da população de Covas do Barroso que, desde 2017, tem contestado o projeto de exploração de lítio previsto para a freguesia, recorrendo a diversas ações legais e formas de mobilização pública. O Acampamento constitui também um momento de denúncia do atual regime de servidão administrativa imposto sobre terrenos privados e baldios em Covas do Barroso, que tem permitido à empresa Savannah Lithium avançar com trabalhos de prospeção contra a vontade expressa de proprietários e compartes.
Sobre isto, comenta Diogo Sobral, membro da associação: “Tem-se construído uma narrativa de inevitabilidade à volta dos projetos de lítio em Portugal, invocando-se um suposto interesse público, tido como evidente, que nunca merece verdadeiro debate público, para proveito de quem beneficia destes projetos. Mas o que este evento mostra é que a população local não aceita esta narrativa da inevitabilidade, e que faz questão de ser voz ativa na decisão sobre o seu próprio futuro. Mostra também que não está sozinha neste propósito, e que conta, na verdade, com uma ampla rede de apoio, tanto nacional como internacional”.
Comenta assim o evento Rita Dias da Mó, presidente da freguesia de Covas do Barroso: “Como sempre dissemos, em Covas do Barroso gostamos de receber quem venha por bem. Enche-nos o coração perceber que tanta gente decidiu tirar um pouco do seu tempo, do seu verão, para nos vir conhecer e apoiar o nosso trabalho. É algo que nos anima muito, depois de quase dez anos de contestação ao projeto de mina na nossa aldeia. Sentimos que não estamos sozinhos, e só nos dá força para continuar”.
Finaliza desta forma Carlos Gonçalves, membro da UDCB: “O acampamento mostra que estamos unidos e ativos, que não esmorecemos. Não interessa o que diga a empresa ou o governo, ninguém nos convence que não temos voto na matéria na nossa própria aldeia. Não consentimos nisso”.


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