Das figuras que passam por libertárias, após a primeira tortura, de 8 de Março a 5 de Abril de 2019…

Ana da Palma, em tom sarcástico: “Nos hospitais não fazem isso, ou nós iríamos todos para te salvar!”

César Figueiredo, em tom autoritário: “O turismo é o futuro, estão a foder isto tudo!”

Natacha Pereira Ribeiro, em tom maternal: “Nunca estive assim tão fragilizada… gosto muito de ti.”

José Paiva, em tom combatente: “Parece Peniche… ninguém te escorraça, partido político, pá”

e uns tempos mais tarde, após a minha insistência perante a sua complacência, “isto cá para mim é atenção a mais”

Madalena Morais, roubando publicação de Gonçalo Gomes: “O que é feito daquelas pessoas que mandei à merda, já lá chegaram?”

Anabela Santos, em tom feminista: “Quando fores escorraçado [ou seja, naquele tempo previsto em que já se haveria espremido todo o granfo possível] vais ter de ter ferramentas para lidar com isso, o teu consumo de charros foi NORMAL

Jaime Oliveira: “O teu comportamento foi normal? Então pronto”

João Taborda, tomando parte de nova tortura, fora de hospitais, roubando-me telemóvel e lentes de contacto: “Estão a cozinhar a legalização da marijuana!”

Ruki Penim Guerreiro, em tom paternalista: “Pois, sabes, em situações de violência doméstica o que há a fazer é chamar a polícia, e neste caso, esta era a alternativa”

António Eduardo, no raccord: “Qual é a alternativa?” (este é o gajo que está sempre na net a falar da TINA)

Sérgio Carvalho, após o seu cosplay de bombeiro a levar-me para a psiquiatria: “Maluco de merda, fala assim na cara quando me vires”

E por aí diante, na complacência mais surpreendente (pelo menos à minha ingenuidade). Se reclamo para mim a ideia, tenho de expôr a hipocrisia. Após sucessivas torturas, ainda me encontro preso ao sistema psiquiátrico, a pior prisão de todas, operando à margem de qualquer respeito pela dignidade e auto-determinação básicas (num evento recente no CCL, alguém disse que os fachos – que nos dia de hoje, não existiam, tal era a sua opinião – seriam caso de psiquiatria, um dito que resulta comum da fala corrente, mas que os libertários poderiam evitar).

Destruiu-me absolutamente a vida, para regozijo de todes e preocupação de ninguém, mas a minha falta de carimbo identitário desqualifica-me de ser alvo de violência institucional massiva e incrivelmente pesada (afinal de contas, há psiquiatras que passam pelos movimentos sociais, pelo que mais valia estender o convite a polícias e magistrados).

Para registo, desta feita com nomes de pessoas e não de personagens, como havia sido no Tortura, que a censura da Rádio Paralelo a outro programa, na figura deste tal Toni, levou a que o desse por apagado de qualquer registo ou arquivo (já nem tenho o programa, poderia constar de uma certa historiografia libertária, em havendo interesse nisso, mas está dado por perdido).

 

Caixa de Comentários

3 respostas a “Respostas à tortura inaugural (ca. 2019)”

  1. Asdrúbal Campaínhas

    Tortura é ler um texto destes num espaço como o Indymedia. Tortura é ele manter-se publicado. Tortura é ter que ler queixas com nomes reais sem fundamento mais nenhum. Tortura é o constante assédio e provocação sem vontade de um desfecho racional e pacífico o que denota, sim, bastante obsessão e paranóia.


    1. sujeito político

      Epá, está bem, abelha

      Tens alguém que foi literalmente torturado várias vezds dentro das fronteiras do estado-nação a que estás confinade e preferes alimentar a narrativa do poder de que tudo é atribuível a paranóia, quando pessoas “companheiras” sabem do facto e preferiram zombar a solidarizar-se

      Mas suponho que para ti seja tudo mais confortável se não se tiver de lidar com aquilo que não é tão descomplicado quanto o activismo do dia

      Quanto a desfechos “racionais e pacíficos”, deixo-os aos liberal-democratas que passam por cima da violência de todos os dias, e ainda mais daquela que se exacerba na psiquiatria dentro e fora da ala (ainda para mais quando de tortura pura e dura, e não mero “internamento” se trata)

      E não banalizes a palavra, ler a publicação não se compara à repressão organizada que foi e é a tortura a sério, jogada para canto pq o pessoal preferiu um esquema desumanizante de sacar pasta


      1. acrescento

        puta de lata, o asdrúbal finge não perceber que não dá para ter o luxo de desfechos pacíficos quando se tem a vida toda hipotecada por esta merda

        se houvesse movimento a sério, haveria transmissão de ferramentas, haveria um “o que é que precisas?”, haveria solidariedade

        ao invés disso, é pessoas a andar por aí tipo que nada se passa nem se passou


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