Ideas no Exilio

Florença

Nos dias que correm os poetas têm razões proprias para alimentar uma ave cega e olharem o mundo com olhos de tristeza. Aqui neste livro, que é um turbilhão, certamente encontrará aquilo que terá que ser dito. O teu eu, depois de atravessar, abismos e socalcos, pretende com esta primeira obra, instaurar um primeiro estar desconforme e abismal, corta um caminho no ventre do mundo, sem deslumbre nem afagar do sentido própio do abscondito, oferece nos um lugar para pensar, descobrir, um manifesto vindo de bem fundo da alma.

/guerra á guerra

Paz entre nós/

Às vezes ainda me vem a angústia da existencia. Qual o sentido das coisas e como evitar cair na lama. O absurdo domina-me com força e cega-me o caminho. Penso duas ou três vezes ao dia nisto. Depois esqueço, torno-me banalíssimo e visível. Procuro pouco a sombra e julgo-me feliz quando na verdade só estou a ter respeito próprio. A vida segue e eu não paro. Vamos esquecer o dia que arde e caminha mandão em nossos esqueletos, para ficar sozinhos e normais animais. Que jogo jogamos.. onde a felicidade não tem lugar, só tem mesmo tempo E o que falta acontecer é menos um Desista de obter uma razão, um faro, lentidão Estamos bem assim cabrão Como lhe devo chamar? Doente mental, assim assim Vá lá o diabo que agora estou ocupado Tanta coisa minha e de outrém Segue-se à risca, nem melhora nem atinge Coisas da rebeldia e exactidão Ora pois ponha-se lá em posição Vamos chorar só um pouquinho A minha mente cabe num cantinho Justa causa e erosão Rói a corda, dá-me tesão Junta-te a mim então meu querido coração A dor que dói é dolorosa A tua vidinha vistosa A minha carne para canhão Logo à tarde a luta pois então Até sempre, incha valentão Adeus adeus sem perdão. Adeu. Capitão das costas, selvagens, porto infinito. Se um dia a barcaça, sair do molhe, se mais um dia, puseres os ferros na besta. se mais um ano, construires, uma barraca feita, de vento e folhas, mas com um tronco de alma, bem assente na lama. Viajamos uma ultima vez, pela terra dos piratas dançantes. sob um céu de espuma, uma dança macabra, com as texturas que nos iludem na vida. sem choro. As portas fecham, ouço o meu sussurrar nas paredes frias, o eco, conversas, palavras atiradas contra a célula, um dia vemos-mos, quando sairmos, eu vou te visitar… O sol doí-me nos olhos, como toupeira, caminho por uma estrada. sigo a linha amarela, mais uma maquina de sensações estragada, sou como uma bomba de pressão rota, deixado num banco de jardim, calo-me, calo-me, calo-me.


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