A rede elétrica foi umas da infraestruturas afetada durante esta quarta-feira pela condições meteorológicas provocadas pela Depressão Kristin,
Até ao momento, 450 mil clientes continuam sem energia, dos quais 300 mil no Distrito de Leiria, e 150 mil no resto do território continental, com incidência nos Distritos de Santarém, Coimbra e Castelo Branco.
Mortes – 5 pessoas (4 confirmadas pela Proteção Civil, 1 adicional).
Saúde – 177 vítimas de trauma atendidas na ULS de Leiria.
Energia ~450 mil clientes ainda sem eletricidade às 08 h; 300 mil no distrito de Leiria.
Restante falta de energia em Santarém, Coimbra e Castelo Branco.
Infraestruturas Estradas parcialmente cortadas; centenas de casas com telhados danificados e pequenas inundações.
Linhas ferroviárias (Norte, Beira Baixa, Oeste) suspensas.
Base Aérea N.º 5 em Monte Real danificada, mas ainda operacional.
Autoridades
Leiria, Nazaré e Ferreira do Zêzere pediram estado de calamidade (ainda não concedido).
Alvaiázere descreve “cenário catastrófico” e mantém abrigos municipais.
Água e comunicações
Racionamento de água; falha da rede Siresp em Batalha.
Pedrógão Grande sem telecomunicações móveis.
Transportes devido a problemas na via causados pelo mau tempo, a circulação ferroviária continua suspensa nestas linhas e sem previsão de retoma:
- Linha da Beira Baixa – entre Ródão e Castelo Novo;
- Linha do Norte – supressão dos serviços de Longo Curso entre Porto e Lisboa;
- Serviço Regional entre Coimbra B e Entroncamento:
- Linha do Oeste;
- Na Linha da Beira Baixa está a ser realizado serviço Regional no troço Entroncamento – Castelo Branco – Covilhã.
Leiria e Coimbra são os distritos mais gravemente afetados; a recuperação em Leiria pode levar mais de um ano.
O IPMA classificou o fenómeno como “ciclogénese explosiva”, levando a Proteção Civil a elevar o alerta ao nível 4 (máximo) ao longo da costa de Viana do Castelo a Setúbal.
O que implica o nível‑4
Mobilização total – Todas as forças de socorro, bombeiros, militares e serviços de saúde operam a 100 % da capacidade.
Restrição de circulação – Estradas e linhas ferroviárias (Norte, Beira Baixa, Oeste) foram suspensas; o acesso a áreas de risco está limitado.
Abrigos e assistência – Politécnicos, ginásios e escolas transformam‑se em centros de acolhimento, oferecendo água potável, alimentos e cuidados médicos.
2️⃣ Ações imediatas (até 24 h)
Desobstruir sarjetas – retire lixo, folhas e objetos que bloqueiem o escoamento da água.
Fixar objetos soltos – prenda andaimes, placas, caixotes, toldos ou qualquer estrutura que possa ser arrastada pelo vento.
Evitar áreas de risco – não circule perto de rios, margens costeiras ou encostas sem vegetação; mantenha‑se longe de árvores que possam cair.
Preparar o veículo – verifique pneus, pressão e, se houver neve, carregue correntes; abasteça o tanque ou confirme carga da bateria.
Levar suprimentos essenciais – água, alimentos não perecíveis, medicamentos e roupa quente para caso fique isolado.3️⃣ Medidas para os próximos dias (2‑5 dias)
Monitorar avisos oficiais – IPMA (www.ipma.pt) e Proteção Civil (www.prociv.pt).
Apoiar vizinhos vulneráveis – ofereça água, alimentos ou medicamentos a idosos, crianças ou pessoas com mobilidade reduzida.
Condução defensiva – reduza a velocidade, mantenha distância segura e esteja preparado para gelo ou neve nas estradas.
Não atravessar áreas inundadas – procure rotas alternativas; use pontes ou passagens elevadas indicadas pelas autoridades.4️⃣ Checklist rápido (para imprimir ou guardar no telemóvel)
Garrafões/recipientes limpos para água
Roupas quentes e cobertores
Alimentos não perecíveis e medicamentos
Ferramentas para fixar objetos (cordas, cintas)
Lista de contactos de emergência (Proteção Civil 351 21 424 7100)
Voluntariado nos serviços de emergência:
Proteção Civil
para ajudar na triagem de pedidos de socorro ou na distribuição de kits de higiene.
