LÍTIO EM MONTALEGRE: QUAIS SÃO AS ORIGENS DISTO TUDO?
Tentemos desvendar quais são as origens deste interesse pelo lítio no nosso concelho. Já percebemos que este interesse não apareceu assim dum dia para o outro. Tentemos analisar cronologicamente o que realmente aconteceu:
-1987/88: descoberta de filões no Barroso por geólogos universitários, um dos quais o prestigioso Prof. Noronha que interviu na sessão de propaganda – de esclarecimento, enganei-me peço desculpa pelo lapso! - organizada pela Câmara a 1 de junho. Depois de 1987, vários trabalhos académicos foram realizados para melhor conhecer este potencial mineiro do nosso país.
-2010: é divulgado um relatório do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) intitulado “Recursos minerais, o potencial de Portugal”. Uma das conclusões é que a região do Barroso apresenta um potencial de recursos minerais, nomeadamente o estanho, tungsténio, quartzo, feldspato e lítio… era o suficiente para despertar a ganância de muitas pessoas…
-2013: a Câmara de Montalegre chefiada então pelo Prof. Fernando Rodrigues, procede a alteração do PDM. Entre outras alterações, vão ser definidas umas 20 áreas de salvaguarda de áreas potenciais de exploração de recursos mineiros que por mero acaso (digo eu) correspondem quase todas as áreas de exploração de Sepeda e de outras zonas onde foram realizados pedidos de prospeção (já foram realizados 7 pedidos de prospeção no total desde 2016).
-28.03.2019: passam-se uns anos e finalmente a população descobre incrédula graças a comunicação social que um contrato de exploração de lítio em Montalegre (mais precisamente em Morgade) foi assinado entre o Estado português e a empresa Lusorecursos! Até ali, “ninguém” sabia de nada, ou melhor dizendo, a população não sabia de nada! Esta informação e mais as informações reveladas pelo programa sexta as 9 alguns dias depois, causou grande indignação na população afetada como é lógico.
-01-04-2019: durante a sessão Ordinária da Assembleia Municipal de Montalegre, o Presidente da Assembleia Municipal e ex-Presidente da Câmara o Prof. Fernando Rodrigues, afirmou “ter uma opinião favorável a este projeto” e que achava que “a grande maioria do concelho aspira e deseja que o projeto se concretize” (quais são as fontes dessa afirmação?). E colocava a questão: “Este projeto tem interesse para o concelho? Acho que tem muito interesse, até mais do que as eólicas, porque poderá criar muito mais emprego. […] Está muita gente à espera, e isto pode ser nada, ou trazer o maior impacto permanente de sempre na sua dinâmica económica e social às zonas envolvidas e à vila de Montalegre”. O Senhor Presidente da Câmara (Prof. Orlando) louvou então a intervenção do Presidente da Assembleia e disse que concordava com tudo o que ele tinha dito.
-28.04.2019: a pedido dos baldios de Morgade e de Carvalhais, a LUSORECURSOS participa finalmente em duas sessões de “esclarecimento” sobre a exploração de lítio no concelho de Montalegre. No final, saiu-se da reunião sabendo quase o mesmo do que quando se entrou. Pouco ou nada esclareceram as pessoas presentes relativamente aos impactos da mina sobre as suas vidas, que era isso finalmente que a população queria saber.
Surpreendentemente, as 2 reuniões contaram com a presença do Prof. Fernando Rodrigues, que veio defender a exploração mineira. Adiantou que era amigo do Sr Ricardo Pinheiro (socio-gerente da Lusorecursos Lithium Portugal SA) há muitos anos e que veio as reuniões a título pessoal para defender o projeto e o interesse público, disse ele.
Isto são apenas factos. Conclusões?
retirado daqui


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