Ruas estão “praticamente todas intransitáveis”. PSP alerta as populações de Coimbra e Leiria para se manterem em segurança em casa
O comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Leiria pediu às pessoas para que não saiam de casa, sobretudo na zona da cidade de Leiria, dado que as ruas estão “praticamente todas intransitáveis”.
Foi precisamente pela zona de Leiria que a depressão Kristin entrou em Portugal, progredindo depois para o interior do país, nomeadamente para os distritos de Castelo Branco e Guarda, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
Em declarações à agência Lusa pelas 06:20, Carlos Guerra aconselhou aos cidadãos para que, “neste tempo mais próximo, não saiam de casa, sobretudo na zona da cidade de Leiria”.
“Estão as ruas praticamente todas intransitáveis, portanto, há necessidade ainda de proceder a muitos cortes de árvores, muitas limpezas de via e só para o estritamente necessário, só mesmo muito urgente, é que tentem circular com os veículos”, afirmou.
De acordo com o comandante sub-regional, “todas as estradas aqui na zona de Leiria estão condicionadas com muitas quedas de árvores, muitos destroços na via”, havendo “necessidade de proceder a estas limpezas”.
Carlos Guerra adiantou que, embora ainda não seja “possível verificar toda a extensão dos estragos”, foram registadas “muitas quedas de árvores e de estruturas, e alguns edifícios também com estragos nos telhados”.
“Em termos dos agentes de proteção e socorro, temos danos avultados no quartel dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande e também no quartel dos Bombeiros Voluntários de Leiria”, referiu, assinalando que estas duas corporações estão “com problemas de operacionalidade”.
Quanto à rede elétrica, “a situação é muito caótica”, com Carlos Guerra a exortar os cidadãos para que não tentem “pressionar a E-Redes através de telefones, porque não vão ter respostas” em tempo útil.
Por outro lado, apelou para que utilizem as linhas telefónicas de socorro “para situações só de urgência”.
“As linhas telefónicas estão muito sobrecarregadas. Aqui no nosso comando não conseguimos atender todas as chamadas, porque são inúmeras chamadas”, alertou.
Pedindo calma à população, Carlos Guerra recomendou que as pessoas vejam os estragos nas proximidades, “fazendo e ajudando no que for possível”, mas que “não ponham a sua segurança em causa e, sobretudo, que não vão para a rua com carros neste momento, sobretudo na zona da cidade de Leiria, porque está completamente intransitável em muitos locais”.
- O pedido de estado de calamidade
Autarquias de Leiria, Nazaré e Ferreira do Zêzere solicitaram ao Governo a declaração de estado de calamidade, que permitiria:
Recursos financeiros extraordinários para reparação de infraestruturas e apoio a famílias desalojadas. Procedimentos simplificados para a contratação de obras de emergência e a mobilização de voluntários. Acesso prioritário a fundos da UE destinados a catástrofes naturais. Até o momento, o Governo ainda não concedeu o pedido, argumentando que “as medidas devem ser fundamentadas”. Enquanto isso, a população enfrenta filas nos poucos supermercados ainda abastecidos, racionamento de água e falta de telecomunicações.
O papel das organizações de direitos humanos
DOCUMENTAR
Casos de negligência (ex.: demora na reposição de energia em áreas críticas).
Violação de direitos (ex.: falta de acesso a água potável ou a cuidados médicos).
Recomendações ao Estado para melhorar planos de resposta, garantir transparência e proteger grupos vulneráveis (idosos, crianças, pessoas com necessidades médicas).
Especialistas do IPMA alertam que a recuperação em Leiria pode levar mais de um ano, dada a extensão dos danos à rede elétrica, ao património habitacional e à infraestrutura de transportes. Enquanto isso, a Proteção Civil mantém o nível‑4 de alerta, reforçando a necessidade de medidas de emergência que respeitem simultaneamente a segurança pública e os direitos humanos.
Estado de emergência (nível 4) – o que significa
Alerta máximo – É o nível mais alto que a Proteção Civil pode ativar. Indica que a situação apresenta risco de “potencial destrutivo muito significativo”.
Mobilização total – Todos os recursos disponíveis (equipas de socorro, bombeiros, forças armadas, serviços de saúde, comunicação e logística) são postos em operação a 100 % da sua capacidade.
Coordenação centralizada – O comando passa a ser exercido pelos postos de comando da Proteção Civil (ex.: Leiria – Rua da Liberdade 45) e pelas autoridades regionais, com acesso restrito a veículos não‑emergência.
Medidas de proteção –
Restrição de circulação em áreas de risco (ex.: zonas costeiras, áreas com risco de deslizamento ou inundações).
Fecho ou suspensão de serviços críticos (ferrovias, escolas, abastecimento de água) até que a situação se estabilize.
Instalação de abrigos temporários e distribuição de ajuda (água, alimentos, mantimentos).
Comunicação ao público – As autoridades emitem avisos constantes (via rádio, TV, internet) para que a população siga as recomendações: permanecer em casa, evitar áreas afetadas, usar rotas de evacuação sinalizadas e respeitar as instruções dos serviços de emergência.
Duração – O nível permanece ativo enquanto houver risco significativo; pode ser reduzido ou encerrado quando as condições meteorológicas melhorem e as infraestruturas críticas forem restabelecidas.
o nível 4 coloca o país em “modo de resposta total”, garantindo que todos os recursos e procedimentos de emergência estejam plenamente disponíveis para proteger a população e minimizar os danos.
News Articles
Expresso – “Mapa atualizado de ocorrências da depressão Kristin”
https://expresso.pt/sociedade/meteorologia/2026-01-28-depressao-kristin-o-mapa-para-ver-a-localizacao-das-ocorrencias-em-tempo-real-241a7ce7
SAPO – “Cerca de 485 mil clientes da E‑REDES sem energia às 18 h”
https://sapo.pt/artigo/cerca-de-485-mil-clientes-da-e-redes-sem-energia-as-18-horas-697a5c20f29d3d1b4b289526
RR – “Depressão Kristin deixa rasto de destruição em Leiria”
https://rr.pt/noticia/pais/2026/01/28/depressao-kristin-deixa-rasto-de-destruicao-em-leiria-a-regiao-mais-afetada-do-pais/457031/
Jornal de Notícias – “Ventos fortes espalham o caos por Leiria”
https://www.jn.pt/jn-direto/artigo/e-uma-catastrofe-ventos-fortes-espalham-o-caos-por-leiria/18045793
Notícias ao Minuto – “Cenários dantescos em Leiria – recuperação pode demorar um ano”
https://www.noticiasaominuto.com/pais/2928162/cenarios-dantescos-em-leiria-recuperacao-pode-demorar-um-ano
Radio/Podcast Episodes (RTP)
19 h – E‑REDES: 450 mil clientes sem eletricidade
Episode: https://www.rtp.pt/play/p7496/e905374/noticiario-nacional
Audio: https://podcasts.rtp.pt/nas2.share/wavrss/at1/2601/11654699_573962-1009-2601281930.mp3
17 h – Proteção Civil: mais de 4 mil pedidos de ajuda
Episode: https://www.rtp.pt/play/p7496/e905347/noticiario-nacional
Audio: https://podcasts.rtp.pt/nas2.share/wavrss/at1/2601/11654617_573943-1009-2601281732.mp3
16 h – Quatro mortes confirmadas após tempestade
Episode: https://www.rtp.pt/play/p7496/e905327/noticiario-nacional
Audio: https://podcasts.rtp.pt/nas2.share/wavrss/at1/2601/11654594_573934-1009-2601281644.mp3
0 h – Leiria ainda sem serviços no seu “dia mais negro”
Episode: https://www.rtp.pt/play/p7496/e905415/noticiario-nacional
Audio: https://podcasts.rtp.pt/nas2.share/wavrss/at1/2601/DLT3301658_573987-1009-2601290039.mp3
Institutional Statements
Proteção Civil: elevou o estado de prontidão especial para nível 4 (máximo) na orla costeira de Viana do Castelo a Setúbal.
IPMA: classificou a depressão Kristin como “ciclogénese explosiva”.
E‑REDES: comunicou pico de cerca de 1 milhão de clientes afetados por volta das 6 h; ainda cerca de 573 mil permanecem sem energia.


